Sunday, January 17, 2010

a home in heaven

grande disco este "All Most Heaven", do Bonnie 'Prince' Billy com Rian Murphy. confesso que não conhecia. "Fall Again" é perfeita.

aliás, ando me entupindo de vinis do Will Oldham, já adquiri 3 deles só essa semana. passar uma tarde vasculhando lojas de discos é uma das minhas maiores alegrias. ontem adquiri "songs of love and hate", do Leonard Cohen; "trout mask replica" e "clear spot", do Captain Beefheart; o clássico "histoire de melody nelson", do Gainsbourg; e "Ramblin'Man", do Hank Williams.

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aqui uma música do WO, de outro disco (Ask Forgiveness), que gosto bastante.
"Cycles"- Bonnie 'Prince' Billy

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ontem descobri que minha perna está bem melhor. após tomar uma pá de cervejas variadas, rolei escada abaixo num bar estranho aqui na cidade perdida onde estou. não entendi muito bem o que aconteceu, mas minha bota subitamente perdeu a aderência logo no primeiro degrau, assim, escorreguei de costas até a curva da escadaria que leva ao banheiro no subsolo. fiquei alguns segundos me recuperando, sem olhar para trás, disfarçando a enorme vergonha que me consumia, no entanto, logo que me levantei, perdi novamente o equilíbrio e outro estabaco veio para completar o percurso até a porta dos lavatórios. o sujeito que estava saindo de uma das cabines deve ter imaginado que eu fosse alguma espécie de imbecil performático engraçadinho, já que me encontrou, após todo aquele barulho de carne batendo contra madeira, com um sorriso de merda na cara, estateladão com uma lagartixa no azulejo mijado. agora manco da perna direita.

Saturday, January 16, 2010

é verdade. deve ser. pelo menos a metade. não vou ignorar que brasas brilham mais sob o vento. uma cadeira num incêndio numa sala cheia de cortinas. deve ser verdade. chamas que se transformam em fumaça rápida planando em voo de condor sob um céu escuro. cinzas que se espalham e entopem meus olhos. é metade verdade. tarde. um lugar perfeito e brilhante para dormir. belo e confuso. e flamas e pulso. cabos elétricos sob o crepúsculo . deve ser tarde. eu acho. minha cabeça apagada com água gelada da pia de um banheiro de azulejos azuis. velas de outono numa janela de madeira pintada de branco. deve ser verdade. deve ser tarde.

Tuesday, January 12, 2010

And then I see a darkness



viajando através do norte profundo, onde tempestades brancas não eram tão densas há tanto tempo. onde as pessoas aprendem a se consolar sozinhas em seus monitores. dois homens encapuzados carregando baldes, com os dedos encolhidos, por uma rua mal iluminada gritam para mim, do outro lado, melhor encontrar teu rumo, parceiro, parece que foi isso. um sonho, talvez, já que as noites daqui escurecem cedo nessa época do ano. portas e janelas e olhos claros se fecham. pedaços de bonecas em sacos plásticos de lixo coloridos na lama de fuligem. carros, placas e pavimento congelados sob uma camada espessa. galho seco e calefação. igrejas assombradas. no jornal, uma garota que morreu no ano novo após um longo período doente.


"Bernadette & her crowd"
- Vic Chesnutt

Tuesday, January 05, 2010

The Bassholes - "(Don't You) Look Sideways At Me"

um hino de guerra sangue
no olho blues
pós-apocalíptico.
tqparil.

Monday, January 04, 2010



nevou bastante esses dias. as pessoas se aglomeraram para comemorar o novo ano com fogos e algazarra. preferimos fugir para a casa que range como uma idosa se agachando. um lugar legal que nos protege das fortes lufadas dos ventos ocidentais. a apocalíptica cidade está coberta por uma camada grossa de gelo. tudo cinza e branco, com neons ocasionais numa nebulosa meia-noite. percebo que minha perna esquerda ainda não melhorou quando, mesmo que de leve, perco o equilíbrio no ritmo lento e perigoso da vida. eu precisava desaparecer no meio do caos, longe de alarmes despertadores ou barracas de acampar. está funcionando. fico em silêncio, leio e jogo conversa fora com minha mulher.

Wednesday, December 30, 2009

estou fora por enquanto.
sei que meu amigo já voltou pra casa e as coisas estão quase prontas.

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Vic Chesnutt morreu, numa overdose de relaxantes musculares, na noite de natal. uma grande perda.

Vic Chesnutt - "Flirted with all my life"

mais.

Monday, December 14, 2009

espero meu amigo se recuperar
sentado.

"Spanish Moss" - Smog

"On the Beach"(Neil Young) - Radiohead

Wednesday, December 09, 2009

hoje & amanhã


Friday, December 04, 2009



Hoje terminei de ler “Leões de Bagdá”, uma HQ lançada aqui em 2008, de Brian Vaughan e Niko Henrichon, baseada numa história real que aconteceu após um bombardeio americano que atingiu um zoológico iraquiano, libertando quatro leões famintos pelas ruas devastadas da lendária cidade do Sudeste Asiático. Li hoje cedo essa novela infanto-juvenil - algo como uma clássica história da Disney sem aquela fofurice mela-cueca e esperançosa -, onde os animais se comunicam entre si e travam questões, de forma ingênua, sobre a liberdade e o aprisionamento aconchegante do zoo, e encaram as roubadas da nova realidade. Fiquei um tanto comovido com o final. Talvez por não esperar aquele desfecho para a história cruel dos bichanos; talvez pela ingenuidade pura e tola de uma história em quadrinhos feita nos velhos moldes; quiçá por ela me lembrar também dessa minha antiga diversão, que é ler um quadrinho, uma revistinha com uma bela fábula triste.

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Este ano já deu a cota. Passei esta última semana quebrado. Carreguei minha carcaça de grilho, a capa do Batman, pelas ruas escaldantes e entupidas de São Paulo. Agora vou dar umas bandas por ai, respirar novos ares em ambientes fechados. Ficar bêbado demais para sonhar, agarrado nos braços da minha mulher como se o chão fosse desaparecer sob meus pés. Preciso dar uma volta descompromissado sem pressa com as mãos nos bolsos. Arremessar coquetéis Molotovs numa casa na árvore e rir longe de tudo. Talhar grunhidos em portas de banheiros públicos com meu canivete suíço falsiê. Ouvir country music honky tonk sob o vento causticante de alumínio dos trópicos em lugares improváveis. Fumar bastante e foder minha alma com bebidas fortes de origem suspeita escutando os ecos das ilusões. Olhar as luzes das casas do outro lado da colina brilhando na escuridão. Não tenho planos ou vontades para o novo ano, nunca penso em períodos, tudo será sempre súbito e brusco na minha vida. Por enquanto, quero apenas sair para dar uma volta.

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aqui meus álbuns preferidos de 2009:
- Fiery Furnances – "I`m Going Away"
- Grizzly Bear – "Veckatimest"
- Girls – "Album"

Aqui uma paulada para animar suas noites quentes e festivas de final de ano:
"Brand New Cadillac” – Vince Taylor

E outra pra dar um passeio de carro às 5 horas da matina em bairros afastados pensando que a noite irá compensar a ressaca.

"Life Turned Her That Way" - James Carr
puta que o pariu. essa música dichava.


Yippee Ki Yay Santa

Monday, November 30, 2009

hoje discoteco no D-Edge. a partir da 0h.
tenho alguns acessos vip. me avise, quem quiser ir.

Sunday, November 29, 2009

"Don`t Believe in Christmas" - The Sonics

Friday, November 27, 2009

Quaisquer que sejam meus pontos de partida, novas tentativas, serão todas pequenas viagens da escuridão à luz do dia. Na rua Augusta, na praça Roosevelt, na estrada ou em casa. Onde quer que eu me sente, tudo será lembrança. Um rio cheio de destroços que escorre dentro de mim. Um rio cheio de esperanças estranguladas, sonhos dormentes e aspirações sem rumo e tangíveis como fezes vivas e fétidas boiando sob o céu púrpuro e assombroso da metrópole elevada. Vivo no subterrâneo. Escuro, sombrio e apaixonado pelo desconhecido óbvio e aterrorizante. Existo apenas quando tudo desmorona e vira pó. Sou feito de sombras musculosas.

Monday, November 23, 2009

Sunday, November 22, 2009

A real mesmo é que sou uma pessoa ausente. Não sou unido à porra nenhuma. Vivo nos escombros incendiados de uma ilha baldia. Tenso. Decididamente inclinado para a autodestruição devoradora. Finjo escapar das ruínas do isolamento quando fujo para os sussurros dos subterrâneos do baixo centro Augusta da cidade de São Paulo. Quando seguro o riso de canto e me apoio em muros descascados. Ou quando me engancho nos braços desdenhosos de alguma mulher cheia de dentes. Eu me iludo e finjo, me arrependo e fujo, depois, do rebanho mórbido. Da vida pegajosa e amorfa da coletividade fingida. Da lealdade porcaria. Da maldita máquina de pastéis que gera o fluxo da vida e seus objetivos elevados. Tento refletir, como teria sido se eu não fosse assim, tão cínico. Agora é tarde demais para descobrir. Na janela que dá de frente para um muro de concreto, com o olhar retraído de alabastro, vejo o entardecer, e me lembro de como me sentia naquela noite suportada, quando sorvi tudo de belo e fabuloso. Me perguntava até quando estrelas negras iriam se esconder sob a escuridão nebulosa. A grande Lua solitária e erodida lá em cima. Os pombos arrulhando nos fios de alta tensão. Quando estou sem nenhum sinal de reconhecimento, despedaçado e segurando o riso, sinto uma auto-suficiência que me assusta.

Friday, November 20, 2009

hoje

há muito tempo atrás, essa música arruinou minha vida.

"We Almost Lost Detroit" - Gil Scott-Heron & Brian Jackson

Tuesday, November 17, 2009

hoje, né



vou sair com meu taco de baisebol.
por isso, não mexa comigo. não me faça nervoso.
algumas pessoas passam a vida inteira sem entrar numa briga. estou me sentindo assim hoje.
com vontade de tacar fogo em você e apagar com pauladas, com meu taco de baisebol.
apareça aqui na porta de casa. e eu vou te receber com minha arma apontada pra tua fuça.
meus grandes inimigos.
agradeço que vocês ainda existam.
por enquanto.
vou fazer tuas mulheres viúvas e teus filhos orfãos viciados em crack perambulando pelas quebradas da Paim. eles ainda vão me pedir moedas.
sempre que acordo, faço uma roleta russa encarando o espelho trincado.
ensaio um adeus.
no entanto, o satanás ainda me quer aqui.
com meu v8 apavorando civis.
meu taco de baisebol no banco de trás.
xavascas pingando e narizes escorrendo o sumo da verdade.
o sangue quente e a fúria sem controle. algo que explode e estilhaça dentro do meu peito.
por opção.
fique longe de mim.
ou serei obrigado a subir teu gás.
outra vez.

Friday, November 13, 2009

minha obscura vida de artista direitista arrogante

amanhã viajo com o pessoal do "Curta-Passagem" para apresentar a peça em Pirajú, a 335km de Sampa. estradão desde cedo, não sei se vamos pela Raposo ou pela Castelo, mas tenho certeza de que o sol vai assar os miolos e muita cerveja será necessária pra não morrer sufocado no banco da van, ou serei obrigado a cuspir em mim mesmo. a peça acontece no Teatro Cinemax, na rua Washington Osório de Oliveira, 660, às 20hs30.
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na segunda, dia 16 de dezembro, rola mais uma edição do Rive Gauche no espaço b_arco, com leitura da peça francesa "Escola de Viúvas"; no elenco tem a Maria Manoella, a Tati Tomé, Majeca Angelucci e o Zé Trassi. eu vou desenhar - com mais uma pá de gente - o que der na telha durante o ato. a partir das 20hs30. endereço no link.
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e na terça, na Livraria da Esquina, discoteco safadezas hereges acompanhado das bandas Fábrica de Animais e La Carne. paulera pura. a partir das 22hs. veja o endereço no link.

e venha comigo.
você tem um cigarro aí?
vamos juntos explorar das massas.
sem dormir direito, claro.

Thursday, November 12, 2009

O ar que me falha surge quando corto estradas sobre planícies resplandecentes que variam a direção de acordo com árvores e imensas rochas no caminho. Sei que pode parecer loucura. Estou intoxicado pela metrópole peçonhenta. Eu nunca me digo a verdade. O ar me falta e invento, por isso, escapo e perco a cabeça. Algo se acomete sobre mim. Meu regular nunca é suficiente. Sei que não adianta. Talvez eu deva explodir como uma garrafa arremessada num muro. A sorte que suja e pinga vermelho. Quando atravesso planícies desoladas pelo vento, mantenho-me quieto e absorto. Invento. E tudo é bem mais fácil que morrer para mim. Paro num posto de abastecimento em Passo Alto. Perco a cabeça e o céu despenca. Com punhos cheios de poeira, observo a paisagem. O sopro que deita as lavouras no horizonte. O sol pune tudo ao redor. Nuvens detonam no céu. Pela última vez. Eu trouxe minha ansiedade para uma planície desolada, agora deixo que os lobos me julguem. Lá de longe. Uivo para que me encontrem

e

me

dest

ri

nch

em.

















sob quentes tardes cinzentas,
minto
para quem não me conhece