Friday, November 26, 2010

Friday, November 19, 2010

almofadas não causam estragos. Douglas disse isso e engoliu sua dose sem piscar ou franzir qualquer coisa em sua face meio avermelhada. Talvez fosse a hora de se levantar e voltar para casa e dormir. Ele friccionava o isqueiro que apenas faiscava. Seus olhos vidrados silenciosamente desmoronavam em grandes blocos, embolando algo dentro do peito. A poeira. O fogo. Os travesseiros. Algo falhava. Sua mulher sentada na calçada do outro lado da rua. O maxilar pressionado. Penumbra ao amanhecer. Douglas fechou os olhos. Depois abriu. E fechou de novo. Talvez olhasse para baixo. Desse de ombros para tudo ao redor. Talvez algo lhe prensasse de forma selvagem. Como se o polegar pesado de deus lhe espremesse como um gomo seco de mexerica. Tentou falar sem fazer o menor ruído. Juntou os calcanhares. Sua cabeça estava dentro de uma panela.

Saturday, November 13, 2010

Tuesday, November 09, 2010

c`alma

todas as promessas têm prazo de validade
podem ser recicladas
assim como todos os fantasmas
que oscilam à noite
na madrugada

não durmo nunca
abstenho
flutuo

anestésico para cavalos sob as luzes do tráfego
num final de tarde laranja
desviando de jornais e sacolas plásticas
de supermercados
nas calçadas

nas janelas dos prédios
onde nada reflete
nos azulejos trincados
nas faces de uma moeda enferrujada

um milhão de coisas
pela metade

ou em partes falhas

só vejo você.
***

*repost

"A gente se mete a escrever porque não sabe lutar boxe nem tem colhões para isso, porque tem os dentes tortos e não pode sorrir como gostaria, porque para os impotentes de todo tipo não há outro caminho, porque todos os feios escrevem ou assassinam e a gente não é capaz de matar nem uma mosca, porque escrever dá importância, porque para chamarem alguém de escritor não é preciso escrever bem, mas para chamarem de filho-da-puta não importa se sua mãe é uma santa, porque tem medo de ficar à deriva sem fazer nada, porque não pode beber toda noite, porque ama a Deus mas odeia as sociedades sem fins lucrativos, porque não tem namorada, porque não há emoções mas insultos, porque na sua casa não tem televisão e o rádio quebrou, porque a mulher do vizinho é gostosa, porque tem medo de ficar careca e por isso evita os espelhos. A gente se mete a escrever porque não se atreve a assaltar um supermercado, porque ama a mulher e ela é namorada do garoto esperto da rua, porque não há revistas pornográficas suficientes, porque quer fazer alguma coisa além de cagar e se masturbar, porque não é o garoto esperto da rua nem o garoto forte nem o engraçado, porque é o garoto nada, porque não vale um tostão furado, porque apanha lá fora, porque sua mãe grita o tempo todo, porque não há ilusões nem luz no fim do túnel, porque sua mãe grita o tempo todo, porque sua mente voa baixo e nunca será outro Cioran, porque não tem coragem para saltar, porque não quer a esposa feia que merece, porque tem medo de morrer sem ter comido um belo cuzinho, porque não tem pai, amigos, nem fortuna, porque não tem o jeito de cuspir do Clint Eastwood, porque se paralisa entre uma e outra intenção, porque era uma vez o amor mas eu tive que matá-lo."


Efraim Medina Reyes

Saturday, October 16, 2010

quase, nunca foi o bastante

Quase, por um bom tempo, foi o bastante, o suficiente. Dia que amanhece escuro como sombra de beco numa rodoviária no centro de uma cidade de interior que reconheço muito bem. Eu cheguei numa manhã assim, apenas para curar a dor de um amor perdido. Procurava respostas sussurradas pelo vento que saía da sua boca. O único telefone que eu ainda guardava na memória e consegui discar num orelhão a cobrar. Sua voz parecia enferrujada e carregada de uma tonelada de vacilos, fuligem, que você nunca ousaria admitir a ninguém. Cheguei à sua casa debaixo da chuva. Você mais acabada que sempre. Sua mãe assistia Vale a Pena Ver Novo não me reconheceu, ou pelo menos fingiu. No quarto, uma toalha com pequenos furos, como sua pele lisa, amor da minha vida. Coloquei minha maleta sobre a cômoda banguela de puxadores. Você ficou ali sentada. Não parecia confortável. Eu ainda posso ouvir o som da lixa contra suas unhas. Ainda posso ver teu rosto iluminado pela luz opaca de um longo inverno que entrava pela janela. Ninguém mais está sozinho agora. Lembro-me do dia em que você me disse que estava grávida e chorou amarrada em mim. Aqueles moleques ali não sabem o quê estão falando. Aos 15 anos. Só que o filho não era meu. Isso foi há muito, muito tempo atrás. Vendíamos papelotes para os playbas da escola com o único intuito de pagar o aborto. O aborto que custou muito pra você, que te tornou menos mulher, segundo sua mãe. Eu me lembro bem. Não era pra ser tão difícil. Não era para ser impossível. Suas pequenas ofertas compradas em becos com esgoto a céu aberto. Ruas para se esconder da comédia da vida comum. A pia da cozinha e as pílulas coloridas de sua mãe espalhadas. Quase, sempre será o bastante. Íamos para o Parque Ecológico e nos escondíamos onde a mata era mais fechada. Você escrevia poesia e lia para mim. Parecia um anjo alvejado, com madeixas douradas cheias de cachos e folhas secas como árvore de cerrado. Hoje está mais para pintura esquecida em depósito úmido embaixo de escada de sobrado. Seu sorriso esfarelado como uma floresta após um incêndio criminoso de beira de estrada. Não lê mais porra nenhuma. Não possui uma única novidade para me contar depois de todos esses anos. Não se importa mais com os pássaros da área descoberta. Eu não sei. Pode parecer o velho clichê da menina que sofreu abusos na infância e depois perdeu o rumo, entretanto, isso não é verdade. Você era ligeira e tinha idéias boas, precoce e divertida. Vivia fazendo piadas das minhas tendências suicidas, tanto que até percebi o quanto aquilo era uma grande bobagem. Quase, nunca foi o bastante. Arrumou os caras errados. E perdeu a infância cedo demais, embora isso aconteça com moleques como aqueles que nós sempre fomos. Nunca tivemos silêncio. Éramos irmãos que trepavam gelados após um baseado. Éramos um casal que formava uma gangue. Éramos os desgracinhas cheiradores de cola. Eu fui até sua casa naquele dia apenas pra implorar ajuda. Queria ver como você passava. Algo me cortava como navalha, como som de piano na madrugada. Quase, nunca foi o bastante. E você já não acreditava. Se lixava na beirada da cama. Com o baton borrado e o lápis preto ao redor dos olhos verdes fritos. Disse que havia se arrumado só para mim. Atrás, pela janela, eu via, uma cidade que um dia me pertencera; seus prédios descascados com janelas de metal; céu cinza de inverno; som de motor de ônibus em ladeira. Uma cidade que perdeu todo sentido. Pensei em me aconchegar ao seu lado, segurar sua mão e dizer o quanto sentia por você e por toda essa merda que havíamos nos tornado. Mas, ao invés disso, apenas abri minha maleta e atirei uma poesia antiga que havia ganhado de você no Parque. Nela estava escrito que quase, nunca fora o bastante. Quase, nunca será o suficiente. Fui embora na chuva. Sua mãe se despediu, eu não respondi. No ponto de ônibus, um cara vendia revistas pornográficas - com meninas de rosto angelical - para três sujeitos bem-vestidos.

Tuesday, October 05, 2010

She won´t be my gal no more

Vinte milhões de habitantes nesta cidade, no entanto, não é pra você que devo satisfações, pare de fazer barulho à toa. Fica longe de mim, boneca. Só um pouco. Não foi você que me transformou nesse homem violento e descontrolado como uma bandeira num furacão, eu nasci assim. Vou apenas até o bar espremer o chorume da minha cabeça enquanto o céu desaba sobre toldos e telhados. E aí, quando a tempestade passar, eu voltarei para você coçar minhas costas, afinal, todos nós precisamos de alguém, num é mesmo? E não venha me falar de amor adequado ou sobre os rumores espalhados pela cidade sobre o meu temperamento; nem dessas besteiras sobre apostar todas as fichas numa viagem pro deserto de Mojave; sobre jogar as chaves de casa num vaso sanitário de banheiro público. Sinto como se segurasse uma bigorna besuntada de aflição nos braços. Todas as noites. Todas. Eu venho tendo visões e ando escutando vozes. Quando enxergo o céu de São Paulo, com suas nuvens magnetizadas pelas antenas e pelas luzes dos prédios da Paulista. Quando chove na cidade de São Paulo - como hoje - e eu não tenho para onde fugir. Quando respiro o ar úmido e denso e carregado de fuligem, como se estivesse num barco à vela no meio do oceano. Quando caminho devagar pela calçada irregular, acompanhando carros hesitantes e coletivos. Quando cruzo com estranhos e sequer olho em suas faces, pois não estou procurando ninguém e nem quero que me notem. Quando as poças d’água refletem o brilho dos faróis e das lâmpadas dos postes recém acesos. Quando, aos poucos, tudo fica encoberto pela penumbra da noite e a paz me escapa. Quando amo você apenas quando estou realmente triste – e estou sempre triste. Quando não sinto porra nenhuma mas lembro das coisas que preciso fazer antes de morrer. Quando percebo que meus irmãos pegaram carona antes de mim. Quando tenho apenas meus ossos e meus pulmões carregados como um cinzeiro cheio bitucas da noite anterior; minha vida que cozinha dentro do peito. Quando não tenho chances, quando não quero ser importante nem criar uma merda duma bela família. Quando estou além da lama e dentro da loucura.

Tuesday, September 21, 2010



Apenas uma garota na escuridão da estrada sentada numa cerca de madeira fica para trás na penumbra do retrovisor como a saudade entre amantes de coração bêbado que nunca se conheceram sóbrios sob o brilho da luz elétrica acidental onde um gato preto de meio rabo e olho aceso um vodu passeia pela calçada molhada do autoposto amarelo de diesel e gasolina batizados de placa de aço pintado pendida com um numero 16 e um buraco de bala essa impressão de vazio na rodovia que abranda e acalma na escuridão do sossego de céu estrelado esburacado como velocímetro dedos que embrulham cabeças como se enfaixassem volantes rádios não sintonizados e vacas pastam em pradarias descascadas longe da água da torneira que tem gosto de lágrima ya know my heart keeps tellin´ me you´re not a kid at thirty-three you play around you lose your wife you play too long you lose your life

Thursday, September 16, 2010

pouca coisa

Hoje rola a última apresentação de "Postcards do Atacama", na V Mostra Cemitério de Automóveis.

POSTCARDS DE ATACAMA

Texto, Direção, Sonoplastia e Iluminação : Mário Bortolotto
Elenco : Carlos Carah, Fernanda D´Umbra, Mário Bortolotto, Daniela Dezan, Paulo "Deus" Jordão, André Ceccato, Thiago "Carcacinha" Pinheiro, Jiddu Pinheiro, Wanessa Rudmer, Samya Ennes, Luciana Vitaliano, Flávia Tápias, Marina Franco, Fernanda Sanches, Nelson Peres, Walter "Batata" Figueiredo.
Guilherme Folco (Sax)
Operação Técnica : Rodrigo "Linguinha" Cordeiro e Luiz Eduardo
Produção : Daniela Dezan e Wanessa Rudmer
Hoje. Quarta (dia 15) e Quinta (Dia 16) às 21h.
Centro Cultural São Paulo
Sala Jardel Filho
Rua Vergueiro, 1.000
Ingressos : R$ 10

: também encerra a temporada "Predador Entra na Sala", no Parlapatões



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e depois rola a quinta edição da Festa de Merda:



e tem SACO DE RATOS no Rockers Club, na rua Augusta,901. a partir da 0h.


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amanhã estréia na V Mostra Cemitério de Automóveis



argh, ainda discoteco no SONIQUE, nesta sexta-feira, desde Oh.

e, finalmente, no sábado, uma ressaca suícida começa cedo.

Tuesday, September 14, 2010

sudorese

já está no ar a nova edição da IDEAFIXA #17 Underground.

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hoje em dia existem empresas especializadas em catar blogs que disponibilizam músicas de maneira ilegal. as gravadoras, ou até mesmo os artistas lesados, contratam um advogado paspalho que vai navegar pelas entranhas da internet, do Google, e avisar ao desonesto pirata que pare ou ele vai ver só. desde meados do ano passado, endereços blogspot recheados de gravações raras, sessions e o escambau, começaram a ser desligados sem aviso prévio. eram arquivos gratuitos com a discografia oficial e outras coisas inimagináveis - com resenha, capinha e às vezes as letras - do Captain Beefheart, Bonnie Prince Billy, Bob Dylan, BB King, Wanda Jackson, soul, funk rockabilly, punk, tudo, praticamente, ao alcance de um clique. alguns blogs abdicaram de seus endereços e abriram outros domínios que também foram deletedos, outros continuam atuando de forma tímida, os mais desaforados apenas abandonaram a alcunha de blog e continuam botando fogo na orelha de quem sempre vasculhou, através de um endereço particular, um site. as pistas estão nas grandes comunidades virtuais.

só queria dizer que o Doctor Mooney 115th Dream ainda existe! descobri agora pouco.

olha isso.

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POSTCARDS DO ATACAMA



amanhã a V Mostra de Teatro Cemitério de Automóveis continua. vai rolar "Postcards do Atacama" e, porra, essa peça é muito foda. Só mais quarta e quinta.

texto e direção: Mário Bortolotto - elenco: Mário Bortolotto, Fernanda D'Umbra, Nelson Peres, Carlos Carah, Daniela Dezan, Wanessa Rudmer, Flávia Tápias, Luciana Vitaliano, Fernanda Sanches, André Ceccato, Paulo Jordão, Jiddu Pinheiro, Walter Figueiredo, Samya Enes e Marina Franco

"Toddy abandona a esposa, refugia-se em um hotelzinho de fim de mundo e fica enviando cartões postais para a esposa, que contrata um detetive para encontrá-lo."

quarta e quinta, às 21h Ingressos: R$ 10,00 Sala Jardel Filho
Centro Cultural São Paulo - Rua Vergueiro, 1000 - São Paulo - SP

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depois todo mundo raspa o gato pro boteco em frente ao CCSP para assistir Fluminense x Corinthians.

Monday, September 13, 2010

####FESTA DE MERDA####

OS HAXIXINS




Da beira de um córrego da Zona LOST, apelido dado para a Zona Leste da cidade de São Paulo, a parte da periferia de onde vieram as bandas mais garageiras da cena brasileira, surgem Os Haxixins. Talvez pelos vapores, a poeira ou o ar do local, eles são a banda mais obscura, psicodélica e autêntica da vizinhança.

Influenciados pelo rock obscuro dos 60's, garage punk e psicodelia, os amigos Sir Uly (bateria) e Fábio (guitarra) resolveram montar um repertório “Só com o pedal Fuzz e a coragem”, segundo o próprio Uly, depois de terem feito parte da extinta banda The Merry Pranksters.

O nome do grupo surgiu após o convite feito para o baixista Daniel Villafranca e o organista Alexandre "Alôpra" Romera, inspirados no livro “Clube dos Haxixins”, sobre as experiências de um grupo de fumantes de haxixe fundado em 1845, que reunia artistas como Charles Baudelaire e Téophile Gautier. As reuniões, realizadas no Hotel Pimodan, serviam para promover o uso de haxixe, levando seus membros a se deliciarem nas mais fantásticas alucinações e pesadelos, coisas com as quais os atuais Haxixins se identificam.

Além do visual retrô, os caras só tocam com equipamentos antigos e, sempre que possível, carregam seus Gianini Tremendões e Phelpas por onde vão. Outro diferencial das apresentações ao vivo é o "light show", projetores de luzes psicodélicas sobre a banda.

Na estrada desde meados de 2003, já tocaram em lugares ímpares, como o Bar do Bal, no extremo sul da Zona Sul, e o Bar do Aranha no coração da Vila Formosa, além de clubes do circuito de música independente e festivais, como Goiânia Noise (Goiânia) e Be-Bop-a-Lula (São Carlos).

Depois de quase desistirem de gravar um disco devido a tentativas frustradas de alcançar a sonoridade de bandas dos 60s (ou pelo menos se aproximarem do estilo das gravações, sujas e pequenas), em 2007 foram apadrinhados pelo Berlin Estúdio, produzidos por Jonas Serodio (Thee Butcher's Orchestra e The Blackneedles), e conseguiram alcançar o resultado tão esperado com o uso de gravador de rolo, amplificadores valvulados e instrumentos de época.

O disco saiu pelo selo independente português Groovie Records em vinil de 12 polegadas, apresentando composições próprias banhadas em ácido lisérgico, e covers, como "Dirty Old Man" (The Electras) e "In The Deep End" (Artwoods). Na seqüência, veio a primeira turnê européia, que passou por Portugal, Espanha e Itália.

Na viagem, a banda fez shows memoráveis em santuários do garage rock mundial, como La Pequeña Betty e La Gramola (Espanha) por onde já passaram importantes bandas da cena garagera e Skalleta (Itália), por onde já passou o eterno líder do Love, Arthur Lee. O disco também trouxe resenhas em publicações conceituadas, como Shinding (Inglaterra) e Lost In Tyme (Grécia), além do portal de garage punk espanhol I-Punk.

De volta ao Brasil, o baixista Daniel deixou a banda para se dedicar a outro combo, Os Cavernas, e foi substituído pelo amigo de longa data, Caio Sérgio. Logo voltaram ao Berlin Estúdio e registraram duas composições próprias ("Depois de um LSD" e "Espelho Invisível"), que saíram num compacto simples, também pelo selo português Groovie Records.

Para 2009, preparam o lançamento de um compacto duplo por um selo do Texas (EUA) e aguardam o relançamento do primeiro álbum pelo selo americano Get Hip, também dos EUA, casa de bandas como The Cynics e Ugly Beats.

A segunda passagem pela Europa teve uma grande marca para Os Haxixims. Com o set list recheado de músicas inétidas, tocaram em clubes importantes como Gruta 77 (Madri)d), Bullitt (Bilabao) e talvez o mais esperado, Primitive Festival. Um Festival que conta com os apreciadores da garage sessentista de todo o continente velho e outros. Segundo palavras do organizador do festival, Dave Andriese, Os Haxixins mostraram como se faz o vedadeiro rock primitivo, nú e cru. Sem contar que dividiram o palco com a banda Fleshtones dos anos 80. De volta ao Brasil, Caio Sérgio seguiu seu rumo e hoje não faz mais parte dos Haxixins, dando lugar para o antigo amigo da banda Edu Osmédio. Os Haxixins fazem questão de ressaltar o CCPC, um novo clube que tocam todo mês. Um lugar que abraçou a verdadeira causa da garage e que dá oportunidade para bandas com as mesmas referências que os Haxixins para tocar. Com as vinhetas do video clipe dos Haxixins mostrada pela MTV, o espaço tem crescido...

by:Gregor Izidro e Marcelo Schenberg

www.myspace.com/oshaxixins

Mickey Junkies na Festa de Merda - quinta-feira, 16






Por Rodrigo Lariú, Midsummer Madness

Mickey Junkies foi uma das referências do rock alternativo no Brasil nos anos 90. O quarteto de Osasco, que desde 1990 vinha testando formatos do que seria uma banda, juntou os trapos pela primeira vez em 27 de novembro de 1991, dia do aniversário de Jimi Hendrix, para um show na extinta casa Dynamo, com Rodrigo Carneiro (voz), Érico Birds (guitarra), André Satoshi (baixo) e Alexandre Carvalho, depois substituído por Ricardo Mix na bateria.

Após vários ensaios e bons shows, em 1992 o Mickey Junkies gravou sua primeira demo, “Always on the beat”, com Edson X da banda Gueto como produtor. Junto com Killing Chainsaw, Pin Ups, Tube Screamers, Okotô, todas de São Paulo, Mickey Junkies rodava os porões da capital, tocando praticamente em todos lugares possíveis da cidade.

Ainda em 1992, gravaram a 2ª demo ao vivo numa das casas noturnas mais famosas da época, o Espaço Retrô. Sem tocar na rádio, sem gravadora por trás (na época existiam pouquíssimas gravadoras independentes, a maioria eram selos distribuídos por multinacionais) e numa época pré-internet, o máximo que qualquer banda conseguia eram citações em matérias sobre o udigrudi nacional e ter o Jello Biafra, ex-Dead Kennedys, na platéia de um de seus shows, no Der Tempel em 1992. Com toda esta bagagem, ainda em 92, o MJ faz seu grande show, no Aeroanta em SP, abrindo a noite para um show do DeFalla.

Aparecer na imprensa não era problema para o Mickey Junkies: em 1º de janeiro de 1993 o jornal O Estado de S.Paulo estampava na capa de seu caderno cultural uma matéria com Dave Grohl, na época ainda baterista do Nirvana, elogiando os discos de bandas brasileiras. A respeito da demo Mickey Junkies, Grohl comentou: “Tem influências de punk antigo, é cool !” Em fevereiro de 93 eles gravam a 3ª demo, desta vez ao vivo no programa Clip Independente, que colocava bandas brasileiras ao vivo na Brasil 2000 FM durante 1 hora semanalmente.

Ainda em 1993, os críticos da revista Bizz elegeram o Mickey Junkies como 4ª colocada no quesito revelação de 1992. À frente deles, Skank e Daniela Mercury, com um honroso 1º lugar para o Second Come. Mas o melhor de 1993 ainda estava por vir: o Mickey Junkies participou do 1º Juntatribo, festival alternativo que aconteceu na UNICAMP naquele ano e reuniu as melhores bandas do underground brasileiro. O jornalista Felipe Christ escreveu num jornal da época: “Mickey Junkies foi um dos destaques da noite. O vocalista ensandecido ganhou a atenção do público apoiado por uma banda competente…”

“A True Noise Experience” foi a 4ª demo da banda em apenas 2 anos de existência. A esta altura do campeonato, bandas contemporâneas como Second Come, Killing Chainsaw, Pin Ups e Virna Lisi já tinham seus discos, só faltava o do Mickey Junkies. A banda continuava a tocar bastante, aparecia em vários programas de TV, em todas as revistas e jornais possíveis, eram o must dos fanzines da época. Além disso, a música “Holiday on Ice” estava entre as mais tocadas da rádio Brasil 2000, e entrou numa coletânea em disco de vinil do programa Clip Independente.

Em 1994, outra coletânea, a famosa “No Major Babes” do selo Caffeine, distribuído pela Paradoxx e organizado pelo jornalista Marcel Plasse, trazia a versão exclusiva de “Waiting for my Girl”. Este primeiro contato com a gravadora Paradoxx resultaria no CD Stoned, gravado em julho de 1995 e lançado no mesmo ano pela Paradoxx, uma das poucas independentes “grandes” da época. O disco foi produzido por R.H. Jackson (que havia gravado “Scrabby” do Pin Ups).

Mas após ter conseguido o que todas as bandas da época procuravam - gravar um disco - os problemas que levariam ao fim da banda começaram.

Retorno

O recesso das atividades da banda durou exatos 10 anos. Até que em 2007, o grupo voltou a se encontrar, a ensaiar e a se apresentar ao vivo. Em paralelo à retomada, o selo Midsummer Madness produziu uma edição online do disco Stoned, acrescida de um bônus com sete músicas, e o quarteto, que foi uma das atrações da 14ª edição do Goiânia Noise Festival, realizada entre os dias 21 e 23 de novembro de 2008, lançou na ocasião uma nova faixa intitulada "Tryin' to resist". O ano de 2009 foi marcado por aparições em programas da web, como o Poploaded, apresentado por Fabio Massari e Lúcio Ribeiro, e shows no Vegas, Matilha Cultural, Centro Cultural da Juventude, entre outros. Em 2010, a banda segue compondo e tocando.

Ler mais: http://www.myspace.com/mickeyjunkies#ixzz0zRChcxKs

Wednesday, September 08, 2010

eu gosto de Screaming Trees

O site Pitchfork colocou sua lista das 200 melhores músicas dos anos 90. Achei um pouco forçada, têm muita porcaria ali, como todas essas listas extensas, e outras coisas que nem imagino quem são; além do velho lixo que pega bem falar que gosta hoje em dia e fazer cara de panaca grafiteiro que sai em revistas ultra-descolada com fotos fora de foco e tênis logotipado sem meia. mas vale conferir.

Aqui, The Vaselines se expressando muito bem.

"I Hate the 80's" - The Vaselines

Herói Devolvido

A V Mostra de Teatro Cemitério de Automóveis continua.
Hoje e amanhã rola "Herói Devolvido", adaptação e direção de Mário Bortolotto do livro do Marcelo Mirisola.
Assisti algumas cenas durante o ensaio na semana passada. é foda.
amanhã estarei lá.

às 21hs, 08/09/2010 e 09/09/2010
CCSP - Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000.
Sala Jardel Filho

Tuesday, September 07, 2010

fiquei sabendo agora que Abbey Lincoln morreu. bem no dia do meu último aniversário. aqui ela canta "For All We Know", no início de Drugstore Cowboy, de Gus Van Sant. essa versão é tão bonita que chega a ser perigosa, algo fora de moda, como aquela vizinha no prédio da frente que arremessa, de madrugada, garrafas através da vidraça do apartamento.

Thursday, September 02, 2010

breve na Festa de Merda

Predador Entra na Sala



ainda restam 2 semanas de temporada.