Wednesday, June 17, 2009
Monday, June 15, 2009
quero ser seu amigo no facebook
terça estranha.
não sei se alguém já sabe, mas estou numa peça do Mário.
amanhã tem.

no mesmo dia e horário, rola a peça do Marcelo Paiva.

daí, depois, todo mundo vai pro show do Saco de Ratos.

é divertido
até a terça virar quarta de manhã.
divertido para caralho, aliás.
não sei, mas as quartas andam me detonando.
não sei se alguém já sabe, mas estou numa peça do Mário.
amanhã tem.
no mesmo dia e horário, rola a peça do Marcelo Paiva.
daí, depois, todo mundo vai pro show do Saco de Ratos.
é divertido
até a terça virar quarta de manhã.
divertido para caralho, aliás.
não sei, mas as quartas andam me detonando.
Sunday, June 07, 2009

me amarro quando encontro uma molecada fazendo um som de qualidade. é difícil encontrar novas bandas interessantes. The Rosewood Thieves é uma banda recente e anacrônica, daquelas anti fashion que se vestem mal e fazem poses erradas em fotografias. o que importa mesmo é a bagagem que carregam nas mochilas pegando carona em trens e metrôs das metrópoles urgentes, coisas como livros do Jack London e todos os albúns de Bob Dylan no iPod, folk podre caipira e soul music. o lixo que eles consomem é muito importante para você saber quem eles são. The Rosewood Thieves lançaram seu primeiro albúm no mês passado. porém, antes disso, esses nova-iorquinos lançaram 3 ótimos EPs, incluindo um com apenas covers de Solomon Burke, desgraçadamente foda. boas letras, melodias & arranjos sutis, pouca preocupação com pose e uma boa dose conhecimento e veneno musical e literário. não é preciso muito para se formar uma banda interessante.
The Rosewood Thieves - "When my plane lands"
The Rosewood Thieves - "Home in your Heart"
The Rosewood Thieves - "Los Angeles"
Monday, June 01, 2009
Wednesday, May 27, 2009
(continuação da porcaria abaixo)
Compro outro maço num boteco em frente e penso um monte de coisas erradas, como meu dinheiro acabar em breve, antes da aurora. Minha testa arde. Tem um galo nela. Não foi nada. Tomei um baita susto. Os espectros da madrugada estão cada dia mais exigentes e agressivos, como os cães famintos do canil municipal. Iranildo parece fora de si, desferindo golpes no ar e pulando de um lado pro outro. Gordo maluco. A gente cola na casa do Varejão. Ele abre a porta com um baseado na boca. Sua aparência está péssima, parece que foi atropelado por um caminhão de lixo e suas tatuagens estão tão enrugadas que parecem que foram rasuradas com uma faca. Seu apartamento fede e as paredes estão descascadas e úmidas. Tem uma xavascuda seminua horrorosa chapada deitada no sofá, sua pança pende para fora de uma camiseta amarela do Sex Pistols, a boca aberta.
– E aiiiii, parceiro?! – ele praticamente berra, sempre fazendo pose de moleque malandrão. O problema é que já passou dos 60, a base de muita cachaça, droga e Yakult pela manhã.
– Aqui nada. Preciso de 20 conto de pó.
– Cumequié? Tá pensando que é papai?
– Falaí, Varejeira – Iranildo já vai entrando, sem a menor sutileza –, quem é essa ronquefuça aqui? Tá breaca hein!
– Porra, não! Você ainda anda com o Iranildo?
– Saí fora – eu digo lhe entregando uma nota amarela –, pega logo a bagaça que eu vou embora.
– Rapaz. Eu tô na moral aqui, fazendo um amor gostoso com minha cocotinha e você chega cheio de panca assim. Tá achando o quê, Soares? As ruas mudaram.
– Eu num acho nada, profeta, sequer procuro. E essa mulher ai tá morta. – coloco a mão espalmada na testa da infeliz – Tá até gelada. Falando nisso, tem uma cerveja ai?
– Ele se vira e vai até a cozinha. Iranildo começa a fuçar nas gavetas numa agilidade gatuna. Ele quer roubar. É um safado.
– Olha aqui – Varejão aparece sem perceber nada suspeito –, pega uma cerveja e toma sua droga.
– Opa! Assim que eu gosto, papai.
– Agora, senhores, vazem – ele sempre diz isso no final, entortando a cabeça e levantando os braços, como um rei decadente expulsando seus súditos de um castelo em ruínas.
Descemos pela escada de incêndio. Um puta fedor de bosta humana. Iranildo tenta me segurar pedindo um teco:
– Vai, Soares. Alivia, porra.
– Pérai, caralho – eu nego – maior fedor aqui.
– Porra, Soares – ele fala, ofegante –, tinha um berro lindão na gaveta do Vereja, deu maior vontade de pegar, ó.
A gente desce pra Gruta. Ficamos na sinuca-cerveja-pó-cigarro e papo-furado até perto do amanhecer. O jotalhão do Iranildo não cala a boca. Eu não entendo nada do que ele fala. Física quântica. Astrologia. Teatro. Rambo. Negros nazistas da Liberdade. Ladainha das mais incompreensíveis.
– Vamo encarar um inferninho – as primeiras palavras que solto em horas, parece – agora.
– Tua mulher vai ficar...
– Cala a boca.
– Porra, Soares, você nunca falou assim comigo – a bebida começa a afrouxar seus sentidos.
– Iranildo, cara, tu não calou a boca desde a hora que te encontrei.
– E daí, porra? Tava com saudade de fazer um rolê com a tua companhia, truta. Dá cá um abraço.
– Saí fora o caralho!
Vejo uma cambada de emos descendo a Augusta. Sinto nojo. Mas passa rápido.
– E aiiiii, parceiro?! – ele praticamente berra, sempre fazendo pose de moleque malandrão. O problema é que já passou dos 60, a base de muita cachaça, droga e Yakult pela manhã.
– Aqui nada. Preciso de 20 conto de pó.
– Cumequié? Tá pensando que é papai?
– Falaí, Varejeira – Iranildo já vai entrando, sem a menor sutileza –, quem é essa ronquefuça aqui? Tá breaca hein!
– Porra, não! Você ainda anda com o Iranildo?
– Saí fora – eu digo lhe entregando uma nota amarela –, pega logo a bagaça que eu vou embora.
– Rapaz. Eu tô na moral aqui, fazendo um amor gostoso com minha cocotinha e você chega cheio de panca assim. Tá achando o quê, Soares? As ruas mudaram.
– Eu num acho nada, profeta, sequer procuro. E essa mulher ai tá morta. – coloco a mão espalmada na testa da infeliz – Tá até gelada. Falando nisso, tem uma cerveja ai?
– Ele se vira e vai até a cozinha. Iranildo começa a fuçar nas gavetas numa agilidade gatuna. Ele quer roubar. É um safado.
– Olha aqui – Varejão aparece sem perceber nada suspeito –, pega uma cerveja e toma sua droga.
– Opa! Assim que eu gosto, papai.
– Agora, senhores, vazem – ele sempre diz isso no final, entortando a cabeça e levantando os braços, como um rei decadente expulsando seus súditos de um castelo em ruínas.
Descemos pela escada de incêndio. Um puta fedor de bosta humana. Iranildo tenta me segurar pedindo um teco:
– Vai, Soares. Alivia, porra.
– Pérai, caralho – eu nego – maior fedor aqui.
– Porra, Soares – ele fala, ofegante –, tinha um berro lindão na gaveta do Vereja, deu maior vontade de pegar, ó.
A gente desce pra Gruta. Ficamos na sinuca-cerveja-pó-cigarro e papo-furado até perto do amanhecer. O jotalhão do Iranildo não cala a boca. Eu não entendo nada do que ele fala. Física quântica. Astrologia. Teatro. Rambo. Negros nazistas da Liberdade. Ladainha das mais incompreensíveis.
– Vamo encarar um inferninho – as primeiras palavras que solto em horas, parece – agora.
– Tua mulher vai ficar...
– Cala a boca.
– Porra, Soares, você nunca falou assim comigo – a bebida começa a afrouxar seus sentidos.
– Iranildo, cara, tu não calou a boca desde a hora que te encontrei.
– E daí, porra? Tava com saudade de fazer um rolê com a tua companhia, truta. Dá cá um abraço.
– Saí fora o caralho!
Vejo uma cambada de emos descendo a Augusta. Sinto nojo. Mas passa rápido.
– Que porra de roupa é essa? – pergunto, injuriado.
– Meu novo estilo, Soares – Iranildo diz isso e levanta o queixo, daí, devagar, cerra os olhos e arqueia as sobrancelhas –, que nem o John Belushi nos irmãos cara-de-pau, tá ligado?
– Lógico. Tá idêntico. O terninho. Chapéu, pá. Inclusive o jeito de andar.
Ele pára . Todo-todo. Sério como uma estátua de folga.
– Tá me tirando, doido?
– Não. Por quê?
– Que idéia torta é essa?
– Torto é o jeito que cê anda.
– Soares, se liga, truta. Lembra daquelas putas que a gente comeu no Treme-treme depois da quermese da Júnia?
– Sei... roubada do caralho. Foi guela.
– Foi mesmo. Peguei uma bicheira na cabeça da piroca. Fui pro hospital e os caras tiveram que arrancar minha fimose na faca, na marra. Chicletinho. Ou, o doutor disse, as verrugas não sumiriam nunca.
– Vixi! – tento me preocupar, sem rir – você devia tá de repouso, né não?
– O caralho! Tô estressado. Sequer posso socar uma. Ficar em casa é a última opção. Se liga, a máquina de lavar roupa da minha goma quebrou – ele dispara a falar, numa levada que me faz esquecer das merdas e me lembra de como é bom encontrar velhos amigos –, minha velha aparece histérica na hora do almoço, começa a reclamar, com um olhar de doida mal comida, que minhas cuecas estão cheias de freadas, que não iria mais lavar aquilo e que eu sou vagabundo preguiçoso e o caralho. Velha folgada, tru, virei bicho!
– é mesmo? Que que cê fez, gordo?
– Ah, meu coroa começou a gargalhar no sofá, me chamou de mela-cueca, cu-froxo e o caralho a quatro – nessa hora seu rosto fica vermelho, algumas veias surgem no pescoço. – Mandei logo ele foder a mãe. Nisso, só senti uma fisgada aqui do lado da orelha – ele abaixa, tira o chapéu e me mostra uma parte raspada da cabeça com um corte cheio de pontos. – O maldito me lascou uma saleirada, Soares.
– Opa! Ah se fodeu – eu preciso me apoiar num poste. – Seu coroa tem a mira sacana. Maldade. Marcou tua jaca, magro.
– Se liga, parceiro! Tá achando o quê?
– Nada. Só que cê tá todo fudido. Todo costurado.
– Maré... liga?
– Sei. Cuidado pro chapéu não atolar.
Caminhamos pela parte escura da Boca do Lixo, puxo o último cigarro e amasso o maço vazio, arremesso a porcaria numa lixeira de plástico entupida pregada num poste. Erro hein. Preciso de mais cigarros, penso. Algumas nuvens carregadas atrás dos prédios do centro. Acendo. Cortinas numa centrífuga. Iranildo não cala a boca. O coitado tá mesmo com os miolos frouxos. Ele não era de falar tanto assim, acho. Sinto-me perdido como um mongolóide pegando ônibus pela primeira vez. Nisso, na Rego Freitas, um cachorro de três patas passa correndo ao meu lado, late rouco pro nada. Caralho, irmão, o que será que vem por ai? Um maluco imundo com pinta de ladrão vem pelo lado contrário e me interpela:
– Dá um cigarro, sangue – ele chega e estende a mão.
– Não tenho - balanço a cabeça, negativamente, e dou de ombros.
– Então, aí, me dá um pega desse teu crivo – ele insiste, numas de me tomar, atravessar.
– Saí fora, mané, tu não tá em condição de exigir porra nenhuma aqui, certo? – falo com calma, tô na minha, no entanto, o filha da puta tenta me acertar uma muqueta que pega de raspão a minha testa. Iranildo, com toda sua habilidade de baleia fora d’água, empurra o desgraçado. Ele cai. Eu me levanto e, como sou covarde, pego uma vassoura velha de esfregar calçada que encontro numa caçamba de entulhos e malho nas costas do folgado. PÁ! Ele rola pro lado e não esboça reação.
Perco o último cigarro.
– Meu novo estilo, Soares – Iranildo diz isso e levanta o queixo, daí, devagar, cerra os olhos e arqueia as sobrancelhas –, que nem o John Belushi nos irmãos cara-de-pau, tá ligado?
– Lógico. Tá idêntico. O terninho. Chapéu, pá. Inclusive o jeito de andar.
Ele pára . Todo-todo. Sério como uma estátua de folga.
– Tá me tirando, doido?
– Não. Por quê?
– Que idéia torta é essa?
– Torto é o jeito que cê anda.
– Soares, se liga, truta. Lembra daquelas putas que a gente comeu no Treme-treme depois da quermese da Júnia?
– Sei... roubada do caralho. Foi guela.
– Foi mesmo. Peguei uma bicheira na cabeça da piroca. Fui pro hospital e os caras tiveram que arrancar minha fimose na faca, na marra. Chicletinho. Ou, o doutor disse, as verrugas não sumiriam nunca.
– Vixi! – tento me preocupar, sem rir – você devia tá de repouso, né não?
– O caralho! Tô estressado. Sequer posso socar uma. Ficar em casa é a última opção. Se liga, a máquina de lavar roupa da minha goma quebrou – ele dispara a falar, numa levada que me faz esquecer das merdas e me lembra de como é bom encontrar velhos amigos –, minha velha aparece histérica na hora do almoço, começa a reclamar, com um olhar de doida mal comida, que minhas cuecas estão cheias de freadas, que não iria mais lavar aquilo e que eu sou vagabundo preguiçoso e o caralho. Velha folgada, tru, virei bicho!
– é mesmo? Que que cê fez, gordo?
– Ah, meu coroa começou a gargalhar no sofá, me chamou de mela-cueca, cu-froxo e o caralho a quatro – nessa hora seu rosto fica vermelho, algumas veias surgem no pescoço. – Mandei logo ele foder a mãe. Nisso, só senti uma fisgada aqui do lado da orelha – ele abaixa, tira o chapéu e me mostra uma parte raspada da cabeça com um corte cheio de pontos. – O maldito me lascou uma saleirada, Soares.
– Opa! Ah se fodeu – eu preciso me apoiar num poste. – Seu coroa tem a mira sacana. Maldade. Marcou tua jaca, magro.
– Se liga, parceiro! Tá achando o quê?
– Nada. Só que cê tá todo fudido. Todo costurado.
– Maré... liga?
– Sei. Cuidado pro chapéu não atolar.
Caminhamos pela parte escura da Boca do Lixo, puxo o último cigarro e amasso o maço vazio, arremesso a porcaria numa lixeira de plástico entupida pregada num poste. Erro hein. Preciso de mais cigarros, penso. Algumas nuvens carregadas atrás dos prédios do centro. Acendo. Cortinas numa centrífuga. Iranildo não cala a boca. O coitado tá mesmo com os miolos frouxos. Ele não era de falar tanto assim, acho. Sinto-me perdido como um mongolóide pegando ônibus pela primeira vez. Nisso, na Rego Freitas, um cachorro de três patas passa correndo ao meu lado, late rouco pro nada. Caralho, irmão, o que será que vem por ai? Um maluco imundo com pinta de ladrão vem pelo lado contrário e me interpela:
– Dá um cigarro, sangue – ele chega e estende a mão.
– Não tenho - balanço a cabeça, negativamente, e dou de ombros.
– Então, aí, me dá um pega desse teu crivo – ele insiste, numas de me tomar, atravessar.
– Saí fora, mané, tu não tá em condição de exigir porra nenhuma aqui, certo? – falo com calma, tô na minha, no entanto, o filha da puta tenta me acertar uma muqueta que pega de raspão a minha testa. Iranildo, com toda sua habilidade de baleia fora d’água, empurra o desgraçado. Ele cai. Eu me levanto e, como sou covarde, pego uma vassoura velha de esfregar calçada que encontro numa caçamba de entulhos e malho nas costas do folgado. PÁ! Ele rola pro lado e não esboça reação.
Perco o último cigarro.
Thursday, May 21, 2009
confio em ninguém e recuso ajuda
Sou um sujeito atormentado. Acho que deus me fez assim numas de dar risadas. Sinto-me numa planície destroçada pelo vento debaixo de uma tempestade que se alastra ao meu redor. Tudo é muito escuro, sempre, tanto os tons de verde do solo quanto o cinza do céu. Uma sensação dentro da minha cabeça que me aflige diariamente. Existo à noite. Nunca. Quando saio para caminhar pelos escombros da minha vida. Já não tenho amigos mais. Todos desapareceram ou pereceram pelas ruas descascadas dessa cidade. Alguns deles estão internados, como minha mãe. Ainda me lembro muito bem do dia em que Joaquim morreu. Ele ficou encolhido como um feto num terno branco numa viela escura e gelada da Santa Cecília. Tentei convencê-lo a se levantar e ir à um hospital. Ele me abraçou, beijou meu rosto e disse “irmão, prefiro morrer a ser enganado pela mulher que amo”, e o fez. Ninguém sabe o que ele estava sentindo. Algumas pessoas nunca mudam. Eu confio em ninguém e recuso ajuda. Costumo guardar uma arma no armário. Quando saio, carrego ela comigo. Ainda não tive a oportunidade de usá-la. Mas vou continuar. Vou buscar o safado que fez minha mãe triste. Entre becos e saídas da Sé. Na subida da Paim e na 14 Bis. Nas vielas do Jardim Herculano e nos banheiros dos bares do baixo Augusta e da 13 de Maio. Vou procurar nos hospitais públicos e nos terminais mais afastados. Nas esquinas dos Campos Elíseos beirando o Minhocão. Sob um frio de lascar a alma. Um frio que apenas eu sinto. Nas entranhas do negrume paulistano. Vou buscar o safado. E vou descarregar minha arma em sua cara e em seu peito. Vou destroçá-lo e comerei suas tripas. Depois farei uma pequena oração que eu mesmo inventei. Deitarei com os cães. E me sentirei bem satisfeito. O ódio me torna verdadeiro na genial era dos fracos deslumbrados.
Monday, May 18, 2009
xumiguxinha
Achei uma entrevista bacana que Sasha Grey deu para a Rolling Stone brasileira.
Existem poucas mulheres como Sasha Grey.
Tuesday, May 12, 2009
É melhor eu ficar quieto, sempre penso isso quando acordo e sinto Neil Young estourando minha cabeça, com um balaço de rifle comprido, dentro do carro. Numa outra tarde em algum outro lugar. O volume no máximo enquanto o pé de chumbo, sem regulagem, afunda o pedal do acelerador e meus dedos sujos deliberam a direção. Fujo pela estadual sem arrependimento no retrovisor. Apenas a culpa me abastece a alma. O sol estalado parece querer coagular minhas vísceras. Vivo numa nuvem. Respiro o ar seco e árido e carregado de fuligem. Dentro do meu barco a motor. Um cadáver dançando com um braço agarrado ao volante e outro segurando um crivo. Pedaços de cães esfarelados pela malha de asfalto. Andarilhos tortuosos com cobertores repletos de carrapichos. Um doido que vaga. Dentro do carro. Apenas eu. Descontrolado. Sem vocação. Oh, mãe, o que mais eu deveria fazer?
Na rodovia cercada de capim seco o motor soa como um arroto dos deuses, um trovão no planalto do outro lado do mundo, que parece intocável agora. Tudo treme ao redor, dentro das sombras dos olhos. Joe Strummer não está por perto para me emprestar um punhado de canções. Empurre-me para fora, assim, quando notar algo estranho comigo. Sem fazer alarde, eu lhe digo, sem fugir de mim. Em câmera lenta e o giro no cume de Aconcágua. Erra-me na curva e jogue-me do desfiladeiro. Embrulhe-me em sangue e vidro. Deposite-me de costas no rio. Um altar que explode em metal e gasolina. Em nome do pai, da puta e do Espírito Santo.
Por que eu deveria querer morrer cantando “Sweet Home Alabama” para Deus?
Na rodovia cercada de capim seco o motor soa como um arroto dos deuses, um trovão no planalto do outro lado do mundo, que parece intocável agora. Tudo treme ao redor, dentro das sombras dos olhos. Joe Strummer não está por perto para me emprestar um punhado de canções. Empurre-me para fora, assim, quando notar algo estranho comigo. Sem fazer alarde, eu lhe digo, sem fugir de mim. Em câmera lenta e o giro no cume de Aconcágua. Erra-me na curva e jogue-me do desfiladeiro. Embrulhe-me em sangue e vidro. Deposite-me de costas no rio. Um altar que explode em metal e gasolina. Em nome do pai, da puta e do Espírito Santo.
Por que eu deveria querer morrer cantando “Sweet Home Alabama” para Deus?
Friday, May 08, 2009
Tuesday, May 05, 2009
vai, caráio.
O The Mirror colocou no site o Top 10 das invasões de palco. Tem lá a manjada guitarrada que Keith Richards malhou num otário; a morte de Dimebag Darrell; Noel Gallagher é arremessado no chão por um sacana gente-fina; agora, quando o fala-merda da Estrela Robbie Williams, rebolando, é pego de surpresa e obrigado a dar um mosh na platéia, quase me caguei.
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aqui o Gadasneve.
::

aqui o Gadasneve.
::
aqui a prova de que era possível se divertir na moral antigamente.
se liga na juke joint.

Hey, hey all y'all.
Sunday, April 19, 2009
Friday, April 17, 2009

Exposição “Brutal” promove união dos artistas pela arte
Escritores, desenhistas e artistas, como Laerte, Lourenço Mutarelli, Paulo César Peréio e Daniel Galera doam obras inéditas em prol de espetáculo de Mário Bortolotto
Idealizadoras do projeto de espetáculo teatral “Brutal”, com texto de Mário Bortolotto e direção de Marcos Loureiro, as atrizes e produtoras Carolina Manica e Luciana Caruso optaram por criar uma nova alternativa para a realização do projeto. Ao invés de esperar por editais e patrocínios elas resolveram reunir forças naquilo que elas mais conhecem: a própria arte. Conseguiram reunir mais de 30 obras inéditas de respeitados artistas e produziram a exposição “Brutal”, com abertura no dia 22, na Coletivo Galeria, em São Paulo. As vendas irão financiar a produção da peça.
Entre as obras, destaque para duas telas originais pintadas à mão pelo cartunista Laerte, que foram usadas para ilustrar as capas das coletâneas da sua consagrada criação "Piratas do Tiête", e um original inédito em canson, produzido com nanquim e desenhado com pincel pelo aclamado quadrinista e escritor Lourenço Mutarelli, autor de "O Cheiro do Ralo". Também serão expostos manuscritos. Um trecho do próximo livro do escritor Daniel Galera, "Barba ensopada de sangue",e uma crônica do escritor Marcelo Rubens Paiva estão entre eles. Entre as surpresas, uma tela de Paulo César Peréio revela que, além de ator, ele também é ótimo pintor.
A exposição terá ainda uma crônica manuscrita do dramaturgo Mario Bortolotto; uma crônica manuscrita de Xico Sá; um original de Rafael Grampá, novo talento dos quadrinhos nacionais e primeiro brasileiro a receber o prêmio internacional Eisner Award junto com Gabriel Bá e Fábio Moon, que também doaram originais para a exposição; um desenho inédito do escritor Joca Reiners Terron; cadeiras desenhadas pelo artista plástico e quadrinista Rafael Coutinho; originais do quadrinistaAndré Kitagawa, autor da famosa graphic novel “Chapa quente”, também adaptada para o teatro sob a direção de Mário Bortolotto; uma video arte da artista plástica e designer Andreza Valentim; um original do desenhista Carlos Carah; uma tela da artista plástica Raquel Falkenbach; uma ilustração da artista plásticaLuisa Doria; uma crônica manuscrita do escritor Daniel Pelizzari; um poema manuscrito do poeta, escritor e jornalista Ademir Assunção; uma fotografia do dramaturgo, diretor e fotógrafo Antonio Rocco; uma fotografia de Renato Parada; uma crônica manuscrita do jornalista e escritor Palmério Dória; uma tela desenvolvida pelo estúdio de artes visuais Sopa Grafix; um painel em MDF do artista urbano Loro Verz e uma vela impressa com arte fotográfica pelo fotógrafoRoberto Donaire.
Exposição “Brutal”
de 22 de abril a 3 de maio.
Coquetel de abertura: dia 22 de abril, a partir das 19 horas.
funcionamento:
ter. a sex. das 17 às 23hs
sab. das 14 às 19hs
Coletivo Galeria
Rua dos Pinheiros, 493 – Pinheiros – SP
11 3083 6478
www.coletivogaleria.com.br
Escritores, desenhistas e artistas, como Laerte, Lourenço Mutarelli, Paulo César Peréio e Daniel Galera doam obras inéditas em prol de espetáculo de Mário Bortolotto
Idealizadoras do projeto de espetáculo teatral “Brutal”, com texto de Mário Bortolotto e direção de Marcos Loureiro, as atrizes e produtoras Carolina Manica e Luciana Caruso optaram por criar uma nova alternativa para a realização do projeto. Ao invés de esperar por editais e patrocínios elas resolveram reunir forças naquilo que elas mais conhecem: a própria arte. Conseguiram reunir mais de 30 obras inéditas de respeitados artistas e produziram a exposição “Brutal”, com abertura no dia 22, na Coletivo Galeria, em São Paulo. As vendas irão financiar a produção da peça.
Entre as obras, destaque para duas telas originais pintadas à mão pelo cartunista Laerte, que foram usadas para ilustrar as capas das coletâneas da sua consagrada criação "Piratas do Tiête", e um original inédito em canson, produzido com nanquim e desenhado com pincel pelo aclamado quadrinista e escritor Lourenço Mutarelli, autor de "O Cheiro do Ralo". Também serão expostos manuscritos. Um trecho do próximo livro do escritor Daniel Galera, "Barba ensopada de sangue",e uma crônica do escritor Marcelo Rubens Paiva estão entre eles. Entre as surpresas, uma tela de Paulo César Peréio revela que, além de ator, ele também é ótimo pintor.
A exposição terá ainda uma crônica manuscrita do dramaturgo Mario Bortolotto; uma crônica manuscrita de Xico Sá; um original de Rafael Grampá, novo talento dos quadrinhos nacionais e primeiro brasileiro a receber o prêmio internacional Eisner Award junto com Gabriel Bá e Fábio Moon, que também doaram originais para a exposição; um desenho inédito do escritor Joca Reiners Terron; cadeiras desenhadas pelo artista plástico e quadrinista Rafael Coutinho; originais do quadrinistaAndré Kitagawa, autor da famosa graphic novel “Chapa quente”, também adaptada para o teatro sob a direção de Mário Bortolotto; uma video arte da artista plástica e designer Andreza Valentim; um original do desenhista Carlos Carah; uma tela da artista plástica Raquel Falkenbach; uma ilustração da artista plásticaLuisa Doria; uma crônica manuscrita do escritor Daniel Pelizzari; um poema manuscrito do poeta, escritor e jornalista Ademir Assunção; uma fotografia do dramaturgo, diretor e fotógrafo Antonio Rocco; uma fotografia de Renato Parada; uma crônica manuscrita do jornalista e escritor Palmério Dória; uma tela desenvolvida pelo estúdio de artes visuais Sopa Grafix; um painel em MDF do artista urbano Loro Verz e uma vela impressa com arte fotográfica pelo fotógrafoRoberto Donaire.
Exposição “Brutal”
de 22 de abril a 3 de maio.
Coquetel de abertura: dia 22 de abril, a partir das 19 horas.
funcionamento:
ter. a sex. das 17 às 23hs
sab. das 14 às 19hs
Coletivo Galeria
Rua dos Pinheiros, 493 – Pinheiros – SP
11 3083 6478
www.coletivogaleria.com.br

Bill Callahan - "Sometimes I Wishy We Were An Eagle"
Bill Callahan, ex-Smog, acaba de lançar mais um álbum. Ainda estou nas primeiras músicas e são ótimas. Vá se você gosta de Nick Drake, Bonnie ‘Prince’ Billy, Bill Fay, desses caras que te fazem querer pegar a estrada para lugar nenhum no feriado prolongado. Porra, e a capa é fodaça.
isn’t it a pity
Ontem, voltando para casa quase de manhã, quando estava perto de onde moro, começou a tocar uma velha canção de George Harrison num CD esquecido que encontrei no porta-luvas do Opala. Fazia um bom tempo que eu não escutava aquela canção. Deixei carro deslizar na banguela pela Cardeal Arcoverde. Estacionei e fiquei encolhido escutando a música inteira quando fui atingido por uma nostalgia que dissolveu - ou estilhaçou - algo dentro do meu peito. Entrei em casa com a música ainda ricocheteando dentro da minha cachola. Sentei no sofá e me lembrei do dia que mostrei essa canção para meu avô.
Era uma tarde de um domingo nublado e estávamos sentados na varanda da modesta chácara dele. Eu e meu avô. No interior de Minas Gerais. Isso em 1992, acho. Ele ia e vinha em sua cadeira de balanço. Descalço. Silencioso. Com os olhos fechados e a cabeça pendendo suavemente para trás. A boca levemente aberta para poder respirar. Peguei um pequeno aparelho de som, liguei na tomada e lhe pedi que prestasse atenção naquela música. Eu era um moleque desencantado, cheio de espinhas no rosto e meu corpo era raquítico e coberto de ralados e arranhões. Não fazia a menor noção de nada. Cagava e andava para o mundo. No entanto, aquela música me atingia de forma brutal, tinha um enorme poder sobre mim, como feitiçaria, me levando a um estado de melancolia confortável, como se eu fosse levado numa canoa Rio Verde abaixo.
Enquanto ela soava no mini-system, ficamos em silêncio olhando a paisagem, entretanto, eu também podia escutar o ranger da cadeira de balanço, um quero-quero gralhava com sua esposa no terreno da frente. O vento soprava fraco, e as árvores que escondiam o rio, atrás da cerca-viva de cipreste, faziam um farfalhar que lembrava o som de uma cachoeira. Tudo parecia se conectar a melodia da canção. Fangio, nosso doberman mestiço, lambia uma ferida pustulenta na pata dianteira esquerda, deitado no piso gelado de granito. Tirei meus óculos e os limpei com o avesso da blusa. Tentei enxergar meu avô sem eles. Tudo era muito turvo. Deitei de costas no chão. As nuvens carregadas dançavam no céu.
Meu avô era um piadista silencioso. Possuía um corpo volumoso, indicando que antes ele fora musculoso, mas os excessos da vida e a gravidade acabaram por vencê-lo. Sua testa era reluzente e sua olhar era profundo como se enxergasse através das pessoas. Gostava de vê-lo andar pelas ruas de Três Corações, com sua indiferença estóica. Sempre aparecia com suas intervenções ácidas quando a família discutia algum assunto banal na mesa do jantar ou do café da manhã. Também inventava jingles pessoais instantâneos que faziam todos rirem durante dias. Um sujeito íntegro que havia sido tenente no Exército brasileiro durante muito tempo.
Quando eu tinha 9 anos de idade, ele me ensinou a empunhar uma arma. Dei alguns tiros no pasto de uma fazenda nas redondezas de Cambuquira. Depois me deu uma aula de como desmontar e limpar um revólver. Lembro que ele foi caçar aves depois e voltou com as mãos vazias e um sorriso acolhedor no rosto. Já era noite e a família inteira estava na cidade. Fomos até a cozinha da fazenda, onde ele acendeu o fogão a lenha e pegou alguns ingredientes na geladeira e nos armários. Naquela noite, ele me ensinou cuidadosamente a preparar um arroz carreteiro suculento. Depois que comemos nos sentamos na varanda, onde meu avô me contou histórias assombradas de um velho de chapéu de palha que foi morto pela mulher, mas que continuava vagando pelos pastos de Varginha sob o luar prateado. Fiquei agarrado às minhas pernas finas com um cagaço filha da puta. Vaga-lumes surgiam e desapareciam na escuridão da noite.
Em 1996, meu avô recebeu um diagnóstico atrasado de pancreatite. Meu pai o trouxe para um hospital decente aqui em São Paulo. Fui visitá-lo, mas ele já estava bem magro e havia sido entubado. Não tenho certeza se me reconheceu ali, naquele quarto frio com cortinas de plástico verde-claro. Dois dias depois, ele morreu com todas as oportunidades que existia para eu agradecê-lo por tudo que me ensinou. Não tive a chance de me desculpar por não ter aproveitado e aprendido mais com sua pessoa fantástica. Não pude sequer abraçá-lo pela última vez.
Ontem, no sofá, senti uma saudade enorme dele. Da forma como ele levava a vida, não se preocupando demais nem deixando os aproveitadores se aproximarem. Ontem, me dei conta de que não posso fugir de quem eu realmente sou. Não posso deixar de acreditar nos meus amigos verdadeiros. Não posso esquecer-me de odiar meus inimigos. Não posso abandonar a verdade. Nem perder a lembrança da maneira discreta que meu avô se preocupava comigo. Sobre o que ele me disse sobre caráter. Sobre começar e terminar muitos livros, no entanto, ele se foi e eu o li apenas pela metade.
Era uma tarde de um domingo nublado e estávamos sentados na varanda da modesta chácara dele. Eu e meu avô. No interior de Minas Gerais. Isso em 1992, acho. Ele ia e vinha em sua cadeira de balanço. Descalço. Silencioso. Com os olhos fechados e a cabeça pendendo suavemente para trás. A boca levemente aberta para poder respirar. Peguei um pequeno aparelho de som, liguei na tomada e lhe pedi que prestasse atenção naquela música. Eu era um moleque desencantado, cheio de espinhas no rosto e meu corpo era raquítico e coberto de ralados e arranhões. Não fazia a menor noção de nada. Cagava e andava para o mundo. No entanto, aquela música me atingia de forma brutal, tinha um enorme poder sobre mim, como feitiçaria, me levando a um estado de melancolia confortável, como se eu fosse levado numa canoa Rio Verde abaixo.
Enquanto ela soava no mini-system, ficamos em silêncio olhando a paisagem, entretanto, eu também podia escutar o ranger da cadeira de balanço, um quero-quero gralhava com sua esposa no terreno da frente. O vento soprava fraco, e as árvores que escondiam o rio, atrás da cerca-viva de cipreste, faziam um farfalhar que lembrava o som de uma cachoeira. Tudo parecia se conectar a melodia da canção. Fangio, nosso doberman mestiço, lambia uma ferida pustulenta na pata dianteira esquerda, deitado no piso gelado de granito. Tirei meus óculos e os limpei com o avesso da blusa. Tentei enxergar meu avô sem eles. Tudo era muito turvo. Deitei de costas no chão. As nuvens carregadas dançavam no céu.
Meu avô era um piadista silencioso. Possuía um corpo volumoso, indicando que antes ele fora musculoso, mas os excessos da vida e a gravidade acabaram por vencê-lo. Sua testa era reluzente e sua olhar era profundo como se enxergasse através das pessoas. Gostava de vê-lo andar pelas ruas de Três Corações, com sua indiferença estóica. Sempre aparecia com suas intervenções ácidas quando a família discutia algum assunto banal na mesa do jantar ou do café da manhã. Também inventava jingles pessoais instantâneos que faziam todos rirem durante dias. Um sujeito íntegro que havia sido tenente no Exército brasileiro durante muito tempo.
Quando eu tinha 9 anos de idade, ele me ensinou a empunhar uma arma. Dei alguns tiros no pasto de uma fazenda nas redondezas de Cambuquira. Depois me deu uma aula de como desmontar e limpar um revólver. Lembro que ele foi caçar aves depois e voltou com as mãos vazias e um sorriso acolhedor no rosto. Já era noite e a família inteira estava na cidade. Fomos até a cozinha da fazenda, onde ele acendeu o fogão a lenha e pegou alguns ingredientes na geladeira e nos armários. Naquela noite, ele me ensinou cuidadosamente a preparar um arroz carreteiro suculento. Depois que comemos nos sentamos na varanda, onde meu avô me contou histórias assombradas de um velho de chapéu de palha que foi morto pela mulher, mas que continuava vagando pelos pastos de Varginha sob o luar prateado. Fiquei agarrado às minhas pernas finas com um cagaço filha da puta. Vaga-lumes surgiam e desapareciam na escuridão da noite.
Em 1996, meu avô recebeu um diagnóstico atrasado de pancreatite. Meu pai o trouxe para um hospital decente aqui em São Paulo. Fui visitá-lo, mas ele já estava bem magro e havia sido entubado. Não tenho certeza se me reconheceu ali, naquele quarto frio com cortinas de plástico verde-claro. Dois dias depois, ele morreu com todas as oportunidades que existia para eu agradecê-lo por tudo que me ensinou. Não tive a chance de me desculpar por não ter aproveitado e aprendido mais com sua pessoa fantástica. Não pude sequer abraçá-lo pela última vez.
Ontem, no sofá, senti uma saudade enorme dele. Da forma como ele levava a vida, não se preocupando demais nem deixando os aproveitadores se aproximarem. Ontem, me dei conta de que não posso fugir de quem eu realmente sou. Não posso deixar de acreditar nos meus amigos verdadeiros. Não posso esquecer-me de odiar meus inimigos. Não posso abandonar a verdade. Nem perder a lembrança da maneira discreta que meu avô se preocupava comigo. Sobre o que ele me disse sobre caráter. Sobre começar e terminar muitos livros, no entanto, ele se foi e eu o li apenas pela metade.
Thursday, April 16, 2009
isso não quer dizer nada
Esses dias parei para pensar no passado. Detesto indolência. Ando sonolento. Parei para pensar. E tenho medo de dormir. Preciso me libertar e despertar, por assim dizer, dessa merda amorfa toda. Ando sonolento. Mas enxergo. Memórias e presságios. Fiquei andando por aí. Estou me sentindo estranho. Minha garganta apertava naquela noite. Fiquei pensando que ia chorar. Não me lembro como é chorar. Daí fiquei legal. Minha percepção estava alterada. Aguçada. Nasci do outro lado do rio. Numa época errada. Numa curva. Que me faz renegar o presente. Eu acredito nessa habilidade para fazer qualquer coisa sem encontrar nada que queira fazer.
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