Wednesday, August 25, 2010




montado com sobras de peças de fotocopiadoras Xerox pelos carcamanos chapados Tanino Liberatore e Stefano Tamburini, o bio-mechanoid cyberpunk Ranxerox resurge, finalmente, numa compilação da editora Conrad, com todas as histórias, inclusive algumas inéditas que não saíram pela falecida Revista Animal, nos anos 80, quando esgotavam das bancas em poucos dias. numa Roma pós-apocaliptica e decadente recheada de ultra-violência e sexo sujo, com as ruas dominadas por gangues de viciados e todo tipo de delinquente matusquela, Ranxerox faz qualquer coisa para agradar Lubna, sua putinha chupeteira viciada de 12 anos de idade. Liberatore é uma lenda dos quadrinhos italianos, já Tamburini, um artista esquisito como um grande artista supostamente deve ser, morreu de overdose de heroína com 31 anos, logo após os dois finalizarem o terceiro capítulo da série. com uma estética brilhante e original, a saga de Ranxerox pode ser considerada uma das maiores obras-primas dos quadrinhos underground.

Tuesday, August 24, 2010

Haxixins



a excelente banda de psychgaragefuzz e o caralho a quatro Os Haxixins vão da ZL para os braços da Europa. vão tocar o terror lá, tenho certeza. puta banda fudida de sujeitos podres.

Friday, August 20, 2010

breve

Wednesday, August 18, 2010

Monday, August 16, 2010

hoje.



coloco som na noite da Vivi. quem quiser aparecer, me avisa.

Friday, August 13, 2010

numa sexta-feira 13 de agosto,

Ted Barrow está de volta.
e isso é do caralho.

e Diddy Wah continua na sua onda "vocês precisam ouvir isso".
se liga nos Elvis.
há 33 anos, o rei empacotava com 14 drogas variadas borbulhando na corrente sanguínea.

::
nem toda polícia...

Thursday, August 12, 2010




Coloquei meu fone de ouvido e minha jaqueta de couro com o forro tão estropiado quanto o das mesas de sinuca do centro da cidade e fui atrás de um dos sujeitos que contribuíram para arruinar minha vida. Terça-feira passada, num começo de noite frio e acinzentado, o congestionamento travava tudo em frente à minha casa, os coletivos estavam entupidos de pessoas preocupadas em chegar logo onde quer que fossem. Larguei meu automóvel de bateria arriada na goma e desci a Cardeal peregrinando, alheio a tudo ao meu redor e com vagas idéias erradas rodeando minha mente. No fone, Harlem tocava alto, muito alto, e ditava meu ritmo. Meia hora e meia depois, cheguei ao meu destino e percebi que o mesmo estava apinhado de gente. Eu já esperava por isso, pois quem estava lá dentro era a lenda viva Robert Crumb. Atochei a boina fundo na cachola e, depois de perceber que seria impossível conseguir um lugar nas cadeiras, me posicionei num degrau estreito da escada, logo atrás de onde Crumb e seu amigo Gilbert Shelton se sentariam para bater um papo maneiro com a rapaziada. Caco Galhardo chegou logo na seqüência e me confessou ali sua ansiedade de intermediar o papo com esses dois senhores que se empanturraram de LSD nos tempos áureos da calça boca de sino. Confesso que nunca li Freak Brothers nem calcei chinelo de couro, cultivo certo asco de qualquer coisa referente aos hippies, mas estava ali apenas para ver, mesmo que de longe, Robert Crumb.
Do local que me posicionei - e não me levantaria mais durante as próximas 2 horas - estava a menos de 2 metros da mesa principal. No momento que os sujeitos entraram, uma muvuca ensandecida se formou por cima da minha cabeça, bicos de sapatos me futucavam as canelas e bundas alheias me esbarravam na cara o tempo todo. Não me importei com nada, apenas em escutar e acompanhar o bate papo apocalíptico que estava rolando. E foi divertido pra caralho. O cara era aquilo mesmo que eu imaginava, um cínico desgraçado, um sujeito engraçado e sacana, que me acompanhou na adolescência em mochilas encardidas e no banco de trás de carros atapetados com vidro à manivela, em salas de aulas tediosas e rodas de maconha no final da rua.
Quando parei de sentir minhas pernas, resolvi me levantar e fumar um cigarro na companhia dos meus amigos. Já estava satisfeito e feliz. Impossível negar que fiquei emocionado.


Leia também, longe dos 140 caracteres e comments abreviados, o relato do Grampá, que conheceu Crumb em Paraty; e do Mac que fez um rolê com o cara para encontrar vinis de 78 rpm em Sampa. São de lascar.


na próxima segunda discoteco no On The Rocks.
quem precisar de lista mande um alô.

Wednesday, August 11, 2010

Sunday, August 08, 2010

"Stand By Me" - Ben E. King

Saturday, August 07, 2010

Tinha uns caras ai que entravam no mato no meio dum puta breu, puxando os cavalos pelas rédeas. Isso há uns 37 anos atrás. Eu nem imagino como eles enxergavam nessa escuridão duzinferno. Lembro que o Salvador, um capataz negro imenso com uma careca reluzente e um sorriso torto porque tinha quebrado o queixo, acertou o rapazinho lá, o tal do filho do prefeito, como era mesmo o nome dele... Walter, é, o Waltinho. Ele, o Salvador, deu com a peixeira no pescoço do infeliz. Ninguém mandou o janota caçoar do crioulo, né? O sangue jorrou todo no assoalho do salão. Nessa hora foi um escarcéu. Todo mundo abriu. Mas num segundo ficou aquele silêncio que sucede esse tipo de infortúnio, e você sabe do que eu tô falando. O Salvador ficou lá, parado que nem estátua. A cabeça brilhando num suadouro desgraçado, o olhar baixo coberto pelas sombras e a mão esquerda segurando o pulso da outra mão que tava com o facão. O filho do prefeito estatelado, o sangue escapando do corpo bem nutrido pelo talho na nuca que nem petróleo numa fenda de terremoto. Foi do cacete. Aí o Salvador pegou o rapaz pelo calcanhar e foi arrastando através da porta. O corpo ainda deu uma estrebuchada, como se o espírito quisesse ficar no balcão. Eu fui atrás, tinha medo não, eu gostava do Salvador. Mais uns cretinos vieram também, que já estavam até sóbrios nessa hora. Vi o Salvador jogar o corpo do rapaz no lombo do cavalo. Daí foi na frente puxando a rédea, entrou no matagal e sumiu. Ainda fiquei um tempo escutando ele farfalhar o mato enquanto se embrenhava cada vez mais pra dentro, só que depois eu acho que era o vento. Tinha uma lua redonda no céu, que nem uma tampa de panela, isso deve ter ajudado ele a enterrar o Waltinho.

Monday, August 02, 2010

atualizado

Saturday, July 31, 2010

"Lapse" - Bill Callahan

Wednesday, July 28, 2010

eu queria pegar aquela rodovia que vai pro oeste. nem bem sou um cidadão aqui. quando chego em casa, escuto o vizinho tocar seu piano misturado ao som de algum massacre que acontece na televisão no noticiário de fim de tarde. aqui do outro quarto. ouço a brasa queimar o papel do seu cigarro. a metrópole emfurecida lá em baixo. nem me importo mais. nem durmo. sonho com o sibilar dos caminhões ocasionais na rodovia.

momentinho poeta #53

existem pessoas

que contam
coisas
números
existem pessoas que escutam
ouvem
ou vêem

folhas secas sopradas pelo vento

isso já era
é à toa

existem pessoas que se acham
grandes
coisa
existem coisas
existem pessoas
que são iguais
nem todas
que latem pro carteiro preocupado
com outras coisa

existem coisas

Monday, July 26, 2010


(clique para ampliar)

Wednesday, July 21, 2010

Monday, June 28, 2010

terça - 29/06

Thursday, June 24, 2010

I've been sitting here, thinking

essa música lasca o mármore da alma. me manda pruma autoestrada mal iluminada sem sinalização alguma, restos de dia esfarelando no horizonte, o vidro do carro aberto, um cigarro na canhota e uma long neck pescoçuda sambando no painel.

me faz pensar neste filme também.

"Your Own Backyard" - Dion

I've been sitting here, thinking
About when I started in drinking
I went on to dope
It surely did change my life

I cried a tear in a beer for me
I lost everything near and dear to me
Mainly my children and my wife

My idea of having a good time
Was sitting with my head
Between my knees

I knew everything there was to know
Everything except which way to go
I cried, oh, God, take me
Will you, please

Many a time
I swore up and down
I didn't need any of this junk
That was going round

I can quit
Let me finish what I got
After all, this stuff
Sure costs a lot
Then I'll get my feet
Back on the ground

I can't tell nobody
How to live their life
Even though inside
We're all the same

All those things are toys
I was playing with
You know we're all losers
In that game

Now since I've been straight
I haven't been in my cups
I'm not shooting downs
I'm not using ups

You know I'm still
As crazy as a loon
Even though I don't run out
And cop a spoon
But thank the good lord
God, I had enough

Now, I got a friend
His name is Richard Grands
He says you don't need
To be stoned to grow a friend

Believe me
You're all beautiful people
Just the way you are
Tell me, what has that
Stuff done for you so far, yeah

I've been sitting here thinking
Been winking, I been blinking
I don't have to sit around
No more and nod

I can do anything
That I wanna do
I do it straight
I do it so much better too
And it's, it's gotta start
Right in your own backyard

I said it's gotta start
Right in your own backyard
You know everybody has
Their own beautiful backyard

You might have oil wells
In your own back yard
Yeah, your own backyard...

Wednesday, June 09, 2010

em Brasília

Monday, May 31, 2010



"There are moments that I've had some real brilliance, you know. But I think they are moments. And sometimes, in a career, moments are enough. I never felt I played the great part. I never felt that I directed the great movie. And I can't say that it's anybody's fault but my own ... I am just a middle-class farm boy from Dodge City and my grandparents were wheat farmers. I thought painting, acting, directing and photography was all part of being an artist. I have made my money that way and I have had some fun. It's not been a bad life."


Dennis Hopper, 1936-2010

Wednesday, May 26, 2010

monohand



estreia hoje no parlapa. apareçam. na minha opinião, a peça vai fazer as pessoas sorrirem como se olhassem para uma foto engraçada no jornal; escutassem um papo de louco num coletivo, ou melhor, lessem uma série de tiras hilárias sobre uma situação casual. e isso ai é otimo. porra, é o primeiro texto do Caco Galhardo pro teatro, e o cara é um sacador do dia a dia paulistano ordinário, onde nasce o humor palpável mas que apenas caras como ele conseguem criar em cima disso. as gurias são talentosas pacarai; o cenário coloca uma esquina da dona Oscar Freire no palco; agora a trilha... bom, a trilha, espero que dê uma baratinada, ou eu e o Sérgio Arara vamos perder as penas.

"MENINAS DA LOJA"
Primeiro texto para teatro do cartunista Caco Galhardo, trata com humor as histórias e confidências de quatro mulheres que trabalham numa sapataria. Direção de Fernanda D'Umbra.
Espaço dos Parlapatões | Quintas-feiras, às 21h, e sextas-feiras, às 21h30 | Até 2/7

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no site da NME rola a interessante votação "Most Beautiful Band Logo". têm uma porrada de logos clássicos ali. eu gosto dos toscões dazantiga, tipo Clash, Public Enemy, Motorhead, até o do PIL me agrada.


xxx

tá certo que o clipe - a gravadora disponibilizou de forma viral antes do lançamento do disco - é um caminhão de bosta, como diz o Zed, mas a música é corrosiva, daquelas que de cara podem causar um dano repentino nazureba, depois estoura nas tripas até aflorar na cara. the black keys não é uma banda de comédia como um otário de costeletas me falou esses dias numa buáti cheia de seguranças protegendo seu traseiro.

Thursday, May 20, 2010

hoje

às 19hs30, no CCBB.


e mais tarde, no Sarajevo





e também tem Saco de Ratos, no Aurora


A partir das 24h00 - Rua 13 de Maio, 112 - Bixiga - Tel: 3255-5564
Ingresso : R$5

"ô... rola di amanhecer na Paim com a cara toda mijada, bunéco doido, tá ligado, ermão?"

Tuesday, May 11, 2010



eu passava horas de boca aberta, babando em cima de cada capa do Conan que esse sujeito fazia. lembro até hoje da primeira vez que me deparei com uma delas, numa banca de revistas em Brasília. porra, o barato se destacava no meio de todas as outras; dava medo e curiosidade; daí eu comprei a Espada Selvagem e fui pra casa. eu tinha 8 anos. aquilo mudou a porra da minha vida.
se não fosse o Frazetta, juro, jamais teria me envolvido com folhas em branco.

valeu, Frank Frazetta, tu sempre foi uma lenda pra mim.

Sunday, May 09, 2010

Música Para Ninar Dinossauros


foto: Kelly Knevels

Hoje, às 20h

no Espaço Parlapatões,
Praça Roosevelt, 158

Wednesday, May 05, 2010

todas as quintas de Maio

ferve

Wednesday, April 28, 2010

Big Rock Candy Mountain

Sempre me pergunto para onde vão aqueles andarilhos esfarrapados quando cruzo com algum deles, cambaleante, com grandes olhos que brilham sob os faróis do carro no acostamento de uma rodovia erma à beira de uma cidade que não existe. Completamente isolado da civilização moderna. Talvez para lugar nenhum. Quem sabe um eterno retorno. Ecos de delírios espumantes para as estrelas no manto negro do céu. Eu vejo o vagamundo caminhando para lugares abandonados e baldios dentro do seu peito, como uma criança de três anos esquecida num parque de diversões semi-desativado, e tento imaginar para onde vai aquele homem e no que ele pensa. Expressões silenciosas na pele vincada pelo sol que cobre os ossos protuberantes. Rosto de granito. Cobertores com marcas de cigarros e carrapichos. Panela sem cabo. Caixa de fósforo vazia. Fadiga permanente e saudade perdida. Nada em lugar nenhum. Sentado no chão, perto de uma fogueira, solitário com resto do mundo que gira ao redor. Indo e vindo no balanço de alguma bebida genuína. Às vezes quando me sinto fajuto, completamente do avesso, fumando furiosamente deitado no colchão olhando o ventilador lento no teto, percebo o andarilho. E sinto inveja de sua bravura.

Friday, April 23, 2010

estréia sábado, 21hs



"os pterodátilos foram os animais mais graciosos que já voaram nesse mundo."

também aos domingos, 20hs, no Espaço

Sunday, April 04, 2010

Wednesday, March 31, 2010

só mais uma coisa, saca só que foda o Alex Chilton mandando "I Will Always Love You" numa rádio em Memphis, em 1975. e sim, essa música é aquela uma lá que a Whitney Houston canta, que na verdade é uma composição da Dolly Parton, que canta "Jolene" e por ai vai...

Chilton morreu há 2 semanas. ele foi guitarrista do Big Star, uma banda foda dos anos 70. o primeiro disco deles, #1 Record, é considerado em muitas listas por ai um dos discos mais tristes da música pop.


"I Will Always Love You"
- Alex Chilton

roubei o Boogie Woogie Flu. tem muito mais lá.

estreou

“Brothers” o sexto disco de estúdio do duo The Black Keys será lançado no dia 18 de Maio. Experimente “Tighten Up” - uma das 15 músicas que estarão no disco -, produzida pelo Danger Mouse.

“Tighten Up” - The Black Keys

**

Ontem assisti o documentário “End of the Century – The History of Ramones” que o chapa Marcelo Montenegro gravou pra mim. Bem alto de madrugada na televisão. Emocionante. Aquele caralho de banda salvou minha vida diversas vezes, mergulhado numa calçada rachada com um bando de amigos violentos cantando “Here Today, Gone Tomorrow”, com todo o entusiasmo da juventude escorregando sorrateiramente do bolso de trás da calça jeans justa de Dee Dee.
Hoje eu ainda continuo a me sentir inadequado cortando as unhas dos pés no sofá às três da madrugada ouvindo Ramones. Nada novo. Nada. Sequer algo passageiro ou uma música do Bowie na cabeça, aquela dazantiga em que ele diz que nunca fez coisas boas. Já que às vezes o que resta mesmo é chutar latas num fim de tarde nublado de um domingo de feriado prolongado em São Paulo, com o sol se pondo atrás dos edifícios e as luzes dos postes acesas, quando as sombras começam a abraçar as poucas pessoas na rua e eu finjo ser Joey Ramone só para me tolerar um pouco.

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ando viciado na Estante Virtual. Lá encontrei a “Última Saída para o Brooklin” e “Réquiem para um Sonho”, dois livros fora de catalogo de Hubert Selby Jr. que passei a adolescência procurando em sebos de diversas cidade brasileiras. É possível encontrar tudo lá e eu, imbecil, não me toquei antes. A coleção completa da revista Animal ou até mesmo a lendária Circo. Firmeza. Já chamei pelo “Mulheres”, do Bukowski e “A Lua do Falcão”, do Sam Shepard. Agora vou ali buscar a biografia do Frank Sinatra que está disponível num sebo aqui na Teodoro.

Thursday, March 11, 2010

hoje.

tô lá já.

Wednesday, March 10, 2010

Sunday, March 07, 2010

a life along the borderline

e neste final de semana mais um sujeito atormentado e talentoso deu um jeito de escapar pela porta dos fundos. Mark Linkous suicidou-se no sábado. Linkous era mais conhecido pelo seu projeto de alt-country Sparklehorse. Algumas de suas músicas são grandes experiências de como se sentir triste e confortável num sábado de sol. confira abaixo o belo vídeo de "It's a Wonderful Life":

Thursday, March 04, 2010

Bad Dog

São 5 horas da tarde. Shirley está sentada nua de tênis no azulejo azul da varanda. o quintal dela. com seu velho hábito inofensivo de riscar os braços com uma lâmina gasta de estilete. Fico um pouco intrigado com a rede que ela está usando nos cabelos. E tem um filho da puta buzinando na esquina há horas. Ecos intermitentes dentro da sala de estar onde durmo como um moribundo de favor. Rumores moídos espalhados num prato estilhaçado com restos da noite anterior. Uma caixa de areia entupida com a merda do gato atropelado. A casa está cheia de pessoas que não conheço nem de vista, hippies desdentados que mijam em potinhos e que gostam de massagem e da puta da mãe natureza deles e dos executivos preocupados. Tentam argumentar com calma, bastante dengo comigo, sobre como sou um sujeito sortudo por ainda estar vivo. Mas é à noite que eles ficam bêbados e choram ouvindo música mexicana. Shirley sempre chora mais que todos e berra sem saber agüentar as conseqüências nem medir as chances, mesmo assim, vai morrer de velha, eu sei, com o rosto inacreditavelmente enrugado e cistite. E todos falam muito alto, parecem caricaturas circunspectas e imundas que só falam merda, rumores. Sempre que acordo no meio da sala, nesse colchão úmido de solteiro sem lençol como comida esquecida num prato na geladeira, penso em Miyamoto Musashi de cócoras cagando em sua caverna escura elétrica. e chove torrencialmente e uma cortina d’água se forma na entrada da gruta.

Tuesday, March 02, 2010

Uma mosca enorme voa ao redor da minha cabeça. O fedor que meu coração louco exala. Pela janela vejo um doido que vaga se esgoelando noite adentro no meio da rua; os carros desviam dele complacentemente. Os faróis brilhando no asfalto molhado. Sombras surgem e desaparecem nas paredes do meu apartamento, como alucinações de um drogado solitário em abstinência. No quarto ao lado, um pecador sem fé seca suas lágrimas sob a escuridão azul e oblíqua que precede o amanhecer, sentado no chão com uma arma carregada no colo, pensando em dar um tiro nos miolos. O grito do louco chama através dos trovões. Moradores de rua que esperam o juízo final nas margens lamacentas das sarjetas do centro. Aquela música que costumávamos cantar toca baixinho na vitrola com estalos em plic plocs. A mosca zumbe ao redor da minha cabeça. A agulha suja e empoeirada desliza sobre o vinil como um carro descontrolado numa curva molhada. Resolvo pegar minha garrafa de uísque e as chaves do Chevy. Já não me sinto tão mal. Tento apenas entender toda essa obsessão sinistra pela morte que os moradores dessa cidade compartilham em silêncio. Uma forma permanente de autodestruição, nos empurrando lentamente na direção da janela. Um abalo físico. Uma necessidade. O resultado é sempre dramático. Pessoas desconhecidas e repletas de fúria. Somos, provavelmente, mais perigosos para nós mesmos do que para os outros.

E vice versa.

Monday, February 08, 2010




Hoje, após passar boa parte da década enjaulado por posse de cocaína e violações de condicional, Gil Scott-Heron, um dos maiores poetas americanos vivo, lança seu primeiro álbum de músicas inéditas em 13 anos. Muitos achavam que ele estava até morto. A XL Recordings coloca na praça “I´m New Here”, um projeto de 4 anos de trabalho junto à Richard Boss - o dono da gravadora independente que possui um catalogo invejável - que foi até a prisão convencer Scott-Heron a gravar e lançar a parada. Você pode escutá-lo na íntegra aqui. Descolei o primeiro single, “Me and the Devil”, uma adaptação assombrosa de “Me and the Devil Blues”, uma das 29 músicas que Robert Johnson gravou nas lendárias sessões num estúdio no Texas. Com percussão eletrônica marcada, típico da black music que Scott ajudou a criar e influenciou desde o começo dos anos 70, a música segue densa e arrastada e coloca o diabo ao seu lado num começo de noite. A canção que dá nome ao disco é uma cover do Smog, também conhecido como Bill Callahan, um folk que fala de recomeço e que, na voz de Scott, soa como bluesman esquecido no canto mal iluminado de um bar. “Your Soul and Mine” surge com uma base eletrônica e sintetizadores fazendo clima para a poesia de Scott-Heron. “I´ll Take Care of you” é uma pérola soul carregada de anseio na voz poderosa do crioulo chapado. O disco, sem dúvida, é um dos lançamentos do ano.

Gil Scott-Heron - "Me And The Devil"

Sunday, January 17, 2010

a home in heaven

grande disco este "All Most Heaven", do Bonnie 'Prince' Billy com Rian Murphy. confesso que não conhecia. "Fall Again" é perfeita.

aliás, ando me entupindo de vinis do Will Oldham, já adquiri 3 deles só essa semana. passar uma tarde vasculhando lojas de discos é uma das minhas maiores alegrias. ontem adquiri "songs of love and hate", do Leonard Cohen; "trout mask replica" e "clear spot", do Captain Beefheart; o clássico "histoire de melody nelson", do Gainsbourg; e "Ramblin'Man", do Hank Williams.

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aqui uma música do WO, de outro disco (Ask Forgiveness), que gosto bastante.
"Cycles"- Bonnie 'Prince' Billy

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ontem descobri que minha perna está bem melhor. após tomar uma pá de cervejas variadas, rolei escada abaixo num bar estranho aqui na cidade perdida onde estou. não entendi muito bem o que aconteceu, mas minha bota subitamente perdeu a aderência logo no primeiro degrau, assim, escorreguei de costas até a curva da escadaria que leva ao banheiro no subsolo. fiquei alguns segundos me recuperando, sem olhar para trás, disfarçando a enorme vergonha que me consumia, no entanto, logo que me levantei, perdi novamente o equilíbrio e outro estabaco veio para completar o percurso até a porta dos lavatórios. o sujeito que estava saindo de uma das cabines deve ter imaginado que eu fosse alguma espécie de imbecil performático engraçadinho, já que me encontrou, após todo aquele barulho de carne batendo contra madeira, com um sorriso de merda na cara, estateladão com uma lagartixa no azulejo mijado. agora manco da perna direita.

Saturday, January 16, 2010

é verdade. deve ser. pelo menos a metade. não vou ignorar que brasas brilham mais sob o vento. uma cadeira num incêndio numa sala cheia de cortinas. deve ser verdade. chamas que se transformam em fumaça rápida planando em voo de condor sob um céu escuro. cinzas que se espalham e entopem meus olhos. é metade verdade. tarde. um lugar perfeito e brilhante para dormir. belo e confuso. e flamas e pulso. cabos elétricos sob o crepúsculo . deve ser tarde. eu acho. minha cabeça apagada com água gelada da pia de um banheiro de azulejos azuis. velas de outono numa janela de madeira pintada de branco. deve ser verdade. deve ser tarde.

Tuesday, January 12, 2010

And then I see a darkness



viajando através do norte profundo, onde tempestades brancas não eram tão densas há tanto tempo. onde as pessoas aprendem a se consolar sozinhas em seus monitores. dois homens encapuzados carregando baldes, com os dedos encolhidos, por uma rua mal iluminada gritam para mim, do outro lado, melhor encontrar teu rumo, parceiro, parece que foi isso. um sonho, talvez, já que as noites daqui escurecem cedo nessa época do ano. portas e janelas e olhos claros se fecham. pedaços de bonecas em sacos plásticos de lixo coloridos na lama de fuligem. carros, placas e pavimento congelados sob uma camada espessa. galho seco e calefação. igrejas assombradas. no jornal, uma garota que morreu no ano novo após um longo período doente.


"Bernadette & her crowd"
- Vic Chesnutt

Tuesday, January 05, 2010

The Bassholes - "(Don't You) Look Sideways At Me"

um hino de guerra sangue
no olho blues
pós-apocalíptico.
tqparil.

Monday, January 04, 2010



nevou bastante esses dias. as pessoas se aglomeraram para comemorar o novo ano com fogos e algazarra. preferimos fugir para a casa que range como uma idosa se agachando. um lugar legal que nos protege das fortes lufadas dos ventos ocidentais. a apocalíptica cidade está coberta por uma camada grossa de gelo. tudo cinza e branco, com neons ocasionais numa nebulosa meia-noite. percebo que minha perna esquerda ainda não melhorou quando, mesmo que de leve, perco o equilíbrio no ritmo lento e perigoso da vida. eu precisava desaparecer no meio do caos, longe de alarmes despertadores ou barracas de acampar. está funcionando. fico em silêncio, leio e jogo conversa fora com minha mulher.

Wednesday, December 30, 2009

estou fora por enquanto.
sei que meu amigo já voltou pra casa e as coisas estão quase prontas.

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Vic Chesnutt morreu, numa overdose de relaxantes musculares, na noite de natal. uma grande perda.

Vic Chesnutt - "Flirted with all my life"

mais.

Monday, December 14, 2009

espero meu amigo se recuperar
sentado.

"Spanish Moss" - Smog

"On the Beach"(Neil Young) - Radiohead

Wednesday, December 09, 2009

hoje & amanhã


Friday, December 04, 2009



Hoje terminei de ler “Leões de Bagdá”, uma HQ lançada aqui em 2008, de Brian Vaughan e Niko Henrichon, baseada numa história real que aconteceu após um bombardeio americano que atingiu um zoológico iraquiano, libertando quatro leões famintos pelas ruas devastadas da lendária cidade do Sudeste Asiático. Li hoje cedo essa novela infanto-juvenil - algo como uma clássica história da Disney sem aquela fofurice mela-cueca e esperançosa -, onde os animais se comunicam entre si e travam questões, de forma ingênua, sobre a liberdade e o aprisionamento aconchegante do zoo, e encaram as roubadas da nova realidade. Fiquei um tanto comovido com o final. Talvez por não esperar aquele desfecho para a história cruel dos bichanos; talvez pela ingenuidade pura e tola de uma história em quadrinhos feita nos velhos moldes; quiçá por ela me lembrar também dessa minha antiga diversão, que é ler um quadrinho, uma revistinha com uma bela fábula triste.

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Este ano já deu a cota. Passei esta última semana quebrado. Carreguei minha carcaça de grilho, a capa do Batman, pelas ruas escaldantes e entupidas de São Paulo. Agora vou dar umas bandas por ai, respirar novos ares em ambientes fechados. Ficar bêbado demais para sonhar, agarrado nos braços da minha mulher como se o chão fosse desaparecer sob meus pés. Preciso dar uma volta descompromissado sem pressa com as mãos nos bolsos. Arremessar coquetéis Molotovs numa casa na árvore e rir longe de tudo. Talhar grunhidos em portas de banheiros públicos com meu canivete suíço falsiê. Ouvir country music honky tonk sob o vento causticante de alumínio dos trópicos em lugares improváveis. Fumar bastante e foder minha alma com bebidas fortes de origem suspeita escutando os ecos das ilusões. Olhar as luzes das casas do outro lado da colina brilhando na escuridão. Não tenho planos ou vontades para o novo ano, nunca penso em períodos, tudo será sempre súbito e brusco na minha vida. Por enquanto, quero apenas sair para dar uma volta.

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aqui meus álbuns preferidos de 2009:
- Fiery Furnances – "I`m Going Away"
- Grizzly Bear – "Veckatimest"
- Girls – "Album"

Aqui uma paulada para animar suas noites quentes e festivas de final de ano:
"Brand New Cadillac” – Vince Taylor

E outra pra dar um passeio de carro às 5 horas da matina em bairros afastados pensando que a noite irá compensar a ressaca.

"Life Turned Her That Way" - James Carr
puta que o pariu. essa música dichava.


Yippee Ki Yay Santa

Monday, November 30, 2009

hoje discoteco no D-Edge. a partir da 0h.
tenho alguns acessos vip. me avise, quem quiser ir.

Sunday, November 29, 2009

"Don`t Believe in Christmas" - The Sonics

Friday, November 27, 2009

Quaisquer que sejam meus pontos de partida, novas tentativas, serão todas pequenas viagens da escuridão à luz do dia. Na rua Augusta, na praça Roosevelt, na estrada ou em casa. Onde quer que eu me sente, tudo será lembrança. Um rio cheio de destroços que escorre dentro de mim. Um rio cheio de esperanças estranguladas, sonhos dormentes e aspirações sem rumo e tangíveis como fezes vivas e fétidas boiando sob o céu púrpuro e assombroso da metrópole elevada. Vivo no subterrâneo. Escuro, sombrio e apaixonado pelo desconhecido óbvio e aterrorizante. Existo apenas quando tudo desmorona e vira pó. Sou feito de sombras musculosas.

Monday, November 23, 2009

Sunday, November 22, 2009

A real mesmo é que sou uma pessoa ausente. Não sou unido à porra nenhuma. Vivo nos escombros incendiados de uma ilha baldia. Tenso. Decididamente inclinado para a autodestruição devoradora. Finjo escapar das ruínas do isolamento quando fujo para os sussurros dos subterrâneos do baixo centro Augusta da cidade de São Paulo. Quando seguro o riso de canto e me apoio em muros descascados. Ou quando me engancho nos braços desdenhosos de alguma mulher cheia de dentes. Eu me iludo e finjo, me arrependo e fujo, depois, do rebanho mórbido. Da vida pegajosa e amorfa da coletividade fingida. Da lealdade porcaria. Da maldita máquina de pastéis que gera o fluxo da vida e seus objetivos elevados. Tento refletir, como teria sido se eu não fosse assim, tão cínico. Agora é tarde demais para descobrir. Na janela que dá de frente para um muro de concreto, com o olhar retraído de alabastro, vejo o entardecer, e me lembro de como me sentia naquela noite suportada, quando sorvi tudo de belo e fabuloso. Me perguntava até quando estrelas negras iriam se esconder sob a escuridão nebulosa. A grande Lua solitária e erodida lá em cima. Os pombos arrulhando nos fios de alta tensão. Quando estou sem nenhum sinal de reconhecimento, despedaçado e segurando o riso, sinto uma auto-suficiência que me assusta.

Friday, November 20, 2009

hoje

há muito tempo atrás, essa música arruinou minha vida.

"We Almost Lost Detroit" - Gil Scott-Heron & Brian Jackson

Tuesday, November 17, 2009

hoje, né



vou sair com meu taco de baisebol.
por isso, não mexa comigo. não me faça nervoso.
algumas pessoas passam a vida inteira sem entrar numa briga. estou me sentindo assim hoje.
com vontade de tacar fogo em você e apagar com pauladas, com meu taco de baisebol.
apareça aqui na porta de casa. e eu vou te receber com minha arma apontada pra tua fuça.
meus grandes inimigos.
agradeço que vocês ainda existam.
por enquanto.
vou fazer tuas mulheres viúvas e teus filhos orfãos viciados em crack perambulando pelas quebradas da Paim. eles ainda vão me pedir moedas.
sempre que acordo, faço uma roleta russa encarando o espelho trincado.
ensaio um adeus.
no entanto, o satanás ainda me quer aqui.
com meu v8 apavorando civis.
meu taco de baisebol no banco de trás.
xavascas pingando e narizes escorrendo o sumo da verdade.
o sangue quente e a fúria sem controle. algo que explode e estilhaça dentro do meu peito.
por opção.
fique longe de mim.
ou serei obrigado a subir teu gás.
outra vez.

Friday, November 13, 2009

minha obscura vida de artista direitista arrogante

amanhã viajo com o pessoal do "Curta-Passagem" para apresentar a peça em Pirajú, a 335km de Sampa. estradão desde cedo, não sei se vamos pela Raposo ou pela Castelo, mas tenho certeza de que o sol vai assar os miolos e muita cerveja será necessária pra não morrer sufocado no banco da van, ou serei obrigado a cuspir em mim mesmo. a peça acontece no Teatro Cinemax, na rua Washington Osório de Oliveira, 660, às 20hs30.
*
na segunda, dia 16 de dezembro, rola mais uma edição do Rive Gauche no espaço b_arco, com leitura da peça francesa "Escola de Viúvas"; no elenco tem a Maria Manoella, a Tati Tomé, Majeca Angelucci e o Zé Trassi. eu vou desenhar - com mais uma pá de gente - o que der na telha durante o ato. a partir das 20hs30. endereço no link.
*
e na terça, na Livraria da Esquina, discoteco safadezas hereges acompanhado das bandas Fábrica de Animais e La Carne. paulera pura. a partir das 22hs. veja o endereço no link.

e venha comigo.
você tem um cigarro aí?
vamos juntos explorar das massas.
sem dormir direito, claro.

Thursday, November 12, 2009

O ar que me falha surge quando corto estradas sobre planícies resplandecentes que variam a direção de acordo com árvores e imensas rochas no caminho. Sei que pode parecer loucura. Estou intoxicado pela metrópole peçonhenta. Eu nunca me digo a verdade. O ar me falta e invento, por isso, escapo e perco a cabeça. Algo se acomete sobre mim. Meu regular nunca é suficiente. Sei que não adianta. Talvez eu deva explodir como uma garrafa arremessada num muro. A sorte que suja e pinga vermelho. Quando atravesso planícies desoladas pelo vento, mantenho-me quieto e absorto. Invento. E tudo é bem mais fácil que morrer para mim. Paro num posto de abastecimento em Passo Alto. Perco a cabeça e o céu despenca. Com punhos cheios de poeira, observo a paisagem. O sopro que deita as lavouras no horizonte. O sol pune tudo ao redor. Nuvens detonam no céu. Pela última vez. Eu trouxe minha ansiedade para uma planície desolada, agora deixo que os lobos me julguem. Lá de longe. Uivo para que me encontrem

e

me

dest

ri

nch

em.

















sob quentes tardes cinzentas,
minto
para quem não me conhece

Friday, November 06, 2009

"Caravan" - Johnny & Santo

para Chris Couto.

Monday, October 26, 2009

HOJE

Sunday, October 25, 2009

Monday, October 19, 2009

terça e quarta

Friday, October 16, 2009

Hoje, 0h

[mail1.jpg]

"Return to Sender" - Elvis Presley

Wednesday, October 14, 2009

What's a liger?



este filme é genial.

uma vida imaginada

arquivada numa caixa

de sapatos de papelão

escondida na parte de cima de um armário

embutido

nunca se sabe

descompensado

de madeira

amarelada

coisas de lugares menores

de manhãs

imaginadas


num carro vazio

longe pra caralho

parado

no meio de um viaduto

interditado

a porta do motorista aberta

o som ligado

numa rádio country


num velho automóvel

à gasolina

num estacionamento

mal iluminado

um senhor pálido

olhando a cidade

através

do pára-brisa

do reflexo embaçado

respirado

vidrado

que assiste

retrovisado

escurecido

sob o céu claro

de nuvens cinzas

carregadas

que dançam

e explodem

em silêncio

para pedir


baby, não vá.

Wednesday, October 07, 2009

penas pretas

Eu queria ser um pássaro. Isso não é à toa. Nunca quis ser cavalo. Eu queria ser um pássaro mesmo, e voar em círculos. Ou não. É difícil explicar, mas eu queria ser um pássaro para regressar todas as noites ao meu sagrado lar. Daqueles que planam sem esforço. Bem longe daqui. Lá em cima. E queria construir um ninho, numa árvore bem alta, escondido pelas folhas. Nunca cogitaria a possibilidade de voar para o Norte no inverno. Às vezes, eu queria ser um nômade ou um desses ciganos ai que vi em algum lugar. Vagar lentamente pelas planícies e pradarias resplandecentes do Centro-Oeste, acompanhado por um deus que nem sei se acredito. Queria abrir clareiras em terras alheias sem nunca ser percebido. E jamais pedir ajuda. Acho que seria assim. Talvez. Perderia a fé nas palavras. E nas coisas fáceis. Talvez se eu fosse um rio, e escorresse direto pro oceano.

Monday, October 05, 2009

hoje

Friday, October 02, 2009

A vida é um livro aberto com as últimas páginas arrancadas

"Lembrete: 17 de seus amigos convidaram você para participar do Facebook”

Sempre achei interessante a idéia de inventar uma identidade, mas não, por favor, amigos, por favor, parem de me convidar para ingressar a porra desse Facebook. Vejam bem, sou um ser peludo e nojento, azedo, grosseirão e débil, não tenho nada de interessante para mostrá-los, nem mesmo meus testículos inchados ou minhas espinhas pustulentas no cotovelo. Lembre-se, minha gente guerreira, eu não existo. Sou um completo embuste, entretanto, faço um certo esforcinho para parecer sincero, e, olha só, tenho 5 amigos apenas.

Tuesday, September 29, 2009

Lúcifer não é de falar muito, quase não abre a boca, entretanto, todos são decentes na escuridão, ele me contou certa noite ao redor de uma fogueira que acendemos sobre o Elevado Costa e Silva. Morrer pela segunda vez apenas torna a primeira mais brilhante. Tudo não passa de uma grande arenga, pensei. Eu estou sozinho e espero que ninguém me descubra. Vago por ai quando as ruas estão vazias. Caminho dentro da escuridão nos parques da cidade. Aconchego-me nas sombras inócuas no concreto gasto dos pavimentos. Não cruzo meu caminho com ninguém. Eu estive só por todos esses anos e sou grato a Lúcifer por isso. Não gosto de conversar. Não nasci para escutar. Não anseio pelos outros. A obscuridade me apetece e nela quero permanecer e fluir como um fétido córrego canalizado.

Decida



puta que pariu. vá tomar no cu.
quem postou isto?

satanás não usa bermuda



e tem mais.
eita ferro!

olhoqueu achei



juro. sem querer.
nessa fabulosa internet.

Tuesday, September 22, 2009

hoje rola Saco de Ratos, no Café Aurora, ali na 13 de Maio, onde mora a maldade.

**
















amanhã, quarta-feira, acontece a penúltima apresentação de "Curta-Passagem". 21hs, no Satyrus I. Praça Franklin Roosevelt, 124.

quem não viu, apareça.
depois a gente malha umas garrafas.

**
e o Scream & Yell aparece de layout novo.
ficou muito bom.

Thursday, September 17, 2009



Bill Hicks, o comediante sem meios-termos, segundo o reverendo Jesse Custer.

você não deve se lembrar da Julieta, han?

Tuesday, September 15, 2009

ele é um piloto

no sussurro da noite, quando você voltar, eu já terei ido. Vou rasgar todos os mapas e esquecer todos os planos. Vou apagar algumas velas coloridas no quintal num sopro silencioso. Vou me despedir do vigia noturno com um aceno. Sei que ele não vai entender. Mãe, eu vou atirar em mim mesmo. Para matar algo que já está morto há muito tempo. Sei que você nunca vai entender. Talvez seja toda essa terra em seus olhos. Sou meu próprio piloto. E preciso voar. Ainda assim, tenho certeza de que não quero entender. Não desista. Esse é o seu tempo.

Monday, September 14, 2009

"Say Darling" - The Troggs

"Stack O'Lee" - Champion Jack Dupree

&
Jim Carroll está morto.

desgoverno

A engenharia é dura. Querem disciplinar os pixadores. Enquanto Kassab & Serra tentam apagar a cidade de todas as formas, alguns moleques pestinhas negligentes e perigosos tentam revidar. Tá certo que muitos hoje em dia só ‘ataquem’ em galerias; outros façam arte em avenidas mais movimentadas com aval da Prefeitura, no entanto, que a pixação continue nas ruas, no topo dos prédios e no concreto dos viadutos. Lembrem-se: pixação não é grafitti. E viva o Tietê.

Bátima & Roben: preocupadões conosco

fim da noite

Estou deveras triste com a situação do meu time no Brasileiro 2009. Deveras numas. A cada jogo que assisto, fico mais descrente. Tá mal. O time é muito merda. A cara dos jogadores é de merda. Já nem consigo mais ficar furioso ou algo do tipo. Até tento. Mas noto que aqueles paspalhos uniformizados estão cagando e andando ali no gramado, que nem vaca magra em terreno baldio. Assim, fico na frente da TV, pensando na vida e, vezenquando, acho, que se pudesse, passaria o resta dela tomando drogas pesadas na veia, ouvindo música caribenha e fazendo nada mesmo.

Thursday, September 10, 2009



quando Bob Dylan fez a cabeça dos Beatles.

* aqui um video de Dylan, com a cara pintada de branco, sinistro, mandando sozinho "Tangled Up In Blues". foda.

Wednesday, September 02, 2009

amanhã

doenças, vícios e outras nhacas

The Rising Storm é um dos melhores sítios que já encontrei para a prática abjeta de baixar canções obscuras de qualidade hipotética. O cara é um grande conhecedor de músicas que podem te levar a pensar em dar cabo na vida. Isso aqui, por exemplo, transforma sua cabeça num travesseiro. Agora, o post dele sobre punk-blues é só paulada, escuta isso ai embaixo e imagine mulheres de bikinis asa delta, empunhando metralhadoras em possantes carros v8, cuspindo bala em velhinhas com pesadas sacolas de supermercado.

"Gun Club” – For the Love of Ivy

antes de dormir

Gláucia era uma criança grande que não gostava de ser amolada. Nem de trabalhar. Gláucia não era chegada em banhos. Nem um pouco. Nem em meias. O tipo de garota negligente que sempre arrebentava a pulseira do relógio. E enquanto andava por ai com sua bocarra aberta para o pavimento irregular, Gláucia sentia como se pudesse engolir o mundo, de uma só vez, apenas para depois defecar uma massa cinzenta na mesma calçada cheia de gente. Positivamente negativa, por opção, claro. Nesta cidade. Gláucia era assim, tinha uma visão bem aguçada e não se deixava levar pelo papo furado. Alguns diziam que ela era louca. Não creio. Nem duvido que me apaixonei por ela. Quando ficava nervosa, Gláucia quebrava coisas e se sentia bem melhor em seguida, dançando com a noite escura e silenciosa uma música que tocava alto em seu jukebox mental. Sem remorsos. Eu ainda penso muito em Gláucia antes de dormir, só que um dos meus irmãos bem que me alertou, “Gláucia se casou com ela mesma, não pense mais nisso, volte ao trabalho”. Soube esses dias que Gláucia foi vista semanas atrás comprando mantimentos enlatados no armazém do seu Pedro. Dizem que ela desapareceu pela interestadual que desce para o Sul. Já não mantinha mais contato com ninguém e sempre fugia quando me via na rua, ou você. Não acredito que Gláucia esteja morta. Gláucia é uma criança grande e aborrecida de olhos vermelhos. Não há nada de errado com isso. Tá tudo certo. Como deixar a porta de casa aberta a noite inteira. Razoável. Para que as lembranças escafedam-se.