
com sua voz vulnerável
ela sussurra uma canção
como se lançasse um feitiço
esquecido para mim
numa linguagem que consigo entender
ela canta, inacreditável,
que amanhã a poeira vai baixar
e o sol aparecerá para nós
ela me põe no colo
e destrincha meu coração
e enterra blasfêmias sob as sombras
das árvores dos campos
do outro lado da trincheira
ela vaga,
e me alerta sobre a longa batalha da noite anterior
sobre a última esperança
sobre gostar de quem não existe mais
sobre dormir de dia
tomando leite e assistindo desenho do Papa-Léguas.






