
aqui tem umas fotos bem legais de Sampa, a cidade que eu morro.

com sua voz vulnerável
ela sussurra uma canção
como se lançasse um feitiço
esquecido para mim
numa linguagem que consigo entender
ela canta, inacreditável,
que amanhã a poeira vai baixar
e o sol aparecerá para nós
ela me põe no colo
e destrincha meu coração
e enterra blasfêmias sob as sombras
das árvores dos campos
do outro lado da trincheira
ela vaga,
e me alerta sobre a longa batalha da noite anterior
sobre a última esperança
sobre gostar de quem não existe mais
sobre dormir de dia
tomando leite e assistindo desenho do Papa-Léguas.

eles fazem campanhas anti-tabagistas, mas esquecem de alertar que o caráter falho, o vacilo e a culpa brocham mais que o cigarro. ela me diz morra e eu estou cansado para isso agora, embora tenha preguiça de viver sob conselhos decorados de alguma revista. esses filhos da puta. são espertos e legais e tratam da mamãe natureza com hipoglós. andam de terno e carros com os vidros fechados no calor do verão. mastigam bem pra caralho. não sei por quê, mas prefiro armas a tortas. cicatrizes a franjas. pedras a buquês. suicidas a conquistas. diarréia é bem melhor que cagar duro. não sei por quê, cuidado, mas não vou com a tua cara. pose para fotos e dê entrevistas com cara de pastel. em pleno século 21. acredite em jornais e na internet. nos figurões desdentados. acredite que aquele pau ainda possa levantar. facilite. lembre. e não se esqueça daquela fala quente decorada da mesma revista. decore mentiras que não existem mais. excesso de afeto e medo. fale como se evacuasse. não seja de ninguém mas aceite o próximo se houver algo em troca. nasça para dar certo abaixo da linha do Equador, por favor. mantenha e procure contatos. fale duas vezes para ser escutado. beije como se evacuasse. nunca deixe a cidade ou de atender o telefone por medo do esquecimento. permaneça branco e ocupado. o preço de ser livre e existir para os outros. vale a pena. pode crer.
se existe algo que detesto é gente como transpira conversa e encosta vão se foder por mim, conversava com os animais sou burro não sei falar. "para meu amigo Adriano, o Ninguém"um poema, um peido

Nessa segunda e terça-feira de carnaval vai rolar rock and roll no Teatro X. A nossa banda "Saco de Ratos" vai tocar lá nos dois dias. Antes do nosso show deve rolar um set acústico com a Fernanda e oFlavinho da "Fábrica de Animais". E antes, durante e depois dos shows, Carcarah vai atacar de DJ mandando muito rock and roll pra todo mundo dançar. É pra ir até de manhã já que a maioria da rapaziada não precisa acordar cedo no dia seguinte.
"Bortolotto comanda o show que dura mais de duas horas e trouxe de volta o sentido sagrado para a noitada (rockeiro que é rockeiro não usa a palavra "balada"): desabafar
A banda devolveu ao rock autenticidade e elementos da sua essência, naquela que se transforma na melhor terça da cidade."
Apareçam.
Segunda e terça de rock no Teatro X
a partir das 22h - sem hora pra acabar
Ingressos : R$ 5,00
Banda Saco de Ratos
Mário Bortolotto : Vocal
Fábio Brum : Guitarra
Marcelo Watanabe : Guitarra
Fábio Pagotto : Contra-Baixo
Rick Vechione : Bateria
Set acústico com
Fernanda D´Umbra : Vocal
Flávio Vajman : Gaita e guitarra
Discotecagem rock and Roll : Carlos Carah
O Teatro X fica na Rua Rui Barbosa, 399 - perto do Bradesco da Rui Barbosa
Fiquem a vontade para divulgarem em suas listas de e-mails. A gente vai achar bem bacana
nada cai do céu. custa muita loucura. algo semelhante a gotas de sangue numa folha em branco. inesperado como um blecaute quando dentro do elevador, ou giletes sujas embaladas em celofane. um dia serei um suicida aposentado, quem sabe um rebelde adaptado. só espero não precisar da família nem dos amigos nem dos cães nem dos gatos.
há algo de muito errado nesse quarto escuro, que consome minha alma com talheres descartáveis e luvas plásticas quando chega a madrugada. quando chega a madrugada. e seu cheiro quente e fétido no ar. quando o vento abre e fecha a janela anunciando mais uma tempestade. quando mais um blecaute apaga a vizinhança. prefiro ficar à minha própria espreita para poder entender essa falta de vontade. a verdade que intimida. o refugo. sobre nunca colocar as coisas no lugar. sobre uma longa e escura noite. um silêncio absoluto. um sujeito atormentado, pensando longe demais.





