Thursday, September 10, 2009
Monday, September 07, 2009
Wednesday, September 02, 2009
doenças, vícios e outras nhacas
The Rising Storm é um dos melhores sítios que já encontrei para a prática abjeta de baixar canções obscuras de qualidade hipotética. O cara é um grande conhecedor de músicas que podem te levar a pensar em dar cabo na vida. Isso aqui, por exemplo, transforma sua cabeça num travesseiro. Agora, o post dele sobre punk-blues é só paulada, escuta isso ai embaixo e imagine mulheres de bikinis asa delta, empunhando metralhadoras em possantes carros v8, cuspindo bala em velhinhas com pesadas sacolas de supermercado.
antes de dormir
Gláucia era uma criança grande que não gostava de ser amolada. Nem de trabalhar. Gláucia não era chegada em banhos. Nem um pouco. Nem em meias. O tipo de garota negligente que sempre arrebentava a pulseira do relógio. E enquanto andava por ai com sua bocarra aberta para o pavimento irregular, Gláucia sentia como se pudesse engolir o mundo, de uma só vez, apenas para depois defecar uma massa cinzenta na mesma calçada cheia de gente. Positivamente negativa, por opção, claro. Nesta cidade. Gláucia era assim, tinha uma visão bem aguçada e não se deixava levar pelo papo furado. Alguns diziam que ela era louca. Não creio. Nem duvido que me apaixonei por ela. Quando ficava nervosa, Gláucia quebrava coisas e se sentia bem melhor em seguida, dançando com a noite escura e silenciosa uma música que tocava alto em seu jukebox mental. Sem remorsos. Eu ainda penso muito em Gláucia antes de dormir, só que um dos meus irmãos bem que me alertou, “Gláucia se casou com ela mesma, não pense mais nisso, volte ao trabalho”. Soube esses dias que Gláucia foi vista semanas atrás comprando mantimentos enlatados no armazém do seu Pedro. Dizem que ela desapareceu pela interestadual que desce para o Sul. Já não mantinha mais contato com ninguém e sempre fugia quando me via na rua, ou você. Não acredito que Gláucia esteja morta. Gláucia é uma criança grande e aborrecida de olhos vermelhos. Não há nada de errado com isso. Tá tudo certo. Como deixar a porta de casa aberta a noite inteira. Razoável. Para que as lembranças escafedam-se.
Thursday, August 20, 2009
faz tempo que não vejo
a chuva castigar
tanto assim a cidade
como se alguém
muito aborrecido
lá em cima
arremessasse mudanças
mais uma vez
há muito tempo
seguro a respiração
não faz a menor diferença,
apesar da chuva,
que sempre cai
das velas que se apagam o tempo todo
das janelas que batem
e das árvores semeadas
em calçadas descascadas
que balançam no escuro
sob as luzes elétricas dos postes
sombras dançam
colhidas
talvez eu finja fugir
mais uma vez.
quem sabe,
o sol raie,
como um espírito
dentro de mimque chantageia
e trava
Sunday, August 02, 2009
Friday, July 24, 2009
quieto
"Don’t Deceive Me" - Screamin’ Jay Hawkins
escute ai, ou foda-se.
Sunday, July 12, 2009

hoje é aniversário do Linguinha. Linguinha da Silva. Preste atenção neste sobrenome, você ainda vai ouvir sua risada. O cara, também conhecido como o Bumbum Guloso de Veludo da Praça Rusivel, é um grande filho da puta. Sacana. Mau caráter, piranhudo, matusquela e o caralho. Gente fina até o limite, isso é, se ele te conhecer. Poeta punheteiro, leitor da Piauí, vagabundo nato. Quando o conheci, quase malhei uma bola de sinuca em sua testa, na maldade, lá no Juke Joint. Ele tentou me arranhar. Safado sem esportiva. Hoje, garanto, que esse arrombado enfrentaria um exército ao meu lado. Um verdadeiro amigo. Truta mesmo esse curitibano, bandefroxo. E isso é mais que o suficiente. Logo mais vai rolar uma festa pro Língua. No Coletivo Galeria, ali na rua dos Pinheiros, 493. O Saco Ratos vai estar lá. E eu vou chegar de vuadora.
Friday, July 03, 2009
HOJE
Efeito Urtigão
Texto e direção : Mário Bortolotto
Com Mário Bortolotto e Paulo de Tharso
Satyros 2 - Praça Roosevelt, 134
Todas as sextas do Mês de julho - Até dia 31/07
Ingressos : R$ 20
e amanhã, sábado, a reestreia.
Curta-Passagem
Texto e Direção : Mário Bortolotto
Com Francisco Eldo Mendes, Guta Ruiz, Carlos Carah, Daniela Dezan e Carla Trombini
Satyros 2 - Praça Roosevelt, 134
Todos os sábados do Mês de Julho
Ingressos : R$ 20
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Deliberate Wreckage
Monday, June 29, 2009
Igor perdeu no par ou ímpar

Depois daquele atropelamento, todo mundo passou a mão em sua cabeça e o abraçou. Pareciam se preocupar com o garoto. Ele ficou imóvel, com seu pulôver listrado ridículo de gente mais velha e sua calça bege, agora com um novo furo no joelho esquerdo. Um fio de sangue escorria da sua testa. Outro brotava de dentro da blusa, bem no cotovelo, onde sempre se rala nos estabacos, ainda bem que ninguém percebeu. Ele olhava alguns pombos nos fios de alta tensão, alheio a tudo aquilo ao seu redor. Nada acontecera. Apenas o susto do impacto. Agora ele ouvia vozes desafinadas de pessoas que pensavam que ele fosse um bebê-chorão. Vozes de pessoas petulantes que encostavam suas mãos sebentas em seu rosto dizendo que não foi nada não. E não havia sido nada mesmo. Nada. Mesmo. Embora, ali, na calçada em frente à casa da Dona Tânia, surgisse, como se ligassem uma chave, alguma coisa o avisando para ficar longe daquela gente. Longe das pessoas que fingem. Assim, pegou sua BMX e desceu rumo ao gramado, onde estava indo antes daquele palhaço virar sem olhar para os lados. Onde deveria estar, à caça de grilos. Malditos grilos.
Low - "Peanut Butter Toast and American Bandstand"
Sunday, June 28, 2009
Friday, June 26, 2009
Wednesday, June 24, 2009
troubled times
li isso em algum lugar
livro didático infanto-juvenil gratuito direitista cristão.
coisa de seguidores da comunhão.
para àqueles que tentam ser alguém
me baseio em nunca acreditar no que os outros pensam que sou.
prefiro uma facada a um elogio.
e ficaria satisfeito se tomasse um tiro.
sem esperar ou procurar.
E descobrir, afinal, que sou ninguém.
como você.
deus, às vezes é preciso um tempo enorme para desaparecer.
faz frio.
e as ruas continuam cheias de olhos de peixe.
isso não me significa porra nenhuma.
pelo menos
para ninguém
nenhum
nem
dormi tarde e não escovei os dentes.
você me diz que está ocupada.
uma tempestade entope a cidade.
talvez.
seja verdade.
alguém me contou
ou li
que uivar é coisa de louco
que sente dor
apenas para cantar
au auuuuuu....
"The Things That I Used to Do" - James Brown
Sunday, June 21, 2009
Saturday, June 20, 2009
Wednesday, June 17, 2009
"Saiu resenha sobre A Musa Chapada no jornal O Estado do Maranhão"
POESIA CHAPADA EM LIVRO
Em A musa chapada, poemas de Ademir Assunção e Antonio Vicente Seraphim Pietroforte ilustrados por Carlos Carah apresentam novas possibilidades para a relação poesia e drogas.POR ZEMA RIBEIRO*
ESPECIAL PARA O ALTERNATIVO
[A musa chapada. Capa. Reprodução]
Não é novidade a relação entre literatura – ou mais especificamente poesia – e drogas. Não é fácil também criar algo novo nessa relação que não cheire – opa! – a apologia barata, as lições de moral da auto-ajuda ou umbiguismo autobiográfico (para o bem ou para o mal e, às vezes, também com lições de moral baratas).
Em A musa chapada [Demônio Negro, 2008, R$ 20,00 em http://www.sebodobac.com], o encontro dos poetas Ademir Assunção e Antonio Vicente Seraphim Pietroforte e do desenhista Carlos Carah, expande – ops! – o entendimento que se tem sobre o que é “droga” – se à menção do termo você só pensa em maconha, cocaína, crack, merla, heroína, haxixe e similares, que tal acrescentar a TV e alguns de seus programas no drugs hall of fame (principalmente a fé vendida na tela)?: “no canto da sala a TV ligada/ o pastor gritava/ (...)/ o poeta pirava/ “meu deus como pode/ tanta merda enlatada?/ que gente mais troncha/ que vida fodida/ (...)/ o real é a ilusão virtual dos que batem a cara contra o muro””, rima Ademir Assunção em A volta do anjo torto, poema com referências explícitas a Torquato Neto e Raul Seixas, dois malucos geniais.
Dedicado “à memória de Sérgio Sampaio”, e trazendo Itamar Assumpção como epígrafe, o trio dA musa chapada está bem acompanhado. Seja pelos beats, referência obrigatória em se tratando do assunto – e influência confessa dos poetas e do desenhista –, seja pelas personagens que povoam o livro: Lili Maconha, Mister Morfina, a Senhora dos Sonhos, O anjo do ácido elétrico (título de poema de Ademir Assunção), Santa Maria Joana (idem), Johnny Walker e João Bafo de Onça, entre outros, além da música de Miles Davis.
O recado de Antonio Pietroforte é direto em Poligonia do soneto III: “quem diz que a droga mata anda errado/ tampouco, acerta aquele que comenta/ “usuário dá dinheiro a traficante,/ promove, com seu vício, a violência”/ prefiro dar dinheiro pra bandido/ que vende, honestamente, seu produto/ se pago imposto, não recebo nada/ sustento deputado vagabundo/ violenta é a fala da polícia/ que fuça, no meu bolso, feito rato,/ aumenta, com propina, seu salário;/ a erva que se fuma só acalma,/ trabalho mata mais do que cigarro,/ por isso que eu fumo pra caralho!”
[Um dos desenhos de Carlos Carah em A musa chapada. Reprodução]
Nem um nem outro – nem o desenhista – ligam para o que é (ou não) politicamente correto. Dão seus recados sem transformar sua obra num apático manifesto a favor ou contra nada – a legalização das drogas, por exemplo. O que os autores fazem é apresentar a realidade nua e crua – mesmo em poemas ficcionais –, a inegável realidade da São Paulo paisagem dA musa chapada – mas não pensem que é diferente em outros lugares do mundo, bem aí do seu lado deve ter uma boca de fumo, uma “filial” da cracolândia, lugares simplesmente feios e sujos para a maior parte dos olhares conservadores. A vantagem é que ninguém é obrigado a nada.
Entre o lirismo e a ironia, os poemas de Ademir Assunção e Vicente Pietroforte tão bem ilustrados pelas “lentes manuais” de Carlos Carah são verdadeiros clipes de uma sociedade onde puritanismo é (quase) sinônimo de hipocrisia e, num circo de vaidades, (quase) todos se preocupam somente em consumir (drogas, inclusive) e produzir (por obrigação), sem olhar para o lado (leia-se, para os problemas que as/nos rodeiam), obtendo um pseudoprazer que, infelizmente, por vezes as satisfaz. A musa chapada é um tapa seguro e sonoro nesse bom-mocismo, nesse conformismo. Vai encarar?
*ZEMA RIBEIRO escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com
[No Alternativo, O Estado do Maranhão, de ontem]







