Thursday, October 09, 2008



Hoje rola o Blues na Galeria, com Rodrigo Batello e o Flávio Vajman.





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Cagacinho. No sábado, participarei do VOCABULÁRIO, dos trutas Paulo Scott, Chacal, Marcelo Montenegro e Marcelino Freire. Lá no Bar_co. Nunca fiz nada parecido, rezo para não gaguejar nem suar muito.



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e, para alegria da criançada, nos dias 17, 18 e 19 de outubro, semana que vem, acontece a 15ª Fest Comix, a mais absurda feira de quadrinhos do Brasil. Lá você pode encontrar aquela ANIMAL que falta pra sua coleção, mangás obscuros em papel jornal, a Espada Selvagem com a capa do Liberatore, a coleção completa do LOBO SOLITÁRIO, muita coisa zerada e lançamentos com descontos de até 60%.


Data: 17, 18 e 19 de Outubro
Horário: 17 e 18 de Outubro das 10h às 20h / 19 de Outubro das 10h às 18h
Local: Centro de Eventos São Luís — Colégio São Luís
Endereço: Rua Luís Coelho, 323 — Estação Consolação do Metrô (ao lado da Padaria Bela Paulista)
Entrada: R$ 10,00* Meia-entrada: R$ 5,00
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Ontem, andando pela Teodoro, notei uma requenguela de camisa do Mickey listrada, com uma longa cabeleira escorrendo pelas costas e adornada de um belo dum buzanfã atravessando a rua. Nisso, o motoboy que estava parado no semáforo, solta de dentro do capacete:

- Nossa! Óia lá! Ae, lindona, cê num caga, cê lança bombom.

Horroroso, pensei, apertando o passo para chegar logo em casa.

Wednesday, October 08, 2008

sento

não é palhaçada
você acorda comigo
mas nunca me ouviu chorar
tento disfarçar
talvez seja errado - o que é certo?
esperar não é mudar

de vagar

estou cansado
apenas deitado
me apoio
durmo
para anoitecer

Friday, October 03, 2008

por onde errei

sob um amanhecer cinzento, estou unido aos desesperados do meu tempo, nas experiências destrutivas de uma grande cidade. sinto a aflição gelada de catraca percorrer minha veias. minha visão turva tenta definir os ângulos dos fios nos postes, das sarjetas carcomidas, dos primeiros ônibus com os letreiros ainda acesos. o rugir do tráfego acordando e meu silêncio de duas noites sem dormir. olho meu reflexo na porta de vidro de uma loja recém aberta e sinto uma prazer mundano por estar nas beiradas do inferno. jogo algo para trás sem perceber. olho lá. diaristas melancólicas com sacolas cheias esperam. viciados asmáticos de olhos fundos vagam numa busca sem fim ou motivo. mendigos enrolados em cobertores da cor do pavimento. eu. prostrado na manhã. o vento cortando por dentro. sem nome. com cheiro de cachorro molhado. sem medo e nada pra cantar. apenas estranho. 

Tuesday, September 30, 2008

I’m black and I’m evil, and I did not make myself (2x)
If my man don’t have me, he won’t have nobody else
I’ve got to buy me a bulldog, he’ll watch me while I sleep (2x)
Because I’m so black and evil, that I might make a midnight creep
I believe to my soul, the Lord has got a curse on me (2x)
Because every man I get, a no good woman steals him from me

* aí, paulera essa negrinha. escutando isso no fone de ouvido parece até que o mundo sumiu. funciona.
aliás, consegui isso no sundayblues.org, um blog de blues em todas suas variações e épocas. ótimo para você, que, assim como eu, está ai sentado na frente do monitor, com uma mão no saco e outra no mouse, sem nada para fazer, vasculhar.

cachorro louco blues

eu não vou mentir, mãe. hoje vou passar a noite na rua. para procurar o desgraçado que roubou minha mulher e esfaquear os dois, fazê-los de picadinho. ao amanhecer, volto para casa e, no final da tarde, vou até o pastor pedir perdão. eu não vou mentir, mãe. sei que não sou um cara fácil de lidar, mas o que aquela vagabunda fez comigo não foi justo. e eu não vou aceitar os fatos como esses malditos corteses urbanos. pretendo consumar minha vingança e tentar a sorte em outro lugar. já tenho tudo preparado. eu não vou deixar barato. e não me importa o que os vizinhos vão falar. nem a foto dos cadáveres no jornal. eu não vou deixar barato. e não vou mentir, mãe. ando triste e definhado. contudo, vou me sentir bem melhor quando tudo isso acabar e eu estiver tomando meu trago.

Friday, September 26, 2008

no domingo



Clássicos do folk e "malditos" da MPB na Folk This Town - 28/09

Fechando o segundo mês da nova fase da Folk This Town (sempre no excelente Bar B), o dia 28 de setembro traz uma noite de homenagens, com dois projetos especiais mostrando clássicos folk (Donovan, Leonard Cohen) e os chamados "malditos" da MPB.

O Benção Maldita (trio formado por membros da banda Fábrica de Animais - a atriz Fernanda D´Umbra e os músicos Sérgio Arara e Flávio Vajman) prepara um show exclusivo com repertório em que homenageiam três dos grandes compositores "malditos" da MPB: o carioca Jards Macalé, o paulistano Itamar Assumpção e o capixaba Sérgio Sampaio.

Folk Sinister é um projeto do músico Ricardo Melo (da banda Le Rock Démodé), voltado ao folk norte-americano dos anos 60 e às suas reverberações no continente europeu. O repertório, cheio de clássicos, inclui canções de Simon & Garfunkel, do canadense Leonard Cohen e do escocês Donovan Leitch, além de alguns temas de sua própria autoria.

A festa

Tem festa pra tudo em São Paulo, não? Anos 90, electro-punk-house, hardcore caipira. Mas a metrópole não tem nenhuma noite dedicada ao folk e outras manifestações mais "tranqüilas" de música. Quer dizer, não tinha. A festa Folk This Town, projeto no Bar B, abre espaço para os violões, sussurros e um clima mais intimista - nada de "pista fervendo", o negócio é gente sentada, boa companhia e ótimo som. O projeto rola quinzenalmente, aos domingos e cedinho, sempre no Bar B (rua General Jardim, 43 - metrô República).
Na discotecagem, canções de gente como Grenade, Grateful Dead, The National, Neil Young, Belle & Sebastian, The Band, Cat Power, Moldy Peaches, The Byrds, Neutral Milk Hotel, Big Star, Bob Dylan, Son Volt, Nick Drake, Will Oldham e outros heróis do violão (plugado ou não). A festa abre às 18h, e os shows começam às 20h.

Folk This Town com Folk Sinister e Benção Maldita (http://folkthistown.wordpress.com/)
Bar B
Rua General Jardim, 43 (a 100m do metrô República)
Tel: 3129-9155Dia 28/09 (domingo)
A partir das 18h (Primeiro show a partir das 20h)
Entrada: R$ 5,00

Rodrigo Sommer

Wednesday, September 17, 2008

Na semana passada os nova-iorquinos do The Walkmen lançaram o álbum “You & Me”, e, assim, pode ir sossegado que é bom. Dessa vergonhosa safra de bandas de rock que apareceram nos últimos 12 anos, The Walkmen é uma das poucas que conseguem soar honestas e sem a afetação juvenil oligofrênica típica, principalmente, das bandas inglesas. Algumas músicas me trazem uma sensação semelhante a passar a noite de Natal sozinho. Escute “In the New Year” para me entender. Na verdade, foda-se.



“You & Me” – The Walkmen (via rapidshare)

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Olha ai o Grampá



eu tenho a versão gringa que ganhei das mãos desse maldito - que vai desenhar o Constantine com roteiro do Brian Azzarello até o final do ano - e não empresto. por isso, passe lá para garantir o seu exemplar.

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e eu estou na primeira edição da XOK.

a revista eletrônica que minha amiga Atena produziu sozinha.

aqui as infos:

XOK #01

NASCEU! Uma gestação de dois anos, mas finalmente consegui tirar do papel e jogar na rede uma publicação de arte que reune artistas - a primeira edição são 16 brazucas espalhados no mundo - de diversas formas de expressão.

A #01 traz os seguintes artistas:
JULIANA MANARAGINI,
O FELIPE e BIEL
CARLOS CARAH
ELUSA PRADO
SUSS4
FABIO SPAVIERI
BKLEEMANN
FONIX
LUCÓN
GIU GUERRA
VERIDIANA MORAES
GABRIELA DIAS
ATENA KASPER
DESIRÉE FRANCO
BEL KASPER

O Blog da XOK com todas as infos:
http://xokmag.wordpress.com/

Para Visualizar a revista sem fazer download:
http://www.flickr.com/atenakasper

O link para download gratuito da revista:
http://www.badongo.com/pt/file/11328273

ou

http://www.megaupload.com/pt/?d=1LS56JKT

Monday, September 15, 2008

fora do lugar

ou
my mind is rambling*

Sob o céu laranja, caminho numa rua deserta com nome de mulher, de um bairro operário, que termina no horizonte. De lugar para lugar nenhum. Não me pergunte como me sinto. Não quero você por perto. Vejo a tarde cair com a temperatura. E não estou brincando. Um clima de fim de noite que se apressa. Um aperto no peito que finjo esconder. Montanhas de lixo acumuladas sob os postes. Tudo fica para trás. Do jeito que sempre deveria ser. Aos sábado aqui não há ninguém. Arrasto minhas solas pela calçada estreita do lado direito, bem rente ao muro de reboco aparente. As duas mãos no bolso. Ao meu redor, grandes galpões com pequenas janelas no topo e telhas de amianto. Não encontro razão, apenas um carro estacionado com a roda dianteira sobre a guia. Um Variant bege. Não existem interfones ou caixas de correio. Não existem mensagens ou nada que valha por aqui. Apenas portões e grades de metal. E a distância de casa. Tento me lembrar de dias que nunca aconteceram. Tudo. Estradas que não percorri. Amigos que nunca tive. Uma história que dormi antes do final. O vento sopra suave de um lugar distante. Em toda minha vida, sempre fui uma pessoa triste. Nascido para perder. Num bairro operário, minhas pernas cansam. E eu caminho sob o céu laranja que reflete nos portões de metal. De lugar para lugar nenhum. Onde nada acontece numa rua com nome de mulher.

* incessantemente, escuto essa música de Junior Kimbrough.

Thursday, September 11, 2008

Alicate

já faz uma cara
um período
um bom tempo
que me sinto seco. áspero.
como casca de ferida
como quadro negro
taco
falta-me concentração
ar

esses dias aí,
piorei
meu melhor amigo foi dar uma volta.
num domingo
numa noite
que dormi
e cansado acordei
sem miado
escutei carros
o barulho silencioso dos vizinhos
a chinela no assoalho
e então

veio o dia fatal

que dormi de novo
e acordei
no outro

descalço
empacado
descastrado

perdi meu amigo
o gato

fiquei chateado
quieto
vago

as avenidas choram
e eu sonho
com tragédias
atropelamentos
amizades que se vão
e pessoas que se fodam


Tuesday, September 09, 2008

O grande truta Rubens K, que agora é baixista do Fábrica de Animais, falou tudo sobre a Festa de Merda.

Passa lá no ótimo blog do cara.

só posso dizer que foi

doidera.

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E nesta quarta:



Bill Callahan se apresenta no StudioSP.

no dia seguinte, dá um pulo em Ribeirão Preto, segundo o Drag City.

sob efeito de remédios

quando era um fedelho, sempre achava piegas alguém chamar algo de lindo. hoje, no auge da minha sabedoria, até aqui, percebo que sou cego para esse tipo de coisa. talvez eu não seja um cara decente. apenas disse, que o nada pode ser lindo. como as poucas janelas abertas daquele edifício. talvez a fé tenha algo escondido, grande demais para ser enterrado. ou não querem enxergar de novo. nesse estágio, é difícil explicar porquê estava pensando em você quando pulei. agora, confinado nessa poltrona, tudo parece mais escuro. ninguém abre mais as janelas do edifício. é bem provável que poucos durmam tranqüilo a essa hora da madrugada. como os pássaros pendurados nos fios da rede elétrica. há muitas sirenes no meu bairro. sempre que alguma soa, sei que alguém sofre. pássaros perdem o equilíbrio, porém, eles possuem asas e um coração pequeno. eu não durmo agora. nem depois. penso nos idiotas que acham as coisas maravilhosas e fazem canções falando disso.

Tuesday, September 02, 2008

opa

sempre achei que estava andando pro lado errado 

sempre achei isso

agora

hoje 

é

tenho certeza

que a bifurcação

era 

aquela lá

Wednesday, August 27, 2008


hoje - no coletivo galeria.

vamolá.

Friday, August 22, 2008




Há 33 anos, Elvis batia as botas em sua mansão. E pra comemorar, o blog boogie woogie flu colocou Dylan cantando Elvis e Elvis cantando Dylan.


Aqui vão duas que roubei.

“Don’t Think Twice, It’s Alright” – Elvis Presley

“Lawdy Miss Clawdy” – aqui Bob Dylan canta minha música favorita do Elvis


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Hoje, no véio Merça:


Thursday, August 21, 2008

se liga


Entrada Franca> Duração: 3 horas> Noções básicas de fisiologia, técnicas diversas, manutenção & conservação do instrumento, a gaita cromática no blues, harmonia aplicada ao blues, dicas de improviso, percepção & apreciação musical, variações do blues, banda & palco, microfonação e muito mais!> Dia 23 de agosto, sábado, a partir das 14 horas> Centro de Estudos Musicais Rockabilly> Rua Rego Freitas, 512 - conj. 02> Reserve sua vaga: (11) 3151 5737.

breve


Wednesday, August 20, 2008

tem uma criança morta na lavanderia

como se alguma coisa valesse a pena. esse exagero que não transborda um cinzeiro. o andarilho que toca o interfone de madrugada no escuro com um dos cadarços desamarrado. a música arranhada do caminhão de gás. e a vizinha que reclama escutando Cat Power e estudando para concursos enquanto fedelhos latem no térreo. 
quê porra é essa, Clotilde? 
nesta chafurda, alvejo. permaneço. senscolha. gostar de quem não gosta. como um melhor amigo que não existe. a espera numa fila que nunca chega tua vez. sem condições 
e só lamentos. na paz que não acredito. 
na próxima segunda, 
farei uma campanha 
para acabar comigo. 
chega.

Thursday, August 14, 2008

insônia por opção

Na madrugada insone, ao invés de gastar as horas tateando o reboco das paredes de um labirinto escuro à procura de uma saída, perdido em meus pensamentos esquizofrênicos, com idéias que entram e saem sem a menor coerência, cato uma antiga história de Jerry Spring e seu amigo Pancho para folhear. Os dois atravessam o velho oeste e salvam uma família indígena. Um xerife mesquinho passa várias páginas perseguindo o grupo, mas acaba se fudendo no final. Depois Pancho enche a cara e se mete em encrenca numa estalagem, no entanto, tudo termina bem. Uma história bem simples, do jeito que eu gosto. Desisto da cama e ligo a TV. Nela passa uma luta de boxe entre dois pugilistas latinos peso pena. A luta é frenética. Parecem duas formigas saúvas disputando uma casca de pão. Os caras são rápidos, aquilo me acende ainda mais. Levanto e fico treinando jabs e cruzados e ganchos no meio da sala. Canso. Sou meu pior adversário. No outro canal, um jogo de vôlei entre Brasil e Rússia e, apesar do narrador e do comentarista expressarem efusivamente que a seleção nacional é muito melhor que qualquer outra nas Olimpíadas, o time perde dois sets seguidos. Canso. Mas não tenho sono. Pego a chave do carro e parto num passeio pelo meio da noite. Desço até a Marginal Pinheiros. A chuva fraca estala no pára-brisa. Ninguém nas ruas. O asfalto molhado reflete o brilho elétrico da cidade. Cruzo caminho com uma viatura totalmente apagada. Entro na expressa acelerando forte. O motor ronca alto. Tentaram levar meu carro na semana passada. Não conseguiram, mas arrancaram metade do painel para levar o som. Carro sem som é como mulher menstruada, é bom, mas complicado de aproveitar o passeio. Agora a música sai dos escapamentos, ou da minha mente, onde vasculho em meu jukebox alguma coisa pra espantar os pensamentos. Encontro Patsy Cline nas gavetas abarrotadas da cachola, ela canta “Shoes” pra mim. Entro na saída pra Castelo Branco. Faço a curva sobre o viaduto a toda. O carro parece querer se perder. Entro em Osasco que parece uma cidade fantasma. São 4:03 da madrugada. Estaciono numa avenida chamada Sport Club Corinthians. Acho tudo isso muito estranho, mas não perco meu tempo matutando. Uma motoca passa zunindo do outro lado, o cara que guia está todo encolhido. A chuva continua, de leve. Faz muito frio. Caminho até um butiquim ao lado de uma borracharia. Os azulejos azuis da parede atrás do balcão escorrem gordura. Um bebum dorme encostado numa geladeira. Um senhor de bigode grisalho e óculos de lentes grossas, com uma camisa da cor dos azulejos, parecida com a dos antigos cobradores de ônibus, me serve uma cerveja trincando. Esfrego uma mão na outra a fim de aquecê-las antes de pegar a garrafa. Vou até uma mesa na calçada debaixo de uma marquise. Encho meu copo e faço um brinde a mim mesmo. Uma homenagem ao grande filho da puta que eu sou. Hoje é meu aniversário.

Monday, August 04, 2008

merda é um estado natural

Fui até Brasília na semana passada. A cidade que nasci. Fazia tempo que eu não dava as caras por lá. Foi estranho. Cheguei quase de madrugada, na última quarta, e fiquei sentado na varanda do hotel olhando a cidade lá de cima. Suas luzes laranjas dançando no horizonte como chamas. Os carros sibilando pelas estruturais e os ônibus noturnos com poucas pessoas dentro. Quase ninguém nas ruas. Fiquei observando os amplos gramados cinzas como o calçamento no inverno. No meu silêncio, senti uma saudade morta. Da época que eu andava por ali, quando tinha poucos amigos e nenhuma mulher. Uma tristeza profunda me assolou. Fiquei pensando no monstro que me tornei.

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Cheguei a São Paulo ontem no começo da madrugada. Estava pregado após rodar 3000 quilômetros em 5 dias. Mesmo com os olhos fechados ainda conseguia ver o mar de faróis que encarei na Anhanguera. Em casa, sentei no sofá e comecei a coçar o saco com força. Um marimbondo picou meu ombro e o calombo latejante me incomodava. Minha mulher subiu e desabou na cama. Fiquei encarando o dedão do meu pé e pensando em como ele é feio. Nisso, notei a falta de Alicate. Por onde andaria aquele gato filha da puta?, pensei. Sentia sua falta. Continuei trabalhando no saco e fazendo planos que esqueceria na manhã seguinte. Tive idéias obscenas, acho. Eram umas 3 e meia da manhã quando tudo apagou. Se num momento encarava o teto, no outro não enxergava nada. Um breu do caralho. Procurei o isqueiro na mesa apalpando tudo e derramei um copo de suco pela metade. Cachorros latiam na vizinhança. O alarme de uma produtora na rua debaixo disparou. Na escuridão, encontrei o isqueiro e o acendi. Fiquei parado olhando a chama, pensando em como sou imbecil, até queimar a ponta do dedo. Lá fora tudo estava apagado, os postes, os prédios e as casas. Decidi dormir.

Acordei hoje com minha Pequena reclamando com o gato. Desci e encontrei um baita cagalhão no piso da cozinha. Outro, esse mole como mingau, estava embaixo da mesa. Alicate dormia em sua almofada encardida.
- Caralho, quê que isso, seu filho da puta? – eu berrei. – Encheu minha casa de merda!
O gato fingiu que não era com ele.
- Qualé, parceiro, eu to falando com você – tentei mais uma vez -, tu mora aqui, come dorme e agora quer melar meu chão de bosta assim?!
Nada. Daí, perdi a esportiva. Peguei o vagabundo pelo pescoço e afundei seu focinho na merda.
- Isso aqui é errado – eu grunhia tentando explicar aquela merda toda.
- Larga ele! Larga ele, caralho! – minha mulher gritava na minha orelha esquerda.
Arremessei o gato pra trás, mas ele acertou a porta e caiu arriado com as patas para cima.
- Miaurrrrrrrrrrrrr!!! – ele soltou um gemido do fundo das entranhas.
- Ai, caralho, matei o gato... – pensei, ou disse, não lembro. Entrei em choque.
- AAAHHHHH!! AHHHH!! - minha mulher perdeu o controle –, você matou o gato! Matou gato!
- Cala a boca! Cala a bocaaaa! - me descontrolei – Olha aí, fiquei histérico também.
O escarcéu estava formado. Corri até o gato e notei que o problema era outro. Seu pêlo estava imundo e suas costas cheias de feridas. Alicate andou se arrebentando pelas ruas. Peguei ele no colo e seus miados aumentaram.
– Coitado – disse pra minha mulher –, o Alicate tá zuado.
Larguei-o no chão. Ele se arrastava como um senhor consumido pela vida. Fui até a vizinha perguntar o quê o bichano andou fazendo nos dias que fiquei fora.
– Olha – ela disse –, seu gato quase não deu as caras. Coloquei comida todos os dias, mas encontrei ele apenas na sexta. Tinha algo estranho.
Liguei para minha mãe que é veterinária e lhe contei o ocorrido. Segundo ela, ou ele foi envenenado pelo Sistema ou apenas comeu alguma porcaria estragada em suas perambulações noturnas. Daí me passou um remédio para limpar o bichano por dentro.
Porra, fiquei num remorso foda. Ainda estou. Fiquei pensando que aqueles dois cagalhões na cozinha poderiam ter sido apenas uma forma de chamar nossa atenção, que nem um bebê que se esgoela quando está todo assado, ou um moleque que corta os pulsos no banheiro enquanto a família assiste TV.

Espero que Alicate sobreviva.

Thursday, July 24, 2008

dirty versions

o We Versus the Shark acaba de lançar um disco.

aqui uma migalha dele:

We Versus The Shark – “Mr. Ego Death“

em Porto Alegre


Friday, July 18, 2008

eu não sou um cidadão

ando espirrando pra caralho. talvez seja o clima seco. meus olhos estão lacrimejando pus. quando acordo e antes de dormir. não durmo há dias. apenas vejo tudo embaçado. como num filme ruim. estou asmático. e peidando como um escapamento de carro velho irregular. talvez seja o clima seco. desço a Consolação com meu telefone tocando à cobrar. alguns se preocupam com a nova lei. os revolucionários de hoje usam gravata e perfume e são egoístas. comem mulheres obesas e tentam se justificar o tempo todo. eles roubam miseráveis. estaciono na Roosevelt, desligo o som e desço do carro. um mendigo me interpela. uma moeda? soco a mão no bolso, fuço e encontro 10 centavos. jogo em sua palma. ele confere e me encara. vira as costas e vai. minha boca está seca, parece que comi bosta de vaca. arrisco um cuspe. prestobarba. ando mais 30 passos e outro um maluco aparece, cheio de suspeita dessa vez. ele caminha sacudindo os braços como um daqueles bonecos infláveis de posto de gasolina. uma moeda? dessa vez eu encaro lá no fundo da alma, com a vista embaçada, bem de perto, no bafo, pra enxergar melhor. estou bem cansado. apanharia fácil. mas, eu, não sou comédia. parece que comi bosta de vaca. talvez seja o clima seco. ou minha sede de machucar quem me cobra curvado com os olhos revirados. tento continuar minha rota, mas ele puxa meu ombro esquerdo, numas de intimidar, só que ao invés disso, enfurece e impulsiona. meu braço direito faz um arco e acerta sua mandíbula. ele cai. e tenta me chutar com as duas pernas ricocheteando no ar como duas mangueiras cheias d'água sem dono. seguro elas. e pressiono meu pé direito bem nos bagos. puxo suas canetas pra trás e afundo a sola. vai. digo eu. vai. tem uma moeda? nem eu. acabou. solto o infeliz que murcha como se tivessem desligado o compressor, ou a torneira, vai saber. continuo minha caminhada. tudo fechado. uma viatura passa com os faróis apagados, bem devagarinho, quase não percebo. procuro outra moeda no bolso em vão. saco um cigarro e acendo. na esquina da kilt um agroboy acelera sua S10 num showzinho particular que ninguém percebe. olho pro céu e vejo a lua. parece um buraco pro outro lado. 

Thursday, July 17, 2008

Tuesday, July 15, 2008

Mostra a rola

Amanhã encaro o Parque Antártica para assistir Palmeiras x Fluminense.

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A Conrad já colocou em pré-venda o novo volume com as tiras de Calvin & Haroldo, “Yokon Ho!”.
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E o Pre War Blues ou Honey, Where You Been So Long?, um dos melhores blogs de MP3 que eu conheço, disponibilizou uma seleção batizada de “Introduction to the Blues Part 1”. Uma pacoteira fina, só com fêmeas do blues, nomes como Memphis Minnie, Bessie Smith, Trixie Smith e uma pá de outras obscuras que nunca ouvi falar, tudo da primeira metade do século passado. Ótimo para ouvir sozinho na madrugada, assistindo a brasa do cigarro queimar na beirada na mesa de centro enquanto mutretas diversas ocorrem na esquina de baixo.

Aqui.

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O tablóide inglês The Sun anda caindo em cima do Ronaldo. Dizem que ele está grávido. Entretanto, creio que Ronaldo esteja apenas comendo bem e aproveitando a vida. Ele merece. Quem não merece? Além disso, ele ajudou o Brasil a fuder os ingleses nas quartas-de-final de 2002, aliás, ainda ganhou aquela Copa. Até entendo que qualquer futrica é motivo de notícia praquela porcaria de jornal, mas ficar pelando o saco do maluco, que tá na dele, é foda. O cara é apenas o maior artilheiro de todas as Copas. Eu gosto dele. Um vez encontrei o dentuço andando de braços dados com Cicarelli, ali na Oscar Freire. Eu estava completamente imundo após dois dias sórdidos pelas ruas e queria tomar um banho de loja por ali, na verdade, acho que fui encontrar uma guria que trabalhava numa butique ali, bem, isso não importa. Só sei que quando enxerguei o fenômeno na calçada, já cheguei chegando: "Ronaaaldo, Ronaldo, porra, tu é meu ídalo, cara! Quandé que cê vai jogar no Fluminense? Fala aí". Nunca, ele respondeu. Dei um tapa nas costas dele, que me olhou feio. Cicarelli parmaneceu de cabeça baixa o tempo todo, talvez com medo de me mostrar aquela cara de safada. Logo em seguida, uma cambada de velhotas apareceu abraçando Ronaldo. Ele atendeu todas na maior simpatia. Grande cara.

Friday, July 11, 2008

Burro Morto

na quarta passada fui conferir a rapaziada do Cicrano e do Burro Morto.
o local estava vazio. pouca gente assistiu aqueles porras.
hoje o Burro toca de novo, se não me engano pela última vez nesse rolê por Sampa, lá no Berlin, às 23hs, 5 reais de entrada.

vale à pena. 

eu vou.

Tuesday, July 08, 2008

2ª Mostra Cemitério dos Automóveis


Amigos do Rio de Janeiro, apareçam:


AMANHÃ



parece que o chicote vai estralar.
Bem, após convite do truta Nick Farewell, juntei os trapos e arrisquei minha primeira visita à FLIP em Paraty. Confesso que minha maior preocupação, sem dúvida, era a final da Libertadores, assunto um tanto atrasado, mas que acabou por fuder minha paciência logo na abertura da tal festa literária. Após a derrota do meu time, meu ânimo sumiu. Roí todas as unhas que meus dentes alcançavam e pensei em estrangular um gringo falastrão que insistia em tentar falar português comigo durante o jogo. Cercado por felizbertos entusiasmados e obesas flamenguistas, preferi me recolher no chalé de pau que eu estava hospedado com minha Pequena. No dia seguinte, nos juntamos a um grupo de amigos e fomos à Trindade. Como nunca havia pisado naquelas praias antes, temia encontrar algum hippie defecando na areia ou mulheres alucinadas com tranças nos suvacos escutando Juthro Tull, entretanto, a costa estava vazia como na época do Descobrimento, alguns cães de donos aleatórios apareciam e ficavam me encarando. O cenário estava perfeito não fosse o vento que soprava gelado. Um pulo no mar servia mais para autoflagelação que para desfrute próprio. Na sexta, fomos munidos de substâncias proibidas, muita vodca e pouca vergonha para a mesma praia. Despirocamos na areia até o sol desaparecer e tudo tornar-se impossível de encontrar num breu féladaputa. Caminhamos perdidos até dar de cara com um bar que parecia mais uma loja que artigos de umbanda, lá arrancamos uma espécie de música indiana do som e colocamos nossas velharias para tocar. Bebidas desciam como uma avalanche liquida e o grau de loucura era tamanho que fica difícil explicar aqui. Consigo me lembrar que de 5 em 5 minutos eu corria até o mar para descarregar a bexiga. Lembro também de caiçaras carrancudos me encarando enquanto eu tentava em vão me manter de pé. Em certos momentos, achei que fosse morrer naquela porra de praia, ou que os donos do bar fossem nos surrar quando a conta aparecesse e a gente não tivesse a grana. Esse role só terminou na manhã do dia seguinte, no sábado, dia que Neil Gaiman ia dar as caras na FLIP, tinha Chacal e Marcelino no Picaretagem e uma pancada de festas com felizbertos entusiasmados e obesas flamenguistas esperando. Preferi ficar trancado no quarto lendo o pacote de quadrinhos que havia adquirido com a Via Lettera a andar desequilibrado pelas ruas atulhadas do Centro Histórico. Eu estava exausto e os borrachudos pareciam se aproveitar disso. O domingo foi como todos os domingos. Eu não queria voltar pra São Paulo. Por mim, ficaria na Estrada Real, que termina ali em Paraty, pegaria o carro e sumiria, no entanto, sou um cagalhão e a vida chama e bafômetros soam nos comandos dessa cidade e eu só me entrego morto. Sempre que planejo descansar, termino mais arrebentado ainda.

Tuesday, June 24, 2008

fora de moda

Ando postando pouco por aqui. Sequer acessei direito internet esses dias. Por mim, tudo bem, até aqui. No entanto, aproveito o frio e esse final de mês junino e o ensejo dessa onda caipira para falar de algo que venho escutando incessantemente:

Era uma vez, há muito muito tempo atrás, no ano de 1937, num vilarejo nos arredores do grande estado do Texas, quando o mundo era um pouco mais vazio e as grandes guerras eclodiam no Velho Mundo, quando os rios ainda eram limpos e as mulheres se vestiam melhor sem o auxílio de espelhos, uma cambada de moleques caipiras, de calças curtas e puídas e os dedos amarelados pelo tabaco e rapé, que tinham em comum o gosto pela música de Jimmie Rodgers, Bob Wills e Woody Guthrie. Um belo dia, esses vagabundos se juntaram num barracão e resolveram gravar um som, um hillbilly do caralho, para ser mais específico, já que naquela época, o termo country music nunca fora usado, e o estilo estava começando a criar asas após o primeiro lançamento de Jimmie Rodgers, 10 anos antes. Ben Pollack, Irving Fazola e Mugsy Spanier eram ratos do jazz, vistuosos e cheios de panca, já Maggsy Spanier, Ben Kanton, Joe Price e Francis Palmer, gostavam mesmo era de Western Swing, uma espécie de country dançante, cheio de improvisos e muitos músicos tocando juntos, num fuzuê só, daqueles que as damas no salão ficam dançando segurando as saias enquanto os marmanjos batem o salto da bota no assoalho ao mesmo tempo em que atolam o chapéu na cabeça. A turma, mal resolvida com o microfone, convida então Whitey McPherson, um molequinho magricela de 14 anos, um verdadeiro virgulino, para cantar numa sessão em que gravariam 15 músicas. Escutando a voz de McPherson, é fácil enxergá-lo como uma rapariga frágil de vestido florido e butina de couro marrom por causa de sua voz, que invoca ares de uma Billie Holiday yordeler. A forma como ele transforma um desafino em algo agradável como uma brisa é impressionante. Segundo o blog Western Swing, o Rhythm Wreckers praticamente fez apenas essas gravações e depois cada um foi pro seu canto. Mugsy Spanier, o rapaz responsável pela corneta da banda, suvaco de cobra que era, disse que sequer escutou as fitas depois de gravadas, e que a banda era um fracasso. Depois disso, Whitey McPherson ainda foi apadrinhado por Woody Guthrie, que o levou para Tijuana para se apresentar em seu programa de rádio. A última notícia que se tem do rapaz é que ele foi servir na Índia, em 1944. Big Tom, também conhecido como Tonhão, um negro de dois metros de altura e poucos dentes na boca, lembrou, numa noite farta de Bourbon, que McPherson era mais conhecido nas planícies texanas pelo seu gosto por ovelhas que pelos seus dotes de cantor hillbilly. No arquivo abaixo está disponibilizado essas raras gravações, que eu roubei do Western Swing. É difícil explicar a satisfação que sinto escutando essas antigas canções, que são cópias feitas diretamente de raros vinis de colecionadores. Apenas deito no sofá e aprecio esse jogo de solos, quando, na safadeza, entra o violino escorregando por cima; outrora quem manda é o clarinete; daí a guitarra de Joe Price aparece na maciota enquanto o violão faz a base marota. Algumas canções me remetem à antigos desenhos animados em preto & branco, outra me fazem sentar numa varanda de uma chácara há muito desaparecida, pouca iluminada, para cortar as unhas dos pés com um alicate enferrujado, numa noite fresca com alguns vagalumes que voam descompromissados pelo matagal ao redor. “Am I Blue” é a mosca branca desse disco. Quando McPherson pergunta se ele é triste depois que ela foi embora, sinto vontade de rir. Essa música, escrita por Harry Akst e Grant Clarke em 1929, depois seria gravada por Ella Fitzgerald, Billie Holliday e Etta James, no entanto, nenhuma dessas versões parece contar com o deboche e o swing dos Rhythm Wreckers. “Blue Yodel No.2 (My Lovin' Gal Lucille)” coloca uma guitarra viajante em primeiro plano, até que MacPherson entra num vocal jazzístico rasgado lamuriento que, esperto, se transforma em uivos para a lua cheia de outono. Perfeito.

Rhythm Wreckers - via mediafire

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Aproveitando, dêem uma passada no MySpace dos parahybanos do Burro Morto - esse nome de banda é foda – para conferir o ótimo som dos caras. Em breve mais informações sobre o show que eles vão fazer aqui com os mamelucos do Cicrano.

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E o Diddy Wah disponibilizou uma sonzera infernal do Fela Kuti lá em seu sítio. Se eu fosse vosmecê, passava lá e fazia o refestelo.

Monday, June 23, 2008

Eu não sei me despedir. Cruzei a ponte que ligava nossos bairros pensando nisso. Já estava bem tarde. Meus sapatos raspavam as pedras no chão. Do outro lado, um homem empurrava um carrinho de bebê. Bem tarde pra passear. Eu apenas fugia. Como sempre. As águas do rio estavam escuras como lodo, e refletiam a luz da Lua. Nem olhei pra trás, apenas pensava no por que de não saber me despedir sem quebrar alguma coisa. Você também não perguntou nada. Com um punhado de reais no bolso, fui direto pra estação. Lá encontrei Rose, que trabalha no bar no período noturno. Contei que ia apenas ali. De trem. Volto logo. Sentei no chão e encostei na parede gelada. Tava frio como num frigorífico. Poucas pessoas passavam. Na maioria, velhos tristes e sem expressão, como múmias ambulantes. Uma música saia da caixa de som dependurada no teto. Bem baixinho. Não consegui distinguir, mas parecia música country do começo do século passado, bem lamuriosa. O trem apareceu. Entrei e encontrei muitos lugares vagos. Tava um fedor do caralho. Dormi logo, com a cara no vidro. Só acordei quando o fiscal apareceu para pedir meu tíquete. Sentia-me mal pelas lembranças e sabia que ficaria assim por um bom tempo ainda. Permaneci olhando as luzes que passavam rápido lá fora. Desejei com todas as minhas forças que aquela merda dentro de mim desaparecesse. Fosse embora, no trem noturno.

segunda de merda

talvez essa nova mentira esquecida por você na mesa da cozinha eu já esperasse. como giletes embaladas em celofane na caixa de correio numa segunda-feira. agora amarro minha cabeça com os dedos sujos do seu mel. as chamas estão fracas lá fora. pela janela aberta por onde a chuva entra, vejo o quintal escuro e as plantas murchas que um dia você cuidou.

Tuesday, June 10, 2008

cowboy

Domingo fui à quermesse aqui do bairro e aconteceu algo inédito em minha vida: eu ganhei no bingo. Sou um cara de sorte. Meu time fode na Libertadores e eu ganho no bingo. É.
Pagando a entrada se ganhava uma cartela de bingo, assim, munidos de quentão e expectativas, fomos a uma grande sala nos fundos da Igreja, onde ocorria o jogo do azar. Um senhor grisalho de bochechas flácidas anunciou os prêmios. Quem fizesse a linha ganhava um jogo de sobremesa. Cartela cheia levava 20 mangos. Por coincidência, todos meus números apareceram na mesma linha, assim, logo bati. Gritei bem baixo, para não chamar atenção da turba, quase falando: ganhei. Caminhei até a bancada e estendi a cartela para o bochechudo. Essa senhora também ganhou, disse ele, apontando para uma japonesa gigantesca de vestido vermelho ao meu lado. Eu sorri, ela me encarou bem macha, como se dissesse sai fora, arrombado, o prêmio é meu. O bochechudo entregou o jogo de sobremesas a ela. Eram umas cumbuquinhas plásticas com colheres coloridas. Um mimo. Eu realmente queria aquela porra, mas aceitei o fato calado. Pensei, foda-se, é só um prêmio. Bonifácio, traz outra prenda pro rapaz aqui, nisso, disse o rei do bingo. Bonifácio parecia emburrado, mesmo assim, me trouxe um pirex de plástico com umas flores tatuadas. Poxa, valeu, cara. Assim, fiquei passeando pela quermesse com o pirex debaixo do braço. Comi espetinho e pastel, depois matei um cuscuz de tapioca. O lugar começou a encher. Mandíbulas sedentas trituravam as iguarias juninas. Lamentei a falta de um tiro ao alvo, para que eu pudesse provar que sou bem melhor de pontaria que no bingo.

Monday, June 09, 2008

“Alone and Forsaken” – Hank Williams

Tuesday, June 03, 2008

Bo Diddley is a Gun Slinger

Ontem peguei de relance no final do Jornal da Globo a notícia sobre a morte de Bo Diddley. Porra, o cara estava com 79 anos. Viveu bastante e fez mais que o suficiente. O negão que, junto à Chuck Berry e Little Richards, eletrificou e acelerou o blues a ponto dele se tornar o rock n roll, também inventou o hand jive, um estilo de tocar, às vezes num acorde só, que ainda é chupado hoje em dia. Suas músicas são a catarse sonora, com a guitarra base rasgada como milhares de telhas de amianto sendo esmagadas, uma solando cheia de estilo, as crioulas doidas enlouquecidas nos backing vocals e muita, muita safadeza e tiração de onda. O foda, ontem, foi que fiquei pensando no assunto enquanto os créditos do noticiário subiam: porra, por que não morre logo o Lulu Santos? Nisso, de repente, eis que surge Lulu. Requebrando como uma geléia, com a boca de sapato jorrando perdigotos viscosos e andando nas pontinhas dos pés no palco do Programa do João Soares. Aquilo me fez um mal do caralho. Dizem, que quando você cita um elemento e ele aparece logo em seguida, significa que ele não morrerá jamais.

"Bo's Bounce" - Bo Diddley

Monday, June 02, 2008

No sábado, fiquei no sofá. Li um Love & Rockets comendo biscoito e tomando chá. Depois dormi um pouco. Sonhei com fadas coçando minhas costas e cantando cantigas. De fundo, ondas quebravam na costa rochosa de algum lugar esquecido. Lá em casa tem um gato. E ele mia às vezes. Ele estava na árvore que fica em frente à minha casa. E miava estridentemente. Sonolento eu gritava: Alicate, cala a boca, caralho! Contudo, acho que ele queria me chamar para brincar de macaco e subir na árvore e atirar bananas e me pendurar pelo rabo rindo. O gato miava. Eu coloquei a almofada na cabeça para abafar um grito, um urro gutural de quem precisa descansar e não consegue. Irritado como um empresário, me levantei e fui lá fora, peguei a mangueira e liguei a torneira, a água percorreu a borracha, eu apontei em direção à árvore e o esguicho foi, formando um arco brilhante no ar. Alicate, desesperado, me encarou com as orelhas abaixadas. Mia agora, filho da puta. Ele se calou, finalmente. Eu voltei pro sofá. Alicate apareceu emburrado. Seu rabo balançava como uma pipa, sinal de poucos amigos. Alisei seu pêlo para secar o excesso d’água e ri, apelei, né, seu desgraçado, eu disse. Daí coloquei “Down By Law” para assistir pela primeira vez. Alicate se ajeitou, apoiou a cabeça sobre suas patas dianteiras e se preparou para a sessão da tarde. Eu já sabia o que podia esperar do filme, mesmo assim, fiquei impressionado. Porra, aquilo ali é foda. Tem tudo que eu gosto, personagens mesquinhos e vagabundos, bostinhas; o P&B que lembra uma história em quadrinhos imunda impressa em papel jornal; a trilha matadora de John Lurie e Tom Waits; e o humor de prima, original, não aquela coisa boba que se encontra em prateleiras. A cena do Tom Waits cantando sentado na frente de um barraco sórdido com uma garrafinha de whisky é linda. E aquela do Roberto Benigni, desesperado porque seus companheiros de cela o abandonaram na beirada do rio e os cães estão chegando para pegá-lo, é assustadoramente engraçada. É um filme que dá vontade de assistir em pé, na frente da TV, para perder nada. Formidável, assistirei outra vez. Alicate dormiu antes da metade do filme. Mesmo assim, fiz questão de incomodá-lo arremessando pipocas em sua testa felpuda. Sou um cara vingativo, mamãe diria.

Thursday, May 29, 2008

cuma

se eu lhe disser
que estou cansado
de procurar
cansado de encontrar
algo que se perdeu
Algo que
perdi e sempre
tenho saudades de
quem não conheci?

e se eu voltar
para o
esmo lugar
e me perder
na rua que
moro e busco
e não cuido?

e não me preocupar
com o que se perdeu
por procurar
algo
que nunca esqueceu
nem desejou
encontrar?

Wednesday, May 28, 2008

nicanor e sua fé

Hoje, quando a noite chegar, vou para casa, comprar uma sacola de brejas e aguardar. Estou um tanto ansioso. O time do Boca é nojento, um time de argentinos filhos da puta, que jogam bem e sabem disso, parece uma revoada de pombas indo de um lado pro outro do campo envolvendo o adversário. Os hermanos têm a pegada. Riquelme é um dos melhores meios-campos do mundo, junto com Palácio e Palermo na frente, a chapa esquenta, contudo, o Fluminense está na pilha após eliminar o São Paulo. É só não vacilar e futucar o barbante deles pelo menos uma vez na Argentina. O engraçado é ler a Folha de SP. Ontem eles dissertaram sobre a situação do Boca Juniors, principalmente sobre a parte administrativa do clube que está em frangalhos. Hoje, além das tantas estatísticas e números, o que torna a matéria uma petulante encheção de lingüiça, dizem que o ‘Fluminense testa sua grandiosidade’ nas semi-finais, que o Boca tem Riquelme em sua melhor forma, e que o Boca sempre aplica um sacode em times brasileiros. Só não disseram que se o São Paulo estivesse lá, eles estariam fazendo festinha e mijando de alegria no piso da redação. Eu não entendo. Quem está testando o quê nessa competição? Qual time não sonha em ser campeão da Libertadores, almofadinhas? A questão não é ser grande, a questão é vencer. Antes do jogo contra os são-paulinos, exaltavam a superioridade bambina, sua grandeza e toda a experiência do time em Libertadores, que o Fluminense não ganhava do São Paulo por dois gols de diferença no Maracanã há 40 anos, tal. As labaredas estavam acesas, isso até tomarem a sapecada da semana passada, até o Rogério Ceni dizer que o Dodô bateu mal na bola e por isso ele cometeu aquela lambança. Foda-se a grandiosidade dos bambis e do Boca Juniors, isso pra mim é coisa de madame, foda-se a história desses clubes também, a única coisa que importa agora é a fase do Tricolor carioca e esses próximos 180 minutos nos dois jogos que acontecem hoje e na quarta que vem.

Tuesday, May 27, 2008


Monday, May 26, 2008

sobre vinis

no ensolarado último sábado, encarei o centro da cidade na sede de adquirir velhos discos. Acompanhado de dois grandes trutas, fomos a Galeria Nova Barão, na loja do Tuca, a Perdição & Ruína para quem, como eu, acredita que a única coisa que ainda presta nesse mundão é a música. A variedade é grande ali, rola encontrar desde coisas esquecidas de Chet Baker e Ray Charles a rockablillies de primeira, ou até um death metal das profundezas de El Diablo; tem até uma caixa comemorativa do Caetano, com uma pintura dele sorrindo debaixo de uma juba horrenda, deu uma vontade louca de lamber; um 7” do Silvio Santos; a caixa do Sonic Youth “Daydream Nation” - uma reedição comemorativa com faixas ao vivo e algumas raridades. Eu cheguei já na febre de pegar um Eddie Cochran e um Bob Dylan (que havia sido vendido), na fissura arrastei um Gene Vincent pra sacola e um Carl Perkins também. Daí sentei ali fora e fumei um cigarro batendo uma prosa com Tuca, Cabeça e um outro cara bem firmeza. Expliquei que não queria fuçar mais, que é preciso ir aos poucos, tal, que comprar discos é como comprar drogas em bocadas sórdidas. Dá até um barato na cabeça. Depois rola aquela ansiedade monstra de chegar em casa para ouvir. Como Frasa, meu camarada, em seu entusiasmo quase infantil com as pérolas que encontrava e mostrava das prateleiras pro pessoal lá fora, não terminava nunca sua busca, parecendo uma dondoca em loja de roupa de shopping, resolvi dar mais uma garimpada, e, não é que meus dedos encontraram do nada um Woody Guthrie. Pá. Senti sobre meus ombros os olhos crescerem, mas já era tarde, movido pelo impulso eu já sacara a carteira e estendia placidamente 18 reais para Tuca. Depois, ainda fomos encher a pança no Sujinho. Passei o domingo ouvindo meus vinis novos. Woody Guthrie e Junior Kimbrough eram os mais solicitados. Parecia que um furacão havia passado e eu estava estirado numa planície desolada com todos os pedaços de telhados e paredes e carros ao meu redor. Cansado. Mergulhado nas águas mais profundas e escuras de um lago. Minha casa imunda e minhas pernas doendo do tanto que andei sem rumo através do feriado. Vi todos os dias nascerem sem o menor entusiasmo. Quando chegava em casa, a primeira coisa que fazia era colocar uma bolacha pra girar, assim situação ficava mais tranqüila. Calma, eu pensava. Assisti toda a pilha de faroestes que estava esquecida sobre a caixa de som. Alicate miava dependurado numa árvore. Alguns times perdiam na televisão, outros ganhavam. Um novo livro eu tentei começar, mas a concentração estava tão perdida quanto meu sangue gelado. Limitei-me ao último volume do Preacher que eu estava segurando para não terminar. Sonhei enquanto encarava a quina do teto. Devorando um cacho de bananas que comprara na feira, eu me imaginava na estrada outra vez. O sobe e desce das serras resplandecentes, as curvas em cotovelo, a carne moída dos cachorros no asfalto. Escutando Blind Willie McTell debulhar a viola e o motor trabalhando acima dos 3000 rpm. Preciso apenas sumir um pouco. Escorregar pelas retas do Brasil central cercado por plantações silenciosas de soja e café. Preciso eliminar os musgos da alma. Mijar no acostamento de cascalho olhando o horizonte. Deixar tudo pra trás sem vestígios. Uma pausa. Por um tempo. Novos ares. Velhos tormentos.

Wednesday, May 21, 2008

yodeleriiiiii leriiiiii leeeriiii



As estações mais legais da internet são os blogs de MP3. Além da vasta informação grátis, você ainda pode descobrir coisas do arco da velha, daquelas que dificilmente se descobre em lojas de discos legais – cada vez mais raras hoje em dia. Pode-se também descolar lançamentos frescos que só estão nas prateleiras européias e americanas ou até os que nem saíram. Passo a hora do almoço e faço hora extra aqui no trampo para ficar vasculhando essas tranqueiras virtuais. Hoje mesmo encontrei esse El Diablo Tun Tun, que apesar de não possuir uma mísera resenha, disponibiliza para qualquer indivíduo curioso portando um mouse uma extensa coleção de raridades dos anos 20, 30 e 40. Só pelas capas já rola uma coceira pra baixar tudo. Dá uma olhada nessa acima. Eu ando na pilha de encontrar algo do Jimmie Rodgers, um cantor de alguma coisa entre folk rock pop de bailinhos da década de 60, ele é xará da lenda criadora da música country. Rodgers toca “Honeycomb”, uma canção bem mela-cueca, com cara de comercial de cereal matinal que eu gosto bastante, acho até que ela está na trilha de “Conta Comigo”, o filme que mais assisti na vida até hoje. Ainda não encontrei nada. Não importa. Voltando aos blogs, vale muito a pena uma visita também ao Doctor Mooney, que dá de bandeja uma pancada de raridades absurdas, daquelas que você só encontrava em CDs piratas de galerias imundas do centro da cidade com o vendedor/proprietário punk velho e sorridente que fica na dúvida de vender. É embaçado. Olha só essas “Eshers Demos” acústicas que os Beatles fizeram em 1968, as versões ainda cruas do que viria a se tornar o “White Album”.

Duas semanas após o pedido, hoje chegou minha encomenda da Fat Possum. Me deu até caganeira na hora que abri o pacote, juro, esse tipo de coisa me emociona bem mais que novela. Lá de dentro olhavam para mim as bolachonas do T-Model Ford, Junior Kimbrough & R. L. Burnside. Só paulada. Cada um custou 15 dinheiros americanos, uma pechincha comparando com os preços de discos desse naipe quando encontrados aqui no Brasil.


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E hoje, eu espero com grande ansiedade pelo jogo entre Fluminense x São Paulo. O Tricolor carioca, meu clube desde que nasci, vai esmerilhar essa cambada de bambis afrescalhados. Vai meter o sarrafo nesse time de mamãe-quero-bolo tangas-frouxas do caralho. Daí, depois do jogo, os são-paulinos vão colocar a chupeta e ir dormir encolhidinhos.
Bom, pelo menos, eu acho.

Tuesday, May 20, 2008

hoje


Todos dizem que vai passar. Como um trem descarrilado e toda aquela poeira levantada. Vai passar. Como os efeitos daquela bomba H. Contem os mortos e tudo vai passar. Eles dizem. Embora eu nem saiba de onde veio. Nossos amigos se foram. Outros estão chorando. Nenhum está sorrindo. As pessoas que amei ficaram para trás. Mas vai passar. É só tomar cuidado. Eles dizem. Eu é que já não tenho tanta certeza.

Monday, May 19, 2008

na natureza selvagem

essa era a música favorita de Alexander Supertramp

"King of the Road" - Roger Miller

boa. daquelas que podem mudar o rumo de uma vida.

e o camarada Rodrigo colocou o link ai nos comentários para baixar o disco novo do Bonnie 'Prince' Billy. trincou, irmão. o disco tá muito bom, só "So Everyone" e "Willow Trees Bend" eu já escutei umas 15 vezes cada. essa nova backing vocal acaba com qualquer esperança. ainda estou me familiariarizando, mas creio que ele soa bem country, rústico e com as cordas bem trabalhadas, na linha do "The Letting Go". gostei bastante até agora. deve melhorar muito nos próximos dias, já que seus discos não são fáceis. ainda bem. obrigado.

"Lie on the Lights" (2008) - Bonnie 'Prince' Billy (zShare)

Friday, May 16, 2008


vamo lá, bonecas.


Thursday, May 15, 2008

hoje rola o lançamento do disco "La Cancion Inesperada", do Wander Wildner, com show no SESC Pompéia, às 21hs.

vou lá, ó.

One Man Guy

Acordo, olho meu reflexo no espelho enquanto lavo o rosto e vou pro trabalho todas as manhãs. Fico ali o dia inteiro, entre intervalos para o café e o cigarro. Às vezes, no final da tarde, tomo uma cerveja com o pessoal no bar aqui ao lado. Dependendo do meu ânimo, fico andando sem sentido pelos bairros mais silenciosos até tarde da noite. Volto para casa numa melancolia confortável, preparo algo para comer, tomo um banho e vou para a cama com alguma leitura. Faço tudo sozinho. Pode parecer monótono. E é. Mas não reclamo. É a vida que escolhi. Certa vez, sentado num banco de praça, parei para pensar em minhas ambições. Flexionei minha mente numa espécie de meditação e pude visualizar um grande vazio. Tentei questionar se havia algo de errado comigo, ou por que eu não me importava com aquelas fotos de lugares maravilhosos e cheios de sombras que aparecem nas revistas de turismo. Desisti quando um garotinho espantou os pombos que levantaram em revoada. Minha última companheira queria que eu mudasse e reclamava da minha falta de zelo com minha pessoa. Isso foi há 17 anos. Eu continuo o mesmo, só um pouco mais velho e cansado. Todos que me conhecem sabem realmente quem eu sou. Como naquela canção de Loudon Wainwright II em que ele diz que é o mesmo cara nas manhãs, tardes e noites, eu não vou mudar, muito menos por alguém. Espero apenas minha hora chegar. Sem reclamar.

Wednesday, May 14, 2008

The Yardbirds



Tracklist:

01. For Your Love
02. Putty In Your Hands
03. Got To Hurry
04. I Wish You Would
05. Good Morning Little Schoolgirl
06. Evil Hearted You
07. Still I'm Sad
08. Heart Full Of Soul
09. Jeff's Blues
10. Shapes Of Things
11. Steeled Blues
12. Stroll On
13. A Certain Girl
14. I Ain't Got You
15. Train Kept A Rolling
16. I'm A Man
esse disco é perfeito. experimente fechar as janelas da casa, colocar "Stroll On" no talo. a sensação é de atravessar um corredor polonês armado de panelas e frigideiras.

Monday, May 12, 2008

pros irmãos & irmãs




"Didn't It Rain" - Dave Van Ronk
* roubei do ótimo "Old Blue Bus". Passa lá.

para as mães

“Mother The Queen of My Heart" - Ramblin' Jack Elliott

Friday, May 09, 2008

FESTA DE MERDA



amigos, ajudem a divulgar, e apareçam, claro.

Wednesday, May 07, 2008

encontre-me na cidade


"filho, os malucos sem náipe pegam muito mais mulher"

Uma coisa leva à outra. Cheguei na Fat Possum procurando vinils do Black Keys, mas antes andei pesquisando sobre o tipo de porcaria que esses caras mastigaram para chegarem ao que se tornaram. Descobri numa entrevista na net que a principal coisa que eles ouviam enquanto faziam a lição de casa era Junior Kimbrough - eles lançaram até um EP só com músicas do negão casca-grossa. Até 2 semanas atrás, nunca tinha escutado bulhufas desse bluesman, agora seu som não sai da minha cabeça. Nascido em 1930 no norte do Mississippi, longe das margens do Delta e das plantações de algodão, aos 8 anos teve seu primeiro coma alcoólico e aprendeu a tocar guitarra sozinho. Como todo bluesman que se preze, o cara tem uma história incômoda como dor de dente no frio. Aquelas velhas mazelas dos resquícios da escravidão, o abandono dos pais, a miséria e a necessidade e, lógico, o forte amor pela música. Pelo que pesquisei, em 1954, Kimbrough ruma para Chicago numas de tentar a sorte, arruma uma caralhada de subempregos e tenta gravar uma música com Sam Phillips, o chefão da Sun Records. A tentativa foi em vão. Logo ele pega sua suitcase e volta pro Mississippi, senta na beira do rio, toma um trago e decide abrir uma juke joint, um desses barracões onde os negões faziam festas com som ao vivo e era uma diversão do caralho. Ele tenta gravar novamente por outro selo e... nada, de novo, por isso dedica-se ao seu humilde pub, onde pode tocar pra quem quiser ouvir e pau no cu do mundo.
Somente em 1979, um professor de música da Universidade de Memphis, que havia visto Kimbrough tocando em sua espelunca, convida-o, junto com Jessie Mae Hemphil e R.L. Burnside (se liga na nata) para gravar algo para um selo que ele estava inaugurando, o tal do Fat Possum, que na época era voltado para um blues mais tosco, de poucos acordes, muito groove e bateria simples e marcada, fugindo do que estava acontecendo com o gênero naquele momento, aquelas fusões grotescas de rock bosta e blues cheios de solos da moléstia e total falta de postura. Essas gravações ficaram encalhadas até 1992, quando um tal de Robert Palmer, que estava fazendo um documentário sobre o blues do Norte de Mississippi Hill - um canto do estado onde o gênero e seus músicos eram pouco conhecidos apenas por puro desalinho - bateu de frente com o som de Junior Kimbrough e gravou seu primeiro albúm "Do The Rump", que fica mais uma vez encalhado e esquecido. Esses dias, eu, tentando prestar atenção na música, ao invés de apenas aproveitar, dentro do carro de madruga onde o som alastra minha mente, percebi que o blues de Kimbrough é um tanto estranho por natureza, algo que ele buscou nos primórdios não tão distantes de seus irmãos de sangue que empunhavam suas violas em cadeiras de balanço nas varandas de madeira podre com vista para as plantações, de Blind Blake e Skip James e Furry Lewis, na sua levada hipnótica e sonolenta como um barato forte, como o som de uma tribo africana em chorosos cânticos fúnebres. Eu tive essa impressão. Não, na verdade, eu vi isso, caralho.
Quando o filme foi lançado e apresentou o estilo de Kimbrough ao mundo, ele já fazia aquilo havia mais de 40 anos. Somente assim seu primeiro álbum foi lançado e as pessoas o perceberam. Daí a revista de mauricinhos maquiados Rolling Stones o considerou o melhor disco de blues da década. Daí Junior Kimbrough caiu nos braços dos roqueiros, daí sua juke joint passou a ser freqüentada pelos Rollings Stones que pagavam drinks para todo mundo e sorriam; e o Sonic Youth; daí o boca-de-subaco Bono Vox também costumava mostrar sua bunda mole por lá; Jon Spencer ficava no balcão em silêncio, martelando sua bota no piso no mesmo ritmo.
Nessa época, Kimbrough já se encontrava bastante judiado pela idade, não podendo mais encarar uma turnê, embora não faltassem convites. Ainda assim, Iggy Pop o convenceu a fazer uma canja em seus shows pelos EUA. Em 1998, Junior morreu de ataque cardíaco assistindo TV no sofá de casa. Seus filhos continuaram cuidando de sua juke joint, até que um dia, no ano 2000, ela foi consumida por um incêndio premeditado que levou tudo, discos, equipamentos, gravações raras e pôsteres originais. A única coisa que sobrou mesmo foi sua música, que vaga por ai e atinge uns otários como eu, que estou aqui agora, novamente, sendo castigado por uma noite mal dormida e pela voz de trovão desse desgramado. Até aqui tudo bem. “I Feel Allright”. (baixa essa, eu tô mandando, ou vá se foder)
Na fissura de vasculhar algum arquivo do maluco no rapidshare, sem querer encontrei um tributo ao cara, lançado em 2005, seis anos após sua morte, que possui um absurdo de companheiros fazendo versões igualmente absurdas. Tem lá Blues Explosion, Iggy Pop & The Stooges em 2 versões porretas de “You Better Run”, The Fiery Furnances fazendo miséria em “I’m Leaving”, e Mark Lannegan, pra citar os mais conhecidos. Ah, não tem o Bono não. Vai na fé.
*esse texto foi revisado bem por sima.


"God Knows I Tried" - Junior Kimbrough (rapidshare)
1. You're Gonna Find Your Mistake
2. How Do You Feel
3. I Gotta Try You Girl
4. I'm In Love With You
5. I Cried Last Night
6. Keep On Braggin'
7. Tramp
8. All Night Long (instrumental)





1. You Better Run Version #1 - Iggy and the Stooges
2. Sad Days Lonely Nights - Spiritualized
3. Meet Me In The City - Blues Explosion
4. Done Got Old - Heartless Bastards
5. My Mind Is Ramblin' - The Black Keys
6. I Feel Good Again - Pete Yorn
7. Do The Romp - Entrance and Cat Power
8. I'm Leaving - The Fiery Furnaces
9. All Night Long - Mark Lanegan
10. Release Me - Thee Shams
11. Done Got Old - Jim White
12. Lord Have Mercy On Me - Outrageous Cherry
13. Pull Your Clothes Off - Whitey Kirst
14. I'm In Love With You - Jack Oblivian
15. Burn In Hell - The Ponys
16. You Better Run Version #2 - Iggy and the Stooges

deus, tenha misericórdia

Pai do céu. Fudeu. Descobri uma porcaria que vai rasgar meus fundilhos. Olha essa porra de selo. Só têm desgraça. E em vinil ainda por cima. Desses pra dar uma orelhada segurando a capa com um sorriso que vara a cara. Sozinho em casa. Cola até uns encostos pra escutar junto. Vá lá conhecer a lendária Fat Possum, gravadora que abriu as portas em 1979 e logo de cara lançou R.L. Burnside, Jessie Mae Hemphill e Junior Kimbrough, tirou os caras de suas escondidas juke joints e os colocou nos ouvidos do mundo. Hoje o cast oferece coisas mais recentes como os malucos do Black Keys, Fiery Furnance, Dinossauro Jr. E aproveite que eles disponibilizam uma caralhada de MP3s para baixar, como esses aqui:

“Old Black Mattie” – RL Burnside (direito, salvar destino como...)

“Hard Row” – The Black Keys

Monday, May 05, 2008

COYOTE


Coyote espreita Codrescu, Bolaño & cia em novo número


Entre os destaque da revista de literatura e artes estão dossiê com o escritor, poeta e ensaísta Andrei Codrescu (Romênia, 1946), poemas do chileno Roberto Bolaño, mais conhecido como prosador, a poesia de Fernando Karl e Veludo negro, uma mini-antologia com seis jovens poetas brasileiras. Também traz o desenho de Carlos Carah, traduções de Gertrude Stein e as prosas à margem de Carlos Carlaccio e Rubens K , entre outros

"A ironia me parece um poderoso artefato para desativar a realidade. Agora vejamos, o que acontece quando vemos algo que tínhamos visto, por exemplo, numa fotografia e de repente vemos de verdade? É possível ironizar sobre a realidade, não crer nela, quando estamos vendo algo que é verdade?". É sob o espírito desta citação de Enrique Vila-Matas, editorial do número 17, que Coyote, revista de literatura e arte editada em Londrina (PR), chega a seu décimo-sétimo número, depois de ter publicado quase duzentos autores (escritores, fotógrafos, ensaístas, tradutores do Brasil e de diversas partes do mundo). Em seus cinco anos de atividade, completados com o número 15, Coyote prossegue abrindo espaço para novos autores, além de resgatar e apresentar nomes importantes das letras e das artes, de épocas e lugares diferentes, incitando à reflexão e à criação literária. A revista é patrocinada pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) da cidade de Londrina.

Um dos destaques do número é o dossiê "Caçador de Diferenças", com o escritor Andrei Codrescu (Romênia, 1946), inédito no Brasil, em entrevista feita a Rodrigo Garcia Lopes, além da tradução de quatro capítulos de seu livro (prosa) Zoombification, traduzidos por Kátia Hanna. Como escreveu Lawrence Ferlinghetti, "Codrescu sempre dá um jeito de criar um desejo ardente pelo que é subversivo — algo extremamente necessário nesses tempos de 'fascismo amistoso'".

Coyote 17 também apresenta os poemas do escritor chileno Roberto Bolaño (1953-2003), mais conhecido como prosador. Sua carreira meteórica foi marcada pela fundação do movimento mexicano infrarrealista nos anos 70. Apesar de mais conhecido como romancista (Os Detetives Selvagens, 2666, De Noite no Chile, entre outros), Bolaño era uma espécie de poeta da prosa, tendo publicado dois volumes de poesia: Los Perros Románticos e La Universidad Desconocida.


A nova ficção brasileira também está presente no número com os textos de Rubens K. E Ricardo Carlaccio.


A modernista norte-americana Gertrude Stein (1874-1946) traduzida e apresentada por Luci Collin, é também um dos carros-chefes do número, que traz ainda a antologia Veludo Negro: uma seção que mostra a força poética de seis jovens autoras brasileiras: Ana Rüsche, Bruna Beber, Izabela Leal, Lígia Dabul, Luana Vignon e Monica Berger,


O desenhista Carlos Carah também mostra seus traços, num número que tem ainda poesia visual de Vinícius Lima e poemas de Fernando Karl. Na Contracapa, o Movimento Contra a Lei Seca.


COYOTE é uma publicação da Coyote Edições, editada pelos poetas Ademir Assunção, Marcos Losnak, Maurício Arruda Mendonça e Rodrigo Garcia Lopes. Projeto gráfico de Marcos Losnak. Tem periodicidade trimestral e distribuição nacional (em livrarias) pela Editora Iluminuras. Tiragem de 1 mil exemplares.

COYOTE 17 // Outono 2008 // 52 pgs. // R$ 10 Uma publicação da Coyote Edições.
Vendas em livrarias de todo o país ou pelo site: http://www.iluminuras.com.br/
email: revistacoyote@uol.com.br e rgarcialopes@gmail.com Fone: (43) 3334-3299 – Londrina.: revistacote@uol.com.br


PATROCÍNIO: PROMIC - PROGRAMA MUNICIPAL DE INCENTIVO A CULTURA – SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA – PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA (PR)

hoje


Jezebelle

Talvez eu ainda encontre aquela garota. Que desceu do meu carro no meio do escuro da estrada. Berrando como uma louca em dia de visita no hospício. Inventando mentiras desconexas em balbucios ininterruptos. Talvez eu ainda encontre aquela garota. Que rodopiava no meio da 14 Bis toda mijada. Segurando rosas murchas e abraçando estranhos na calçada. Às 4:53 da madrugada. Talvez eu ainda encontre aquela garota. Com os lábios descascados pela secura do ar. O corpo coberto de hematomas como uma dálmata mestiça sem lar. Pedindo um trocado para comer rochas que brilham no escuro na porta do bar.

Tuesday, April 29, 2008



Ontem li na Folha de SP a opinião de um playboy babão sobre a Virada Cultural – que uma amiga apelidou de Cambalhota Cultural. Nela, o sujeito, um tal de Gustavo Piqueira, reclama que um ‘mar de mijo’ invadiu as ruas do centro. Pimpão. Acho que ele só havia dado umas pernadas por aquelas bandas através do Google Earth. Ficaria impressionado se ele dissesse que o centro cheira à Jasmim. Hoje mesmo, fui até lá com o motoboy aqui do trampo. Engolindo monóxido de carbono descemos a Consolação no regaço pelo corredor de ônibus. Daí paramos num prédio ali na 7 de Abril e ele subiu pra protocolar uma papelada. Eu fiquei ali fumando um cigarro e andando em círculos até que pisei na merda de um cara, ao lado de uma árvore. Limpei a bota raspando a sola num poste, sob os olhares de um velhinho sentado naqueles bancos anti-mendigos. Não pude deixar de rir. Não é todo dia que se pisa numa bosta humana. Depois, Piqueira, o indignadinho, crítica a molecada que ‘turbina garrafas PET com birita’ num evento gratuito com música ao vivo no centro. Francamente, esse cara deve ter nojo de buceta. “Ai, que fedor!” Quê que ele quer? Tacinhas? O engraçado é o último parágrafo, onde ele questiona e responde as próprias perguntas. Parece uma tia.

o estalo do chicote

A banda CICRANO - dos camaradas Cabeça, Gui e Andrezão - faz hoje sua primeira apresentação ao vivo.

Monday, April 28, 2008

é o diabo aqui ao meu lado

Descobri agora, lá no Pitchfork, que Bonnie ‘Prince’ Billy lança um álbum novo só de inéditas no dia 19 de maio. Logo logo. Colocaram até o link para uma versão demo de uma das músicas do disco*, e o de um vídeo bem babaca. Agora, aproveitando o ensejo, coloco aqui o link do clipe de uma das minhas músicas favoritas do barba-ruiva. “Horses” foi gravada pelo Palace Brothers há um bom tempo atrás. Quando viajei para o Chile de carro há quase um ano, ouvia essa porra o tempo todo, tinha tudo a ver com as paisagens. Ela é daquelas músicas que quando toca no carro, naqueles estradões de meu deus, ninguém abre a boca, mesmo não a conhecendo, fica ali rodopiando no ar enquanto a estrada é percorrida e uma daquelas scanias gigantescas de 10 toneladas cruza o sentido contrário. Foi engraçado descobrir esse vídeo, uma espécie de road-clipe irmão caminhoneiros Shell na neve, com um cachorro husky na boléia e uma pá de caminhoneiros rednecks.

* “So Everyone” – Bonnie ‘Prince’ Billy


A Pixel colocou à venda o 5º volume do Preacher “Guerra ao Sol”.


dá uma olhada nas fotos que Hunter S Thompson tirou entre os anos 50 e 70.

aqui.
Furei. Bebi água. O Mário me descolou uma carteira na classe dos fodões, na Jam Session de quadrinhos que rolou ontem na HQMIX pela Virada Cultural, ali na Praça Roosevelt. No entanto, por motivos de uma força bem maior - como kriptonita - fugi de São Paulo e do escarcéu que foi esse final de semana na capital. Pelo line up da bagaça, creio que não fiz falta alguma, só espero não ter cauterizado meu filme com o simpático organizador.
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Fui assistir “Aos Ossos que tanto doem no inverno” na sexta. Puta que o pariu, hein, Sérgio Mello. Tu é um desgraçado. Apelão. Primeiro por ter escrito aquilo ali. Logo na primeira peça já chega mostrando adagas enferrujadas. Depois, por ter juntado no mesmo engradado essa equipe: Mário, Nelsinho, Marcelo Montenegro e a Soledad, que não conheço, mas que pela direção, só pode ser uma grande pessoa. Apareci no Ruth Escobar um tanto esmerilhado pela noite anterior, mesmo assim, comprei um Toddynho e um pão de queijo e me sentei no boteco ao lado. Daí o Sérgio apareceu e ficamos jogando palitinhos até o início da peça. Então, eu entro naquela salinha claustrofóbica, noto uma figura perturbada segurando uma espingarda, minha mente já pensa “lá vem”. E veio. Eu sabia. Algo que aconteceu numa pequena cidade industrial. Que me fez matutar sobre o fato de muitas pessoas nunca terem encontrado paz na Terra. Sobre causos que arrancam uma risada inquieta do ouvinte. Sobre como lavar a roupa suja sem sabão, e a saudade que esfrega teu rosto chão. Gritos abafados pelo escuro do quarto. Sobre uma revanche que se transforma em redenção. Eu sabia. Pouca gente deve saber.
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Wednesday, April 23, 2008

façam melhor

Riam, matraqueiem, babies asnos. Pensem sobre não ter filhos. Antes cretino que otário. Pode ser tarde. Para aqueles que bravam e pisam na tal da merda. Sobre quem não sabe o que fazer. Peguem seus atalhos acarpetados, felizbertos. Apenas fujam de mim. Posso fazer-lhes de churrasquinho. E enterrá-los no cascalho de seus flácidos arbítrios. Dos tolos que crêem no que Eles dizem. Amém. SARAVÁ.

Thursday, April 17, 2008

Eu não tenho pra fazer, além da falta de apetite e do mau humor. Passei a maior parte do dia como de costume, sentado na varanda olhando o casal de patos desenhando na lagoa. Ontem, acertei a merda do meu polegar com o martelo e estilhacei a unha em várias partes. Eu estava tentando fixar a prateleira que desabou com todos meus pratos. Calculei mal. Doeu pra caralho na hora, agora parece que tem um bicho dentro querendo sair pelas beiradas. Hoje almocei na panela como se raspasse a lama incrustada em minha bota. Fui até o pasto, mas Pintado não respondeu meus chamados e assobios, por isso decidi, após soltar todas as pragas retumbantes contra o mundo, que não vou descer até a cidade para comprar presunto. Não estou com fome mesmo. A noite chega e as cigarras se esgoelam cada vez menos, dando lugar aos sapos que gorgolejam cada vez mais alto no brejo. Juvenilson apareceu visivelmente perturbado na hora do almoço. Me viu de cueca comendo na panela. Riu como uma hiena com aquele cabelo imundo entrando em sua boca. Eu peguei a espingarda e apontei. Ele continuou rindo, se contorceu pra frente e caiu no chão como um saco de merda. Está lá roncando até agora.

logo mais

tem show do DEBATE, às 23 horas, no Milo Garagem.

Rua Minas Gerais, 203a, São Paulo, São Paulo Custo : R$ 10

Wednesday, April 16, 2008

vida chata



Li “Sangue de Bairro” na Animal no começo dos anos 90. Lembro que fui na casa de um grande amigo que tinha um pai colecionador de HQs. Ele arremessou o exemplar no meu colo e me disse para ler. Passei a tarde no quintal dele, sentado numa cadeira enferrujada, acarinhando o cão com a sola do tênis, entre um baseado e outro, devorando uma das histórias em quadrinhos que mais me marcaram a vida. Fiquei impressionado com o traço econômico e cheio de estilo do espanhol Jaime Martin. Ontem fui ao Mercearia e o Marquinhos me mostrou a edição que a Conrad lançou esses dias. Nem imaginava que se tratava de “Sangre de Barrio” - eles colocaram o péssimo nome de “Vida Louca” - mas folheando ele ali no bar delirei, foi como escutar de novo aquela música esquecida favorita da adolescência. Garanti o meu. Essa edição é completa, eu nunca tinha lido a história inteira que tem 3 partes. Passei a tarde fazendo isso hoje. O quadrinho de Jaime Martin conta a história de um moleque novo num bairro na periferia de Barcelona. A primeira parte mostra sua chegada, seu envolvimento com a gangue, pequenos furtos, drogas e bebedeiras, noitadas e roubadas, o "Rumble Fish" dos quadrinhos. Tudo no embalo das bandas undergrounds espanholas da época. A cena de Vince bolando um beque e fumando na janela do quarto enquanto rola um som e ele se prepara pra cair no rolê é muito foda, aquilo ali é poesia, truta. As duas últimas partes que eu não conhecia seguem um pouco monótonas perto da primeira que é uma pedrada, mesmo assim, não deixam de ser empolgantes. O que bateu mesmo, como na primeira vez que li há quase 20 anos atrás, é a tristeza que essa história carrega. É como aqueles finais de tarde de domingo, que você fica andando pelo bairro sozinho, sentindo saudades de uma namorada que nunca teve e a sensação de derrota por não fazer noção do que vai cair na prova de matemática no dia seguinte.

Wednesday, April 09, 2008

Estou arriado. Ando atarefado. Sinto que pifei esses dias. Como se minha barra de energia, tipo a dos fliperamas de lutinha, estivesse capenga, nas últimas. Passei uns dias entre o trampo e minha casa, me alimentando com comida de acampamento, trabalhando bastante e cuidando de um gato filho da puta que apareceu no domingo de madrugada miando na janela. O maldito dominou, no começo até achei que fosse uma fêmea, ainda não tenho certeza. Quando eu era criança havia muitos gatos na casa da minha mãe, só que sempre fui alérgico. Esse é filhote, vira-lata de olhos azuis e o pêlo branco com manchas cinza. O engraçado é o rabo dele, que tem a ponta quebrada, em formato de “ele”, por isso, coloquei o nome dele de Alicate. Faz uma zona do caralho e afia as unhas no braço do sofá. Daí, comprei sardinha, lavei um cinzeiro e o servi, ele comeu como um refugiado. Ontem eu estava prancheta, concentrado e um tanto cansado, quando o desgramado pulou em cima das folhas com as patas imundas de terra. Eu não achei a menor graça. Acho que nem ele, ou ela. Atirei o pau no gato. Na verdade um pincel. Errei. Ele correu pra fora, depois voltou com o rabo torto como se nada tivesse acontecido. Coloquei Magnolia Electric co. no som bem alto. Alicate ficou no sofá, parecia que revirava os olhos de prazer. Ri pra caralho. Esse gato é firmeza, gosta de música, não reclama nem faz cara de cu.

Hoje tem show do Bad Brains na Eazy. Eu queria muito assistir. Na realidade, hoje eu sairia de férias aqui do trampo, mas tenho algumas coisas para resolver, por isso ainda tenho que comparecer aqui esses dias. Outro motivo é o preço da porra do show: R$ 100,00 – isso que a banda ainda vem pela metade, sem o desgraçado do HR.

Mesmo assim, ainda quero bater pernas pela noite. Hoje meu carro chegou do conserto após um prejuízo bisonho na quinta, depois que saí do Mercearia. Eu fico ouriçado depois de ficar desmotorizado um tempo. Assim, pretendo assistir a banda Fábrica de Animais, no Bourbon Street, às 21hs30. Pelo menos, ali sei que a diversão é garantida por Fernanda e Cia.

Friday, April 04, 2008

Gosto de dias assim. Quando penso em Minas Geraes e em suas estradas sinuosas com a chuva tamborilando no párabrisa. Acho que vou dar uma volta por aquelas bandas em breve. Ando pesquisando sobre a Estrada Real. Parece interessante.

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O blog de MP3 Setting The Woods On Fire é muito bom. O cara, um fanático por Hank Williams, posta raridades do passado que devem ser embaçadas de conseguir. A maioria é ligada ao velho honk tonk, como covers e gravações ao vivo.

Essa que eu roubei é uma delas:

Elvis Presley - Your Cheatin' Heart (mp3)

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Fico aqui no trabalho depois do expediente, matando tempo, ouvindo Johnny Burnette

Wednesday, April 02, 2008