Sunday, February 19, 2012

sem chance.

Monday, October 03, 2011

medicina

Estou inchado como um barril. Um saco murcho de arrotos. Sinto dores desde o pescoço até o fim das costas – não, a bunda não dói, ainda. Minhas costas doem, desde a rebarba do pescoço até o quadril, do lado esquerdo. Sinto que minhas vértebras estão soltas numa sopa espessa de entranhas e líquidos quentes e impregnados de sangue, álcool e bosta. Ela não me dá trégua. Como um carcereiro sádico que me lembra o tempo todo, do fundo da luz no fim do túnel, que a chapa vai esquentar, parceiro. Tento permanecer chapado. Mover apenas o olhar. Rapid eye moviment. Tudo pareceria um sonho não fossem as porra das dores. O mundo me enchendo o saco o dia inteiro e minha cabeça tranqüila. Kill the body and the head Will die. Há pouco tempo atrás poderia socar paredes até jorrarem sangue nos meus olhos. Hoje preciso de analgésicos.

Sunday, October 02, 2011

às vezes a insônia me acerta aqui. pressiono a caneta no papel como se tentasse talhar algo. até que minhas costas doem. um torcicolo anda me limitando levemente o lado esquerdo. coisa leve. fora isso, nada mais me acomete. a vida corre calma lá fora. um bêbado ecoa uma velha canção nessa língua estranha. escuto um salto alto estalar sobre o pavimento e desaparecer lentamente. a madrugada aqui é silenciosa. um carro de bombeiros às vezes soa na esquina. acho que ele toca a sirene apenas para alertar carros que vêm no sentido contrário. fico na janela até a silhueta das árvores do parque do outro lado da avenida começarem a aparecer. sei que logo mais volto pra olho do furacão, pro cheiro da gasolina. sei que o silêncio vai ser dilacerado por um serra furiosa. talvez seja por isso que eu não queira dormir ainda.

Sunday, September 25, 2011

sou um forasteiro. por enquanto. sou um estranho analfabeto numa cidade turística. titubeio nas palavras. cacarejo. melhoro com cervejas de teor alcoólico mais elevado. mas aí fico calado, olhando as pessoas nas ruas. me pergunto o quê posso fazer pelo resto dos meus dias. estou aqui há 26 dias. dias que escorrem lentamente sem a menor pressa, como a brisa que sopra em silêncio no parque carpido. alguns amigos e irmãos aparecem e vão embora. sinto algo estranho quando isso acontece, algo como uma certa saudade por pessoas que nunca conheci direito.

Wednesday, June 15, 2011

Deserdado

Sempre dirijo por aí. Já cruzei as fronteiras sobre quatro rodas umas 5 vezes, talvez seis. Geralmente de madrugada, quando a segurança é falha ou inexistente. Sempre sozinho, no volante, os olhos atentos tanto na pista quanto nos retrovisores. O rádio sintonizado numa estação AM cheia de ecos, onde o locutor de voz grave e cheia de drama conta causos de famílias de cidades do interior do Rio Grande do Sul. Faz muito frio por aqui nessa época do ano. E não posso me encolher. Estou cada vez mais longe. Isso tudo talvez seja para encontrar um caminho. Quando o sono me alcança, geralmente à noite, quando meus olhos e joelhos e juntas cansam, quando a fadiga de pilotar domina, procuro algum matagal e me embrenho com a barca. No meio da escuridão, de vez em quando alumiado pela luz prateada da Lua e das constelações. Desço do carro e levanto a vegetação amassada ao redor, apago meus rastros, sob o vasto manto negro do céu. Pego minha lanterna, um cobertor cinza felpudo e meu fogareiro de acampamento. Posiciono minhas coisas, acendo o fogo, despejo água numa lata de metal que coloco para ferver; abro a porta traseira do lado do motorista para proteger o fogo do vento frio e seco de outono e fumo um cigarro. Escuto o som da brasa queimando o papel. O som de grilos e imensos besouros voando que zunem ao redor. Caminhões eventualmente sibilam na rodovia. Depois de ferver a água, a despejo num copo plástico de macarrão instantâneo e o que sobra numa caneca com café solúvel. Abro o livro e leio enquanto o macarrão amolece. Após meu jantar, caminho em volta do carro e confiro se posso ser visto da rodovia, quando tenho certeza de que estou seguro, deito no banco traseiro, travo as portas e me cubro. Me sinto dentro de um casulo enquanto o mundo imenso e aterrorizante gira lá fora. Ali no banco de trás do carro, uso a mochila de travesseiro, minhas pernas ficam dobradas para que meu corpo possa caber. Penso em me masturbar, mas algo implacável cresce dentro do peito, como uma solidão completamente sem sentido, afinal de contas, fiz minhas escolhas, e não adianta esperar que o céu caia sobre minha cabeça. O vento sopra lá fora. Me encolho como se quisesse segurar a alma. Os bancos da frente servem como grandes cortinas de couro, como uma tampa que me esconde. Deixo o relógio no assoalho com o despertador engatilhado para antes do amanhecer, o que deve acontecer em menos de 3 horas. O revolver repousa logo ao lado. Preciso me garantir, se eles me alcançarem, me entrego morto. Sinto algo me abraçar. Acho que vejo anjos brilhantes. Eles vieram cantar uma canção para mim.

Thursday, April 21, 2011

faz tempo que não dou um tapa nessa merda. nem um pouco lunático. tampouco cachorro atropelado. eu gosto desses períodos de ostracismo. de amaciar a cachola com um martelo de bife. ando saudável e com o cabelo ruim. só vim aqui dizer que meu time ganhou ontem e eu tô feliz.

Monday, January 31, 2011

ramones

as pessoas são estúpidas como nunca vi antes
eu não dou meia merda
as pessoas são estúpidas e acreditam no razoável
dançam em chuveiros quando estão com saudade
os estúpidos nunca dizem como realmente se sentem
mas você... pelo jeito

e os estúpidos que explodem contra o muro e pingam dos olhos
e todos os mortos que não conheci direito e que falam baixo
e todos os imbecis que falam
todos esses
eles vem e vão
e vivem
falam
e não dão em merda nenhuma

eles passam - eles
mudam e sobrevivem
eu não
eu nunca
nunca sinto tanto