Friday, July 18, 2008

eu não sou um cidadão

ando espirrando pra caralho. talvez seja o clima seco. meus olhos estão lacrimejando pus. quando acordo e antes de dormir. não durmo há dias. apenas vejo tudo embaçado. como num filme ruim. estou asmático. e peidando como um escapamento de carro velho irregular. talvez seja o clima seco. desço a Consolação com meu telefone tocando à cobrar. alguns se preocupam com a nova lei. os revolucionários de hoje usam gravata e perfume e são egoístas. comem mulheres obesas e tentam se justificar o tempo todo. eles roubam miseráveis. estaciono na Roosevelt, desligo o som e desço do carro. um mendigo me interpela. uma moeda? soco a mão no bolso, fuço e encontro 10 centavos. jogo em sua palma. ele confere e me encara. vira as costas e vai. minha boca está seca, parece que comi bosta de vaca. arrisco um cuspe. prestobarba. ando mais 30 passos e outro um maluco aparece, cheio de suspeita dessa vez. ele caminha sacudindo os braços como um daqueles bonecos infláveis de posto de gasolina. uma moeda? dessa vez eu encaro lá no fundo da alma, com a vista embaçada, bem de perto, no bafo, pra enxergar melhor. estou bem cansado. apanharia fácil. mas, eu, não sou comédia. parece que comi bosta de vaca. talvez seja o clima seco. ou minha sede de machucar quem me cobra curvado com os olhos revirados. tento continuar minha rota, mas ele puxa meu ombro esquerdo, numas de intimidar, só que ao invés disso, enfurece e impulsiona. meu braço direito faz um arco e acerta sua mandíbula. ele cai. e tenta me chutar com as duas pernas ricocheteando no ar como duas mangueiras cheias d'água sem dono. seguro elas. e pressiono meu pé direito bem nos bagos. puxo suas canetas pra trás e afundo a sola. vai. digo eu. vai. tem uma moeda? nem eu. acabou. solto o infeliz que murcha como se tivessem desligado o compressor, ou a torneira, vai saber. continuo minha caminhada. tudo fechado. uma viatura passa com os faróis apagados, bem devagarinho, quase não percebo. procuro outra moeda no bolso em vão. saco um cigarro e acendo. na esquina da kilt um agroboy acelera sua S10 num showzinho particular que ninguém percebe. olho pro céu e vejo a lua. parece um buraco pro outro lado. 

8 comments:

tiago said...

pois é, meu chapa. nesses dias o colírio tem servido pra refrescar los ojos. e a bebiba, pra refrescar a alma. abraço.

Klaus said...

Carcarah,
um cidadão não caminha na noite, e jamais teria coragem pra encarar a Lua, não, não somos cidadãos...
(o cartaz da nova peça do Sergio tá dú caralho heim, PARABÉNS! Acho que já diz muito do que vem nesse texto... ansiedade, ansiedade, ansiedade...)

Beijo!

Anonymous said...

tá fraquinho, fratello.

volta pra Inglaterra para escrever bhem

Anonymous said...

ai, seu filho da puta,

va tomar no teu cu.

cc

mariana said...

acho q esse cara é uma boneca q te conheceu em londres e ainda mora lá... fica torcendo pra vc voltar, dizendo q lá vc vai recuperar sua inspiração...viadinho, viadinho, viadinho...manda toma no cu mesmo.

Anonymous said...

vc é patético, cara.

Adriana said...

Gostei. Gostei pra caralho. Aliás, gosto muito dos seus textos escritos assim desse jeitão meio beat. É isso. Aliás, os seus desenhos são du caralho. Aquele cachorro sobre o carro é demais. Bj

Enrico said...

hahaha, carai Karks, alguem tá cum saudade du cê aqui...
que tem a ver escrever bem com a merda da Inglaterra?
foda-se... os textos continuam bons no meu ponto de vista.
Num importa aonde está.... idéia é mato e nasce em qualquer lugar.

ps. da hora a revista com seu desenho na capa.

se cuida ai rapá
abs
...