Wednesday, October 14, 2009

uma vida imaginada

arquivada numa caixa

de sapatos de papelão

escondida na parte de cima de um armário

embutido

nunca se sabe

descompensado

de madeira

amarelada

coisas de lugares menores

de manhãs

imaginadas


num carro vazio

longe pra caralho

parado

no meio de um viaduto

interditado

a porta do motorista aberta

o som ligado

numa rádio country


num velho automóvel

à gasolina

num estacionamento

mal iluminado

um senhor pálido

olhando a cidade

através

do pára-brisa

do reflexo embaçado

respirado

vidrado

que assiste

retrovisado

escurecido

sob o céu claro

de nuvens cinzas

carregadas

que dançam

e explodem

em silêncio

para pedir


baby, não vá.

1 comment:

Adriana Godoy said...

Um poema porreta demais. Lindo, intenso, mágico. Resumindo: du caralho!bj