Sunday, November 22, 2009

A real mesmo é que sou uma pessoa ausente. Não sou unido à porra nenhuma. Vivo nos escombros incendiados de uma ilha baldia. Tenso. Decididamente inclinado para a autodestruição devoradora. Finjo escapar das ruínas do isolamento quando fujo para os sussurros dos subterrâneos do baixo centro Augusta da cidade de São Paulo. Quando seguro o riso de canto e me apoio em muros descascados. Ou quando me engancho nos braços desdenhosos de alguma mulher cheia de dentes. Eu me iludo e finjo, me arrependo e fujo, depois, do rebanho mórbido. Da vida pegajosa e amorfa da coletividade fingida. Da lealdade porcaria. Da maldita máquina de pastéis que gera o fluxo da vida e seus objetivos elevados. Tento refletir, como teria sido se eu não fosse assim, tão cínico. Agora é tarde demais para descobrir. Na janela que dá de frente para um muro de concreto, com o olhar retraído de alabastro, vejo o entardecer, e me lembro de como me sentia naquela noite suportada, quando sorvi tudo de belo e fabuloso. Me perguntava até quando estrelas negras iriam se esconder sob a escuridão nebulosa. A grande Lua solitária e erodida lá em cima. Os pombos arrulhando nos fios de alta tensão. Quando estou sem nenhum sinal de reconhecimento, despedaçado e segurando o riso, sinto uma auto-suficiência que me assusta.

2 comments:

cra said...

é isso

Taquicardia said...

Muito bommm... Saudade enorme de vc
Beijo Sah