Wednesday, January 09, 2008

caralho, se liga nisso aqui:

“Down and Out” - Ike Turner (clique com dir. salvar destino como...)

* roubado lá do pre-war blues, claro.

blood on the tracks

Esse é um dos discos mais perfeitos da história da música. Em certos momentos sinto-me genuinamente triste quando o escuto. Em outros, sonho. Talvez seja por isso que eu goste tanto dele.





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Ando confuso com meus sentimentos. Pensando muito no passado, na infância e em quando passava as tardes no quintal de casa com todas aquelas roupas balançando no varal. Ando triste e aborrecido. Sinto falta dos meus cachorros que morreram atropelados. Dos finais de semana ensolarados lavando o carro do meu pai. Do cheiro da grama. E dos cumulus nimbus que traziam a chuva do outro lado do lago. Nada importava. Hoje eu sinto demais. Meus amigos insistem em suicídio. Os semáforos fecham depressa. E a vida é tão cheia quanto o chapéu de um velho cego pedinte. Você diz que me ama e eu não consigo sorrir. Permaneço deitado encarando a quina do teto. Ou observando da janela as pessoas passarem do outro lado da grade. Ando confuso com meus sentimentos. Sinto que envelheci cedo demais.

Tuesday, January 08, 2008

Marina não conseguiu engolir a amostra grátis de pão de queijo que a atendente lhe deu no balcão da padaria. As lágrimas escorreram por suas maçãs do rosto e ficaram ali, dependuradas no abismo de seu belo queixo. Tim havia sido morto por frentistas de um posto de gasolina em Palmas. Aquele foi seu último erro. Éramos uma gangue. Tim nos liderava em assaltos a bancos, postos de gasolinas e estações de trem ao redor do país. Sarah, sua mulher, um furacão em todos os sentidos, havia morrido numa fuga mal-sucedida num levante no interior de São Paulo. Com isso, Tim enlouqueceu. Chegou a apontar a arma na minha testa quando tentei tirá-lo de um hotel em Araçatuba depois de 11 dias trancado injetando cocaína com vodka Baikal. Tim se entregou ao diabo. Eu arrastei Marina, minha guria, para uma cidade minúscula no Paraná com intuito de desbaratinar alguns federais que estavam em nosso encalço. Fiz de tudo para Tim vir conosco, mas ele parecia decido a morrer e levar alguns canas com ele, talvez até alguns inocentes que atravessassem seu caminho. Estacionei o Maverick num matagal e o cobri com galhos e plantas secas, ali ninguém poderia encontrar a máquina usada no nosso último ataque a um posto Graal na Marechal Rondon. Era a quarta vez que assaltávamos aquela porcaria, dinheiro fácil e tanque cheio. Tive que ameaçar um pulha que quis bancar o valentão que tentou segurar a porta carro na hora da fuga. Desci, enfiei o cano na boca do infeliz e escutei o esmerilhar de seus dentes. O desgraçado era grande, e chorou ajoelhado como uma menininha. Conseguimos uma bolada e descemos pro Sul, com pacotes de cigarros, muita bebida no isopor no banco de trás e alguns comprimidos de Demeral. Tim havia escolhido seu caminho na loucura após a perda de Sarah, no entanto estava em meus pensamentos o tempo inteiro. Eu sabia que nossos dias de glória estavam chegando ao fim. Quando fiquei sabendo de sua morte através de um antigo comparsa de Brasília, através de um e-mail, não tive dúvidas de que tudo estava acabado, e que o certo era eu conseguir mais alguma grana em assaltos, comprar um pedaço de terra e me instalar com minha mulher.

Monday, January 07, 2008


sem esse papo de luz

Começo o ano na pilha do Bo Diddley. Não posso querer mais “nada por enquanto”.

http://youtube.com/watch?v=xwdDomMm0o4

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Foi num hotel barato na Chapada dos Guimarães que tive meu primeiro contato com “100 Balas”. Isso agora, pouco tempo atrás. Estava tão vidrado no barato que saí na madrugada abafada da pequena cidade para procurar algum trailer aberto que pudesse me vender mais algumas cervejas para, assim, atrasar um pouco o final do volume “Um Blues para um Minuteman”. De inicio fiquei um pouco perdido pelo roteiro descompactado e a trama da HQ, já que não a peguei desde o começo e nem imaginava como era, apenas gostei do título e na Fest Comix estava uma pechincha. A narrativa de Brian Azzarello é impressionante, com diálogos quentes num clima neo-noir (como avisa o prefácio) batizado com a linguagem das ruas, agora junte isso aos desenhos do argentino Eduardo Risso e a coisa desanda. A arte do cara pode parecer simples e ligeira, mas é extremamente detalhada e os ângulos que o desgraçado pega são de fuder a bunda da tia, como uma visão atrás do ventilador de teto ou do reflexo do espelho quebrado do banheiro, sendo que a merda toda acontece lá dentro do quarto. Não assimilei muito bem as cores. 100 Balas está disponível em vários volumes ou 'trade paperbacks' - aqueles tijolos de capa dura envernizada que custam o olho da cara – da Opera Graphica Editora.
Esvaziei minha cabeça na estrada, numa pista de mão dupla que sumia no horizonte cruzando o Mato Grosso do Sul, causando sonolência e certo estupor que desaparecia quando um caminhão cruzava o lado oposto e quase arrancava o capô do carro. Os buracos remexiam o estômago vazio. E cachorros mortos na estrada. E os espectros com cobertor caminhando sem rumo no acostamento. O cerrado dando lugar a grandes plantações onde apenas uma única árvore faz a sombra para a bóia. Uma cidade e suas luzes brilhando num destino incerto a quilômetros de distância para uma estadia num hotel barato e no televisor o noticiário berrava que as mortes nas estradas são recorde. Eu não acredito em alertas nem que a próxima curva seja a libertação. Acredito no vento e no aço, carne e óleo derretendo no asfalto dos erros alheios. Muitos morrem na reta. O motor estalava no posto de gasolina carcomido pela ferrugem e o teto gemia. O caminhoneiro sonhador solitário sobre suas havaianas azuis ofereceu um trago de cerveja numa tarde que o sol ameaçava explodir minha epiderme. No banheiro urina envelhecida e desinfetante barato.

Saturday, December 22, 2007

ela berrou bastante enquanto eu segurava o fone do orelhão olhando pra esquina da rua Vitória. ela disse que eu era um vacilão. eu não sabia o que estava fazendo ali e nem pretendia passar tanto tempo no telefone olhando pra esquina vacilando. caminhei pela madrugada, sem um puto ou cigarro no bolso, até minhas pernas doerem. tentei a sorte nos bares mal iluminados debaixo do Minhocão. ninguém me deu ouvidos. todos solitários e silenciosos como corujas. quando cheguei em casa, você tinha me trancado pra fora. tive que escalar o muro e entrar pela janela. botei metade do corpo pra dentro, você acendeu o abajur e reparou que eu havia perdido meu chapéu.

Friday, December 21, 2007

quero mijar do mirante

A idéia é pegar o carro e fugir lá pros cantos do Mato Grosso do Sul. Não imagino como são as rodovias por ali nem pra onde levam aquelas estradas secundárias, não faço a menor questão disso também. O que importa é apenas sair fora e ganhar a estrada e as paisagens do Estado, sem muita preocupação ou planos ou trajetos e roteiros, com uma boa música, os vidros abertos pro vento e o sol entrar e uma companhia agradável. Pode ser que eu passe pelo Pantanal, pela Chapada dos Guimarães e quem sabe faça uma visita à Bolívia. Tudo depende do tempo, mas sem pressa.

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Aqui as demos do ótimo “The Letting Go”, do Bonnie ‘Prince’ Billy. As versões ainda cruas de um dos melhores discos do Barba Ruiva.

Tuesday, December 18, 2007

se fosse por mim, me esconderia num lugar onde não houvesse vestígios de seres humanos. e no conforto da minha tristeza, escreveria uma canção sobre como te tratar melhor.

Friday, December 14, 2007

a madrugada em claro e o jornaleiro assoviando lá fora e a necessidade de algo forte para apaziguar a sede por objetos cortantes e uma voz na minha cabeça e pouco tempo tempo pouco tempo pra pensar em tudo que vem e vai e volta e passa e ricocheteia nas paredes brancas do quarto. já nem sei mais onde fui parar depois daquela curva.

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estou completamente podre após a noite de ontem. mesmo assim estarei no JukeJoint hoje para o lançamento do livro de fotografias do Cemitério dos Automóveis. a banda do Mário toca e o Marcelo Montenegro discoteca e acho que ele gosta de rockabilly mas eu não danço só escuto enquanto jogo sinuca silenciosamente e penso em como eliminar as vírgulas da minha vida.

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hoje é o último dia de “Delicadeza”. o último dia de uma das peças mais pauleras que já vi nessa minha vida de meu deus. e quando digo paulera é porque vira o estômago da rapaziada.

21hs, lá no Satyros 2 – praça Roosevelt.

Wednesday, December 12, 2007

hoje também


“Rusty Cage” – Soundgarden (clique dir. "salvar destino como..)

música para acalentar pensamentos positivos.

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Hoje, lá na Livraria HQMIX, na Praça Roosevelt, 142, às 19hs, rola o lançamento do livro “São Paulo”, que David Loyd ilustrou para a coleção Cidades Ilustradas, da Editora Casa 21. Acho que deve ser salgado o preço desse livro, mas vale a pena ter um autografado.

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E depois acontece “Natimorto”, a peça nova do Mário, baseado nos quadrinhos do Lourenço Mutarelli. Lá no teatro Sesc Anchieta - rua Dr. Vila Nova, 245, perto do Mackenzie, às 21hs.

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“You Belong to Me” – Rose McGowan.
Essa versão de uma música do Bob Dylan que Rose McGowan fez para “Grindhouse”, do Tarantino, é um country de cabaré vagabundo dos mais safados, gela até os ossos.


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E a 2001 Video já colocou "Down By Law" à venda.

Tuesday, December 11, 2007

sem dúvida, o melhor site de fotografias que eu conheço.

super king size

puliça sacana


magnólias brancas e tijolos descascados

Era uma fábrica abandonada cercada por mato e magnólias e uma cerca de tela nas proximidades da rodovia Dom Pedro I. Eu sempre visitava aquele mastodonte de concreto quando saia da escola. Pulava a cerca com extrema facilidade debaixo do sol escaldante de um meio-dia tedioso de cidade de interior e adentrava a escuridão das grandes salas cheias de máquinas, esquecidas por algum magnata. Subia uma velha escada de ferro que levava à parte mais alta da construção, uma espécie de varanda sem corrimões, e sentava na beirada, tirava o baseado do maço de cigarros, o colocava entre os dentes e acendia observando as nuvens de moscas que giravam num redemoinho caótico ao redor de latões industriais. Pensava na diferença entre ser mosca e pássaro. E no estrago que seria cair lá de cima e se estatelar como uma fruta podre no chão de cimento. Do outro lado, através do mato todo que atravessei, podia ver a rodovia. De lá só era possível notar as chaminés escurecidas da fábrica, como cruzes num cemitério muito antigo. Passava a tarde ali. Nenhum movimento. Nenhum incômodo. Levemente chapado e respirando o ar puro da efêmera liberdade vespertina eu rabiscava histórias sórdidas no caderno que deveria anotar as porcarias que a professora ensinava na aula. E o dia me engolia até virar noite. Às vezes me sentia triste ali por motivos que nem eu sabia. Mas na maioria das vezes eu ria mesmo. Conversava alto sozinho comigo. Corria por aqueles blocos enormes com uma barra de ferro na mão fazendo o maior estardalhaço. Um dia pisei num prego numa tábua. Aquela desgraça varou meu tênis e fincou na minha carne. Praguejei como um profano. Fiquei ali um tempo. Deitado de barriga pra cima. Assistindo as nuvens se moverem no céu azul. O farfalhar das árvores ao redor. Os carros deslizando na rodovia lá longe. Com a planta do pé brotando sangue fresco. Fantasiei minha própria morte. No esquecimento daquela cloaca. Magnólias brancas e tijolos descascados.

Friday, December 07, 2007

Havia 3 horas que eu estava na interestadual. Não tirei o pé do acelerador e cruzei no caminho com poucos caminhões Volkswagen capengas que se arrastavam pesadamente na outra mão da pista. O carro saltava por sobre todos aqueles buracos. Roy Orbison cantava no rádio baixinho. Reduzi pra segunda marcha, o que fez com que o motor berrasse como um trovão nas montanhas. Iluminei o acostamento e notei uma pequena estrada de brita, deslizei com carro sobre ela e apaguei os faróis. A escuridão era absoluta. Nuvens pesadas escondiam as estrelas e a lua como uma cortina de fumaça. Fiquei em silêncio no carro, apenas Roy Orbison baixinho no rádio. Only the lonely know the way i feel tonite. Cerrando os olhos pude notar uma única luz lá no fundo, numa montanha talvez. Fiquei pensando que talvez uma família comesse torradas com manteiga ao redor da lareira naquela noite fria, num momento leve e sem preocupações, como a vida deve ser. Mas não é. Abri o porta-luvas e peguei a garrafa, tomei uma dose e deitei o banco. A chuva enfim veio. Sem trégua. Tão intensa que a luzinha desapareceu, como meus sonhos. Only the lonely know the way i feel tonite.

Tuesday, December 04, 2007

Na febre rockabilly não consigo parar com o porra do Buddy Holly nem com Stray Cats.

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Jussara me leve embora. Estou tranqüilo aqui na civilização. São apenas meus pensamentos que sangram. Tiro o chapéu quando você chega em casa. Como um aleijado dançando na cadeira de rodas, perco a elegância de alegria. Sigo levando a vida. Distorcida num retrovisor quebrado. Jussara me leve pra casa. Enxugue minhas lágrimas e me empreste a enxada. Quero passar a noite na varanda lustrando a espingarda.

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quem diria, no top 10.

Monday, December 03, 2007


secando

A cidade mata. O final de semana me custou caro. Agora estou cansado e chateado. Não que esteja arrependido. Estou cansado e chateado. Só. Sábado toquei no Berlin. Estava completamente sem forças. Como uma menininha. Bebia segurando o copo com a ponta dos dedos e a música me incomodava extremamente. Atordoado. Agüentei até tarde ali. A moça disse que gostou e me deu o cachê em dobro. Eu sorri e disse que poderia ter sido melhor. Traguei. Agradeci e me arrastei até em casa. A cidade mata. Ontem entre miojos e copos d’água, grunhi de satisfação com a queda corintiana. Nunca tinha visto tanto marmanjo chorando junto. E a Globo apelando sempre pro pieguismo em seus closes e comentários. Estou me recuperando. Estarei melhor bem antes que o Corinthians. A cidade morre. O sol estala o concreto lá fora. E eu aqui dentro sonhando com a estrada novamente. Pra bem longe das pessoas. A 160 por hora. Com um isopor cheio no banco de trás. E um monte de idéia errada.