Monday, September 15, 2008

fora do lugar

ou
my mind is rambling*

Sob o céu laranja, caminho numa rua deserta com nome de mulher, de um bairro operário, que termina no horizonte. De lugar para lugar nenhum. Não me pergunte como me sinto. Não quero você por perto. Vejo a tarde cair com a temperatura. E não estou brincando. Um clima de fim de noite que se apressa. Um aperto no peito que finjo esconder. Montanhas de lixo acumuladas sob os postes. Tudo fica para trás. Do jeito que sempre deveria ser. Aos sábado aqui não há ninguém. Arrasto minhas solas pela calçada estreita do lado direito, bem rente ao muro de reboco aparente. As duas mãos no bolso. Ao meu redor, grandes galpões com pequenas janelas no topo e telhas de amianto. Não encontro razão, apenas um carro estacionado com a roda dianteira sobre a guia. Um Variant bege. Não existem interfones ou caixas de correio. Não existem mensagens ou nada que valha por aqui. Apenas portões e grades de metal. E a distância de casa. Tento me lembrar de dias que nunca aconteceram. Tudo. Estradas que não percorri. Amigos que nunca tive. Uma história que dormi antes do final. O vento sopra suave de um lugar distante. Em toda minha vida, sempre fui uma pessoa triste. Nascido para perder. Num bairro operário, minhas pernas cansam. E eu caminho sob o céu laranja que reflete nos portões de metal. De lugar para lugar nenhum. Onde nada acontece numa rua com nome de mulher.

* incessantemente, escuto essa música de Junior Kimbrough.

2 comments:

mariana said...

gosto muito dos seus textos. abraço

Carlos Carah said...

valeu, Mariana.

abraço,

cc