Monday, May 12, 2008
Friday, May 09, 2008
Wednesday, May 07, 2008
encontre-me na cidade

"filho, os malucos sem náipe pegam muito mais mulher"
Uma coisa leva à outra. Cheguei na Fat Possum procurando vinils do Black Keys, mas antes andei pesquisando sobre o tipo de porcaria que esses caras mastigaram para chegarem ao que se tornaram. Descobri numa entrevista na net que a principal coisa que eles ouviam enquanto faziam a lição de casa era Junior Kimbrough - eles lançaram até um EP só com músicas do negão casca-grossa. Até 2 semanas atrás, nunca tinha escutado bulhufas desse bluesman, agora seu som não sai da minha cabeça. Nascido em 1930 no norte do Mississippi, longe das margens do Delta e das plantações de algodão, aos 8 anos teve seu primeiro coma alcoólico e aprendeu a tocar guitarra sozinho. Como todo bluesman que se preze, o cara tem uma história incômoda como dor de dente no frio. Aquelas velhas mazelas dos resquícios da escravidão, o abandono dos pais, a miséria e a necessidade e, lógico, o forte amor pela música. Pelo que pesquisei, em 1954, Kimbrough ruma para Chicago numas de tentar a sorte, arruma uma caralhada de subempregos e tenta gravar uma música com Sam Phillips, o chefão da Sun Records. A tentativa foi em vão. Logo ele pega sua suitcase e volta pro Mississippi, senta na beira do rio, toma um trago e decide abrir uma juke joint, um desses barracões onde os negões faziam festas com som ao vivo e era uma diversão do caralho. Ele tenta gravar novamente por outro selo e... nada, de novo, por isso dedica-se ao seu humilde pub, onde pode tocar pra quem quiser ouvir e pau no cu do mundo.
Somente em 1979, um professor de música da Universidade de Memphis, que havia visto Kimbrough tocando em sua espelunca, convida-o, junto com Jessie Mae Hemphil e R.L. Burnside (se liga na nata) para gravar algo para um selo que ele estava inaugurando, o tal do Fat Possum, que na época era voltado para um blues mais tosco, de poucos acordes, muito groove e bateria simples e marcada, fugindo do que estava acontecendo com o gênero naquele momento, aquelas fusões grotescas de rock bosta e blues cheios de solos da moléstia e total falta de postura. Essas gravações ficaram encalhadas até 1992, quando um tal de Robert Palmer, que estava fazendo um documentário sobre o blues do Norte de Mississippi Hill - um canto do estado onde o gênero e seus músicos eram pouco conhecidos apenas por puro desalinho - bateu de frente com o som de Junior Kimbrough e gravou seu primeiro albúm "Do The Rump", que fica mais uma vez encalhado e esquecido. Esses dias, eu, tentando prestar atenção na música, ao invés de apenas aproveitar, dentro do carro de madruga onde o som alastra minha mente, percebi que o blues de Kimbrough é um tanto estranho por natureza, algo que ele buscou nos primórdios não tão distantes de seus irmãos de sangue que empunhavam suas violas em cadeiras de balanço nas varandas de madeira podre com vista para as plantações, de Blind Blake e Skip James e Furry Lewis, na sua levada hipnótica e sonolenta como um barato forte, como o som de uma tribo africana em chorosos cânticos fúnebres. Eu tive essa impressão. Não, na verdade, eu vi isso, caralho.
Quando o filme foi lançado e apresentou o estilo de Kimbrough ao mundo, ele já fazia aquilo havia mais de 40 anos. Somente assim seu primeiro álbum foi lançado e as pessoas o perceberam. Daí a revista de mauricinhos maquiados Rolling Stones o considerou o melhor disco de blues da década. Daí Junior Kimbrough caiu nos braços dos roqueiros, daí sua juke joint passou a ser freqüentada pelos Rollings Stones que pagavam drinks para todo mundo e sorriam; e o Sonic Youth; daí o boca-de-subaco Bono Vox também costumava mostrar sua bunda mole por lá; Jon Spencer ficava no balcão em silêncio, martelando sua bota no piso no mesmo ritmo.
Nessa época, Kimbrough já se encontrava bastante judiado pela idade, não podendo mais encarar uma turnê, embora não faltassem convites. Ainda assim, Iggy Pop o convenceu a fazer uma canja em seus shows pelos EUA. Em 1998, Junior morreu de ataque cardíaco assistindo TV no sofá de casa. Seus filhos continuaram cuidando de sua juke joint, até que um dia, no ano 2000, ela foi consumida por um incêndio premeditado que levou tudo, discos, equipamentos, gravações raras e pôsteres originais. A única coisa que sobrou mesmo foi sua música, que vaga por ai e atinge uns otários como eu, que estou aqui agora, novamente, sendo castigado por uma noite mal dormida e pela voz de trovão desse desgramado. Até aqui tudo bem. “I Feel Allright”. (baixa essa, eu tô mandando, ou vá se foder)
Na fissura de vasculhar algum arquivo do maluco no rapidshare, sem querer encontrei um tributo ao cara, lançado em 2005, seis anos após sua morte, que possui um absurdo de companheiros fazendo versões igualmente absurdas. Tem lá Blues Explosion, Iggy Pop & The Stooges em 2 versões porretas de “You Better Run”, The Fiery Furnances fazendo miséria em “I’m Leaving”, e Mark Lannegan, pra citar os mais conhecidos. Ah, não tem o Bono não. Vai na fé.
*esse texto foi revisado bem por sima.
"God Knows I Tried" - Junior Kimbrough (rapidshare)
1. You're Gonna Find Your Mistake
2. How Do You Feel
3. I Gotta Try You Girl
4. I'm In Love With You
5. I Cried Last Night
6. Keep On Braggin'
7. Tramp
8. All Night Long (instrumental)

“Sunday Nights – Songs of Junior Kimbroug” (rapidshare)
deus, tenha misericórdia
Pai do céu. Fudeu. Descobri uma porcaria que vai rasgar meus fundilhos. Olha essa porra de selo. Só têm desgraça. E em vinil ainda por cima. Desses pra dar uma orelhada segurando a capa com um sorriso que vara a cara. Sozinho em casa. Cola até uns encostos pra escutar junto. Vá lá conhecer a lendária Fat Possum, gravadora que abriu as portas em 1979 e logo de cara lançou R.L. Burnside, Jessie Mae Hemphill e Junior Kimbrough, tirou os caras de suas escondidas juke joints e os colocou nos ouvidos do mundo. Hoje o cast oferece coisas mais recentes como os malucos do Black Keys, Fiery Furnance, Dinossauro Jr. E aproveite que eles disponibilizam uma caralhada de MP3s para baixar, como esses aqui:
“Old Black Mattie” – RL Burnside (direito, salvar destino como...)
“Hard Row” – The Black Keys
“Old Black Mattie” – RL Burnside (direito, salvar destino como...)
“Hard Row” – The Black Keys
Monday, May 05, 2008
COYOTE

Coyote espreita Codrescu, Bolaño & cia em novo número
Entre os destaque da revista de literatura e artes estão dossiê com o escritor, poeta e ensaísta Andrei Codrescu (Romênia, 1946), poemas do chileno Roberto Bolaño, mais conhecido como prosador, a poesia de Fernando Karl e Veludo negro, uma mini-antologia com seis jovens poetas brasileiras. Também traz o desenho de Carlos Carah, traduções de Gertrude Stein e as prosas à margem de Carlos Carlaccio e Rubens K , entre outros
"A ironia me parece um poderoso artefato para desativar a realidade. Agora vejamos, o que acontece quando vemos algo que tínhamos visto, por exemplo, numa fotografia e de repente vemos de verdade? É possível ironizar sobre a realidade, não crer nela, quando estamos vendo algo que é verdade?". É sob o espírito desta citação de Enrique Vila-Matas, editorial do número 17, que Coyote, revista de literatura e arte editada em Londrina (PR), chega a seu décimo-sétimo número, depois de ter publicado quase duzentos autores (escritores, fotógrafos, ensaístas, tradutores do Brasil e de diversas partes do mundo). Em seus cinco anos de atividade, completados com o número 15, Coyote prossegue abrindo espaço para novos autores, além de resgatar e apresentar nomes importantes das letras e das artes, de épocas e lugares diferentes, incitando à reflexão e à criação literária. A revista é patrocinada pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) da cidade de Londrina.
Um dos destaques do número é o dossiê "Caçador de Diferenças", com o escritor Andrei Codrescu (Romênia, 1946), inédito no Brasil, em entrevista feita a Rodrigo Garcia Lopes, além da tradução de quatro capítulos de seu livro (prosa) Zoombification, traduzidos por Kátia Hanna. Como escreveu Lawrence Ferlinghetti, "Codrescu sempre dá um jeito de criar um desejo ardente pelo que é subversivo — algo extremamente necessário nesses tempos de 'fascismo amistoso'".
Coyote 17 também apresenta os poemas do escritor chileno Roberto Bolaño (1953-2003), mais conhecido como prosador. Sua carreira meteórica foi marcada pela fundação do movimento mexicano infrarrealista nos anos 70. Apesar de mais conhecido como romancista (Os Detetives Selvagens, 2666, De Noite no Chile, entre outros), Bolaño era uma espécie de poeta da prosa, tendo publicado dois volumes de poesia: Los Perros Románticos e La Universidad Desconocida.
A nova ficção brasileira também está presente no número com os textos de Rubens K. E Ricardo Carlaccio.
A modernista norte-americana Gertrude Stein (1874-1946) traduzida e apresentada por Luci Collin, é também um dos carros-chefes do número, que traz ainda a antologia Veludo Negro: uma seção que mostra a força poética de seis jovens autoras brasileiras: Ana Rüsche, Bruna Beber, Izabela Leal, Lígia Dabul, Luana Vignon e Monica Berger,
O desenhista Carlos Carah também mostra seus traços, num número que tem ainda poesia visual de Vinícius Lima e poemas de Fernando Karl. Na Contracapa, o Movimento Contra a Lei Seca.
COYOTE é uma publicação da Coyote Edições, editada pelos poetas Ademir Assunção, Marcos Losnak, Maurício Arruda Mendonça e Rodrigo Garcia Lopes. Projeto gráfico de Marcos Losnak. Tem periodicidade trimestral e distribuição nacional (em livrarias) pela Editora Iluminuras. Tiragem de 1 mil exemplares.
COYOTE 17 // Outono 2008 // 52 pgs. // R$ 10 Uma publicação da Coyote Edições.
Vendas em livrarias de todo o país ou pelo site: http://www.iluminuras.com.br/
email: revistacoyote@uol.com.br e rgarcialopes@gmail.com Fone: (43) 3334-3299 – Londrina.: revistacote@uol.com.br
PATROCÍNIO: PROMIC - PROGRAMA MUNICIPAL DE INCENTIVO A CULTURA – SECRETARIA MUNICIPAL DE CULTURA – PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA (PR)
Jezebelle
Talvez eu ainda encontre aquela garota. Que desceu do meu carro no meio do escuro da estrada. Berrando como uma louca em dia de visita no hospício. Inventando mentiras desconexas em balbucios ininterruptos. Talvez eu ainda encontre aquela garota. Que rodopiava no meio da 14 Bis toda mijada. Segurando rosas murchas e abraçando estranhos na calçada. Às 4:53 da madrugada. Talvez eu ainda encontre aquela garota. Com os lábios descascados pela secura do ar. O corpo coberto de hematomas como uma dálmata mestiça sem lar. Pedindo um trocado para comer rochas que brilham no escuro na porta do bar.
Tuesday, April 29, 2008

Ontem li na Folha de SP a opinião de um playboy babão sobre a Virada Cultural – que uma amiga apelidou de Cambalhota Cultural. Nela, o sujeito, um tal de Gustavo Piqueira, reclama que um ‘mar de mijo’ invadiu as ruas do centro. Pimpão. Acho que ele só havia dado umas pernadas por aquelas bandas através do Google Earth. Ficaria impressionado se ele dissesse que o centro cheira à Jasmim. Hoje mesmo, fui até lá com o motoboy aqui do trampo. Engolindo monóxido de carbono descemos a Consolação no regaço pelo corredor de ônibus. Daí paramos num prédio ali na 7 de Abril e ele subiu pra protocolar uma papelada. Eu fiquei ali fumando um cigarro e andando em círculos até que pisei na merda de um cara, ao lado de uma árvore. Limpei a bota raspando a sola num poste, sob os olhares de um velhinho sentado naqueles bancos anti-mendigos. Não pude deixar de rir. Não é todo dia que se pisa numa bosta humana. Depois, Piqueira, o indignadinho, crítica a molecada que ‘turbina garrafas PET com birita’ num evento gratuito com música ao vivo no centro. Francamente, esse cara deve ter nojo de buceta. “Ai, que fedor!” Quê que ele quer? Tacinhas? O engraçado é o último parágrafo, onde ele questiona e responde as próprias perguntas. Parece uma tia.
o estalo do chicote
A banda CICRANO - dos camaradas Cabeça, Gui e Andrezão - faz hoje sua primeira apresentação ao vivo.
Monday, April 28, 2008
é o diabo aqui ao meu lado
Descobri agora, lá no Pitchfork, que Bonnie ‘Prince’ Billy lança um álbum novo só de inéditas no dia 19 de maio. Logo logo. Colocaram até o link para uma versão demo de uma das músicas do disco*, e o de um vídeo bem babaca. Agora, aproveitando o ensejo, coloco aqui o link do clipe de uma das minhas músicas favoritas do barba-ruiva. “Horses” foi gravada pelo Palace Brothers há um bom tempo atrás. Quando viajei para o Chile de carro há quase um ano, ouvia essa porra o tempo todo, tinha tudo a ver com as paisagens. Ela é daquelas músicas que quando toca no carro, naqueles estradões de meu deus, ninguém abre a boca, mesmo não a conhecendo, fica ali rodopiando no ar enquanto a estrada é percorrida e uma daquelas scanias gigantescas de 10 toneladas cruza o sentido contrário. Foi engraçado descobrir esse vídeo, uma espécie de road-clipe irmão caminhoneiros Shell na neve, com um cachorro husky na boléia e uma pá de caminhoneiros rednecks.
* “So Everyone” – Bonnie ‘Prince’ Billy
* “So Everyone” – Bonnie ‘Prince’ Billy
Furei. Bebi água. O Mário me descolou uma carteira na classe dos fodões, na Jam Session de quadrinhos que rolou ontem na HQMIX pela Virada Cultural, ali na Praça Roosevelt. No entanto, por motivos de uma força bem maior - como kriptonita - fugi de São Paulo e do escarcéu que foi esse final de semana na capital. Pelo line up da bagaça, creio que não fiz falta alguma, só espero não ter cauterizado meu filme com o simpático organizador.
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Fui assistir “Aos Ossos que tanto doem no inverno” na sexta. Puta que o pariu, hein, Sérgio Mello. Tu é um desgraçado. Apelão. Primeiro por ter escrito aquilo ali. Logo na primeira peça já chega mostrando adagas enferrujadas. Depois, por ter juntado no mesmo engradado essa equipe: Mário, Nelsinho, Marcelo Montenegro e a Soledad, que não conheço, mas que pela direção, só pode ser uma grande pessoa. Apareci no Ruth Escobar um tanto esmerilhado pela noite anterior, mesmo assim, comprei um Toddynho e um pão de queijo e me sentei no boteco ao lado. Daí o Sérgio apareceu e ficamos jogando palitinhos até o início da peça. Então, eu entro naquela salinha claustrofóbica, noto uma figura perturbada segurando uma espingarda, minha mente já pensa “lá vem”. E veio. Eu sabia. Algo que aconteceu numa pequena cidade industrial. Que me fez matutar sobre o fato de muitas pessoas nunca terem encontrado paz na Terra. Sobre causos que arrancam uma risada inquieta do ouvinte. Sobre como lavar a roupa suja sem sabão, e a saudade que esfrega teu rosto chão. Gritos abafados pelo escuro do quarto. Sobre uma revanche que se transforma em redenção. Eu sabia. Pouca gente deve saber.
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Fui assistir “Aos Ossos que tanto doem no inverno” na sexta. Puta que o pariu, hein, Sérgio Mello. Tu é um desgraçado. Apelão. Primeiro por ter escrito aquilo ali. Logo na primeira peça já chega mostrando adagas enferrujadas. Depois, por ter juntado no mesmo engradado essa equipe: Mário, Nelsinho, Marcelo Montenegro e a Soledad, que não conheço, mas que pela direção, só pode ser uma grande pessoa. Apareci no Ruth Escobar um tanto esmerilhado pela noite anterior, mesmo assim, comprei um Toddynho e um pão de queijo e me sentei no boteco ao lado. Daí o Sérgio apareceu e ficamos jogando palitinhos até o início da peça. Então, eu entro naquela salinha claustrofóbica, noto uma figura perturbada segurando uma espingarda, minha mente já pensa “lá vem”. E veio. Eu sabia. Algo que aconteceu numa pequena cidade industrial. Que me fez matutar sobre o fato de muitas pessoas nunca terem encontrado paz na Terra. Sobre causos que arrancam uma risada inquieta do ouvinte. Sobre como lavar a roupa suja sem sabão, e a saudade que esfrega teu rosto chão. Gritos abafados pelo escuro do quarto. Sobre uma revanche que se transforma em redenção. Eu sabia. Pouca gente deve saber.
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Wednesday, April 23, 2008
façam melhor
Riam, matraqueiem, babies asnos. Pensem sobre não ter filhos. Antes cretino que otário. Pode ser tarde. Para aqueles que bravam e pisam na tal da merda. Sobre quem não sabe o que fazer. Peguem seus atalhos acarpetados, felizbertos. Apenas fujam de mim. Posso fazer-lhes de churrasquinho. E enterrá-los no cascalho de seus flácidos arbítrios. Dos tolos que crêem no que Eles dizem. Amém. SARAVÁ.
Thursday, April 17, 2008
Eu não tenho pra fazer, além da falta de apetite e do mau humor. Passei a maior parte do dia como de costume, sentado na varanda olhando o casal de patos desenhando na lagoa. Ontem, acertei a merda do meu polegar com o martelo e estilhacei a unha em várias partes. Eu estava tentando fixar a prateleira que desabou com todos meus pratos. Calculei mal. Doeu pra caralho na hora, agora parece que tem um bicho dentro querendo sair pelas beiradas. Hoje almocei na panela como se raspasse a lama incrustada em minha bota. Fui até o pasto, mas Pintado não respondeu meus chamados e assobios, por isso decidi, após soltar todas as pragas retumbantes contra o mundo, que não vou descer até a cidade para comprar presunto. Não estou com fome mesmo. A noite chega e as cigarras se esgoelam cada vez menos, dando lugar aos sapos que gorgolejam cada vez mais alto no brejo. Juvenilson apareceu visivelmente perturbado na hora do almoço. Me viu de cueca comendo na panela. Riu como uma hiena com aquele cabelo imundo entrando em sua boca. Eu peguei a espingarda e apontei. Ele continuou rindo, se contorceu pra frente e caiu no chão como um saco de merda. Está lá roncando até agora.
Wednesday, April 16, 2008
vida chata

Li “Sangue de Bairro” na Animal no começo dos anos 90. Lembro que fui na casa de um grande amigo que tinha um pai colecionador de HQs. Ele arremessou o exemplar no meu colo e me disse para ler. Passei a tarde no quintal dele, sentado numa cadeira enferrujada, acarinhando o cão com a sola do tênis, entre um baseado e outro, devorando uma das histórias em quadrinhos que mais me marcaram a vida. Fiquei impressionado com o traço econômico e cheio de estilo do espanhol Jaime Martin. Ontem fui ao Mercearia e o Marquinhos me mostrou a edição que a Conrad lançou esses dias. Nem imaginava que se tratava de “Sangre de Barrio” - eles colocaram o péssimo nome de “Vida Louca” - mas folheando ele ali no bar delirei, foi como escutar de novo aquela música esquecida favorita da adolescência. Garanti o meu. Essa edição é completa, eu nunca tinha lido a história inteira que tem 3 partes. Passei a tarde fazendo isso hoje. O quadrinho de Jaime Martin conta a história de um moleque novo num bairro na periferia de Barcelona. A primeira parte mostra sua chegada, seu envolvimento com a gangue, pequenos furtos, drogas e bebedeiras, noitadas e roubadas, o "Rumble Fish" dos quadrinhos. Tudo no embalo das bandas undergrounds espanholas da época. A cena de Vince bolando um beque e fumando na janela do quarto enquanto rola um som e ele se prepara pra cair no rolê é muito foda, aquilo ali é poesia, truta. As duas últimas partes que eu não conhecia seguem um pouco monótonas perto da primeira que é uma pedrada, mesmo assim, não deixam de ser empolgantes. O que bateu mesmo, como na primeira vez que li há quase 20 anos atrás, é a tristeza que essa história carrega. É como aqueles finais de tarde de domingo, que você fica andando pelo bairro sozinho, sentindo saudades de uma namorada que nunca teve e a sensação de derrota por não fazer noção do que vai cair na prova de matemática no dia seguinte.
Wednesday, April 09, 2008
Estou arriado. Ando atarefado. Sinto que pifei esses dias. Como se minha barra de energia, tipo a dos fliperamas de lutinha, estivesse capenga, nas últimas. Passei uns dias entre o trampo e minha casa, me alimentando com comida de acampamento, trabalhando bastante e cuidando de um gato filho da puta que apareceu no domingo de madrugada miando na janela. O maldito dominou, no começo até achei que fosse uma fêmea, ainda não tenho certeza. Quando eu era criança havia muitos gatos na casa da minha mãe, só que sempre fui alérgico. Esse é filhote, vira-lata de olhos azuis e o pêlo branco com manchas cinza. O engraçado é o rabo dele, que tem a ponta quebrada, em formato de “ele”, por isso, coloquei o nome dele de Alicate. Faz uma zona do caralho e afia as unhas no braço do sofá. Daí, comprei sardinha, lavei um cinzeiro e o servi, ele comeu como um refugiado. Ontem eu estava prancheta, concentrado e um tanto cansado, quando o desgramado pulou em cima das folhas com as patas imundas de terra. Eu não achei a menor graça. Acho que nem ele, ou ela. Atirei o pau no gato. Na verdade um pincel. Errei. Ele correu pra fora, depois voltou com o rabo torto como se nada tivesse acontecido. Coloquei Magnolia Electric co. no som bem alto. Alicate ficou no sofá, parecia que revirava os olhos de prazer. Ri pra caralho. Esse gato é firmeza, gosta de música, não reclama nem faz cara de cu.
Hoje tem show do Bad Brains na Eazy. Eu queria muito assistir. Na realidade, hoje eu sairia de férias aqui do trampo, mas tenho algumas coisas para resolver, por isso ainda tenho que comparecer aqui esses dias. Outro motivo é o preço da porra do show: R$ 100,00 – isso que a banda ainda vem pela metade, sem o desgraçado do HR.
Mesmo assim, ainda quero bater pernas pela noite. Hoje meu carro chegou do conserto após um prejuízo bisonho na quinta, depois que saí do Mercearia. Eu fico ouriçado depois de ficar desmotorizado um tempo. Assim, pretendo assistir a banda Fábrica de Animais, no Bourbon Street, às 21hs30. Pelo menos, ali sei que a diversão é garantida por Fernanda e Cia.
Hoje tem show do Bad Brains na Eazy. Eu queria muito assistir. Na realidade, hoje eu sairia de férias aqui do trampo, mas tenho algumas coisas para resolver, por isso ainda tenho que comparecer aqui esses dias. Outro motivo é o preço da porra do show: R$ 100,00 – isso que a banda ainda vem pela metade, sem o desgraçado do HR.
Mesmo assim, ainda quero bater pernas pela noite. Hoje meu carro chegou do conserto após um prejuízo bisonho na quinta, depois que saí do Mercearia. Eu fico ouriçado depois de ficar desmotorizado um tempo. Assim, pretendo assistir a banda Fábrica de Animais, no Bourbon Street, às 21hs30. Pelo menos, ali sei que a diversão é garantida por Fernanda e Cia.
Friday, April 04, 2008
Gosto de dias assim. Quando penso em Minas Geraes e em suas estradas sinuosas com a chuva tamborilando no párabrisa. Acho que vou dar uma volta por aquelas bandas em breve. Ando pesquisando sobre a Estrada Real. Parece interessante.
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O blog de MP3 Setting The Woods On Fire é muito bom. O cara, um fanático por Hank Williams, posta raridades do passado que devem ser embaçadas de conseguir. A maioria é ligada ao velho honk tonk, como covers e gravações ao vivo.
Essa que eu roubei é uma delas:
Elvis Presley - Your Cheatin' Heart (mp3)
***
Fico aqui no trabalho depois do expediente, matando tempo, ouvindo Johnny Burnette
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O blog de MP3 Setting The Woods On Fire é muito bom. O cara, um fanático por Hank Williams, posta raridades do passado que devem ser embaçadas de conseguir. A maioria é ligada ao velho honk tonk, como covers e gravações ao vivo.
Essa que eu roubei é uma delas:
Elvis Presley - Your Cheatin' Heart (mp3)
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Fico aqui no trabalho depois do expediente, matando tempo, ouvindo Johnny Burnette
Wednesday, April 02, 2008
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