Thursday, January 24, 2008
eu tenho uma história pra te contar. Eu só não sei por onde começar. Hoje acordei pensando no suicídio do gato. Na verdade, eu nem dormi. Por que será que ele pulou? Será que ele tava cansado de provar alguma coisa que não era? Um bichano ou um selvagem? Gado ou lobo? Eu tenho algo pra te dizer. Só não consigo encontrar palavras. Sempre fui ruim com elas. Talvez por causa que eu tenha aprendido tudo através de berros. Daí, engolia sem mastigar, sabe? A única pessoa que nunca berrou comigo é a minha mãe. também, só fala merda. Ela é uma mulher muito serena, daquelas que flutuam. talvez por isso nenhum gato dela tenha se matado até hoje. Ela me fala bastante sobre essas coisas de religião e família. Tudo com uma voz bem baixa, sentada numa poltrona de retalhos que tem na casa dela. Diz que essas coisas são as coisas mais importantes para um homem. Para a vida dele. Eu discordo dela, mas fico em silêncio. Eu sei que se tentasse explicar o que penso, ela reviraria os olhos e depois comeria minhas idéias. Ela é muito inteligente. E calma. E eu sou ruim com as palavras. Já te disse isso, né? Quando uma pessoa discute comigo eu já parto pro pau. não, minha mãe não discute. Mas voltando, o que eu penso mesmo é que religião, família é essas porras ai, são um mal para o homem. O pior de todos é o emprego. Dizem que só o emprego produz riquezas. Eu acho que ele só produz dores nas costas e insônia. Essas coisas só desviam o homem do que mais importa. Desviam o homem de si mesmo. Não sei se estou sendo claro, mas acho que ficar acreditando num deus misericordioso, num patrão justo ou numa família feliz, só fodem com seu rabo. No fim você faz tudo pensando nos outros e quando erra, fica culpando os outros. O homem só precisa de comida e descanso, quando descobrirem isso, tudo será melhor. Eu tinha uma história pra te contar. Eu só não lembro mais agora. Deixa quieto. Tô atrasado. Dá um beijo no papai. Vou tentar conseguir outro gato pra gente. Prometo. Assim você não se sente tão sozinha enquanto eu estiver no serviço. Faz uma gelatina pra gente hoje.
Wednesday, January 23, 2008
Monday, January 21, 2008
quase, nunca foi o bastante
Quase, por um bom tempo, foi o bastante. O suficiente. Dias que amanhecem escuros numa rodoviária no centro de uma cidade de interior que eu conheço muito bem. Eu cheguei numa manhã assim. Havia voltado apenas para curar a dor de um amor perdido. Eu procurava respostas sussurradas pelo vento que saia da sua boca. O único telefone que eu ainda guardava na memória e consegui discar num orelhão a cobrar. Sua voz parecia morta, carregada de uma tonelada de vacilos, uma fuligem, que você nunca ousaria admitir a ninguém. Cheguei à sua casa debaixo de uma chuva forte. Você estava mais acabada que nunca. Sua mãe assistia Vale a Pena Ver Novo e não me reconheceu, ou pelo menos fingiu. No quarto, uma toalha com pequenos furos, como sua pele, amor da minha vida. Coloquei minha maleta sobre sua cômoda. Você ficou ali sentada. Não parecia confortável. Eu ainda posso ouvir o som da lixa contra suas unhas. Ainda posso ver teu rosto iluminado pela luz opaca de um longo inverno que entrava pela janela. Ninguém mais está sozinho agora. Lembro-me do dia em que me disse que estava grávida. E chorou amarrada em mim. Aqueles moleques ali não sabem o quê estão falando. Aos 15 anos. Só que o filho não era meu. Isso foi há muito, muito tempo atrás. Vendíamos papelotes para os playbas da escola com o único intuito de pagar um aborto. Um aborto que custou muito pra você, já que te tornou menos que muitas mulheres, segundo sua mãe. Eu me lembro bem. Não era pra ser tão difícil. Não era para ser impossível. Sua felicidade comprada em becos com esgoto a céu aberto. Usando as ruas para se esconder da vida. A pia da cozinha e as pílulas coloridas de sua mãe espalhadas sobre ela. Quase, sempre será o bastante. Íamos para o Parque Ecológico e nos escondíamos onde a mata era mais fechada. Você escrevia poesias e lia para mim. Parecia um anjo sujo, com suas madeixas douradas cheias de cachos e folhas secas. Hoje está mais para uma pintura esquecida num depósito úmido debaixo da escada de um sobrado. Seu sorriso desapareceu como uma floresta após um incêndio criminoso. Não lê mais nada. Não possui uma única novidade para me contar depois de todos esses anos. Não se importa mais com música ou pessoas. Eu não sei. Pode parecer o velho clichê da menina que sofreu abusos na infância e depois perdeu o rumo, entretanto, isso não é verdade. Você era ligeira e tinha idéias boas, precoce e divertida. Vivia fazendo piadas das minhas tendências suicidas, tanto que até percebi o quanto aquilo era uma grande bobagem. Quase, nunca foi o bastante. Arrumou os caras errados. E perdeu a infância um pouco cedo demais, só que isso acontece com moleques como aqueles que nós fomos. Nunca tivemos nada sério. Éramos irmãos que trepavam gelados após um baseado. Éramos um casal que formava uma gangue. Éramos os desgracinhas cheiradores de cola. Eu fui até sua casa naquele dia, apenas pra te pedir ajuda. Queria ver como você passava. Algo me cortava. Quase, nunca foi o bastante. E você já não acreditava. Você se lixando na beirada da cama. Com o baton borrado e o lápis preto ao redor de seus olhos verdes e tristes. Disse que tinha se arrumado para mim. Atrás, pela janela eu via, uma cidade que um dia me pertenceu, seus prédios descascados com janelas de metal, o céu cinza de inverno, o som do motor dos ônibus. Uma cidade que perdeu todo sentido para mim. Pensei em me aconchegar ao seu lado, segurar sua mão e dizer o quanto sentia por você e por toda essa merda que havíamos nos tornado. Mas, ao invés disso, apenas abri minha maleta e atirei uma poesia antiga que havia ganhado de você no Parque. Nela dizia que quase, nunca foi o bastante. Quase, nunca será o suficiente. Fui embora na chuva. Sua mãe se despediu, mas eu não respondi. No ponto de ônibus, um cara vendia revistas pornográficas, com meninas de rosto angelical, para três caras bem-vestidos.

Cat Power – “Jukebox”
1. New York (Frank Sinatra)
2. Ramblin' (Wo)man (Hank Williams)
3. Metal Heart (Cat Power *)
4. Silver Stallion (The Highwaymen)
5. Aretha, Sing One For Me (George Jackson)
6. Lost Someone (James Brown)
7. Lord, Help The Poor And Needy (Jessie Mae Hemphill)
8. I Believe In You (Bob Dylan)
9. Song To Bobby (Cat Power **)
10. Don't Explain (Billie Holiday)
11. Woman Left Lonely (Janis Joplin)
12. Blue (Joni Mitchell)
Esse disco saiu agora. Escutei apenas uma vez, bem por cima, mas já deu pra perceber que está bem afiado, que nem gilete. A banda funciona e faz um som cheio de classe pra voz rouca e cheia de emoção da gostosinha flutuar por cima. Com duas músicas inéditas e uma pancada de covers, a mocinha que não se equilibrava com o copo na mão, teve bom gosto no repertório.
Thursday, January 17, 2008
Aqui do lado do meu trabalho tem um prédio abandonado. No prédio que eu trabalho têm pessoas. Quando quero fumar um cigarro eu desço dois andares de escada e pulo o muro com ajuda das roseiras, caindo no prédio abandonado. Pego o copo de café em cima do muro e fico caminhando por ali até o cigarro virar bituca. O prédio abandonado na verdade é uma construção abandonada. O reboco ainda está aparente e parece cansado disso. As vigas e vergalhões estão cobertos até a metade, como lanças medievais num campo de batalha. Ainda existem vestígios de pessoas que trabalharam ou apenas passaram a noite ali. Algumas fezes ressecadas também. E latas furadas. Um dia encontrei uma mendiga lá. Ela estava encolhida e parecia muito assustada com a minha presença. Ofereci um cigarro. Ela não quis. Ofereci um gole de café. Ela tomou tudo. Ficamos em silêncio um tempo, daí ela virou e me perguntou se eu acreditava em Deus. Disse que algumas vezes sim. Outras não. Então ela disse, que se ele existisse mesmo, estaria rindo de todos nós. Não entendi nada. Pulei o muro de volta e sentei na minha escrivaninha. Passei o resto da tarde carimbando uns papéis com os fones no ouvido. Quase não percebi que no fim do expediente caiu um pé d’água daqueles. Árvores deitaram. Esgotos transbordaram. E casas alagaram. Crianças desapareceram em córregos. E um pouco mais pro interior, pessoas foram atingidas por raios. Fiquei assistindo aquilo tudo da janela, cheguei a ponto de quase rezar, no entanto, me lembrei do que a velha mendiga havia me dito. Não tive sequer coragem de pegar o coletivo.
Wednesday, January 16, 2008
Ontem, bem tarde, o carro quebrou na porta da vila. Assim, de repente. Bem na entrada que também é a saída. Parou. Não ligava mais. Numa pisada mais vigorosa no pedal da embreagem, ele se soltou como um pêndulo. Eu estava bêbado e encostei a testa no volante. Tentava pensar numa forma de entrar pelo corredor e estacionar o carro. Coisa de 10 metros. Desci e abri o portão. Posicionei-me atrás do automóvel como um decrépito e empurrei. O grande porém é que tem uma lombada ali, uma porra de um quebra-molas na entrada e aquela desgraça não deixava o carro passar. Ele subia e voltava com tudo pra cima de mim. Tentei uma 5 vezes. Até pegando embalo. Cocei a cabeça por 3 segundos e decidi que nada poderia fazer. Fui em casa e peguei um papel e uma caneta: Sr. vizinho, meu carro quebrou. Por favor, me acorde para que possamos empurrá-lo. Obrigado. O cara me acordou às 5 e meia.
Tuesday, January 15, 2008
a Conrad já colocou em pré-venda o CLIC 3, do Milo Manara. tenho esse volume em italiano. é o mais fraco da série, no entanto, não deixa de ser divertido e sacana.

última vez
não conversamos direito da última vez. você em seu vestido verde com estampas de cavalo. eu com a cabeça fora do lugar e o coração na glote. na hora que a coisa toda ficou mais ríspida, você foi embora e deixou a porta aberta.
fiquei ali parado assistindo você caminhar desajeitadamente sobre o paralelepípedo e
seu cabelo
seu vestido
meu amor
esvoaçando
para bem longe
sob o sol de um domingo à tarde.
fiquei ali parado assistindo você caminhar desajeitadamente sobre o paralelepípedo e
seu cabelo
seu vestido
meu amor
esvoaçando
para bem longe
sob o sol de um domingo à tarde.
Monday, January 14, 2008
nascido para perder
Passei 3 dias nas ruas com meus amigos. Não entendo essa minha necessidade, mas não posso chamá-la de vício, já que dificilmente me arrependo no dia seguinte. Isso só acontece quando tenho que trabalhar sem dormir ou tomar uma ducha. Dessa vez eu tinha atestado - ou seria um alvará? – para acordar na hora que desse na telha. Gosto de sentir a cidade de madrugada, “sozinho, andando por ai, sem estar apaixonado por ninguém”, como já dizia Iggy Pop. Visitar o amigo que não vejo há anos e encontrá-lo de cueca sentado na colchão encardido com os mesmos tênis do último rolê, em 2002. A poeira é tanta que não tenho coragem de andar em casa descalço e como não tenho chinelo, segundo o próprio. Trocar poucas palavras fumando um cigarro apoiado na janela que dá vista para a parede descascada de um prédio enquanto as embreagens controlam os motores lá embaixo. Depois subir a Augusta que pisca e todos aqueles malucos arregalados entrando e saindo de pequenas portas de ferro. Meu camarada francês oscila entre o valentão e o cara que abraça desconhecidos. Darci está calado, apenas grunhi entre baforada espessas de fumaça. Na 13, uma guria de lentes de contato azul se oferece de avião. Conta que tem 3 filhos e que pouco se fode pra eles. O ex-marido que cuida, aquele bosta, segundo a própria. O Opala cruza uma viatura em baixa velocidade. O gambé no banco do carona da S10 com o cotovelo pra fora me encara, eu o evito, faço cara de quem saiu da missa. Na sinuca, no rateio, juntamos 4 e 95. Ainda resta uma última garrafa. O dia começa do lado de fora. Ninguém parece se importar. Uma bicha me oferece tique-taque. Eu aceito pra aplacar o bafão curtido em cerveja e nicotina. Ela jura me conhecer. Dáonde mesmo hein?, pergunta. Talvez da casa do caralho, eu respondo. Respondo errado aliás, já que o pequeno perobo se acende. Casa do caralho, ai, onde fica isso mesmo? Ela segura meu braço esquerdo. Nenhuma resposta me sai. Apenas um tapa na orelha, de leve, pra não machucar a bichinha. Ela gira e sua carteira dá sopa. Eu puxo e abro. Setenta e cinco dinheiros. Tomo cinqüenta e devolvo a carteira. A coitada se esperneia e grita estridente. Devolve meu dinheiro! Devolve meu dinheiro! Os bicos dos pés se encontram, como uma seta. Devolve meu dinheiro! Esse dinheiro é meu, eu digo, tá querendo me roubar? Chama a polícia, irmão. Darci consegue falar. Algo se inverte. O francês interfere. Devolve o dinheiro da bichinha. Eu devolvo, penso em dar um conselho sobre não aporrinhar as pessoas. Desisto. Caminhamos. O lixo acumula na calçada e, àquela hora da manhã, é possível perceber como as pessoas são tristes na Aurora.
Fui, finalmente, assistir “O Natimorto” – adaptação que o Mário fez de um romance do Mutarelli e que já havia comentado aqui antes. O texto do Muta aliado à direção do Mário ficou foda. O cenário minimalista com um contraste de cores interessante dá certa elegância, só que ela desaparece quando a coisa desanda na quantidade de sílabas que saem da boca de Nilton Bicudo. A Martha tá muito engraçada fazendo a patroa-doida. E Manuella, bem, ela é pura classe. Se você não assistiu, não deixe de encarar.

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Assisti também “Graphic”, no sábado. Peça de um grupo de Curitiba onde 3 ilustradores amigos de infância disputam uma vaga de quadrinista numa editora. Uma montagem bem maior que das peças que costumo assistir, mesmo assim, gostei bastante. Bem engraçada, inteligente e, por que não, adolescente. Com idéias sem contexto na trama mas que funcionam, como a dancinha que os personagens fazem em certo momento. Hilário. Eu ria enroscado em mim mesmo e isso dava um calor do caralho. A peça acontece lá no Centro Cultural Vergueiro. Na saída, peguei um toró na rua que me molhou até os ossos. As notas de 1 real esfarelaram na carteira. Uma gangue de góticos se abraçava e sorria na estação de metrô. Eu achava que góticos eram solitários e sem senso de humor. Em casa minhas pegadas cruzavam a cozinha. Uma amiga me telefonou para dizer que a energia ameaçava cair em seu bairro. A pizzaria fechada e nada na geladeira. A luz do poste da vila em seus últimos espasmos de luz. Eu matei um pernilongo e seu sangue escorreu no azulejo.
Wednesday, January 09, 2008
caralho, se liga nisso aqui:
“Down and Out” - Ike Turner (clique com dir. salvar destino como...)
* roubado lá do pre-war blues, claro.
“Down and Out” - Ike Turner (clique com dir. salvar destino como...)
* roubado lá do pre-war blues, claro.
blood on the tracks
Esse é um dos discos mais perfeitos da história da música. Em certos momentos sinto-me genuinamente triste quando o escuto. Em outros, sonho. Talvez seja por isso que eu goste tanto dele.

download

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Ando confuso com meus sentimentos. Pensando muito no passado, na infância e em quando passava as tardes no quintal de casa com todas aquelas roupas balançando no varal. Ando triste e aborrecido. Sinto falta dos meus cachorros que morreram atropelados. Dos finais de semana ensolarados lavando o carro do meu pai. Do cheiro da grama. E dos cumulus nimbus que traziam a chuva do outro lado do lago. Nada importava. Hoje eu sinto demais. Meus amigos insistem em suicídio. Os semáforos fecham depressa. E a vida é tão cheia quanto o chapéu de um velho cego pedinte. Você diz que me ama e eu não consigo sorrir. Permaneço deitado encarando a quina do teto. Ou observando da janela as pessoas passarem do outro lado da grade. Ando confuso com meus sentimentos. Sinto que envelheci cedo demais.
Tuesday, January 08, 2008
Marina não conseguiu engolir a amostra grátis de pão de queijo que a atendente lhe deu no balcão da padaria. As lágrimas escorreram por suas maçãs do rosto e ficaram ali, dependuradas no abismo de seu belo queixo. Tim havia sido morto por frentistas de um posto de gasolina em Palmas. Aquele foi seu último erro. Éramos uma gangue. Tim nos liderava em assaltos a bancos, postos de gasolinas e estações de trem ao redor do país. Sarah, sua mulher, um furacão em todos os sentidos, havia morrido numa fuga mal-sucedida num levante no interior de São Paulo. Com isso, Tim enlouqueceu. Chegou a apontar a arma na minha testa quando tentei tirá-lo de um hotel em Araçatuba depois de 11 dias trancado injetando cocaína com vodka Baikal. Tim se entregou ao diabo. Eu arrastei Marina, minha guria, para uma cidade minúscula no Paraná com intuito de desbaratinar alguns federais que estavam em nosso encalço. Fiz de tudo para Tim vir conosco, mas ele parecia decido a morrer e levar alguns canas com ele, talvez até alguns inocentes que atravessassem seu caminho. Estacionei o Maverick num matagal e o cobri com galhos e plantas secas, ali ninguém poderia encontrar a máquina usada no nosso último ataque a um posto Graal na Marechal Rondon. Era a quarta vez que assaltávamos aquela porcaria, dinheiro fácil e tanque cheio. Tive que ameaçar um pulha que quis bancar o valentão que tentou segurar a porta carro na hora da fuga. Desci, enfiei o cano na boca do infeliz e escutei o esmerilhar de seus dentes. O desgraçado era grande, e chorou ajoelhado como uma menininha. Conseguimos uma bolada e descemos pro Sul, com pacotes de cigarros, muita bebida no isopor no banco de trás e alguns comprimidos de Demeral. Tim havia escolhido seu caminho na loucura após a perda de Sarah, no entanto estava em meus pensamentos o tempo inteiro. Eu sabia que nossos dias de glória estavam chegando ao fim. Quando fiquei sabendo de sua morte através de um antigo comparsa de Brasília, através de um e-mail, não tive dúvidas de que tudo estava acabado, e que o certo era eu conseguir mais alguma grana em assaltos, comprar um pedaço de terra e me instalar com minha mulher.
Monday, January 07, 2008
sem esse papo de luz
Começo o ano na pilha do Bo Diddley. Não posso querer mais “nada por enquanto”.
http://youtube.com/watch?v=xwdDomMm0o4
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Foi num hotel barato na Chapada dos Guimarães que tive meu primeiro contato com “100 Balas”. Isso agora, pouco tempo atrás. Estava tão vidrado no barato que saí na madrugada abafada da pequena cidade para procurar algum trailer aberto que pudesse me vender mais algumas cervejas para, assim, atrasar um pouco o final do volume “Um Blues para um Minuteman”. De inicio fiquei um pouco perdido pelo roteiro descompactado e a trama da HQ, já que não a peguei desde o começo e nem imaginava como era, apenas gostei do título e na Fest Comix estava uma pechincha. A narrativa de Brian Azzarello é impressionante, com diálogos quentes num clima neo-noir (como avisa o prefácio) batizado com a linguagem das ruas, agora junte isso aos desenhos do argentino Eduardo Risso e a coisa desanda. A arte do cara pode parecer simples e ligeira, mas é extremamente detalhada e os ângulos que o desgraçado pega são de fuder a bunda da tia, como uma visão atrás do ventilador de teto ou do reflexo do espelho quebrado do banheiro, sendo que a merda toda acontece lá dentro do quarto. Não assimilei muito bem as cores. 100 Balas está disponível em vários volumes ou 'trade paperbacks' - aqueles tijolos de capa dura envernizada que custam o olho da cara – da Opera Graphica Editora.
http://youtube.com/watch?v=xwdDomMm0o4
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Foi num hotel barato na Chapada dos Guimarães que tive meu primeiro contato com “100 Balas”. Isso agora, pouco tempo atrás. Estava tão vidrado no barato que saí na madrugada abafada da pequena cidade para procurar algum trailer aberto que pudesse me vender mais algumas cervejas para, assim, atrasar um pouco o final do volume “Um Blues para um Minuteman”. De inicio fiquei um pouco perdido pelo roteiro descompactado e a trama da HQ, já que não a peguei desde o começo e nem imaginava como era, apenas gostei do título e na Fest Comix estava uma pechincha. A narrativa de Brian Azzarello é impressionante, com diálogos quentes num clima neo-noir (como avisa o prefácio) batizado com a linguagem das ruas, agora junte isso aos desenhos do argentino Eduardo Risso e a coisa desanda. A arte do cara pode parecer simples e ligeira, mas é extremamente detalhada e os ângulos que o desgraçado pega são de fuder a bunda da tia, como uma visão atrás do ventilador de teto ou do reflexo do espelho quebrado do banheiro, sendo que a merda toda acontece lá dentro do quarto. Não assimilei muito bem as cores. 100 Balas está disponível em vários volumes ou 'trade paperbacks' - aqueles tijolos de capa dura envernizada que custam o olho da cara – da Opera Graphica Editora.
Esvaziei minha cabeça na estrada, numa pista de mão dupla que sumia no horizonte cruzando o Mato Grosso do Sul, causando sonolência e certo estupor que desaparecia quando um caminhão cruzava o lado oposto e quase arrancava o capô do carro. Os buracos remexiam o estômago vazio. E cachorros mortos na estrada. E os espectros com cobertor caminhando sem rumo no acostamento. O cerrado dando lugar a grandes plantações onde apenas uma única árvore faz a sombra para a bóia. Uma cidade e suas luzes brilhando num destino incerto a quilômetros de distância para uma estadia num hotel barato e no televisor o noticiário berrava que as mortes nas estradas são recorde. Eu não acredito em alertas nem que a próxima curva seja a libertação. Acredito no vento e no aço, carne e óleo derretendo no asfalto dos erros alheios. Muitos morrem na reta. O motor estalava no posto de gasolina carcomido pela ferrugem e o teto gemia. O caminhoneiro sonhador solitário sobre suas havaianas azuis ofereceu um trago de cerveja numa tarde que o sol ameaçava explodir minha epiderme. No banheiro urina envelhecida e desinfetante barato.
Saturday, December 22, 2007
ela berrou bastante enquanto eu segurava o fone do orelhão olhando pra esquina da rua Vitória. ela disse que eu era um vacilão. eu não sabia o que estava fazendo ali e nem pretendia passar tanto tempo no telefone olhando pra esquina vacilando. caminhei pela madrugada, sem um puto ou cigarro no bolso, até minhas pernas doerem. tentei a sorte nos bares mal iluminados debaixo do Minhocão. ninguém me deu ouvidos. todos solitários e silenciosos como corujas. quando cheguei em casa, você tinha me trancado pra fora. tive que escalar o muro e entrar pela janela. botei metade do corpo pra dentro, você acendeu o abajur e reparou que eu havia perdido meu chapéu.
Friday, December 21, 2007
quero mijar do mirante
A idéia é pegar o carro e fugir lá pros cantos do Mato Grosso do Sul. Não imagino como são as rodovias por ali nem pra onde levam aquelas estradas secundárias, não faço a menor questão disso também. O que importa é apenas sair fora e ganhar a estrada e as paisagens do Estado, sem muita preocupação ou planos ou trajetos e roteiros, com uma boa música, os vidros abertos pro vento e o sol entrar e uma companhia agradável. Pode ser que eu passe pelo Pantanal, pela Chapada dos Guimarães e quem sabe faça uma visita à Bolívia. Tudo depende do tempo, mas sem pressa.
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Aqui as demos do ótimo “The Letting Go”, do Bonnie ‘Prince’ Billy. As versões ainda cruas de um dos melhores discos do Barba Ruiva.
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Aqui as demos do ótimo “The Letting Go”, do Bonnie ‘Prince’ Billy. As versões ainda cruas de um dos melhores discos do Barba Ruiva.
Tuesday, December 18, 2007
Friday, December 14, 2007
a madrugada em claro e o jornaleiro assoviando lá fora e a necessidade de algo forte para apaziguar a sede por objetos cortantes e uma voz na minha cabeça e pouco tempo tempo pouco tempo pra pensar em tudo que vem e vai e volta e passa e ricocheteia nas paredes brancas do quarto. já nem sei mais onde fui parar depois daquela curva.
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estou completamente podre após a noite de ontem. mesmo assim estarei no JukeJoint hoje para o lançamento do livro de fotografias do Cemitério dos Automóveis. a banda do Mário toca e o Marcelo Montenegro discoteca e acho que ele gosta de rockabilly mas eu não danço só escuto enquanto jogo sinuca silenciosamente e penso em como eliminar as vírgulas da minha vida.
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hoje é o último dia de “Delicadeza”. o último dia de uma das peças mais pauleras que já vi nessa minha vida de meu deus. e quando digo paulera é porque vira o estômago da rapaziada.
21hs, lá no Satyros 2 – praça Roosevelt.
21hs, lá no Satyros 2 – praça Roosevelt.
Wednesday, December 12, 2007
“Rusty Cage” – Soundgarden (clique dir. "salvar destino como..)
música para acalentar pensamentos positivos.
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Hoje, lá na Livraria HQMIX, na Praça Roosevelt, 142, às 19hs, rola o lançamento do livro “São Paulo”, que David Loyd ilustrou para a coleção Cidades Ilustradas, da Editora Casa 21. Acho que deve ser salgado o preço desse livro, mas vale a pena ter um autografado.
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E depois acontece “Natimorto”, a peça nova do Mário, baseado nos quadrinhos do Lourenço Mutarelli. Lá no teatro Sesc Anchieta - rua Dr. Vila Nova, 245, perto do Mackenzie, às 21hs.
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“You Belong to Me” – Rose McGowan.
Essa versão de uma música do Bob Dylan que Rose McGowan fez para “Grindhouse”, do Tarantino, é um country de cabaré vagabundo dos mais safados, gela até os ossos.
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E a 2001 Video já colocou "Down By Law" à venda.
música para acalentar pensamentos positivos.
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Hoje, lá na Livraria HQMIX, na Praça Roosevelt, 142, às 19hs, rola o lançamento do livro “São Paulo”, que David Loyd ilustrou para a coleção Cidades Ilustradas, da Editora Casa 21. Acho que deve ser salgado o preço desse livro, mas vale a pena ter um autografado.
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E depois acontece “Natimorto”, a peça nova do Mário, baseado nos quadrinhos do Lourenço Mutarelli. Lá no teatro Sesc Anchieta - rua Dr. Vila Nova, 245, perto do Mackenzie, às 21hs.
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“You Belong to Me” – Rose McGowan.
Essa versão de uma música do Bob Dylan que Rose McGowan fez para “Grindhouse”, do Tarantino, é um country de cabaré vagabundo dos mais safados, gela até os ossos.
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E a 2001 Video já colocou "Down By Law" à venda.
Tuesday, December 11, 2007
magnólias brancas e tijolos descascados
Era uma fábrica abandonada cercada por mato e magnólias e uma cerca de tela nas proximidades da rodovia Dom Pedro I. Eu sempre visitava aquele mastodonte de concreto quando saia da escola. Pulava a cerca com extrema facilidade debaixo do sol escaldante de um meio-dia tedioso de cidade de interior e adentrava a escuridão das grandes salas cheias de máquinas, esquecidas por algum magnata. Subia uma velha escada de ferro que levava à parte mais alta da construção, uma espécie de varanda sem corrimões, e sentava na beirada, tirava o baseado do maço de cigarros, o colocava entre os dentes e acendia observando as nuvens de moscas que giravam num redemoinho caótico ao redor de latões industriais. Pensava na diferença entre ser mosca e pássaro. E no estrago que seria cair lá de cima e se estatelar como uma fruta podre no chão de cimento. Do outro lado, através do mato todo que atravessei, podia ver a rodovia. De lá só era possível notar as chaminés escurecidas da fábrica, como cruzes num cemitério muito antigo. Passava a tarde ali. Nenhum movimento. Nenhum incômodo. Levemente chapado e respirando o ar puro da efêmera liberdade vespertina eu rabiscava histórias sórdidas no caderno que deveria anotar as porcarias que a professora ensinava na aula. E o dia me engolia até virar noite. Às vezes me sentia triste ali por motivos que nem eu sabia. Mas na maioria das vezes eu ria mesmo. Conversava alto sozinho comigo. Corria por aqueles blocos enormes com uma barra de ferro na mão fazendo o maior estardalhaço. Um dia pisei num prego numa tábua. Aquela desgraça varou meu tênis e fincou na minha carne. Praguejei como um profano. Fiquei ali um tempo. Deitado de barriga pra cima. Assistindo as nuvens se moverem no céu azul. O farfalhar das árvores ao redor. Os carros deslizando na rodovia lá longe. Com a planta do pé brotando sangue fresco. Fantasiei minha própria morte. No esquecimento daquela cloaca. Magnólias brancas e tijolos descascados.
Friday, December 07, 2007
Havia 3 horas que eu estava na interestadual. Não tirei o pé do acelerador e cruzei no caminho com poucos caminhões Volkswagen capengas que se arrastavam pesadamente na outra mão da pista. O carro saltava por sobre todos aqueles buracos. Roy Orbison cantava no rádio baixinho. Reduzi pra segunda marcha, o que fez com que o motor berrasse como um trovão nas montanhas. Iluminei o acostamento e notei uma pequena estrada de brita, deslizei com carro sobre ela e apaguei os faróis. A escuridão era absoluta. Nuvens pesadas escondiam as estrelas e a lua como uma cortina de fumaça. Fiquei em silêncio no carro, apenas Roy Orbison baixinho no rádio. Only the lonely know the way i feel tonite. Cerrando os olhos pude notar uma única luz lá no fundo, numa montanha talvez. Fiquei pensando que talvez uma família comesse torradas com manteiga ao redor da lareira naquela noite fria, num momento leve e sem preocupações, como a vida deve ser. Mas não é. Abri o porta-luvas e peguei a garrafa, tomei uma dose e deitei o banco. A chuva enfim veio. Sem trégua. Tão intensa que a luzinha desapareceu, como meus sonhos. Only the lonely know the way i feel tonite.
Tuesday, December 04, 2007
Na febre rockabilly não consigo parar com o porra do Buddy Holly nem com Stray Cats.
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Jussara me leve embora. Estou tranqüilo aqui na civilização. São apenas meus pensamentos que sangram. Tiro o chapéu quando você chega em casa. Como um aleijado dançando na cadeira de rodas, perco a elegância de alegria. Sigo levando a vida. Distorcida num retrovisor quebrado. Jussara me leve pra casa. Enxugue minhas lágrimas e me empreste a enxada. Quero passar a noite na varanda lustrando a espingarda.
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quem diria, no top 10.
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Jussara me leve embora. Estou tranqüilo aqui na civilização. São apenas meus pensamentos que sangram. Tiro o chapéu quando você chega em casa. Como um aleijado dançando na cadeira de rodas, perco a elegância de alegria. Sigo levando a vida. Distorcida num retrovisor quebrado. Jussara me leve pra casa. Enxugue minhas lágrimas e me empreste a enxada. Quero passar a noite na varanda lustrando a espingarda.
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quem diria, no top 10.
Monday, December 03, 2007
secando
A cidade mata. O final de semana me custou caro. Agora estou cansado e chateado. Não que esteja arrependido. Estou cansado e chateado. Só. Sábado toquei no Berlin. Estava completamente sem forças. Como uma menininha. Bebia segurando o copo com a ponta dos dedos e a música me incomodava extremamente. Atordoado. Agüentei até tarde ali. A moça disse que gostou e me deu o cachê em dobro. Eu sorri e disse que poderia ter sido melhor. Traguei. Agradeci e me arrastei até em casa. A cidade mata. Ontem entre miojos e copos d’água, grunhi de satisfação com a queda corintiana. Nunca tinha visto tanto marmanjo chorando junto. E a Globo apelando sempre pro pieguismo em seus closes e comentários. Estou me recuperando. Estarei melhor bem antes que o Corinthians. A cidade morre. O sol estala o concreto lá fora. E eu aqui dentro sonhando com a estrada novamente. Pra bem longe das pessoas. A 160 por hora. Com um isopor cheio no banco de trás. E um monte de idéia errada.
Friday, November 30, 2007
Thursday, November 29, 2007
No fim do ano passado eu estava submerso na merda, sofri uma seqüência de acidentes, me fodi todo numa briga e ainda peguei uma bactéria num simples arranhão que me derrubou, fora isso, minha namorada tinha me pénabundeado e minha avó estava internada no hospital, no mesmo que eu aliás. Encomendei então o livro de poesias da Bruna Beber “A fila sem fim dos demônios descontentes” e o bagulho terminou de me quebrar. Lembro que li o poema abaixo e fui pegar o metrô numa dificuldade filha da puta, já que meus dois pés estavam destroçados, não conseguia pensar em nada direito, só nos últimos versos que reverberavam na minha cabeça. Hoje a Bruna é minha camarada, mas eu evito pagar pau. Ela tá com um blog novo:
ap.
na minha casa você pode flagrar alguém
se escondendo da rotina num quarto escuro
e batendo a cinza do cigarro na janela
enquanto espia as roupas dançando em silêncio
no varal da área
às três da madrugada
você pode flagrar alguém preocupado
segurando uma caneca com vinho vagabundo
dormindo fora de hora
pensando demais na vida
e no tédio que é
essa falta de paixão.
Bruna Beber
ap.
na minha casa você pode flagrar alguém
se escondendo da rotina num quarto escuro
e batendo a cinza do cigarro na janela
enquanto espia as roupas dançando em silêncio
no varal da área
às três da madrugada
você pode flagrar alguém preocupado
segurando uma caneca com vinho vagabundo
dormindo fora de hora
pensando demais na vida
e no tédio que é
essa falta de paixão.
Bruna Beber
Wednesday, November 28, 2007
Hoje vou passar ali no show do Eagles of Death Metal, lá na Clash. Estou um pouco desanimado para piadas, talvez quisesse mesmo era ficar em casa e nem me amarro muito no som deles. Mas veremos...
::
Acabou de chegar meu “O Amor é um Cão dos Diabos”, livro de poesias do velho Bukowski que a LP&M acabou de lançar.
::
Já estão disponíveis alguns desenhos meus para customizar os computadores da criançada. É, eu me vendi. Comprem lá que estou precisando de dinheiro para tomar drogas e pagar as multas do automóvel.
::
E hoje tem uma festinha no Juke Joint após a estréia da peça “O Natimorto”, adaptação da HQ do Mutarelli que o Marião fez. Eu não vou na peça hoje porque não gosto de estréias, mas devo encarar na semana que vem. A festa vai depender do meu estágio.

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Acabou de chegar meu “O Amor é um Cão dos Diabos”, livro de poesias do velho Bukowski que a LP&M acabou de lançar.
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Já estão disponíveis alguns desenhos meus para customizar os computadores da criançada. É, eu me vendi. Comprem lá que estou precisando de dinheiro para tomar drogas e pagar as multas do automóvel.
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E hoje tem uma festinha no Juke Joint após a estréia da peça “O Natimorto”, adaptação da HQ do Mutarelli que o Marião fez. Eu não vou na peça hoje porque não gosto de estréias, mas devo encarar na semana que vem. A festa vai depender do meu estágio.

"O Natimorto"
Sesc Consolação - teatro Sesc Anchieta (r. Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, região central, tel. 3234-3000). 320 lugares. Ter. a qui.: 21h. Estréia 28/11. Até 20/12. 80 min. 14 anos. Ingr.: R$ 5 a R$ 20.
Sesc Consolação - teatro Sesc Anchieta (r. Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, região central, tel. 3234-3000). 320 lugares. Ter. a qui.: 21h. Estréia 28/11. Até 20/12. 80 min. 14 anos. Ingr.: R$ 5 a R$ 20.
Tuesday, November 27, 2007
nada pra fazer

Gosta dos dias nublados de outono e nada pra fazer.
Daí coloca Nick Drake tocando “Saturday Sun”
e sente uma tristeza suave,
como o som da voz daquela enfermeira
que cuidou dela depois do acidente.
Fica assistindo a grama crescer através da janela da sala.
Sente que morre um pouco a cada dia,
e luta para morrer menos fazendo isso, nada.
Pensando em quando ainda podia andar
e encontrava Sandro no final da linha trem.
Mas o final da linha chegou de forma abrupta
e agora ela definha escutando Nick Drake
e olhando a grama crescer,
fazendo nada.
Dia e noite.
Morrendo um pouco de cada vez.
O anjo doente que não pode mais voar.
Ninguém sabe como ela se sente.
Chorou na noite passada,
mas foi porque sonhou que encontrava Sandro na estação.
Ela ainda andava e conseguiu abraçá-lo.
Era um dia frio de outono
e nas caixas de som tocava Nick Drake com “Saturday Sun”.
Quando acordou escutou o barulho as chuva na janela.
E sentiu vontade de estar lá fora,
olhando a grama crescer
sem nada pra fazer.
Monday, November 26, 2007
A noite estava refrescante. Daquelas que ninguém queria ficar em casa. As crianças da vizinhança faziam uma roda e conversavam sobre coisas legais. As risadas ecoavam pelas nuanças e sombras da rua. Um gato dormia na porta da casa da Dona Veva. Eu caminhei até o armazém e comprei um chocolate e fiquei pensando na porra da conta d’água que eu precisava pagar no dia seguinte. Sentei num banco na Praça dos Cata-Ventos e fiquei conversando sobre músicas de amor com Chica Mendiga. Cantei algumas das que lembrei pra ela, que ria banguela balançando as pernas. Dormiu ali mesmo. Depois caminhei até a porta da maternidade e fiquei sentado na mureta que tem lá. Douglas passou com seu Corcel bege e parou. Perguntou se eu queria ir atrás de encrenca. Sua idéia era pegar a estrada até Formosa, uma cidadezinha do interior onde a gente podia encher a cara longe dos olhares fofoqueiros da nossa própria cidade, arrumar uma boa briga e, além disso, umas bucetas. Eu disse que estava bem, preferia ficar ali sentado na mureta da maternidade até o sono bater. Alguns minutos depois, Sofia chegou apressada segurando a barriga como um tonel seguida pelo seu marido, o seu Jair, dono da Mercearia Rosas. Acho que eles nem me perceberam. Naquela noite, Douglas não conseguiu fazer a curva, acertou o guard rail e voou lá pra baixo do barranco. Esmerilhou o carro e a cabeça, ficou parecendo carne moída enrolada em pano de chão xadrez. Douglas era um sujeito malvado. Não sei por que ia com a minha cara. Talvez não merecesse morrer daquele jeito. Todo mundo comentou aquela fatalidade, porém, dois dias depois ninguém mais se lembrava. Eu fiquei com aquilo na cabeça por um bom tempo, até que um tio meu, algumas semanas mais tarde, deu um tiro na cabeça ouvindo Pink Floyd. O filho da Sofia virou jogador de futebol e saiu daquela cidade de merda. Chica Mendiga arrumou um carroceiro e os dois sumiram na estrada.
Bonnie ‘Prince’ Billy - Ask Forgiveness EP

1. I Came Here to Hear the Music (Mickey Newbury cover)
2. I’ve Seen It All (Björk cover)
3. Am I Demon (Danzig cover)
4. My Life (Phil Ochs cover)
5. I’m Loving the Street (Will Oldham original)
6. The Way I Am (Mekons / Merle Haggard / Sonny Throckmorton cover)
7. Cycles (Frank Sinatra cover, written by Gayle Caldwell)
MEUS PROBLEMAS COM A BEBIDA
Mário Bortolotto
ela me dizia que eu tinha problemas com bebida
me dizia isso enquanto andava atrás de mim no supermercado
eu escolhia um vinho pra beber no jantar
na verdade eu tava indeciso entre um vinho e um conhaque
na dúvida levei logo os dois
e uma caixa de cervejas pra depois do jantar
e ela continuava falando rispidamente comigo
eu me sentia dentro de uma música do Bruce Springsteen
ela falava algo sobre viver e morrer como um perdedor
eu disse: “Que merda cê tá falando?”
ela fazia ballet e andava daquele jeito empinado que me deixava ainda mais oprimido
havia muita raiva naquela mulher
e a raiva te deixa com dificuldade de se expressar
e eu só precisava de um drink
abri o conhaque na fila do caixa e dei um gole
“Era sobre isso que eu estava dizendo”.
“O que?”
“O seu problema com bebida”.
“Eu não diria que é um problema. A bebida me ajuda nos momentos difíceis”.
“E esse é um deles?”
“Eu não estou muito a vontade”.
entrei no carro e abri logo uma cerveja
“Vai continuar negando que tem problemas com a bebida?”
“Olha, eu não tenho problema nenhum com ela. Às vezes quando bebo, eu arrumo mais problemas, só isso”.
nós saímos do estacionamento do supermercado e ela continuava falando comigo daquele jeito intolerável e pensei em meter o carro num poste ou algo do tipo, mas eu ainda não havia bebido o suficiente.
ela me dizia que eu tinha problemas com bebida
me dizia isso enquanto andava atrás de mim no supermercado
eu escolhia um vinho pra beber no jantar
na verdade eu tava indeciso entre um vinho e um conhaque
na dúvida levei logo os dois
e uma caixa de cervejas pra depois do jantar
e ela continuava falando rispidamente comigo
eu me sentia dentro de uma música do Bruce Springsteen
ela falava algo sobre viver e morrer como um perdedor
eu disse: “Que merda cê tá falando?”
ela fazia ballet e andava daquele jeito empinado que me deixava ainda mais oprimido
havia muita raiva naquela mulher
e a raiva te deixa com dificuldade de se expressar
e eu só precisava de um drink
abri o conhaque na fila do caixa e dei um gole
“Era sobre isso que eu estava dizendo”.
“O que?”
“O seu problema com bebida”.
“Eu não diria que é um problema. A bebida me ajuda nos momentos difíceis”.
“E esse é um deles?”
“Eu não estou muito a vontade”.
entrei no carro e abri logo uma cerveja
“Vai continuar negando que tem problemas com a bebida?”
“Olha, eu não tenho problema nenhum com ela. Às vezes quando bebo, eu arrumo mais problemas, só isso”.
nós saímos do estacionamento do supermercado e ela continuava falando comigo daquele jeito intolerável e pensei em meter o carro num poste ou algo do tipo, mas eu ainda não havia bebido o suficiente.
Friday, November 23, 2007
não pertenço
debaixo da chuva eu pisei em algo podre na calçada. era meu coração que ficou pra fora ontem à noite, mesclado à lama fétida da cidade de São Paulo. eu chutei aquela porra pra bem longe de mim. raros são os amigos e ninguém vai dar falta se eu fugir de volta pra Palmas, no Tocantins. embarcar num pau-de-arara e nunca mais voltar. ou roubar uma máquina na esquina das Espraiadas. ao longo da minha estada aqui só merda cometi. agora tenho 5 policiais civis no meu encalço e um amor perdido para um frentista do Posto Shell da Consolação. porém, não sou de lamentar. em breve, antes de tomar o metrô rumo à rodoviária, vou assassinar brutalmente o desgraçado que me tornou corno. vou arrancar seus olhos e seu pau e fazê-lo engolir. depois disso, compro uma garrafa de vinho e escapo furtivamente, entre goles vigorosos, desse inferno de concreto e seres detestáveis.
Wednesday, November 21, 2007
digamos que minha cabeça esteja funcionando muito bem após um período de ócio com baixo teor etílico, mas, ainda assim, não consigo definir porra nenhuma da noite passada. de quem era aquela arma de cano duplo? ou seria uma valise? no duelo que duelei estive pensando no que eles podiam estar pensando sobre o que eu pensava deles. errei meu disparo. fui alvejado entre os olhos e minhas memórias espatifaram-se contra a parede logo atrás de mim. agora minha camisa esta suja de sangue. ou seria café? eu não consigo parar de ouvir o blues. alguma coisa está mudando dentro de mim. calos. calos. calo diante da minha tristeza. a vida é uma subida enlameada. combinamos de nos encontrar pela manhã. queria te mostrar umas coisas que descobri numa revista de turismo. ou seria uma enciclopédia? eu não consigo parar de ouvir o blues. você não sabe nada sobre mim. nas horas mais escuras da madrugada. fiquei agachado no mato esperando o momento ideal. meus executores vacilaram com suas lanternas vasculhando o local errado. acertei o primeiro na nuca e, antes que seu corpo caísse, alvejei o tórax do outro. soltei os cachorros e peguei um ônibus pra itália. Ou seria líbano? nem sei mais por onde ando. do lado errado. no hotel sem cortinas fiquei olhando as pessoas na rua na chuva. lá de cima pude ver, através da vidraça com gotas cintilantes, o painel da farmácia apagando. ali, naquele exato momento, tive certeza de que nunca mais nos veríamos.
firmes de finár
"O Chamado Selvagem" - 1972, adaptação do livro "O Chamado da Floresta" de Jack London. a história do cão Buk, que é roubado dos cafunés e pedigri champ de uma família rica e levado para puxar trenó no Alaska, onde encontra sua verdadeira essência, ui. o filme é fiel ao livro, triste, com ótima atuação do cachorro que nas as cenas de lutas se machuca de verdade sem ajuda de dublê. a trilha é de doer o peito. um filme daqueles sessão da tarde que não passam mais. é possível encontrar uma cópia perdida baratinha nessas bancas da Paulista.
"Iracema - uma transa amazônica"- filme/documentário censurado nos anos 70, com Peréio canastra fazendo um caminhoneiro que carrega madeira ilegal e rouba gado na tal rodovia, daí conhece Iracema, uma garota de programa fubanga com cara de índia que sonha mas nem tanto em sair fora da floresta pra ir pra cidade grande. a qualidade é bem ruim, até pelos recursos disponíveis, creio, às vezes é impossível entender que diabos estão falando, a luz estoura e os atores esquecem que estão sendo filmados, no entanto , não deixa de ser bom pra caralho. a cena final me deixou ali no sofá, sem nada ao redor, olhando meu reflexo na tela da tv epensando, que merda de mundo cretino.
"Iracema - uma transa amazônica"- filme/documentário censurado nos anos 70, com Peréio canastra fazendo um caminhoneiro que carrega madeira ilegal e rouba gado na tal rodovia, daí conhece Iracema, uma garota de programa fubanga com cara de índia que sonha mas nem tanto em sair fora da floresta pra ir pra cidade grande. a qualidade é bem ruim, até pelos recursos disponíveis, creio, às vezes é impossível entender que diabos estão falando, a luz estoura e os atores esquecem que estão sendo filmados, no entanto , não deixa de ser bom pra caralho. a cena final me deixou ali no sofá, sem nada ao redor, olhando meu reflexo na tela da tv epensando, que merda de mundo cretino.
Tuesday, November 13, 2007
agora eu tenho um Flickr:
http://www.flickr.com/photos/carloscarah/
**
amanhã toco na Funhouse. nunca toquei lá. quero só ver o que vai dar. se alguém quiser um desconto, dá um toque.
http://www.flickr.com/photos/carloscarah/
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amanhã toco na Funhouse. nunca toquei lá. quero só ver o que vai dar. se alguém quiser um desconto, dá um toque.
Monday, November 12, 2007
cousas
Muita gente conheceu meu trabalho depois que fiz as capas dos livros do Marião e quando saíram na revista eletrônica Ideafixa e na galeria virtual Baixo Calão. Ando recebendo propostas interessantes e outras que nunca imaginei. Uma empresa de adesivos me escreveu interessada numa parceria. O ganho é uma pequena porcentagem nas vendas. Gostei também duma galeria de arte que vai abrir em Salvador e quer alguns trabalhos para expor e vender. Legal.
::
Meio que timidamente, vou voltar a discotecar numas festinhas. Desde que comecei a namorar e trocar as noitadas em clubs fechados por bares, desisti dessa prática.Toquei numa festa de música eletrônica de um grande amigo no mês passado. Era o primeiro a entrar e toquei para alguns gatos pingados que não gostaram do som. Não era o que eles esperavam. Como estava fora de forma e sem preparo, achei bem mea-boca. Depois disso, discotequei na festa de formatura da minha Pequena. Fui mais preparado e levei até uma listinha com a numeração das músicas para não me perder como havia acontecido na outra oportunidade. Tudo corria bem até Sheylla Mello, a popozuda dançarina-modelo-atriz-cirurgiã me podar – sim, ela estava na festa. Ela queria algo mais poperô. Eu disse que não iria sair, contudo, ela convocou o dono do recinto para me expulsar. Agora, algumas ofertas estão surgindo. Devo tocar no Vegas e no Berlin logo logo. Aviso aqui quando isso acontecer. Vou rico, escreve ai.
::
A história do Moleque-Aranha é realmente muito boa. Um sonhador nunca tem nada a perder.
::
Queria muito ver o jogo da Seleção no Morumbi. Provavelmente 70% dos ingressos esgotados já estão nas mãos dos cambistas. Já era. Mesmo assim, vou tentar assistir Palmeiras x Fluminense na quarta, aqui o Parque Antártica.
E de consolo quanto à Seleção: tem show do Battles no mesmo dia.
::
Meio que timidamente, vou voltar a discotecar numas festinhas. Desde que comecei a namorar e trocar as noitadas em clubs fechados por bares, desisti dessa prática.Toquei numa festa de música eletrônica de um grande amigo no mês passado. Era o primeiro a entrar e toquei para alguns gatos pingados que não gostaram do som. Não era o que eles esperavam. Como estava fora de forma e sem preparo, achei bem mea-boca. Depois disso, discotequei na festa de formatura da minha Pequena. Fui mais preparado e levei até uma listinha com a numeração das músicas para não me perder como havia acontecido na outra oportunidade. Tudo corria bem até Sheylla Mello, a popozuda dançarina-modelo-atriz-cirurgiã me podar – sim, ela estava na festa. Ela queria algo mais poperô. Eu disse que não iria sair, contudo, ela convocou o dono do recinto para me expulsar. Agora, algumas ofertas estão surgindo. Devo tocar no Vegas e no Berlin logo logo. Aviso aqui quando isso acontecer. Vou rico, escreve ai.
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A história do Moleque-Aranha é realmente muito boa. Um sonhador nunca tem nada a perder.
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Queria muito ver o jogo da Seleção no Morumbi. Provavelmente 70% dos ingressos esgotados já estão nas mãos dos cambistas. Já era. Mesmo assim, vou tentar assistir Palmeiras x Fluminense na quarta, aqui o Parque Antártica.
E de consolo quanto à Seleção: tem show do Battles no mesmo dia.
Wednesday, November 07, 2007
Lovesick Blu-ues
"Lovesick Blues" - Hank Williams
I got a feelin' called the blu-ues, oh, Lawd
Since my baby said goodbye
And I don't know what I'll do-oo-oo
All I do is sit and sigh-igh, oh, Lawd
That last long day she said goodbye
Well Lawd I thought I would cry
She'll do me, she'll do you, she's got that kind of lovin'
Lawd, I love to hear her when she calls me
Sweet dad-ad-ad-dy, such a beautiful dream
I hate to think it all o-o-ver
I've lost my heart it seems
I've grown so used to you some how
Well, I'm nobody's sugar daddy now
And I'm lo-on-lonesomeI got the Lovesick Blu-ues.
Well, I'm in love, I'm in love, with a beautiful gal
That's what's the matter with me
Well, I'm in love, I'm in love, with a beautiful gal
But she don't care about me
Lawd, I tried and I tried, to keep her satisfied
But she just wouldn't stay
So now that she is lea-eav-in'
This is all I can say.
I got a feelin' called the blu-ues, oh, Lawd
Since my baby said goodbye
And I don't know what I'll do-oo-oo
All I do is sit and sigh-igh, oh, Lawd
That last long day she said goodbye
Well Lawd I thought I would cry
She'll do me, she'll do you, she's got that kind of lovin'
Lawd, I love to hear her when she calls me
Sweet dad-ad-ad-dy, such a beautiful dream
I hate to think it all o-o-ver
I've lost my heart it seems
I've grown so used to you some how
Well, I'm nobody's sugar daddy now
And I'm lo-on-lonesome
I got the Lovesick Blu-ues.
I got a feelin' called the blu-ues, oh, Lawd
Since my baby said goodbye
And I don't know what I'll do-oo-oo
All I do is sit and sigh-igh, oh, Lawd
That last long day she said goodbye
Well Lawd I thought I would cry
She'll do me, she'll do you, she's got that kind of lovin'
Lawd, I love to hear her when she calls me
Sweet dad-ad-ad-dy, such a beautiful dream
I hate to think it all o-o-ver
I've lost my heart it seems
I've grown so used to you some how
Well, I'm nobody's sugar daddy now
And I'm lo-on-lonesomeI got the Lovesick Blu-ues.
Well, I'm in love, I'm in love, with a beautiful gal
That's what's the matter with me
Well, I'm in love, I'm in love, with a beautiful gal
But she don't care about me
Lawd, I tried and I tried, to keep her satisfied
But she just wouldn't stay
So now that she is lea-eav-in'
This is all I can say.
I got a feelin' called the blu-ues, oh, Lawd
Since my baby said goodbye
And I don't know what I'll do-oo-oo
All I do is sit and sigh-igh, oh, Lawd
That last long day she said goodbye
Well Lawd I thought I would cry
She'll do me, she'll do you, she's got that kind of lovin'
Lawd, I love to hear her when she calls me
Sweet dad-ad-ad-dy, such a beautiful dream
I hate to think it all o-o-ver
I've lost my heart it seems
I've grown so used to you some how
Well, I'm nobody's sugar daddy now
And I'm lo-on-lonesome
I got the Lovesick Blu-ues.
noites

No seu pedido não veio fritas. As vozes me cobram. Como é que eu ia saber? Cortei as unhas mais do que deveria. E minhas feridas doem com sal. Estou muito longe de casa e cada vez mais enterrado num buraco. Estou perdido da minha própria sombra. E também perdi meu relógio numa enxurrada. Será que vai demorar muito até eu morrer? Para fazer parte de algo, eu me neguei. Neguei minha própria vida. A tempestade dobra as árvores nos joelhos e encharca meus olhos. Eu queria entrar e subir para o quarto com você. Para me acalmar enquanto a casa de madeira range. Mas desaprendi a lidar com esse fim de linha e a tal zona de conforto. Você pode me encontrar no fim do mundo. Afinal, continuo aqui fora, encarando os relâmpagos e o desespero dos deuses, a escuridão e sua força, a doçura da morte e o amargor do deserto pessoal. É assim que vai ser. Pela primeira vez, na segunda chance. A casualidade é meu instinto. De fato, quando as estrelas aparecerem novamente, voltarei a caminhar descalço por ai, nesse rancho de concreto cheio de cobras.
Tuesday, November 06, 2007

peguei a vida amassei enrolei num celofane e coloquei no bolso de trás da calça. esqueci. transitei ausente por estradas entre Minas e Goiás onde o céu é mais alto para onde vão os animais. durante dias nada se aproximou de mim o silêncio assoviava com o vento e mustangs selvagens pastavam em longínquas sombras no horizonte.
"A gente caminha atrás da liberdade e da felicidade. E assim se vive. É só isso que se pode aspirar. Faz alguns anos, e durante muito tempo, minha vida andou presa a sistemas, a conceitos, a preconceitos, a idéias pre-concebidas, a decisões alheias. Aquilo era autoritário e vertical demais. Não conseguia amadurecer assim. Vivia numa jaula, como um bebê que protegem e isolam para que jamais amadureça seus músculos e desenvolva seu cérebro. Tudo desmoronou diante de mim. Dentro de mim. Com muito estrondo. E fiquei a beira do suicídio. Ou da loucura. Tinha de mudar alguma coisa no meu interior. Do contrário podia acabar louco ou cadáver. E eu queria viver. Simplesmente viver. Sem pressões. Talvez com algum dia feliz. E reduzir as angústias. Isso é imprescindível: reduzir as angústias. Quem sabe seja só uma questão de mudar de ponto de vista. É preciso estar plenamente presente onde a gente se encontra, e não escapar sempre."
"Animal Tropical", Pedro Juan Gutiérrez
"Animal Tropical", Pedro Juan Gutiérrez
Thursday, November 01, 2007
13ª Fest Comix
Separa uns trocados e pega a sacola da feira que amanhã começa a 13º Fest Comix. Títulos novos e usados a preço de banana, alguns saem por R$1. Aquelas Graphic Novels dos anos 80 rola pagar R$4. Agora, tem que ir na febre, porque é uma muvuca só, o que não deixa de ser divertido. Dói até o olho de tanta coisa. Fora que ainda vão rolar palestras e sessão de autógrafos com o Laerte, Fábio Moon e Gabriel Bá e outros doidos das HQs.
13ª FEST COMIX
Centro de Evento São Luis
Endereço: Rua Luis Coelho, 323 (próximo à estação Consolação do metrô) Dias 02/11 a 04/11Horário: das 10h00 às 20h00 (sexta e sábado) – das 10h00 às 18h00 (domingo)
Entrada: R$ 5,00 (meia entrada – R$ 10,00/inteira)
13ª FEST COMIX
Centro de Evento São Luis
Endereço: Rua Luis Coelho, 323 (próximo à estação Consolação do metrô) Dias 02/11 a 04/11Horário: das 10h00 às 20h00 (sexta e sábado) – das 10h00 às 18h00 (domingo)
Entrada: R$ 5,00 (meia entrada – R$ 10,00/inteira)
Wednesday, October 31, 2007
Josephine acordava todos os dias cansada. Suas costas estavam cada dia mais curvadas pelo peso da rotina. Ô vida chata, ela comentava com seu reflexo no espelho. Não morava longe do emprego, mas achava de extrema petulância enfrentar o trânsito até lá. Chegava sempre 10 minutos antes para abrir a loja com o funcionário Cosme. Levantavam as portas de ferro, ligavam os televisores virados para a vitrine, checavam a secretária eletrônica, recolhiam o lixo dos banheiros, ligavam os computadores do caixa e só depois abriam as grandes portas de vidro. Quando a faxineira aparecia, os dois saiam para fumar um cigarro no estacionamento nos fundos da loja. Cosme era do tipo asqueroso que se acha, daqueles que falam tudo errado e com o rosto colado. Sempre numas de colocar o braço em volta de Josephine que se desvencilhava na maior elegância. Josephine sabia que Cosme roubava na loja. Era a única coisa que ela admirava nele. A Pernambucanas ficava cheia no horário de almoço. Parecia que aquele monte de merda escorria dos escritórios até a loja para ficar olhando as mercadorias. Micro-ondas, tostadeiras, George Foreman Grill e DVDs horríveis que custavam 1/4 do preço nos camelôs. Quando o expediente terminava, Josephine juntava suas coisas, não tirava o uniforme e ia até um bar de azulejos amarelos nas proximidades. Tomava algumas garrafas de cerveja enquanto lia algum livro. Todos a conheciam de vista ali, percebiam que não deviam atrapalhar sua concentração. Foi nesse bar que vi Josephine pela primeira vez. Aquela bela mulher, calma como uma bomba esquecida na estante, com as pernas cruzadas por baixo da mesa e os calcanhares para fora do conga, esparramada na cadeira de ferro lendo Gutierréz. Não me aproximei naquela noite. Fiquei a observando acender um cigarro e esperar o ônibus. Depois partir guardando o bilhete único se equilibrando no corredor. Pude notar um leve sorriso em seu rosto. Voltei para casa a pé. Na vizinhança, crianças jogavam bola na rua. A pelota veio em minha direção e eu acertei uma bicuda que explodiu no portão do barba ruiva. Ele estava tirando as compras do porta-malas do carro e tomou um susto, estralando a sandália no piso e balançando sua barrigona cheia de veias. Virou-se xingando nossas mães, aquele porco. Todos caíram na gargalhada e eu fui jogar no gol.
Tuesday, October 30, 2007
josephine II
Três horas e meia até a abertura da estação num buraco de Osasco. Nenhum tostão no bolso e muito pouco a oferecer quando quase não é nada e é tudo tão difícil. Você mora tão longe mas cai sempre para a sordidez dessas bandas em busca de pessoas que não conversam, nem te percebam, apenas te forneçam aqueles frasquinhos. Sempre triste esperando o trem na estação, numa beleza dolorida. Embora sua diversão seja um pouco morta e lembre mais um alívio, nada mais importa, não dá pra continuar agora que até as moedas acabaram. Sequer espanta as moscas de suas roupas. Procura bitucas e insulinas na calçada enquanto conta todas as coisas que deixou de ser em trinta e três anos. Chorando sozinha em silêncio debaixo da luz fosforescente, embora não seja dor serve para disfarçar a angústia. Só mais um dia. Apenas um emprego a menos. Uma família que lavou as mãos. Eu sei que é difícil, garota. Tá tudo bem. O primeiro trem nunca atrasa. E o fosso do trilho nem é tão fundo assim.
i'm not there
a Pitchfork deu a letra e eu fui atrás. saiu a trilha de "I'm Not There", o filme do Bob Dylan.
baxaê: (via rapidshare)
parte 1
1. Eddie Vedder and the Million Dollar Bashers: "All Along the Watchtower"
2. Sonic Youth: "I'm Not There"
3. Jim James and Calexico: "Goin' to Acapulco"
4. Richie Havens: "Tombstone Blues"
5. Stephen Malkmus and the Million Dollar Bashers: "Ballad of a Thin Man"
6. Cat Power: "Stuck Inside of Mobile With the Memphis Blues Again"
7. John Doe: "Pressing On"
8. Yo La Tengo: "Fourth Time Around"
9. Iron and Wine and Calexico: "Dark Eyes"
10. Karen O and the Million Dollar Bashers: "Highway 61 Revisited"
11. Roger McGuinn and Calexico: "One More Cup of Coffee"
12. Mason Jennings: "The Lonesome Death of Hattie Carroll"
13. Los Lobos: "Billy"
14. Jeff Tweedy: "Simple Twist of Fate"
15. Mark Lanegan: "The Man in the Long Black Coat"
16. Willie Nelson and Calexico: "Señor (Tales of Yankee Power)"
parte2
1. Mira Billotte: "As I Went Out One Morning"
2. Stephen Malkmus and Lee Ranaldo: "Can't Leave Her Behind"
3. Sufjan Stevens: "Ring Them Bells"
4. Charlotte Gainsbourg and Calexico: "Just Like a Woman"
5. Jack Johnson: "Mama You've Been on My Mind"
6. Yo La Tengo: "I Wanna Be Your Lover"
7. Glen Hansard and Marketa Irglova: "You Ain't Goin' Nowhere"
8. The Hold Steady: "Can You Please Crawl Out Your Window"
9. Ramblin' Jack Elliott: "Just Like Tom Thumb's Blues"
10. The Black Keys: "Wicked Messenger"
11. Tom Verlaine and the Million Dollar Bashers: "Cold Irons Bound"
12. Mason Jennings: "The Times They Are a-Changin'"
13. Stephen Malkmus and the Million Dollar Bashers: "Maggie's Farm"
14. Marcus Carl Franklin: "When the Ship Comes In"
15. Bob Forrest: "Moonshiner"
16. John Doe: "I Dreamed I Saw St. Augustine"
17. Antony and the Johnsons: "Knockin' on Heaven's Door"
18. Bob Dylan: "I'm Not There"
baxaê: (via rapidshare)
parte 1
1. Eddie Vedder and the Million Dollar Bashers: "All Along the Watchtower"
2. Sonic Youth: "I'm Not There"
3. Jim James and Calexico: "Goin' to Acapulco"
4. Richie Havens: "Tombstone Blues"
5. Stephen Malkmus and the Million Dollar Bashers: "Ballad of a Thin Man"
6. Cat Power: "Stuck Inside of Mobile With the Memphis Blues Again"
7. John Doe: "Pressing On"
8. Yo La Tengo: "Fourth Time Around"
9. Iron and Wine and Calexico: "Dark Eyes"
10. Karen O and the Million Dollar Bashers: "Highway 61 Revisited"
11. Roger McGuinn and Calexico: "One More Cup of Coffee"
12. Mason Jennings: "The Lonesome Death of Hattie Carroll"
13. Los Lobos: "Billy"
14. Jeff Tweedy: "Simple Twist of Fate"
15. Mark Lanegan: "The Man in the Long Black Coat"
16. Willie Nelson and Calexico: "Señor (Tales of Yankee Power)"
parte2
1. Mira Billotte: "As I Went Out One Morning"
2. Stephen Malkmus and Lee Ranaldo: "Can't Leave Her Behind"
3. Sufjan Stevens: "Ring Them Bells"
4. Charlotte Gainsbourg and Calexico: "Just Like a Woman"
5. Jack Johnson: "Mama You've Been on My Mind"
6. Yo La Tengo: "I Wanna Be Your Lover"
7. Glen Hansard and Marketa Irglova: "You Ain't Goin' Nowhere"
8. The Hold Steady: "Can You Please Crawl Out Your Window"
9. Ramblin' Jack Elliott: "Just Like Tom Thumb's Blues"
10. The Black Keys: "Wicked Messenger"
11. Tom Verlaine and the Million Dollar Bashers: "Cold Irons Bound"
12. Mason Jennings: "The Times They Are a-Changin'"
13. Stephen Malkmus and the Million Dollar Bashers: "Maggie's Farm"
14. Marcus Carl Franklin: "When the Ship Comes In"
15. Bob Forrest: "Moonshiner"
16. John Doe: "I Dreamed I Saw St. Augustine"
17. Antony and the Johnsons: "Knockin' on Heaven's Door"
18. Bob Dylan: "I'm Not There"
Monday, October 29, 2007
não saio de São Paulo há bem uns 2 meses, e ontem, derretendo no concreto, decidi: eu preciso da estrada. vem uma caralhada de feriados por ai, quem me dera uma rodovia sem sinalizações.
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não encontrei condições físicas ou paciência para encarar o TIM Festival ontem no Anhembi. nem me arrependo. acho que passei. prefiro banda no Juke Joint.
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hoje encomendei:
“DRUGSTORE COWBOY” – James Fogle
sempre quis ler o livro que gerou um dos filme que mais assisti na minha adolescência. demora pra chegar, mas até lá, espero lendo:
“ONDE OS VELHOS NAO TEM VEZ” – Cormac McCarthy
depois de não passar ileso pel’A Estrada do mesmo autor, não pude deixar de adquirir este volume. dizem que o filme que vem por ai é duzbão.
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não encontrei condições físicas ou paciência para encarar o TIM Festival ontem no Anhembi. nem me arrependo. acho que passei. prefiro banda no Juke Joint.
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hoje encomendei:
“DRUGSTORE COWBOY” – James Fogle
sempre quis ler o livro que gerou um dos filme que mais assisti na minha adolescência. demora pra chegar, mas até lá, espero lendo:
“ONDE OS VELHOS NAO TEM VEZ” – Cormac McCarthy
depois de não passar ileso pel’A Estrada do mesmo autor, não pude deixar de adquirir este volume. dizem que o filme que vem por ai é duzbão.
Josephine
Um dia desses, uma amiga veio com um discurso de ex-viciada, salva pela família e o NA. Contou-me sobre as reuniões, os amigos que fez que passavam pelos mesmos problemas e de sua nova vida. Falou-me sobre redenção e arrependimento. Agora era caixa da Pernambucanas e levava a vida na moral, sem estresse. Queria viajar e conhecer o mundo, por isso, estava juntando dinheiro. Eu duvidei. Ontem, desci do ônibus e caminhando pela calçada irregular, encontrei com ela num orelhão. Parecia muito assustada. Estava imunda e com as pontas dos dedos enegrecidas. Perguntei como ela estava, sem esperar por uma resposta: “Estou melhor do que antes, mas não sei como estarei me sentindo daqui alguns minutos”, ela respondeu de imediato, “se você me deixar 10 reais na mão agora, ficarei feliz como nunca”. Entreguei uma nota a ela e segui meu rumo.
Friday, October 26, 2007
A verdade nunca foi boazinha com ninguém, por isso me alimento da mentira. Eu ainda roubo dinheiro na carteira da mãe e conto a mesma piada de goiano quando bebo e digo que é de minha autoria. Assisto sempre o último capitulo da novela na casa da vizinha. Estou com todas as prestações da moto atrasada. Todas. Ligo a cobrar de madrugada para minha ex-namorada pedindo um disco tosco de volta mas na verdade só quero ouvir sua voz lá longe. E meu sangue espirra das ventas. Eu preciso de algumas semanas para entender o que significa isso, com licença.
Monday, October 22, 2007
eu vi Jesus de moletom da Ferrari
Ontem fui até Interlagos assistir ao Grand Prêmio de Fórmula 1. Tava um calor do caralho. Depois que desci na estação de trem, subi uma ladeira desgraçada com os miolos fritando debaixo de 36ºC. Tinha uma pá de cara com óculos da Oakley, tênis de corrida, calças curtas beges e bonés da Ferrari. A corrida foi legal. Maior barulheira. Depois de bater um rango e algumas latas de cerveja, com o calor ainda castigando, o barulho dos motores se transformou em algo relaxante, aquilo foi me dando um sono imbatível, comecei a pescar nas últimas voltas. Acordei quando o bostinha do Barrichello quebrou. Fiquei muito contente com isso. O que me deixou decepcionado foi o Hamiltão, o nobre neguinho inglês, que deu bandeira e se fudeu logo no começo, mas depois passou. Mesmo assim, ele mandou bem lá atrás. Gostei que o Raikkonen venceu também, começo a acreditar nesses baratos de justiça Divina - só falta agora o Corinthians cair e seus jogos na Segundona serem transmitidos pela Record.
Dia 11 de Novembro rola Palmeiras e Fluminense no Parque Antártica. Eu quero ir. E no jogo da Seleção, no dia 21 de Novembro no Morumbi, também.
Dia 11 de Novembro rola Palmeiras e Fluminense no Parque Antártica. Eu quero ir. E no jogo da Seleção, no dia 21 de Novembro no Morumbi, também.
Friday, October 19, 2007
9° C, 5:13, informa o relógio no centro. Parece que nem mendigo tem na rua. Pego a Duque de Caxias na banguela. Não quero chamar muita atenção. A cidade está molhada e o céu está num esbranquiçado sinistro por causa da umidade e das luzes. Eu juro que só quero chegar em casa. Viro na Barão de Limeira e dois carros da polícia enquandram um Chevette com uma funça de 5 malucos. Eles estão todos de pé, um do lado do outro, com as cabeças baixas e os braços cruzados para trás. Abaixo o som e passo deslizando bem ao lado deles. Pelo vidro aberto do Opala os gambés olham para minha cara de pato. Um deles tem uma escopeta. Continuo na moral. Entro na Alameda Glete. Um cara passa correndo, bem assustado mesmo. Só tem vacilão nesse mundo. Eu juro que só quero chegar em casa.
Wednesday, October 17, 2007
Ontem ventou forte. Depois caiu uma chuva fina que lavou a rua. Todo mundo foi embora do bar. O ponto de ônibus esvaziou rapidamente. Daí eu fiquei ali sozinho, olhando pro asfalto molhado, pensando em nada. Talvez eu ainda tivesse chances. Estava tranqüilo. Só um pouco chateado. As coisas deixavam de acontecer ao meu redor. E eu ria sozinho com uma estranha dor no estômago, balançando meu corpo pra frente e pra trás, pra frente e pra trás, consciente de que algo estava faltando na minha vida. Então eu sai fora. Fui andando pela rua como se estivesse num túnel escuro que me levava para um lugar nenhum. A chuva parou. Um carro passou buzinando. Meu telefone não tocou. Já em casa, me tranquei no banheiro e fiquei contemplando meu abismo naqueles azulejos brancos. Quanta coisa, eu pensei, deixei passar. Eu tive um sonho mudo.

a Panini acaba de relançar "O Messias", uma das melhores histórias do Batman de todos os tempos. nunca fui muito ligado ao playboy e almofadinha Bruce Wayner, mas essa edição é casca, lembro quando li essa porra em 1988. vale o alto preço, R$ 25,90, pelo roteiro e a arte, que são fodaços.
voltei da banca com essa edição, Potestade do Homem-Aranha - uma versão requenguela de Cavaleiro das Trevas - e a nova de Conan, o Cimério. hoje vou ficar lendo de bolacha maizena e Nescau no sofá até a hora do jogo da seleção.
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ahhhhhhhhve maria!
o novo filme do Hulk provavelmente será bem melhor que o primeiro. dizem que Edward Norton, que é o mamute verde, fez questão de dar um tapa no roteiro, fora que ainda tem Liv Tyler e Tim Roth no elenco. dizem também que algumas cenas serão filmadas numa favela no Rio de Janeiro. logo imaginei Bruce Banner tomando breja de chinelo, mandando uns pra depois quebrar tudo quando uzômi aparecer. ai sim vai ser loco, tá ligado, tru?
Tuesday, October 16, 2007
sem mensagens de amor
correria forte essa semana. apareceram alguns trabalhos que podem render alguma coisa, ou não. sigo na levada. queria encontrar meus amigos. queria ficar na minha também. queria sumir e escutar alguns discos. como se fossem os melhores. como se fossem os últimos.
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escutando muito o novo do radiohead. que eu paguei 1 paund. ainda não consegui passar da terceira música de in rainbows. até passei mas não me retive muito. “15 step”, a que abre, é de lascar, soturna como a chegada de uma tempestade de verão, daquelas que escurece a cidade cinza. numa mescla de batidas eletrônicas e bateria e algo que me lembra duas metades de cocos reverberando no espaço, com o vocal de Thom Yorke cada dia mais doente dando uma liga, até entrar as cordas e mudar tudo, “um por um”, etcetera, etcetera. A segunda não desceu. agora, “nude”, que eu conhecia como big ideas don’t get any, dá uma relaxada legal, paro até de pensar em merda. sexo, bebidas e violência ficam ali no canto enquanto escuto enquanto canto. aqui a voz de Yorke é usada de forma sutil, como a brisa que fica quando a tempestade vai embora. o que eu acho foda nesses caras é a quantidade de elementos usados nas músicas. sem frescura. colocam efeitos eletrônicos, cordas acústicas ou sem distorções no volume certo e o baixo sobressaindo de maneira ideal. fico extremamente emocionado, sem frescura, em certos momentos. lembro-me de coisas que nunca conheci. arrependo-me de erros que não cometi.
::
escuto o novo da PJ Harvey.
e
magnolia electric co.
que é o que vira.
"cross the road" - magnolia electric co. (salva o destino ai)
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escutando muito o novo do radiohead. que eu paguei 1 paund. ainda não consegui passar da terceira música de in rainbows. até passei mas não me retive muito. “15 step”, a que abre, é de lascar, soturna como a chegada de uma tempestade de verão, daquelas que escurece a cidade cinza. numa mescla de batidas eletrônicas e bateria e algo que me lembra duas metades de cocos reverberando no espaço, com o vocal de Thom Yorke cada dia mais doente dando uma liga, até entrar as cordas e mudar tudo, “um por um”, etcetera, etcetera. A segunda não desceu. agora, “nude”, que eu conhecia como big ideas don’t get any, dá uma relaxada legal, paro até de pensar em merda. sexo, bebidas e violência ficam ali no canto enquanto escuto enquanto canto. aqui a voz de Yorke é usada de forma sutil, como a brisa que fica quando a tempestade vai embora. o que eu acho foda nesses caras é a quantidade de elementos usados nas músicas. sem frescura. colocam efeitos eletrônicos, cordas acústicas ou sem distorções no volume certo e o baixo sobressaindo de maneira ideal. fico extremamente emocionado, sem frescura, em certos momentos. lembro-me de coisas que nunca conheci. arrependo-me de erros que não cometi.
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escuto o novo da PJ Harvey.
e
magnolia electric co.
que é o que vira.
"cross the road" - magnolia electric co. (salva o destino ai)
Tuesday, October 09, 2007
Ontem voltei cedo para casa. Sentia-me como se não dormisse há semanas. Deitei no sofá e fiquei encarando o teto. Daí decidi apagar a luz e contemplar a escuridão e o silêncio, mesmo que muitos ônibus castigassem suas pastilhas de freio na ladeira da Cardeal. Dava para escutar uma mulher berrando no albergue ao lado também. Sentia-me feliz e na moral como um cachorro de sítio. Depois de um bom tempo os freios diminuíram, a mulher acalmou e eu me levantei e acendi a luz. Peguei meu livro e recomecei a leitura. Fiquei pego. As páginas passavam como folhas secas ao vento e alguma coisa me atormentava suavemente. Sentia como se meu pulso falhasse. E as imagens da história se abriam na minha frente. O pai e a criança ali, num mundo descascado pela hecatombe. O pai tosse e cospe sangue. A criança chora. A lua azul escondida atrás das nuvens de poeira. A estrada. A jornada. No final, sei que é estranho admitir isso aqui, mas não consegui segurar as lágrimas. Grande livro.
ps.: agora um filho da puta vai pegar o livro e transformá-lo numa grande piada.
ps.: agora um filho da puta vai pegar o livro e transformá-lo numa grande piada.
Friday, October 05, 2007
Amanhã rola o lançamento do livro de Nick Farewell, com direito à festa espreme-miolos que deve varar a madrugada cambaleante.
Se liga no desenho que o Kitagawa fez.

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E a banda The Battles toca em São Paulo no dia 21 de novembro. Sem local definido. Podia ser na rua.
Se liga no desenho que o Kitagawa fez.

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E a banda The Battles toca em São Paulo no dia 21 de novembro. Sem local definido. Podia ser na rua.
Thursday, October 04, 2007
Nunca tive medo do que é perigoso para outras pessoas. Talvez porque eu seja apenas um proletariado da vida e viva dando voltas nela tentando escapar. Quando falo que meia colher não é suficiente você fingi não entender e dorme. Eu não durmo nunca. Nem sonho. No quarto escuro meus pensamentos ricocheteiam nas paredes. Penso no que meu irmão pode estar fazendo àquela hora da madrugada. Provavelmente descanse tranqüilo. Eu não durmo nunca. Nem sonho. Somente dirijo pela noite num mundo que já não existe mais. Encontro meus amigos e bebo em silêncio até o céu avisar que já é hora de acordar. Eu não durmo nunca. Nem sonho. Só não tente me impedir de ser anti. Já que nunca serei pró. Eu acredito nas segundas chances que me dão apenas para estraçalhá-las outra vez contra os muros de concreto grafitado. Escute, eu vou embora dessa vez. Mas não é para sempre.
Tuesday, October 02, 2007
No IMPOSTOR você encontra uma entrevista com JG Ballard, o gênio por trás de “CRASH” e “Os Terroristas do Milênio”.
Se você não nunca leu Ballard, isso é um grande problema seu.
::
A Swatch lança relógios com estampas do Corto Maltese, comemorando os 40 anos do personagem.
Via Universo HQ
Se você não nunca leu Ballard, isso é um grande problema seu.
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A Swatch lança relógios com estampas do Corto Maltese, comemorando os 40 anos do personagem.
Via Universo HQ
escorrendo no vidro
ando sem tempo para pensar
em tudo isso
o alarme toca. e você ainda discute
os vacilos do passado
com estupidez
debaixo da chuva na esquina
de um bairro
comercial
vejo tudo ir embora
num caldo sujo
só o céu está chorando
esta tarde
e aquela pedra no gramado.
e eu não tenho nada
para dizer
quanto ao seu lamento interiorano
vamos apenas roubar o carro
do seu pai
e sair dessa cidade
em silêncio
com as gotas
tamborilando
no teto
em tudo isso
o alarme toca. e você ainda discute
os vacilos do passado
com estupidez
debaixo da chuva na esquina
de um bairro
comercial
vejo tudo ir embora
num caldo sujo
só o céu está chorando
esta tarde
e aquela pedra no gramado.
e eu não tenho nada
para dizer
quanto ao seu lamento interiorano
vamos apenas roubar o carro
do seu pai
e sair dessa cidade
em silêncio
com as gotas
tamborilando
no teto
Friday, September 28, 2007
ontem eu fiquei por ai. cheguei em casa me sentindo estranho. já era bem tarde mas eu estava sem sono. às vezes não gosto de dormir. como os materiais estavam sobre a mesa, decidi pintar. quando olhei pela janela o sol já começava a dar as caras. subi as escadas e passei uma água no rosto. depois deitei agarrado na minha Pequena. fiquei olhando pro teto que mudava de cor de acordo com o dia amanhecendo. eu não queria ter hora pra acordar. tô bem cansado hoje. pelo menos cheguei na hora no trabalho. agora vou aguentar até o fim da tarde. preciso me manter aceso. sinto uma tristeza genuína quando estou nesse estado. tento fingir que não é comigo. que não é para sempre. que não é real. mas é impossível. lógico. e sempre volta.
eu fiz isso ontem pro meu amigo Sérgio Mello. é a primeira peça que ele escreve. deve estrear no começo do ano que vem.

eu gosto do que esses caras escrevem:
"A gente se mete a escrever porque não sabe lutar boxe nem tem colhões para isso, porque tem os dentes tortos e não pode sorrir como gostaria, porque para os impotentes de todo tipo não há outro caminho, porque todos os feios escrevem ou assassinam e a gente não é capaz de matar nem uma mosca, porque escrever dá importância, porque para chamarem alguém de escritor não é preciso escrever bem, mas para chamarem de filho-da-puta não importa se sua mãe é uma santa, porque tem medo de ficar à deriva sem fazer nada, porque não pode beber toda noite, porque ama a Deus mas odeia as sociedades sem fins lucrativos, porque não tem namorada, porque não há emoções mas insultos, porque na sua casa não tem televisão e o rádio quebrou, porque a mulher do vizinho é gostosa, porque tem medo de ficar careca e por isso evita os espelhos. A gente se mete a escrever porque não se atreve a assaltar um supermercado, porque ama a mulher e ela é namorada do garoto esperto da rua, porque não há revistas pornográficas suficientes, porque quer fazer alguma coisa além de cagar e se masturbar, porque não é o garoto esperto da rua nem o garoto forte nem o engraçado, porque é o garoto nada, porque não vale um tostão furado, porque apanha lá fora, porque sua mãe grita o tempo todo, porque não há ilusões nem luz no fim do túnel, porque sua mãe grita o tempo todo, porque sua mente voa baixo e nunca será outro Cioran, porque não tem coragem para saltar, porque não quer a esposa feia que merece, porque tem medo de morrer sem ter comido um belo cuzinho, porque não tem pai, amigos, nem fortuna, porque não tem o jeito de cuspir do Clint Eastwood, porque se paralisa entre uma e outra intenção, porque era uma vez o amor mas eu tive que matá-lo."
Efraim Medina Reyes
**
AMOR É COISA DE BOTECO
O amor encontra sua dignidade na vergonha. Envergonhar-se de um amor é ter orgulho dele. Choro por um amor. Despedaço-me por um amor. Fragmento-me por um amor. Faço chantagem por um amor. Digo o que não devo por amor. Estrago uma festa por amor. Amor desesperado é ainda o jeito mais tranqüilo de amar. Não conheço outra paz senão a de guerrear no fundo de um copo. Não sou homem de tranqüilizantes, de remédios na cômoda, de sono induzido. Meu quarto é o bar, público e derradeiro. Meu travesseiro é uma toalha de mesa plastificada. Amor só sabe gemer falando alto. O amor é aguardar uma resposta. A fossa é o período de uma resposta a outra. Não há como amar sem prejuízo. Sem acreditar que não deu certo. É inacreditável como apaixonados contam as mais absurdas confidências a estranhos e escondem os detalhes dos mais próximos. Todo garçom já foi nosso padre um dia. Nosso confessor. A gravata-borboleta é nossa batina. Amor é esse estágio necessário de loucura para suportar a normalidade. Quando amo, não preciso de psiquiatra, preciso de um táxi para voltar. Amor mesmo é coisa de boteco, com potes de ovinhos de codorna e cachaça nas prateleiras. Amor não tem nojo, repulsa, pudor de sofrer. Sofremos de amor para abrir espaço por dentro e desalojar antigos moradores. Amor não é próprio de restaurante ou de guardanapo nos joelhos. Não haverá um porteiro saudando com "boa-noite", não haverá recepção ou um senhor para abrir a porta. Aliás, não terá porta, é uma garagem para o corpo balançar à vontade e não quebrar nada. Não espere cardápio no amor, espere cartazes nas paredes. As lâmpadas estarão com as braguilhas abertas no teto. Amor mesmo é devasso, cafona, cadeira de metal amarela, dobrável e enferrujada. Deve-se tomar cuidado para não sentar na ponta. O amor não vem da elegância de um lugar, vem da nobreza da dor. O amor é o solitário do balcão, a retirar vagaroso o rótulo úmido da garrafa porque não pode despir sua mulher. Fica delirando em braile. Aprende inglês com as moscas. Joga dama com os cascos. Reza dez ave-marias para cada pai-nosso. Descobre que o terço é feminista. A cada vez que pensa em si, pensa dez vezes no corpo dela. Não se limpa um amor no banheiro. Limpa-se com as mangas da camisa na frente de todos. O amor é a boca assoando. O amor não pede a conta na mesa, é a conta. Não há amor se você não for o último cliente. O último a sair é que está realmente amando. Quem ama não guarda o dinheiro na carteira, deixa avulso e amassado no bolso. É sintomático. Estará cantando Amado Batista sem querer. E se espantará que conhece a letra, egressa de alguma estação da infância. Só pode ser do radinho materno, ao lado do fogão. Sua mãe colocou aquelas canções em sua comida.
Fabrício Carpinejar
eu fiz isso ontem pro meu amigo Sérgio Mello. é a primeira peça que ele escreve. deve estrear no começo do ano que vem.

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eu gosto do que esses caras escrevem:
"A gente se mete a escrever porque não sabe lutar boxe nem tem colhões para isso, porque tem os dentes tortos e não pode sorrir como gostaria, porque para os impotentes de todo tipo não há outro caminho, porque todos os feios escrevem ou assassinam e a gente não é capaz de matar nem uma mosca, porque escrever dá importância, porque para chamarem alguém de escritor não é preciso escrever bem, mas para chamarem de filho-da-puta não importa se sua mãe é uma santa, porque tem medo de ficar à deriva sem fazer nada, porque não pode beber toda noite, porque ama a Deus mas odeia as sociedades sem fins lucrativos, porque não tem namorada, porque não há emoções mas insultos, porque na sua casa não tem televisão e o rádio quebrou, porque a mulher do vizinho é gostosa, porque tem medo de ficar careca e por isso evita os espelhos. A gente se mete a escrever porque não se atreve a assaltar um supermercado, porque ama a mulher e ela é namorada do garoto esperto da rua, porque não há revistas pornográficas suficientes, porque quer fazer alguma coisa além de cagar e se masturbar, porque não é o garoto esperto da rua nem o garoto forte nem o engraçado, porque é o garoto nada, porque não vale um tostão furado, porque apanha lá fora, porque sua mãe grita o tempo todo, porque não há ilusões nem luz no fim do túnel, porque sua mãe grita o tempo todo, porque sua mente voa baixo e nunca será outro Cioran, porque não tem coragem para saltar, porque não quer a esposa feia que merece, porque tem medo de morrer sem ter comido um belo cuzinho, porque não tem pai, amigos, nem fortuna, porque não tem o jeito de cuspir do Clint Eastwood, porque se paralisa entre uma e outra intenção, porque era uma vez o amor mas eu tive que matá-lo."
Efraim Medina Reyes
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AMOR É COISA DE BOTECO
O amor encontra sua dignidade na vergonha. Envergonhar-se de um amor é ter orgulho dele. Choro por um amor. Despedaço-me por um amor. Fragmento-me por um amor. Faço chantagem por um amor. Digo o que não devo por amor. Estrago uma festa por amor. Amor desesperado é ainda o jeito mais tranqüilo de amar. Não conheço outra paz senão a de guerrear no fundo de um copo. Não sou homem de tranqüilizantes, de remédios na cômoda, de sono induzido. Meu quarto é o bar, público e derradeiro. Meu travesseiro é uma toalha de mesa plastificada. Amor só sabe gemer falando alto. O amor é aguardar uma resposta. A fossa é o período de uma resposta a outra. Não há como amar sem prejuízo. Sem acreditar que não deu certo. É inacreditável como apaixonados contam as mais absurdas confidências a estranhos e escondem os detalhes dos mais próximos. Todo garçom já foi nosso padre um dia. Nosso confessor. A gravata-borboleta é nossa batina. Amor é esse estágio necessário de loucura para suportar a normalidade. Quando amo, não preciso de psiquiatra, preciso de um táxi para voltar. Amor mesmo é coisa de boteco, com potes de ovinhos de codorna e cachaça nas prateleiras. Amor não tem nojo, repulsa, pudor de sofrer. Sofremos de amor para abrir espaço por dentro e desalojar antigos moradores. Amor não é próprio de restaurante ou de guardanapo nos joelhos. Não haverá um porteiro saudando com "boa-noite", não haverá recepção ou um senhor para abrir a porta. Aliás, não terá porta, é uma garagem para o corpo balançar à vontade e não quebrar nada. Não espere cardápio no amor, espere cartazes nas paredes. As lâmpadas estarão com as braguilhas abertas no teto. Amor mesmo é devasso, cafona, cadeira de metal amarela, dobrável e enferrujada. Deve-se tomar cuidado para não sentar na ponta. O amor não vem da elegância de um lugar, vem da nobreza da dor. O amor é o solitário do balcão, a retirar vagaroso o rótulo úmido da garrafa porque não pode despir sua mulher. Fica delirando em braile. Aprende inglês com as moscas. Joga dama com os cascos. Reza dez ave-marias para cada pai-nosso. Descobre que o terço é feminista. A cada vez que pensa em si, pensa dez vezes no corpo dela. Não se limpa um amor no banheiro. Limpa-se com as mangas da camisa na frente de todos. O amor é a boca assoando. O amor não pede a conta na mesa, é a conta. Não há amor se você não for o último cliente. O último a sair é que está realmente amando. Quem ama não guarda o dinheiro na carteira, deixa avulso e amassado no bolso. É sintomático. Estará cantando Amado Batista sem querer. E se espantará que conhece a letra, egressa de alguma estação da infância. Só pode ser do radinho materno, ao lado do fogão. Sua mãe colocou aquelas canções em sua comida.
Fabrício Carpinejar
Tuesday, September 25, 2007
Açougue
minha revanche é verdadeira quando caio de cara no chão e meus ossos de vidro se espatifam numa calçada do centro. meu amor não me esquece quando telefono de madrugada dizendo que fui espancado por um fantasma que mora dentro de um buraco no meu peito. minha retaliação é decidida quando não sei o caminho de casa mesmo sob a claridade truculenta de um novo dia, morto na noite anterior. outro pedaço de mim escapole e some quando acordo do transe na escuridão devassa para me libertar da dor de algo que já me esqueci. minha desforra é crime contra mim mesmo, numa forma de matar aquilo que me incomoda, que não tem aspas nem pernas nem braços para me açoitar, que apenas me gira numa espiral mundana e depois ri da minha cara. minha covardia é a fuga para um lugar onde o vento não sopra e as pessoas brilham sob lâmpadas elétricas, onde procuro algo afiado como metal para rasgar tudo isso que corta dentro de mim.
a rádia do povo
Ando viciado em last.fm, uma das coisas mais interessantes para se descobrir músicas e artistas similares aos que eu gosto. Sem aquela porra seria mais difícil descobrir Songs: Ohia, um som meio chera-cola-no-quintal-da-fazenda feito por um baixista headbanger. O estranho é que o projeto do cara, o Jason Molina, é colocado no mesmo saco que a bosta do Devendra Banhart – que é horrível, aliás, ele até comeu o cu do Caê numa rede no Rio de Janeiro, só pra sentir o drama do barbinha -, assim, na seleção sempre toca alguma músguinha de veado hippie de merda.
“Lioness” - Songs: Ohia
“Two Blue Lights” – Songs: Ohia
“Lioness” - Songs: Ohia
“Two Blue Lights” – Songs: Ohia
Monday, September 24, 2007
kamashuga
Ontem, na Revista da Folha, li um pequeno artigo onde um gringo - que passeia de bicicleta por várias cidades do Mundo - conta que São Paulo é o pior lugar para esta prática. Hoje vim de bicicleta para o trabalho. Em certas ruas e avenidas rola um cagaço filha da puta quando um ônibus passa raspando no punho esquerdo do guidão. Eu já nem uso fone de ouvidos mais depois do meu último tombo, que me custou uma clavícula.
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A trilha sonora de “Into the Wild” é toda do Eddie Vedder, sem Pearl Jam na bagagem. O filme, dirigido por Sean Penn e baseado no ótimo livro “Na Natureza Selvagem”, de Jon Krakauer, conta a história real do jovem Chris McCandless, que abandona tudo para trilhar estradas e desertos americanos e depois morrer no Alasca. O livro fez minha cabeça, até porque eu estava em plena viagem pelas paisagens selvagens da Argentina e do Chile. O filme estreou na sexta passada nos EUA e deve chegar ao Brasil no dia 31 de dezembro.
"Into The Wild" - Eddie Vedder
Parte 1
&
Parte 2 (via Rapidshare)
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A trilha sonora de “Into the Wild” é toda do Eddie Vedder, sem Pearl Jam na bagagem. O filme, dirigido por Sean Penn e baseado no ótimo livro “Na Natureza Selvagem”, de Jon Krakauer, conta a história real do jovem Chris McCandless, que abandona tudo para trilhar estradas e desertos americanos e depois morrer no Alasca. O livro fez minha cabeça, até porque eu estava em plena viagem pelas paisagens selvagens da Argentina e do Chile. O filme estreou na sexta passada nos EUA e deve chegar ao Brasil no dia 31 de dezembro.
"Into The Wild" - Eddie Vedder
Parte 1
&
Parte 2 (via Rapidshare)
se o dia nunca amanhecesse eu poderia caminhar para sempre
Caminhando sozinho numa noite quente de domingo, com a cabeça tomada por devaneios e lembranças de muito tempo atrás, cruzei a Aclimação que naquela hora estava às moscas. Parecia que só eu existia ali naquelas pequenas ruas com nomes de pessoas esquecidas. As folhas das árvores cobriam as postes limitando a iluminação e dando um aspecto mais lúgubre a minha caminhada. Gatos namoravam sobre uma caixa de concreto com uma bandeja de isopor vazia ao lado. O frentista passava um pano com álcool nas prateleiras da loja de conveniência esperando a hora de ir embora. Descendo a rua eu me sentia envolvido por uma solidão cultivada há muito tempo, e isso me produzia uma grande satisfação a cada quilometro percorrido. Em algumas casas, placas com avisos de vende-se e aluga-se penduradas na parede me traziam imagens do vazio etéreo que pairava em seus interiores apagados. Num silêncio agradável, onde nem os cachorros latiam quando eu passava pela frente dos portão, eu podia notar os carros estacionados nas apertadas garagens das casas térreas e geminadas. Das janelas da sala, luzes tremeluziam indicando que as famílias estavam com seus televisores ligados no refúgio do lar, aguardando uma nova semana, onde a esperança de um novo domingo tranqüilo como aquele funciona como uma meta. Descendo uma rua em curva, senti um aperto no peito e apressei o passo para chegar em casa antes que todos os televisores estivesses desligados.
Tuesday, September 18, 2007
Seus olhos cheios de rimel e tristeza chorando borrado o fracasso do amigo publicitário que tem a língua solta. Tantas linhas que se partem sem retorno e a pouca luz na sala acabando com meu processo de criação. Cai fora. Sangue frio eu nunca tive. Não gosto de rascunhos para chapiscar no betume. A melhor idéia que eu já tive foi ter fingido não ver, cuspido na mão e esfregado tudo no papel como se fosse realmente algo brilhante. Na manhã ressaquenta eu acordo pensando demais até ler a primeira página do jornal enquanto espero o ônibus.
Espantalho Descarado
ando assim
tipo um erro flácido ambulante
sem êxito, hesitante
disco riscado
fora de catálogo
no pó do instante
ando assim oco, uma crosta
vodu cansado que com a sorte
nem mais dialoga - diamante
ando assim sem linguagem
sem faro, espantalho fora de foco
ando assim
mais opaco que olímpico
esquivo, íntimo, insípido
um mastodonte pensando
desamparado
aspirando a paralelepípedo
ando assim meio buster keaton
um tanto de lágrima hasteando o riso
ando assim raso
indiferente
me divertindo um bocado
eu ando mijando no poste
porque o banheiro
está sempre lotado
Marcelo Montenegro
tipo um erro flácido ambulante
sem êxito, hesitante
disco riscado
fora de catálogo
no pó do instante
ando assim oco, uma crosta
vodu cansado que com a sorte
nem mais dialoga - diamante
ando assim sem linguagem
sem faro, espantalho fora de foco
ando assim
mais opaco que olímpico
esquivo, íntimo, insípido
um mastodonte pensando
desamparado
aspirando a paralelepípedo
ando assim meio buster keaton
um tanto de lágrima hasteando o riso
ando assim raso
indiferente
me divertindo um bocado
eu ando mijando no poste
porque o banheiro
está sempre lotado
Marcelo Montenegro
Monday, September 17, 2007
Sábado de sol, saí para comprar drogas de Opala. Fiz o avião e, voltando pra casa com o som no talo e os vidros escancarados, parei num sinal, fiz a velha pose de durão, traguei o cigarro e olhei pro lado. Tinha ali, a menos de 1 metro e mei da minha fuça, um bigode de policial montado numa moto com as cores da bandeira de São Paulo. Não pude deixar de escapar um sorriso da minha cara, rindo da dele. Eram três encapacetados motociclistas militares armados de pistolas e gás pimenta cercando meu carro. Eles não gostaram de mim. Seguiram-me até a frente do Estádio do Pacaembu, onde me mandaram encostar. Encostei. Pelo retrovisor, vi o bigodudo me chamar com o indicador, ainda sentado na moto, parecia o Magnum. Desci e encostei as mãos no teto do carro. O puliça perguntou se eu tinha algo em cima. Neguei e perguntei se eu tinha feito algo suspeito. “Sua cara é suspeita”, ele interviu educadamente. “Você tá chêrado?”, quis saber depois de me revistar. “Lógico que não! Acabei de acordar”, repliquei às 5 horas da tarde. “Vamos revistar seu carro, se tiver alguma coisa ai é melhor falar logo, porque a gente acha”, disse o outro PM, esse um pouco estrábico. “Não se preocupe, senhor. O carro é todo seu”, falei rindo, pois a primeira frase lá em cima é mentira. Para quebrar o gelo, comentei que meu carro era como um filho rebelde para mim, falei também que meu time entraria em campo em pouco tempo, por isso precisava chegar logo em casa. Enquanto isso, a avenida do outro lado da rua estava congestionada e eu era a atração dos motoristas, comentei isso com o policial que me vigiava. “Não liga não, eles não têm o que fazer”, ele concluiu assim, de forma genial, a curiosidade assustada das pessoas que assistiam três motos da polícia paulistana, com aquelas luzes rotativas acesas, enquadrando um paspalho descalço de bermudas num Opala preto às 5 horas da tarde na Praça Charles Muller. É, tive que concordar. “Abre aqui o porta-malas pra gente”, disse o vesgo, o maldoso da turma, “só gira a chave e sai fora. Quero ver se tem aquele quilo de cocaína aqui”, disse ele com o berro em punhos. “Cocaína?! Magina, só tem um cadáver, só não tenho certeza se ele tá morto mesmo”, falei enquanto pensava se existia alguma coisa que pudesse me complicar ali. Nada. A tensão diminuiu. Minha boca voltava a salivar e eu cumprimentei os senhores policiais, entrei no carro e vazei. Na noite anterior estava conversando com um amigo meu, o papo, em certo momento etílico, caiu em enquadros. Cada um lembrava dos enquadros da vida. Lembro de ter tesourado o assunto na metade, alertei que falar sobre isso atraia. Outra coisa, nunca tire onda quando a policia te parar, o certo é descontração e tranqüilidade para lidar com os agentes da lei. Se você tiver um tijolo no bolso da jaqueta ou encaixado na virilha será mais difícil disfarçar calma e as chances de tomar no rego são grandes, mas não se entregue e nem reaja, entre no jogo, eu disse, uma das piores coisas na vida de um homem é cair no sistema como culpado.
Thursday, September 13, 2007
notas
Hoje acontece o show do Faraquet no Grazie a Dio. Não será mais no StudioSP, como divulgado anteriormente, sabe-se lá o motivo. A banda entra 1h da manhã e o ingresso custa R$25, mandando um email para studiosp@studiosp.org rola um desconto de 10 reais.
Ah, eu também nunca fui ao Grazie a Dio, mas fica ali na Rua Girassol, 67, na Vila Magdalena. Talvez eu vá, minha idéia principal e encarar a banda no Rio de Janeiro, sábado que vem num bate-e-volta medo e delírio.
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Falando nisso, consegui hoje “Uma Espécie em Extinção”, filme dos anos 80 com Bill Murray fazendo o papel de Hunter S. “Gonzo” Thompson. No mesmo pacote, adquiri também a 10ª temporada dos Simpson. Lógico que é pirataria, como já disse porraqui antes, sou fiel ao meu pirateiro.
Ah, eu também nunca fui ao Grazie a Dio, mas fica ali na Rua Girassol, 67, na Vila Magdalena. Talvez eu vá, minha idéia principal e encarar a banda no Rio de Janeiro, sábado que vem num bate-e-volta medo e delírio.
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Falando nisso, consegui hoje “Uma Espécie em Extinção”, filme dos anos 80 com Bill Murray fazendo o papel de Hunter S. “Gonzo” Thompson. No mesmo pacote, adquiri também a 10ª temporada dos Simpson. Lógico que é pirataria, como já disse porraqui antes, sou fiel ao meu pirateiro.
Tuesday, September 11, 2007
Oi, meu nome eu esqueci. E hoje é só mais um dia dourado. Estou respirando fumaça e ainda calibro tudo com um cigarrinho, que desce como uma colherada de poeira, pra ver se não fode de uma vez. Envelheço tomando sol no concreto. O clima tá muito seco aqui na cidade. Finjo que tudo segue na moral quando acordo e chego no serviço, abro a cortina e vejo as pessoas se arrastando lá em baixo na calçada, sem a menor elegância. Faz tempo que não chove, daqueles torós com trovoadas retumbantes que ecoam até Valhalla e fazem esses répteis de asfalto escorregarem pra debaixo das marquises. Às vezes as marquises caem e esmagam os infelizes como uma imensa pedra arremessada pela mão pesada de deus. A chuva molha os cartazes de crianças desaparecidas e meus cigarros, mas não me importo, entendo que isso é vida. Se tivesse asas eu voaria para cima das marquises e pensaria num lugar mais arejado para visitar. Como só posso caminhar, vou me arrastando até uma sombra, sento e acendo um cigarro e rezo por uma chuva que não vai cair nos próximos meses.
Monday, September 10, 2007
às moscas
Gigantes adormecidos nas ruas, como a igreja abandonada, a creche e uma habitação completamente descascada. Na última eu entro, na poeira, entre cães famintos e tigelas de cereais esquecidas. Nesses lugares inóspitos, onde poucas pessoas têm coragem de mostrar a fuça, eu caminho descalço após dirigir 230 quilômetros pelas interestaduais sem a menor intenção de chegar em algum destino propriamente. Na verdade, andei sem rumo e cheguei aqui numa cidade morta. Talvez seja destino, ou sossego fortuito. Sento numa praça tomada pelo capim que empurra as calçadas para crescer num silêncio sepulcral onde apenas escuto o farfalhar das árvores secas de inverno ou alguma lata vazia rolando pelo chão. Tenho medo de assobiar. Agüento duas horas sentado num banco de concreto, noto que tem um mendigo dormindo sobre um monte de feno, talvez seja o único habitante dessa cidade, mas nem chego perto. Hoje não quero conversar com ninguém.
Monday, September 03, 2007
BAIXO CALÃO
Quer comprar um desenho meu, com dedicatória de amor de coraçãozinho atrás e marca de baton? Vem aqui, ó.
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