Tuesday, March 18, 2008

No final de semana passado, após passar horas solitárias na prancheta numa madrugada chuvosa, resolvi dar umas bandas pela cidade. Deslizei com o carro pelas ruas molhadas que refletiam as luzes dos postes e dos faróis. Tudo estava muito estranho. Talvez fosse apenas minha cabeça. Descendo a Consolação, do outro lado, um comando da polícia com 8 viaturas, incluído 2 CET e uns 20 gambés empunhando escopetas e revólveres entre cones de sinalização, paravam os veículos que subiam. Agradeci por não estar naquela rota. Parei na Roosevelt que já estava moribunda. Muita gente já devia estar dormindo. Eu não tinha o menor sono. Tomei uma ou duas garrafa de cerveja com um camarada e puxei o carro. Continuei rodando. Numa esquina na Consolação, perto de onde os policiais estavam com a blitz, um gol branco fura o sinal e quase dá de frente com um táxi. Eles estão parados, um encarando o outro, até que o vacilão coloca meio corpo pra fora e estende o dedo médio para o taxista. Ele berra impropérios que eu não escuto graças ao Elvis que canta no som. O gol arranca e sobe a avenida. O taxista enlouquecido vai atrás no regaço. Eu pensei, Ih, ó lá, perseguição tipo nos filmes. Subo devagar quando vejo do outro lado um Peugeot capotado. O cara, que devia ser o motorista, tenta em vão desvirar o veículo. Uma viatura chega para averiguar a merda. Tudo parece frenético e descontrolado como um formigueiro depois de uma pedrada. Continuei em frente. Passando por baixo do viaduto, vejo uma mulher vagando com um carrinho de bebê. Aquilo me deu arrepios, parecia um espectro da madrugada, uma alma penada. Paro num semáforo fechado. Um carro com vários otários risonhos começa a acelerar ao meu lado. Ele quer tirar um racha comigo. Eu piso no acelerador e o giro sobe, a frente do carro sacode e o câmbio parece estar vivo. Faço cara de durão. O sinal abre e os bananões largam arrancando como se estivessem num bate-bate de parque de diversões de cidade pequena. Eu saio bem lentamente, no estilo, puxo um cigarro e penso outra vez, bando de trouxas, que morram. Eram quase 6 horas da manhã, mas ainda estava bem escuro. A chuva continuava. Rodei bastante, depois peguei o final da 9 de Julho. Indo na moral, vejo pelo retrovisor outra viatura, um Corsa. Ela emparelha comigo, me ultrapassa. Pela faixa exclusiva dos ônibus, um Gol verde surge e se posiciona entre meu carro e a viatura. Eu reduzo. O sinal fecha. Os polícias fream e o mané afunda a traseiras dos tiras. Pronto, mais merda. A cidade está perdida, lembro de ter pensado. Desço pro centro sem a menor idéia do que fazer. Fico rodando pelas ruas estreitas como se lambesse as varizes duma velha decrépita. Já é dia. Paro o carro na esquina da Ipiranga com a São Luiz. Desço e dou uma mijada na porta de um banco. Daí me sento debaixo de uma marquise e fumo outro cigarro. Alguma coisa me incomoda, como um risco na minha música favorita. Uma mulher gorda passa carregando uma sacola pesada. As pombas encolhidas arrulham sobre os fios e alpendres. O dia está nublado e chuvoso. Arremesso a bituca que quica na calçada e se apaga com a água. Estava na hora de voltar ao trabalho.

2 comments:

Enrico said...

eee são paulo, pior doque nunca, ein....
carai...

OFAC said...

baixa esse disco ai seu Pica Murcha!
http://www.yousendit.com/transfer.php?action=download&ufid=6B00FB290D12B41D