Monday, March 31, 2008

um cara normal

Caralho, o show do Shellac foi uma tijolada, ou o desabamento de um prédio dentro da minha cachola. Porra, é disso que eu gosto. Sábado, quando cheguei na Clash, o local estava vazio, a banda de abertura já havia tocado e na penumbra do palco apagado pude notar, pelo cabelo arrupiadinho do baterista, que os integrantes da banda estavam montando seus instrumentos. Eu me encontrava muito estragado pela noitada anterior somada a uma nova leva de trabalhos que precisei fazer no final de semana. Cogitei a hipótese de não ir e continuar trancado em casa. No entanto, meio febril, lá estava eu, de canto e um tanto de saco cheio, paranóico com tudo e todos. Se eu tivesse uma arma ali, descarregaria, em mim. A casa encheu, daí acenderam as luzes. Os três caras de preto subiram levantando os braços, mandando um abração pra essa mulherada gostosa desse Brasilzão. Eu me posicionei no canto direito da pista com uma visão boa do palco, encostado na parede. Acho que um dos caras disse algo como “We are Shellac”, ou não. Pode ser delírio meu. Só sei que Steve Albini deu umas palhetadas encardidas na guitarra. O baixo de Bob Weston roncou. E Todd Trainer deu umas marteladas. Daí os três ficaram em silêncio. O batera, o cara do cabelo arrupiadinho, magrelo com a feição de uma ratazana, levantou uma baqueta e fez um bico hilário, na mesma hora a platéia deitou de dar risadas, daí ele desceu o braço e o lugar veio abaixo. Sério. Albini usa a guitarra como se fosse uma serra elétrica que corta tudo. O baixo de Weston funciona como um escapamento de duas bocas e a bateria de Trainer é impressionante, o cara tem um estilo único, sem virtuosismo, minimalista, reto, parece uma fábrica trabalhando. As músicas vinham descendo como lapadas na orelha. A banda funcionando como um caça de guerra passando dentro de um túnel, aquele da 9 de Julho. A corda do baixo quebrou. Deram uma pausa. Steve começa conversar com o público. Pede perguntas. A molecada se diverte. Eu busco uma breja. E o escarcéu começa novamente. Meu cansaço desaparece. Quando tocam “A Minute”, do primeiro disco “At Action Park”, eu começo a pular que nem um maluco, além do que, minha lata de cerveja cheinha desaparece e gritos guturais começam a sair pela minha garganta. Era raiva destilada. Lembranças de uma época em que eu era apenas um moleque que gostava de punk rock e ficava andando pelas ruas sozinho, cagando pro mundo, invadem minha mente. Quando o show acaba, das caixas de som a microfonia me acalma. Era bem cedo ainda. Uma renca de mulheres de salto alto começa a surgir na porta do lugar. Pago minha comanda e saio. Encontro alguns camaradas e a gente passa a noite sentado na calçada, tomando cerveja e falando merda.

**
Ontem ainda fui tomar umas brejas com Todd Trainer, o baterista, na chopperia liberdade. O cara é um figura. Nada estrela. Não parou de falar um minuto. Entre um cigarro e outro, contou histórias hilárias com lendas do rock:
- Uma vez, Steve, que estava gravando esse último disco do Stooges, chegou pra mim e disse, “Hey Todd, Iggy Pop quer te conhecer”. E então eu disse: “Oooow! That’s really Cooool.”

Ou essa:
- Eu não gosto da Kim Gordon. Eu fui apresentado a ela umas 15 vezes, no entanto, sempre que a gente se encontrava, Steve dizia “hey, Kim, você conhece o Todd?, e ela “No”.

Fora outras de quando a PJ Harvey seguia a turnê do Shellac indo na van com eles. De quando tocou com Will Oldham, e muitas outras. É isso ai.

10 comments:

mariana said...

é, a vida é assim mesmo...às vezes a gente acha q já era e de repente um show punk nos faz sentir vivos d novo! e vamo aí!

Anonymous said...

é isso ai.

cc

mariana said...

depois q escrevi isso tentei pensar na última vez q me senti viva assim...puuuta q opariu, foi no show do buzcoks e isso já faz muito tempo... acho q eu já era.

Carlos Carah said...

que isso, Mariana.
tem Black Flag no fim do mês.
beijo

Patrícia Lobo said...

Oi, queridão!
Visitando suas palavras.
beijo

mariana said...

você são paulo, mim coré-etuba. muitas bandas q tocam aí não vem pra curitiba,mas vou me informar se o black flag vem pra cá.bom dia!

marcela said...

fala carcará! tô bem sim. tô esperando show que valha a pena o cansaço e os trocados a menos noutro dia. Esse parece ter sido mui bom, black fag eu não curto não ao ponto de largar tudo aqui. devo estar indo pra ai, com meu namorado, o seko, pra convenção de tattoo, se não tiver nada melhor antes. te aviso.


bjo

Anonymous said...

mariana: desculpe, o show é do Bad Brains. não sei de onde tirei black flag.

cc

Carlos Carah said...

Fala Patrícia,
nossa, você por aqui!
firmeza!
um beijo

Adriano said...

hahahahahahah...puta merda tava achando estranho brequi frégui!!!

...errou na melanina...