Wednesday, February 13, 2008

Esses dias, conversei por telefone com um amigão meu que não vejo há bem uns 8 anos. Foi engraçado o papo. Parecia que não nos víamos desde o Natal ou alguma data não tão distante. Eu morava em Campinas quando o conheci. A gente era bem moleque e não nos dávamos bem com as mulheres da escola. Eu tinha a cara coberta por espinhas pustulentas e o cabelo era comprido e crespo e sujo como aquelas moitas que nascem em canteiros no meio de grandes avenidas. Ele era magro cadavérico com o cabelo loiro até a cintura, com os dentes bem tortos como se quisessem sair da boca. Tentamos até formar uma banda, mas ele gostava de heavy metal e eu já caia mais pro punk, por isso não deu certo, além disso, nos poucos ensaios que fizemos, ficamos bêbados escutando um antigo vinil da Judy Garland que sua mãe tinha e não desenvolvemos uma cover sequer. Sua mãe, aliás, era uma pessoa muito boa, sempre me abrigava quando as coisas esquentavam pro meu lado com meu pai em casa. Cheguei a passar quase um mês lá. Ela que me colocou o nome de Carlos Carah, um dia na cozinha, dizia que soava muito bem. Uma pena que tenha morrido há quase 2 anos. Ainda posso lembrar claramente do seu rosto. A gente costumava, na madrugada, roubar um velho Del Rey que ela tinha. Era foda, o carro estava caindo aos pedaços e sacudia como se estivesse sendo chacoalhado pela mão pesada de deus. Colocávamos álcool de cozinha mesmo e saíamos nos rolês pelas bocadas do São Fernando, ouvindo The Who. Numa dessas, debaixo duma chuva escrota, quase atropelamos um cavalo, o carro foi rodando, rodando até acertar a guia e quicar para o outro lado da pista. Mijamos na calça de tanto rir. Após 4 anos naquela cidade de merda, mudei-me para São Paulo e meu camarada ficou por lá, se perdeu no crack e foi enviado para um tratamento com índios no Acre. Ficou seis meses no mato, comendo raízes e bebendo água barrenta. Ele me disse que chegaram a enfiar uma mangueira em seu rabo para lavar todos os resquícios da droga. Depois disso, foi morar na Califórnia - aproveitando que sua irmã havia casado com um médico gringo - numa forma de ficar longe das quebradas. Evitei tocar nesse assunto pelo telefone, entretanto pude notar que ele deve estar tranqüilo, tão tranqüilo que pude notar também o receio dele em me reencontrar.

6 comments:

I.:.S.:. said...

eu ainda luto por leer e entender seu blog inimitavel, eu e meu diccionario... all the best from london, as always...

Enrico said...

...já ouvi essas istória de campinas... loca, loca....
esse ai é amigo do Murguito tb, ou é o próprio?
...

Anonymous said...

Fala Mike.

come to Brasil arsehole.

let´s play third world.

um abraço pra você, irmão. e espero que esteja inteiro.

carcarah

Anonymous said...

e ai, Nariga.

é esse mesmo, o amigo do Murguito. maior truta.

abraço, irmão

D_GAZA said...

http://bp2.blogger.com/_lR1jxE418r4/R2x6r3txF9I/AAAAAAAACUY/5OzxGG-qTPo/s1600-h/39.jpg

Uma Pereréquinha pra VC!

Anonymous said...

corre a mão na pererequinha no corrimão.

abraço