Monday, December 15, 2008

suma

Dezembro chuvoso em São Paulo. As ruas do centro ficam bem mais acolhedoras, as cores intensas e definidas como se alguém regulasse o contraste de um monitor, transformando toda a atmosfera num sonho atrás da janela. Durante o dia as pessoas caminham por ai sem preocupações graves, sem o pânico. As árvores balançam e escuto o farfalhar das folhas. E o céu volumoso e escuro dançando em explosões lá em cima do topo dos prédios como num prenúncio de que alguma merda vai acontecer. E geralmente acontece. Como vudu. Quando a noite cai. Quando ando por ai e me sinto cansado de tudo, chateado. Quando os loucos mostram os dentes e as laminas sangram. Os semáforos piscam numa mesma cor. Talvez eu apenas precise dar uma volta e respirar novos ares por um breve período de tempo. Tempo. Faz tempo que ando pelas ruas molhadas do centro da cidade de São Paulo. Estou cansado e repetitivo. Só preciso dar uma volta. Sentir tanto sua falta me deixa doente. Eu tenho quase certeza de que você fez vudu, macumba, ou algum tipo de trabalho para me atrapalhar. Você costumava me acarinhar como um cão. Sinto-me doente agora. E não é nada demais. Apenas mãos suadas e um zumbido agudo na cabeça. Vejo uma senhora carregando uma grande sacola de feira do outro lado da rua. Sinto muito por tudo que aconteceu entre nós. Ontem sonhei com uma estrada que circundava a serra beira mar. O carro minúsculo deslizando numa faixa negra de asfalto sob grandes montanhas com os topos cobertos por nuvens carregadas, como os prédios, mas as montanhas são mais imponentes. Acordei com as mãos suadas e uma melodia estranha na cabeça. O som do mar, a risada de um louco. Tenho certeza sobre esses trabalhos. Quase. Tem alguma coisa errada comigo. Como se estivesse sendo feito de idiota. É o vudu funcionando. Tarde demais.

3 comments:

Adriana said...

PÔ, uma declaração de amor às avessas. Talvez uma traição no meio, dá essa sensação. Um melodia esse texto seu triste mágico forte.

Adriana said...

Uma maneira poética de dizer que tomou uma cacetada da amada? Bom, cara, muito bom. Adoro seus textos. Beijo.

Anonymous said...

From: Lou
To: Ccarah
Só literatura?