Wednesday, December 30, 2009
Wednesday, December 09, 2009
Friday, December 04, 2009

Hoje terminei de ler “Leões de Bagdá”, uma HQ lançada aqui em 2008, de Brian Vaughan e Niko Henrichon, baseada numa história real que aconteceu após um bombardeio americano que atingiu um zoológico iraquiano, libertando quatro leões famintos pelas ruas devastadas da lendária cidade do Sudeste Asiático. Li hoje cedo essa novela infanto-juvenil - algo como uma clássica história da Disney sem aquela fofurice mela-cueca e esperançosa -, onde os animais se comunicam entre si e travam questões, de forma ingênua, sobre a liberdade e o aprisionamento aconchegante do zoo, e encaram as roubadas da nova realidade. Fiquei um tanto comovido com o final. Talvez por não esperar aquele desfecho para a história cruel dos bichanos; talvez pela ingenuidade pura e tola de uma história em quadrinhos feita nos velhos moldes; quiçá por ela me lembrar também dessa minha antiga diversão, que é ler um quadrinho, uma revistinha com uma bela fábula triste.
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Este ano já deu a cota. Passei esta última semana quebrado. Carreguei minha carcaça de grilho, a capa do Batman, pelas ruas escaldantes e entupidas de São Paulo. Agora vou dar umas bandas por ai, respirar novos ares em ambientes fechados. Ficar bêbado demais para sonhar, agarrado nos braços da minha mulher como se o chão fosse desaparecer sob meus pés. Preciso dar uma volta descompromissado sem pressa com as mãos nos bolsos. Arremessar coquetéis Molotovs numa casa na árvore e rir longe de tudo. Talhar grunhidos em portas de banheiros públicos com meu canivete suíço falsiê. Ouvir country music honky tonk sob o vento causticante de alumínio dos trópicos em lugares improváveis. Fumar bastante e foder minha alma com bebidas fortes de origem suspeita escutando os ecos das ilusões. Olhar as luzes das casas do outro lado da colina brilhando na escuridão. Não tenho planos ou vontades para o novo ano, nunca penso em períodos, tudo será sempre súbito e brusco na minha vida. Por enquanto, quero apenas sair para dar uma volta.
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aqui meus álbuns preferidos de 2009:
- Fiery Furnances – "I`m Going Away"
- Grizzly Bear – "Veckatimest"
- Girls – "Album"
Aqui uma paulada para animar suas noites quentes e festivas de final de ano:
"Brand New Cadillac” – Vince Taylor
E outra pra dar um passeio de carro às 5 horas da matina em bairros afastados pensando que a noite irá compensar a ressaca.
"Life Turned Her That Way" - James Carr
puta que o pariu. essa música dichava.

Yippee Ki Yay Santa
Monday, November 30, 2009
Sunday, November 29, 2009
Friday, November 27, 2009
Monday, November 23, 2009
Sunday, November 22, 2009
Friday, November 20, 2009
hoje
"We Almost Lost Detroit" - Gil Scott-Heron & Brian Jackson
Tuesday, November 17, 2009
hoje, né
vou sair com meu taco de baisebol.
por isso, não mexa comigo. não me faça nervoso.
algumas pessoas passam a vida inteira sem entrar numa briga. estou me sentindo assim hoje.
com vontade de tacar fogo em você e apagar com pauladas, com meu taco de baisebol.
apareça aqui na porta de casa. e eu vou te receber com minha arma apontada pra tua fuça.
meus grandes inimigos.
agradeço que vocês ainda existam.
por enquanto.
vou fazer tuas mulheres viúvas e teus filhos orfãos viciados em crack perambulando pelas quebradas da Paim. eles ainda vão me pedir moedas.
sempre que acordo, faço uma roleta russa encarando o espelho trincado.
ensaio um adeus.
no entanto, o satanás ainda me quer aqui.
com meu v8 apavorando civis.
meu taco de baisebol no banco de trás.
xavascas pingando e narizes escorrendo o sumo da verdade.
o sangue quente e a fúria sem controle. algo que explode e estilhaça dentro do meu peito.
por opção.
fique longe de mim.
ou serei obrigado a subir teu gás.
outra vez.
Friday, November 13, 2009
minha obscura vida de artista direitista arrogante
*
na segunda, dia 16 de dezembro, rola mais uma edição do Rive Gauche no espaço b_arco, com leitura da peça francesa "Escola de Viúvas"; no elenco tem a Maria Manoella, a Tati Tomé, Majeca Angelucci e o Zé Trassi. eu vou desenhar - com mais uma pá de gente - o que der na telha durante o ato. a partir das 20hs30. endereço no link.
*
e na terça, na Livraria da Esquina, discoteco safadezas hereges acompanhado das bandas Fábrica de Animais e La Carne. paulera pura. a partir das 22hs. veja o endereço no link.
e venha comigo.
você tem um cigarro aí?
vamos juntos explorar das massas.
sem dormir direito, claro.
Thursday, November 12, 2009
O ar que me falha surge quando corto estradas sobre planícies resplandecentes que variam a direção de acordo com árvores e imensas rochas no caminho. Sei que pode parecer loucura. Estou intoxicado pela metrópole peçonhenta. Eu nunca me digo a verdade. O ar me falta e invento, por isso, escapo e perco a cabeça. Algo se acomete sobre mim. Meu regular nunca é suficiente. Sei que não adianta. Talvez eu deva explodir como uma garrafa arremessada num muro. A sorte que suja e pinga vermelho. Quando atravesso planícies desoladas pelo vento, mantenho-me quieto e absorto. Invento. E tudo é bem mais fácil que morrer para mim. Paro num posto de abastecimento em Passo Alto. Perco a cabeça e o céu despenca. Com punhos cheios de poeira, observo a paisagem. O sopro que deita as lavouras no horizonte. O sol pune tudo ao redor. Nuvens detonam no céu. Pela última vez. Eu trouxe minha ansiedade para uma planície desolada, agora deixo que os lobos me julguem. Lá de longe. Uivo para que me encontrem
e
me
dest
ri
nch
em.
Friday, November 06, 2009
Monday, October 26, 2009
Sunday, October 25, 2009
Monday, October 19, 2009
Friday, October 16, 2009
Wednesday, October 14, 2009
uma vida imaginada
arquivada numa caixa
de sapatos de papelão
escondida na parte de cima de um armário
embutido
nunca se sabe
descompensado
de madeira
amarelada
coisas de lugares menores
de manhãs
imaginadas
num carro vazio
longe pra caralho
parado
no meio de um viaduto
interditado
a porta do motorista aberta
o som ligado
numa rádio country
num velho automóvel
à gasolina
num estacionamento
mal iluminado
um senhor pálido
olhando a cidade
através
do pára-brisa
do reflexo embaçado
respirado
vidrado
que assiste
retrovisado
escurecido
sob o céu claro
de nuvens cinzas
carregadas
que dançam
e explodem
em silêncio
para pedir
baby, não vá.
Wednesday, October 07, 2009
penas pretas
Monday, October 05, 2009
Friday, October 02, 2009
A vida é um livro aberto com as últimas páginas arrancadas
"Lembrete: 17 de seus amigos convidaram você para participar do Facebook”
Sempre achei interessante a idéia de inventar uma identidade, mas não, por favor, amigos, por favor, parem de me convidar para ingressar a porra desse Facebook. Vejam bem, sou um ser peludo e nojento, azedo, grosseirão e débil, não tenho nada de interessante para mostrá-los, nem mesmo meus testículos inchados ou minhas espinhas pustulentas no cotovelo. Lembre-se, minha gente guerreira, eu não existo. Sou um completo embuste, entretanto, faço um certo esforcinho para parecer sincero, e, olha só, tenho 5 amigos apenas.
Tuesday, September 29, 2009
Tuesday, September 22, 2009
hoje rola Saco de Ratos, no Café Aurora, ali na 13 de Maio, onde mora a maldade.
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amanhã, quarta-feira, acontece a penúltima apresentação de "Curta-Passagem". 21hs, no Satyrus I. Praça Franklin Roosevelt, 124.
quem não viu, apareça.
depois a gente malha umas garrafas.
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e o Scream & Yell aparece de layout novo.
ficou muito bom.
Tuesday, September 15, 2009
ele é um piloto
Monday, September 14, 2009
desgoverno
A engenharia é dura. Querem disciplinar os pixadores. Enquanto Kassab & Serra tentam apagar a cidade de todas as formas, alguns moleques pestinhas negligentes e perigosos tentam revidar. Tá certo que muitos hoje em dia só ‘ataquem’ em galerias; outros façam arte em avenidas mais movimentadas com aval da Prefeitura, no entanto, que a pixação continue nas ruas, no topo dos prédios e no concreto dos viadutos. Lembrem-se: pixação não é grafitti. E viva o Tietê.
Bátima & Roben: preocupadões conosco
fim da noite
Thursday, September 10, 2009
quando Bob Dylan fez a cabeça dos Beatles.
* aqui um video de Dylan, com a cara pintada de branco, sinistro, mandando sozinho "Tangled Up In Blues". foda.
Monday, September 07, 2009
Wednesday, September 02, 2009
doenças, vícios e outras nhacas
The Rising Storm é um dos melhores sítios que já encontrei para a prática abjeta de baixar canções obscuras de qualidade hipotética. O cara é um grande conhecedor de músicas que podem te levar a pensar em dar cabo na vida. Isso aqui, por exemplo, transforma sua cabeça num travesseiro. Agora, o post dele sobre punk-blues é só paulada, escuta isso ai embaixo e imagine mulheres de bikinis asa delta, empunhando metralhadoras em possantes carros v8, cuspindo bala em velhinhas com pesadas sacolas de supermercado.
antes de dormir
Gláucia era uma criança grande que não gostava de ser amolada. Nem de trabalhar. Gláucia não era chegada em banhos. Nem um pouco. Nem em meias. O tipo de garota negligente que sempre arrebentava a pulseira do relógio. E enquanto andava por ai com sua bocarra aberta para o pavimento irregular, Gláucia sentia como se pudesse engolir o mundo, de uma só vez, apenas para depois defecar uma massa cinzenta na mesma calçada cheia de gente. Positivamente negativa, por opção, claro. Nesta cidade. Gláucia era assim, tinha uma visão bem aguçada e não se deixava levar pelo papo furado. Alguns diziam que ela era louca. Não creio. Nem duvido que me apaixonei por ela. Quando ficava nervosa, Gláucia quebrava coisas e se sentia bem melhor em seguida, dançando com a noite escura e silenciosa uma música que tocava alto em seu jukebox mental. Sem remorsos. Eu ainda penso muito em Gláucia antes de dormir, só que um dos meus irmãos bem que me alertou, “Gláucia se casou com ela mesma, não pense mais nisso, volte ao trabalho”. Soube esses dias que Gláucia foi vista semanas atrás comprando mantimentos enlatados no armazém do seu Pedro. Dizem que ela desapareceu pela interestadual que desce para o Sul. Já não mantinha mais contato com ninguém e sempre fugia quando me via na rua, ou você. Não acredito que Gláucia esteja morta. Gláucia é uma criança grande e aborrecida de olhos vermelhos. Não há nada de errado com isso. Tá tudo certo. Como deixar a porta de casa aberta a noite inteira. Razoável. Para que as lembranças escafedam-se.
Thursday, August 20, 2009
faz tempo que não vejo
a chuva castigar
tanto assim a cidade
como se alguém
muito aborrecido
lá em cima
arremessasse mudanças
mais uma vez
há muito tempo
seguro a respiração
não faz a menor diferença,
apesar da chuva,
que sempre cai
das velas que se apagam o tempo todo
das janelas que batem
e das árvores semeadas
em calçadas descascadas
que balançam no escuro
sob as luzes elétricas dos postes
sombras dançam
colhidas
talvez eu finja fugir
mais uma vez.
quem sabe,
o sol raie,
como um espírito
dentro de mimque chantageia
e trava
Sunday, August 02, 2009
Friday, July 24, 2009
quieto
"Don’t Deceive Me" - Screamin’ Jay Hawkins
escute ai, ou foda-se.
Sunday, July 12, 2009

hoje é aniversário do Linguinha. Linguinha da Silva. Preste atenção neste sobrenome, você ainda vai ouvir sua risada. O cara, também conhecido como o Bumbum Guloso de Veludo da Praça Rusivel, é um grande filho da puta. Sacana. Mau caráter, piranhudo, matusquela e o caralho. Gente fina até o limite, isso é, se ele te conhecer. Poeta punheteiro, leitor da Piauí, vagabundo nato. Quando o conheci, quase malhei uma bola de sinuca em sua testa, na maldade, lá no Juke Joint. Ele tentou me arranhar. Safado sem esportiva. Hoje, garanto, que esse arrombado enfrentaria um exército ao meu lado. Um verdadeiro amigo. Truta mesmo esse curitibano, bandefroxo. E isso é mais que o suficiente. Logo mais vai rolar uma festa pro Língua. No Coletivo Galeria, ali na rua dos Pinheiros, 493. O Saco Ratos vai estar lá. E eu vou chegar de vuadora.
Friday, July 03, 2009
HOJE
Efeito Urtigão
Texto e direção : Mário Bortolotto
Com Mário Bortolotto e Paulo de Tharso
Satyros 2 - Praça Roosevelt, 134
Todas as sextas do Mês de julho - Até dia 31/07
Ingressos : R$ 20
e amanhã, sábado, a reestreia.
Curta-Passagem
Texto e Direção : Mário Bortolotto
Com Francisco Eldo Mendes, Guta Ruiz, Carlos Carah, Daniela Dezan e Carla Trombini
Satyros 2 - Praça Roosevelt, 134
Todos os sábados do Mês de Julho
Ingressos : R$ 20
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Deliberate Wreckage
Monday, June 29, 2009
Igor perdeu no par ou ímpar

Depois daquele atropelamento, todo mundo passou a mão em sua cabeça e o abraçou. Pareciam se preocupar com o garoto. Ele ficou imóvel, com seu pulôver listrado ridículo de gente mais velha e sua calça bege, agora com um novo furo no joelho esquerdo. Um fio de sangue escorria da sua testa. Outro brotava de dentro da blusa, bem no cotovelo, onde sempre se rala nos estabacos, ainda bem que ninguém percebeu. Ele olhava alguns pombos nos fios de alta tensão, alheio a tudo aquilo ao seu redor. Nada acontecera. Apenas o susto do impacto. Agora ele ouvia vozes desafinadas de pessoas que pensavam que ele fosse um bebê-chorão. Vozes de pessoas petulantes que encostavam suas mãos sebentas em seu rosto dizendo que não foi nada não. E não havia sido nada mesmo. Nada. Mesmo. Embora, ali, na calçada em frente à casa da Dona Tânia, surgisse, como se ligassem uma chave, alguma coisa o avisando para ficar longe daquela gente. Longe das pessoas que fingem. Assim, pegou sua BMX e desceu rumo ao gramado, onde estava indo antes daquele palhaço virar sem olhar para os lados. Onde deveria estar, à caça de grilos. Malditos grilos.
Low - "Peanut Butter Toast and American Bandstand"
Sunday, June 28, 2009
Friday, June 26, 2009
Wednesday, June 24, 2009
troubled times
li isso em algum lugar
livro didático infanto-juvenil gratuito direitista cristão.
coisa de seguidores da comunhão.
para àqueles que tentam ser alguém
me baseio em nunca acreditar no que os outros pensam que sou.
prefiro uma facada a um elogio.
e ficaria satisfeito se tomasse um tiro.
sem esperar ou procurar.
E descobrir, afinal, que sou ninguém.
como você.
deus, às vezes é preciso um tempo enorme para desaparecer.
faz frio.
e as ruas continuam cheias de olhos de peixe.
isso não me significa porra nenhuma.
pelo menos
para ninguém
nenhum
nem
dormi tarde e não escovei os dentes.
você me diz que está ocupada.
uma tempestade entope a cidade.
talvez.
seja verdade.
alguém me contou
ou li
que uivar é coisa de louco
que sente dor
apenas para cantar
au auuuuuu....
"The Things That I Used to Do" - James Brown
Sunday, June 21, 2009
Saturday, June 20, 2009
Wednesday, June 17, 2009
"Saiu resenha sobre A Musa Chapada no jornal O Estado do Maranhão"
POESIA CHAPADA EM LIVRO
Em A musa chapada, poemas de Ademir Assunção e Antonio Vicente Seraphim Pietroforte ilustrados por Carlos Carah apresentam novas possibilidades para a relação poesia e drogas.POR ZEMA RIBEIRO*
ESPECIAL PARA O ALTERNATIVO
[A musa chapada. Capa. Reprodução]
Não é novidade a relação entre literatura – ou mais especificamente poesia – e drogas. Não é fácil também criar algo novo nessa relação que não cheire – opa! – a apologia barata, as lições de moral da auto-ajuda ou umbiguismo autobiográfico (para o bem ou para o mal e, às vezes, também com lições de moral baratas).
Em A musa chapada [Demônio Negro, 2008, R$ 20,00 em http://www.sebodobac.com], o encontro dos poetas Ademir Assunção e Antonio Vicente Seraphim Pietroforte e do desenhista Carlos Carah, expande – ops! – o entendimento que se tem sobre o que é “droga” – se à menção do termo você só pensa em maconha, cocaína, crack, merla, heroína, haxixe e similares, que tal acrescentar a TV e alguns de seus programas no drugs hall of fame (principalmente a fé vendida na tela)?: “no canto da sala a TV ligada/ o pastor gritava/ (...)/ o poeta pirava/ “meu deus como pode/ tanta merda enlatada?/ que gente mais troncha/ que vida fodida/ (...)/ o real é a ilusão virtual dos que batem a cara contra o muro””, rima Ademir Assunção em A volta do anjo torto, poema com referências explícitas a Torquato Neto e Raul Seixas, dois malucos geniais.
Dedicado “à memória de Sérgio Sampaio”, e trazendo Itamar Assumpção como epígrafe, o trio dA musa chapada está bem acompanhado. Seja pelos beats, referência obrigatória em se tratando do assunto – e influência confessa dos poetas e do desenhista –, seja pelas personagens que povoam o livro: Lili Maconha, Mister Morfina, a Senhora dos Sonhos, O anjo do ácido elétrico (título de poema de Ademir Assunção), Santa Maria Joana (idem), Johnny Walker e João Bafo de Onça, entre outros, além da música de Miles Davis.
O recado de Antonio Pietroforte é direto em Poligonia do soneto III: “quem diz que a droga mata anda errado/ tampouco, acerta aquele que comenta/ “usuário dá dinheiro a traficante,/ promove, com seu vício, a violência”/ prefiro dar dinheiro pra bandido/ que vende, honestamente, seu produto/ se pago imposto, não recebo nada/ sustento deputado vagabundo/ violenta é a fala da polícia/ que fuça, no meu bolso, feito rato,/ aumenta, com propina, seu salário;/ a erva que se fuma só acalma,/ trabalho mata mais do que cigarro,/ por isso que eu fumo pra caralho!”
[Um dos desenhos de Carlos Carah em A musa chapada. Reprodução]
Nem um nem outro – nem o desenhista – ligam para o que é (ou não) politicamente correto. Dão seus recados sem transformar sua obra num apático manifesto a favor ou contra nada – a legalização das drogas, por exemplo. O que os autores fazem é apresentar a realidade nua e crua – mesmo em poemas ficcionais –, a inegável realidade da São Paulo paisagem dA musa chapada – mas não pensem que é diferente em outros lugares do mundo, bem aí do seu lado deve ter uma boca de fumo, uma “filial” da cracolândia, lugares simplesmente feios e sujos para a maior parte dos olhares conservadores. A vantagem é que ninguém é obrigado a nada.
Entre o lirismo e a ironia, os poemas de Ademir Assunção e Vicente Pietroforte tão bem ilustrados pelas “lentes manuais” de Carlos Carah são verdadeiros clipes de uma sociedade onde puritanismo é (quase) sinônimo de hipocrisia e, num circo de vaidades, (quase) todos se preocupam somente em consumir (drogas, inclusive) e produzir (por obrigação), sem olhar para o lado (leia-se, para os problemas que as/nos rodeiam), obtendo um pseudoprazer que, infelizmente, por vezes as satisfaz. A musa chapada é um tapa seguro e sonoro nesse bom-mocismo, nesse conformismo. Vai encarar?
*ZEMA RIBEIRO escreve no blogue http://zemaribeiro.blogspot.com
[No Alternativo, O Estado do Maranhão, de ontem]
Monday, June 15, 2009
quero ser seu amigo no facebook
não sei se alguém já sabe, mas estou numa peça do Mário.
amanhã tem.
no mesmo dia e horário, rola a peça do Marcelo Paiva.
daí, depois, todo mundo vai pro show do Saco de Ratos.
é divertido
até a terça virar quarta de manhã.
divertido para caralho, aliás.
não sei, mas as quartas andam me detonando.
Sunday, June 07, 2009

me amarro quando encontro uma molecada fazendo um som de qualidade. é difícil encontrar novas bandas interessantes. The Rosewood Thieves é uma banda recente e anacrônica, daquelas anti fashion que se vestem mal e fazem poses erradas em fotografias. o que importa mesmo é a bagagem que carregam nas mochilas pegando carona em trens e metrôs das metrópoles urgentes, coisas como livros do Jack London e todos os albúns de Bob Dylan no iPod, folk podre caipira e soul music. o lixo que eles consomem é muito importante para você saber quem eles são. The Rosewood Thieves lançaram seu primeiro albúm no mês passado. porém, antes disso, esses nova-iorquinos lançaram 3 ótimos EPs, incluindo um com apenas covers de Solomon Burke, desgraçadamente foda. boas letras, melodias & arranjos sutis, pouca preocupação com pose e uma boa dose conhecimento e veneno musical e literário. não é preciso muito para se formar uma banda interessante.
The Rosewood Thieves - "When my plane lands"
The Rosewood Thieves - "Home in your Heart"
The Rosewood Thieves - "Los Angeles"
Monday, June 01, 2009
Wednesday, May 27, 2009
(continuação da porcaria abaixo)
– E aiiiii, parceiro?! – ele praticamente berra, sempre fazendo pose de moleque malandrão. O problema é que já passou dos 60, a base de muita cachaça, droga e Yakult pela manhã.
– Aqui nada. Preciso de 20 conto de pó.
– Cumequié? Tá pensando que é papai?
– Falaí, Varejeira – Iranildo já vai entrando, sem a menor sutileza –, quem é essa ronquefuça aqui? Tá breaca hein!
– Porra, não! Você ainda anda com o Iranildo?
– Saí fora – eu digo lhe entregando uma nota amarela –, pega logo a bagaça que eu vou embora.
– Rapaz. Eu tô na moral aqui, fazendo um amor gostoso com minha cocotinha e você chega cheio de panca assim. Tá achando o quê, Soares? As ruas mudaram.
– Eu num acho nada, profeta, sequer procuro. E essa mulher ai tá morta. – coloco a mão espalmada na testa da infeliz – Tá até gelada. Falando nisso, tem uma cerveja ai?
– Ele se vira e vai até a cozinha. Iranildo começa a fuçar nas gavetas numa agilidade gatuna. Ele quer roubar. É um safado.
– Olha aqui – Varejão aparece sem perceber nada suspeito –, pega uma cerveja e toma sua droga.
– Opa! Assim que eu gosto, papai.
– Agora, senhores, vazem – ele sempre diz isso no final, entortando a cabeça e levantando os braços, como um rei decadente expulsando seus súditos de um castelo em ruínas.
Descemos pela escada de incêndio. Um puta fedor de bosta humana. Iranildo tenta me segurar pedindo um teco:
– Vai, Soares. Alivia, porra.
– Pérai, caralho – eu nego – maior fedor aqui.
– Porra, Soares – ele fala, ofegante –, tinha um berro lindão na gaveta do Vereja, deu maior vontade de pegar, ó.
A gente desce pra Gruta. Ficamos na sinuca-cerveja-pó-cigarro e papo-furado até perto do amanhecer. O jotalhão do Iranildo não cala a boca. Eu não entendo nada do que ele fala. Física quântica. Astrologia. Teatro. Rambo. Negros nazistas da Liberdade. Ladainha das mais incompreensíveis.
– Vamo encarar um inferninho – as primeiras palavras que solto em horas, parece – agora.
– Tua mulher vai ficar...
– Cala a boca.
– Porra, Soares, você nunca falou assim comigo – a bebida começa a afrouxar seus sentidos.
– Iranildo, cara, tu não calou a boca desde a hora que te encontrei.
– E daí, porra? Tava com saudade de fazer um rolê com a tua companhia, truta. Dá cá um abraço.
– Saí fora o caralho!
Vejo uma cambada de emos descendo a Augusta. Sinto nojo. Mas passa rápido.
– Meu novo estilo, Soares – Iranildo diz isso e levanta o queixo, daí, devagar, cerra os olhos e arqueia as sobrancelhas –, que nem o John Belushi nos irmãos cara-de-pau, tá ligado?
– Lógico. Tá idêntico. O terninho. Chapéu, pá. Inclusive o jeito de andar.
Ele pára . Todo-todo. Sério como uma estátua de folga.
– Tá me tirando, doido?
– Não. Por quê?
– Que idéia torta é essa?
– Torto é o jeito que cê anda.
– Soares, se liga, truta. Lembra daquelas putas que a gente comeu no Treme-treme depois da quermese da Júnia?
– Sei... roubada do caralho. Foi guela.
– Foi mesmo. Peguei uma bicheira na cabeça da piroca. Fui pro hospital e os caras tiveram que arrancar minha fimose na faca, na marra. Chicletinho. Ou, o doutor disse, as verrugas não sumiriam nunca.
– Vixi! – tento me preocupar, sem rir – você devia tá de repouso, né não?
– O caralho! Tô estressado. Sequer posso socar uma. Ficar em casa é a última opção. Se liga, a máquina de lavar roupa da minha goma quebrou – ele dispara a falar, numa levada que me faz esquecer das merdas e me lembra de como é bom encontrar velhos amigos –, minha velha aparece histérica na hora do almoço, começa a reclamar, com um olhar de doida mal comida, que minhas cuecas estão cheias de freadas, que não iria mais lavar aquilo e que eu sou vagabundo preguiçoso e o caralho. Velha folgada, tru, virei bicho!
– é mesmo? Que que cê fez, gordo?
– Ah, meu coroa começou a gargalhar no sofá, me chamou de mela-cueca, cu-froxo e o caralho a quatro – nessa hora seu rosto fica vermelho, algumas veias surgem no pescoço. – Mandei logo ele foder a mãe. Nisso, só senti uma fisgada aqui do lado da orelha – ele abaixa, tira o chapéu e me mostra uma parte raspada da cabeça com um corte cheio de pontos. – O maldito me lascou uma saleirada, Soares.
– Opa! Ah se fodeu – eu preciso me apoiar num poste. – Seu coroa tem a mira sacana. Maldade. Marcou tua jaca, magro.
– Se liga, parceiro! Tá achando o quê?
– Nada. Só que cê tá todo fudido. Todo costurado.
– Maré... liga?
– Sei. Cuidado pro chapéu não atolar.
Caminhamos pela parte escura da Boca do Lixo, puxo o último cigarro e amasso o maço vazio, arremesso a porcaria numa lixeira de plástico entupida pregada num poste. Erro hein. Preciso de mais cigarros, penso. Algumas nuvens carregadas atrás dos prédios do centro. Acendo. Cortinas numa centrífuga. Iranildo não cala a boca. O coitado tá mesmo com os miolos frouxos. Ele não era de falar tanto assim, acho. Sinto-me perdido como um mongolóide pegando ônibus pela primeira vez. Nisso, na Rego Freitas, um cachorro de três patas passa correndo ao meu lado, late rouco pro nada. Caralho, irmão, o que será que vem por ai? Um maluco imundo com pinta de ladrão vem pelo lado contrário e me interpela:
– Dá um cigarro, sangue – ele chega e estende a mão.
– Não tenho - balanço a cabeça, negativamente, e dou de ombros.
– Então, aí, me dá um pega desse teu crivo – ele insiste, numas de me tomar, atravessar.
– Saí fora, mané, tu não tá em condição de exigir porra nenhuma aqui, certo? – falo com calma, tô na minha, no entanto, o filha da puta tenta me acertar uma muqueta que pega de raspão a minha testa. Iranildo, com toda sua habilidade de baleia fora d’água, empurra o desgraçado. Ele cai. Eu me levanto e, como sou covarde, pego uma vassoura velha de esfregar calçada que encontro numa caçamba de entulhos e malho nas costas do folgado. PÁ! Ele rola pro lado e não esboça reação.
Perco o último cigarro.
Thursday, May 21, 2009
confio em ninguém e recuso ajuda
Monday, May 18, 2009
xumiguxinha
Achei uma entrevista bacana que Sasha Grey deu para a Rolling Stone brasileira.
Existem poucas mulheres como Sasha Grey.
Tuesday, May 12, 2009
Na rodovia cercada de capim seco o motor soa como um arroto dos deuses, um trovão no planalto do outro lado do mundo, que parece intocável agora. Tudo treme ao redor, dentro das sombras dos olhos. Joe Strummer não está por perto para me emprestar um punhado de canções. Empurre-me para fora, assim, quando notar algo estranho comigo. Sem fazer alarde, eu lhe digo, sem fugir de mim. Em câmera lenta e o giro no cume de Aconcágua. Erra-me na curva e jogue-me do desfiladeiro. Embrulhe-me em sangue e vidro. Deposite-me de costas no rio. Um altar que explode em metal e gasolina. Em nome do pai, da puta e do Espírito Santo.
Por que eu deveria querer morrer cantando “Sweet Home Alabama” para Deus?
Friday, May 08, 2009
Tuesday, May 05, 2009
vai, caráio.
::

aqui o Gadasneve.

Sunday, April 19, 2009
Friday, April 17, 2009

Escritores, desenhistas e artistas, como Laerte, Lourenço Mutarelli, Paulo César Peréio e Daniel Galera doam obras inéditas em prol de espetáculo de Mário Bortolotto
Idealizadoras do projeto de espetáculo teatral “Brutal”, com texto de Mário Bortolotto e direção de Marcos Loureiro, as atrizes e produtoras Carolina Manica e Luciana Caruso optaram por criar uma nova alternativa para a realização do projeto. Ao invés de esperar por editais e patrocínios elas resolveram reunir forças naquilo que elas mais conhecem: a própria arte. Conseguiram reunir mais de 30 obras inéditas de respeitados artistas e produziram a exposição “Brutal”, com abertura no dia 22, na Coletivo Galeria, em São Paulo. As vendas irão financiar a produção da peça.
Entre as obras, destaque para duas telas originais pintadas à mão pelo cartunista Laerte, que foram usadas para ilustrar as capas das coletâneas da sua consagrada criação "Piratas do Tiête", e um original inédito em canson, produzido com nanquim e desenhado com pincel pelo aclamado quadrinista e escritor Lourenço Mutarelli, autor de "O Cheiro do Ralo". Também serão expostos manuscritos. Um trecho do próximo livro do escritor Daniel Galera, "Barba ensopada de sangue",e uma crônica do escritor Marcelo Rubens Paiva estão entre eles. Entre as surpresas, uma tela de Paulo César Peréio revela que, além de ator, ele também é ótimo pintor.
A exposição terá ainda uma crônica manuscrita do dramaturgo Mario Bortolotto; uma crônica manuscrita de Xico Sá; um original de Rafael Grampá, novo talento dos quadrinhos nacionais e primeiro brasileiro a receber o prêmio internacional Eisner Award junto com Gabriel Bá e Fábio Moon, que também doaram originais para a exposição; um desenho inédito do escritor Joca Reiners Terron; cadeiras desenhadas pelo artista plástico e quadrinista Rafael Coutinho; originais do quadrinistaAndré Kitagawa, autor da famosa graphic novel “Chapa quente”, também adaptada para o teatro sob a direção de Mário Bortolotto; uma video arte da artista plástica e designer Andreza Valentim; um original do desenhista Carlos Carah; uma tela da artista plástica Raquel Falkenbach; uma ilustração da artista plásticaLuisa Doria; uma crônica manuscrita do escritor Daniel Pelizzari; um poema manuscrito do poeta, escritor e jornalista Ademir Assunção; uma fotografia do dramaturgo, diretor e fotógrafo Antonio Rocco; uma fotografia de Renato Parada; uma crônica manuscrita do jornalista e escritor Palmério Dória; uma tela desenvolvida pelo estúdio de artes visuais Sopa Grafix; um painel em MDF do artista urbano Loro Verz e uma vela impressa com arte fotográfica pelo fotógrafoRoberto Donaire.
Exposição “Brutal”
de 22 de abril a 3 de maio.
Coquetel de abertura: dia 22 de abril, a partir das 19 horas.
funcionamento:
ter. a sex. das 17 às 23hs
sab. das 14 às 19hs
Coletivo Galeria
Rua dos Pinheiros, 493 – Pinheiros – SP
11 3083 6478
www.coletivogaleria.com.br

Bill Callahan - "Sometimes I Wishy We Were An Eagle"
Bill Callahan, ex-Smog, acaba de lançar mais um álbum. Ainda estou nas primeiras músicas e são ótimas. Vá se você gosta de Nick Drake, Bonnie ‘Prince’ Billy, Bill Fay, desses caras que te fazem querer pegar a estrada para lugar nenhum no feriado prolongado. Porra, e a capa é fodaça.
isn’t it a pity
Era uma tarde de um domingo nublado e estávamos sentados na varanda da modesta chácara dele. Eu e meu avô. No interior de Minas Gerais. Isso em 1992, acho. Ele ia e vinha em sua cadeira de balanço. Descalço. Silencioso. Com os olhos fechados e a cabeça pendendo suavemente para trás. A boca levemente aberta para poder respirar. Peguei um pequeno aparelho de som, liguei na tomada e lhe pedi que prestasse atenção naquela música. Eu era um moleque desencantado, cheio de espinhas no rosto e meu corpo era raquítico e coberto de ralados e arranhões. Não fazia a menor noção de nada. Cagava e andava para o mundo. No entanto, aquela música me atingia de forma brutal, tinha um enorme poder sobre mim, como feitiçaria, me levando a um estado de melancolia confortável, como se eu fosse levado numa canoa Rio Verde abaixo.
Enquanto ela soava no mini-system, ficamos em silêncio olhando a paisagem, entretanto, eu também podia escutar o ranger da cadeira de balanço, um quero-quero gralhava com sua esposa no terreno da frente. O vento soprava fraco, e as árvores que escondiam o rio, atrás da cerca-viva de cipreste, faziam um farfalhar que lembrava o som de uma cachoeira. Tudo parecia se conectar a melodia da canção. Fangio, nosso doberman mestiço, lambia uma ferida pustulenta na pata dianteira esquerda, deitado no piso gelado de granito. Tirei meus óculos e os limpei com o avesso da blusa. Tentei enxergar meu avô sem eles. Tudo era muito turvo. Deitei de costas no chão. As nuvens carregadas dançavam no céu.
Meu avô era um piadista silencioso. Possuía um corpo volumoso, indicando que antes ele fora musculoso, mas os excessos da vida e a gravidade acabaram por vencê-lo. Sua testa era reluzente e sua olhar era profundo como se enxergasse através das pessoas. Gostava de vê-lo andar pelas ruas de Três Corações, com sua indiferença estóica. Sempre aparecia com suas intervenções ácidas quando a família discutia algum assunto banal na mesa do jantar ou do café da manhã. Também inventava jingles pessoais instantâneos que faziam todos rirem durante dias. Um sujeito íntegro que havia sido tenente no Exército brasileiro durante muito tempo.
Quando eu tinha 9 anos de idade, ele me ensinou a empunhar uma arma. Dei alguns tiros no pasto de uma fazenda nas redondezas de Cambuquira. Depois me deu uma aula de como desmontar e limpar um revólver. Lembro que ele foi caçar aves depois e voltou com as mãos vazias e um sorriso acolhedor no rosto. Já era noite e a família inteira estava na cidade. Fomos até a cozinha da fazenda, onde ele acendeu o fogão a lenha e pegou alguns ingredientes na geladeira e nos armários. Naquela noite, ele me ensinou cuidadosamente a preparar um arroz carreteiro suculento. Depois que comemos nos sentamos na varanda, onde meu avô me contou histórias assombradas de um velho de chapéu de palha que foi morto pela mulher, mas que continuava vagando pelos pastos de Varginha sob o luar prateado. Fiquei agarrado às minhas pernas finas com um cagaço filha da puta. Vaga-lumes surgiam e desapareciam na escuridão da noite.
Em 1996, meu avô recebeu um diagnóstico atrasado de pancreatite. Meu pai o trouxe para um hospital decente aqui em São Paulo. Fui visitá-lo, mas ele já estava bem magro e havia sido entubado. Não tenho certeza se me reconheceu ali, naquele quarto frio com cortinas de plástico verde-claro. Dois dias depois, ele morreu com todas as oportunidades que existia para eu agradecê-lo por tudo que me ensinou. Não tive a chance de me desculpar por não ter aproveitado e aprendido mais com sua pessoa fantástica. Não pude sequer abraçá-lo pela última vez.
Ontem, no sofá, senti uma saudade enorme dele. Da forma como ele levava a vida, não se preocupando demais nem deixando os aproveitadores se aproximarem. Ontem, me dei conta de que não posso fugir de quem eu realmente sou. Não posso deixar de acreditar nos meus amigos verdadeiros. Não posso esquecer-me de odiar meus inimigos. Não posso abandonar a verdade. Nem perder a lembrança da maneira discreta que meu avô se preocupava comigo. Sobre o que ele me disse sobre caráter. Sobre começar e terminar muitos livros, no entanto, ele se foi e eu o li apenas pela metade.
Thursday, April 16, 2009
isso não quer dizer nada
Esses dias parei para pensar no passado. Detesto indolência. Ando sonolento. Parei para pensar. E tenho medo de dormir. Preciso me libertar e despertar, por assim dizer, dessa merda amorfa toda. Ando sonolento. Mas enxergo. Memórias e presságios. Fiquei andando por aí. Estou me sentindo estranho. Minha garganta apertava naquela noite. Fiquei pensando que ia chorar. Não me lembro como é chorar. Daí fiquei legal. Minha percepção estava alterada. Aguçada. Nasci do outro lado do rio. Numa época errada. Numa curva. Que me faz renegar o presente. Eu acredito nessa habilidade para fazer qualquer coisa sem encontrar nada que queira fazer.