ontem cheguei a Sao Pedro do Atacama. eu e minha parceira dirigimos muito até aqui. cruzar a fronteira da Argentina para o Chile foi engracado. tomamos 3 enquadros assustadores, com caes farejadores e baculejo geral, no entanto, as Cordilherias é um visual fantástico, com paredoes de gelo e neve imensos de entortar o pescoço e esquecer da estrada. na imigraçao fazia -10 graus e a polícia nao deu trégua, um embasso gigantesco que quase me fez dar meia volta e continuar na Argentina. paramos em Los Andes para pernoitar e depois seguimos numa viagem lisérgica pelas estradas do interior do Chile. As paisagens sao impressionantes. De um lado se ve o oceano Pacífico, do outro montanhas com vegetaçao semelhante à caatinga, porém com cactus e rochas. às vezes entràvamos nas nuvens. subindo ao norte, paramos em Tal Tal, depois de dirigir uns 700kms. conseguimos um hotel vagabundo bem barato. no dia seguinte, mais estrada sem descanso. viemos por uma estrada de terra no meio do deserto que nos trouxe ao Atacama. a cidade aqui é bem pequena e turisca. cara e cheia de gringos europeus. ontem bebemos até cair num bar que estava lotada. conhecemos umas chilenas interessantes que querem ir conosco até o Vale da Lua hoje. veremos.
amanha devo sair daqui. confesso que estou exausto. talvez seja a ressaca, mas até Sampa falta muito. devemos passar por Salta na Argentina e depois seguir por Corrientes, daì entramos nos Brasil por Foz. veremos.
Monday, July 23, 2007
Wednesday, July 18, 2007
àpos rodar mais de 3800km, estou em Mendoza, na Argentina. na beirada da Cordilheira dos Andes, que devo encarar amanha bem cedo depois que conseguir as correntes para as rodas do carro. dormi em diversas cidades, Cascavel, Panambi - RS - onde fui obrigado a parar pois a chuva e a neblina na estrada me impediam de enxergar -, Santa Fé - AR, Cordobá e num vilarejo minúsculo chamado Balde, onde havia um termas decadente e esquecido. a estrada atè foi bem tranquila, qualquer calhambeque furreca pode encarar, chegando a entediar em alguns momentos nas infinitas planícies argentinas. Nos arredores de San Luiz, cruzei uma enorme cordilheira de pedras onde pude ver alguns resquícios de neve. o frio é suportável e as pessoas sao solicitas e educadas, até os policiais. o Brasil é notícia desde que entrei aqui, primeiro a vitória humilhante na Copa América, quando tive que sair do bar por sentir vergonha alheia pelos hermanos; depois com o Pan do Rio; e agora com esse desastre do aviao da TAM - estava passando ao vivo ontem na TV com imagens da Bandeirantes. silencio.
ainda pretendo visitar Santiago e Catamarca. e como o caminho nao tem volta, nao sei exatamente quando estarei de volta.
deixo um abraço aos amigos.
ainda pretendo visitar Santiago e Catamarca. e como o caminho nao tem volta, nao sei exatamente quando estarei de volta.
deixo um abraço aos amigos.
Tuesday, July 10, 2007

Dirigir. Vou dirigir por um bom tempo. Por estradas secundárias desconhecidas cortando o horizonte e postos de gasolinas descascados no meio do nada. Onde eu possa fumar um cigarro tomando uma cerveja com poeira assistindo um caminhão manobrando ali na beira da rodovia. Sem conforto. Sem pressa. Talvez durante umas 3 semanas.
Ainda não sei quando começo a jornada, mas pretendo abandonar alguns vestígios por aqui sempre que possível. Este endereço nasceu numa viagem. Essa era sua função. Então, até, mutchachos.
Thursday, July 05, 2007
Wednesday, July 04, 2007
O tédio mata desde que você foi embora. A rotina também, já que agora apenas escuto algum Bob cantando no rádio. Fumo mais cigarros que deveria e não me sinto um herói por isso. Estou apenas estudando minha dor que seca junto com a poeira desta casa. Você soube me acertar. Matou-me pelas costas cobrando lealdade. Mas está tudo bem comigo. Agora eu apenas espero o final da tarde para uma longa caminhada pelos arredores do bairro. Não peço mais nada, só preciso sair dessa cidade. Eu preciso fugir antes que seja tarde. Permanecer sozinho sem tentar entender as políticas da vida. Me concentrar apenas no que é importante. Na estrada. Onde o céu se funde com a paisagem. Onde as nuvens abstraem minha mente problemática e trazem a chuva. Onde os cavalos desaparecem dentro da noite.
“Love Comes To Me” - Bonnie ‘Prince’ Billy
“Love Comes To Me” - Bonnie ‘Prince’ Billy
Friday, June 29, 2007
E hoje começou a 12ª Fest Comix, que acontece na Rua Luiz Coelho, 323 - perto do metrô Consolação. Lá, entre palestras e lançamentos, ainda rola encontrar aquela revistinha que falta na sua coleção. Tarei lá.
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aqui, musiquinha:
Bad Brains – “Build A Nation”
Porque o que pega é ser retardado.
note que você precisa do passdode quando baxar pelo o rapidshare.
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aqui, musiquinha:
Bad Brains – “Build A Nation”
Porque o que pega é ser retardado.
note que você precisa do passdode quando baxar pelo o rapidshare.
Wednesday, June 27, 2007
sempre achei essa banda divertida, contudo já tinha até esquecido que existia, como acontece com a maioria dessas coisas novas. nada.
mesmo assim, achei lá no Fluxblog essa música do último disco que desce na moral.
"Mr Woman" - Electric Six
mesmo assim, achei lá no Fluxblog essa música do último disco que desce na moral.
"Mr Woman" - Electric Six
Monday, June 25, 2007
e a gente se lembrou daquelas pessoas indo pro lugar errado
apenas pelo motivo de se sentir injusto
e sentamos na grama daquele parque para tentar decifrar nossos idiomas esquecidos
ainda era cedo para amanhecer ali
entre cigarros e vinho tinto barato
você me reprimia por fungar demais
rimos das misturas de café da manhã
e das tradições religiosas
nossa distância diminuiu
dia após dia
mas o tempo me disse que já era tarde
e você foi embora na máquina da saudade,
que eu não tenho,
nada.
apenas pelo motivo de se sentir injusto
e sentamos na grama daquele parque para tentar decifrar nossos idiomas esquecidos
ainda era cedo para amanhecer ali
entre cigarros e vinho tinto barato
você me reprimia por fungar demais
rimos das misturas de café da manhã
e das tradições religiosas
nossa distância diminuiu
dia após dia
mas o tempo me disse que já era tarde
e você foi embora na máquina da saudade,
que eu não tenho,
nada.
O Fim dos Tempos
Essa é a banda mais comédia da história da música. Reparem na cara de mau do rapaz. E no texto diz que eles fizeram uma versão capella de uma música. Imaginem quantos otários devem ter soltado gritinhos.
Não.
Sai.
Não.
Sai.
Ontem comecei a ler "Na Natureza Selvagem" de Jon Krakauer, um jornalista que seguiu os passos de Chris McCandles, um moleque que em 1990, após terminar a faculdade, desapareceu abandonando tudo para fazer um rolê pelas estradas, florestas, rios e montanhas dos EUA. 2 anos depois, foi encontrado morto e congelado no Alasca. Comecei meio que sem o que fazer numa tarde monótona de domingo e quase matei o livro de tanto que me prendeu, causando-me até certa insônia já que não conseguia esvaziar a cabeça antes de dormir. Fanático por Tolstói e principalmente por Jack London, McCandles abandonou todo o conforto da família e qualquer tipo de relação interpessoal mais séria para vagar entre os miseráveis das estradas. Muito bom, e é engraçado ler isso enquanto se apodrece aqui dentro de uma das maiores metrópoles do mundo, entre elevadores e controles remotos, manobristas e sommeliers. A vida pós-moderna é um saco.
Sean Penn acabou de finalizar o filme baseado no livro.
No entanto, algo que me deixou estupefato, foi ler sobre o fim trágico de Jack London. Sempre, desde moleque, gostei muito do velho Lobo do Mar. O fato dele ter abdicado à civilização no começo da vida atrás do próprio sustento, algo que serviu de inspiração para todos seus grandes livros de aventura, também sempre me fez acreditar que ele sim era um escritor que usava o sangue. Sempre o via como um homem de história completa. “O Chamado da Floresta” foi um dos livros que mais marcaram minha vida e, até hoje, quando sento numa mesa de bar com pessoas que têm o hábito da leitura, me pego falando desenfreadamente sobre esta obra do cão Buk. No livro que estou lendo, Jon Krakauer conta que Jack morreu “aos 40 anos, bêbado delirante, obeso e patético, levando uma vida sedentária que pouco tinha a ver com os ideais que defendia no papel”, ou seja, Jack foi apenas mais um que padeceu dos males modernos, ao tédio da velhice, à falta de inspiração e à incompatibilidade com a sociedade, mesmo sendo um vencedor.
Alguns livros inspiradores nessa mesma linha:
“Na pior em Paris e Londres” – George Orwell
“Viajante Solitário” – Jack Kerouac
“De Vagões e Vagabundos” – Jack London
Sean Penn acabou de finalizar o filme baseado no livro.
No entanto, algo que me deixou estupefato, foi ler sobre o fim trágico de Jack London. Sempre, desde moleque, gostei muito do velho Lobo do Mar. O fato dele ter abdicado à civilização no começo da vida atrás do próprio sustento, algo que serviu de inspiração para todos seus grandes livros de aventura, também sempre me fez acreditar que ele sim era um escritor que usava o sangue. Sempre o via como um homem de história completa. “O Chamado da Floresta” foi um dos livros que mais marcaram minha vida e, até hoje, quando sento numa mesa de bar com pessoas que têm o hábito da leitura, me pego falando desenfreadamente sobre esta obra do cão Buk. No livro que estou lendo, Jon Krakauer conta que Jack morreu “aos 40 anos, bêbado delirante, obeso e patético, levando uma vida sedentária que pouco tinha a ver com os ideais que defendia no papel”, ou seja, Jack foi apenas mais um que padeceu dos males modernos, ao tédio da velhice, à falta de inspiração e à incompatibilidade com a sociedade, mesmo sendo um vencedor.
Alguns livros inspiradores nessa mesma linha:
“Na pior em Paris e Londres” – George Orwell
“Viajante Solitário” – Jack Kerouac
“De Vagões e Vagabundos” – Jack London
Friday, June 22, 2007
Monday, June 18, 2007
Patience
Will Oldham
I wasn't born a fisherman
and I wasn't born a schoolgirl
and I wasn't born a tree of leaves
and I wasn't born o lordy lord
cause I was a bold and tireless worker
and I wasn't born an indian
and I wasn't born arabian
and I wasn't born a man with a dream to just let it falter
and I wasn't born o! a welldigger
and I wasn't born o! a fleshy thing
and I wasn't born a thing to be scorned
a thing to be ignored
and I will align myself with nothing
and I will enjoin my heart with no-one's
cause I was untried
when I was applied the light of birth
and I wasn't born o! to tell the truth
and I wasn't born o! to sleep with ruth
we're miles apartand I have no heart for weeks between coupling
well, i could bide my time with girls that live in town
with those who seem always to be hangeing around
but it would not seem right to pass the night
with one not my true love
and I will align myself with nothing
and I will enjoin my heart with no-one's
cause I was untried
when I was applied the light of birth
I wasn't born a fisherman
and I wasn't born a schoolgirl
and I wasn't born a tree of leaves
and I wasn't born o lordy lord
cause I was a bold and tireless worker
and I wasn't born an indian
and I wasn't born arabian
and I wasn't born a man with a dream to just let it falter
and I wasn't born o! a welldigger
and I wasn't born o! a fleshy thing
and I wasn't born a thing to be scorned
a thing to be ignored
and I will align myself with nothing
and I will enjoin my heart with no-one's
cause I was untried
when I was applied the light of birth
and I wasn't born o! to tell the truth
and I wasn't born o! to sleep with ruth
we're miles apartand I have no heart for weeks between coupling
well, i could bide my time with girls that live in town
with those who seem always to be hangeing around
but it would not seem right to pass the night
with one not my true love
and I will align myself with nothing
and I will enjoin my heart with no-one's
cause I was untried
when I was applied the light of birth
Wednesday, June 13, 2007
Monday, June 11, 2007
Ando numa onda rural. Muito capim e sereno de outono. O folk e as montanhas de prados resplandecentes. Sei que pareço um merda falando disso, mas não encontro outra definição para o meu atual momento. A estrada me inspira quando estou saindo da cidade grande numa noite de sexta rumo ao interior de Minas Gerais. Deixo boa parte das preocupações para trás. Talvez tudo isso seja uma fase estranha, que tem muito a ver com o que ando lendo e ouvindo. Bonnie ‘Prince’ Billy, Jim Dodge e a pata Fup, Jonah Rex, bluegrass e algumas coisas antigas me retiraram da atualidade e me colocaram ali, debaixo da sombra duma árvore bem longe daqui, esperando a noite cair na paz lúgubre do campo.
:
A manhã com nevoeiro. O café quente e a família na mesa. Um abraço descompromissado do amigo. O cachorro que mora na frente da padaria e que sempre ganha um afago e um pedaço de pão. A correia enferrujada da bicicleta. Arame farpado. Os atalhos pelos terrenos baldios. O gol da virada no recreio. O desprezo de Maria Eugênia e seus cabelos crespos disfarçados com Neutrox. A luz do poste sob a chuva na volta da aula. O cheiro das cordas do violão. Pus de espinha no espelho. O coletivo rabeado. A cerca-viva de cipreste do vizinho que tem piscina. A falange covarde, o terror da molecada. As caminhadas sem fim para nenhum destino em particular. O lago sujo que limparam. E eu, que aparentemente sinto saudade dessas imagens.
:
A manhã com nevoeiro. O café quente e a família na mesa. Um abraço descompromissado do amigo. O cachorro que mora na frente da padaria e que sempre ganha um afago e um pedaço de pão. A correia enferrujada da bicicleta. Arame farpado. Os atalhos pelos terrenos baldios. O gol da virada no recreio. O desprezo de Maria Eugênia e seus cabelos crespos disfarçados com Neutrox. A luz do poste sob a chuva na volta da aula. O cheiro das cordas do violão. Pus de espinha no espelho. O coletivo rabeado. A cerca-viva de cipreste do vizinho que tem piscina. A falange covarde, o terror da molecada. As caminhadas sem fim para nenhum destino em particular. O lago sujo que limparam. E eu, que aparentemente sinto saudade dessas imagens.
Wednesday, June 06, 2007
Tuesday, June 05, 2007
fonte segura
Acaba que fica louco quando a rotina na cidade grande te põe de banho-maria. Nada acontece em lugar nenhum. Os dias correm todos iguais, sem suspeitas. Ontem caminhei por uma Dr. Arnaldo em obras e me senti num formigueiro depois de uma pedrada, quem dera estivesse chapado, pois fiquei paranóico. Parei num ponto de ônibus, traguei um cigarro com um pouco de monóxido de carbono que saia do escapamento do busão e fiquei analisando o caos. É tudo muito feio e eu até gosto disso, mas porra, todo dia. Me senti cansado, querendo voltar pra casa. Daí o sol ia se pondo ali atrás das antenas. Poucas árvores berrando lá no fundo. Coloquei o fone no ouvido e o shuffle começou com Peggy Lee mandando “Sittin’ on the Dock of the Bay”. Tudo melhorou. Fiquei sentando na mureta assistindo aquela merda toda. Várias pessoas. Vários carros. E minhas habituais reclamações freqüentes que inundam minha cabeça diariamente sendo drenadas pela música. Traguei de novo. Outro ônibus passou entortando meu chapéu. Nada acontece em lugar nenhum. Estava ficando atrasado. Estou. Atrasado. Sabotando as tarefas. Distraindo a cabeça. Daí a sensação de monotonia foi embora, o corpo ficou mais leve e um cheiro confortável de buceta invadiu minhas narinas. O puro delírio. Queria mesmo era estar em casa.
Monday, June 04, 2007
Alegando o abandono e a falta de patrocinadores, o melhor site de informação da internet brasileira - o NoMínimo - corre riscos de fechar as portas em Julho. Pena. Eu mesmo gasto mais tempo lá do que com o tal maior jornal do Brasil, que assino e pago corretamente todos os meses.
Não pego carona para voltar pra casa. Sou anacrônico e detesto incomodar, assim vou a pé. No caminho, passo por 3 cemitérios da cidade. Jazigos, lápides e tumbas adornadas e ofuscadas pela luz e seu silêncio. Tudo é tão vazio. Estava sentindo falta de mim quando chego em casa. E da aurora solitária. De quem sofre sem motivos por causa da tristeza de Billie Holiday enquanto a manhã invade a sala. O sono não vem e o cinzeiro enche. Os pássaros cantam lá fora e eu aqui dentro tentando encher a barriga com salsichas cruas a fim de brecar algumas vontades. Não encontro esperança num domingo frio de outono. Nem tenho o que fazer. Escrevo uma carta para você, só não tenho seu endereço, nem idéia de onde possa estar.
Friday, June 01, 2007
Bem cedo. A cidade está molhada pela chuva da noite anterior. E as luzes dos postes ainda estão acesas. E uma Belina escorrega pelo asfalto do centro. Eu sei que só quero esquecer. Tudo que gastei durante esse tempo. Agora que você foi embora. Eu caminho por ai, com medo de alguma surpresa. E as ruas brilham. E as chances são opacas. A porta sobe e a padaria abre. Assim, vou comprar cigarros.
Wednesday, May 30, 2007
Com os 64 mil ingressos esgotados, o Fluminense pega o Figueirense hoje no Maracanã pelo título da Copa do Brasil. Lembro que em 1992 o tricolor perdeu a final para o Inter de virada e eu quase tive um infarto. Naquela época, com 12 anos, eu nunca tinha visto meu time ganhar um campeonatinho de merda qualquer e estava confiante naquela final. Cheguei a ponto de quase rezar. Quebrei a cara bonito, e fui chorar no canil com meus cachorros. Hoje eu tô cagando. Vai ser firmeza assistir meu time numa final interestadual novamente, vou tomar umas latas e comer alguma porcaria no sossego da goma. Sei que o Flu tem plenas chances de ser campeão, o time melhorou com Renato Gaúcho de professor e com a saída do Thiago Moura, dando lugar para Adriano Magrão, mas caso esses filhos da puta amarelem outra vez, apenas vou subir pro meu quarto, socar uma e dormir.
Tuesday, May 29, 2007
Sou fiel ao meu fornecedor de piratarias.
:
- Serginho, seu contato de drogas tá puto contigo, han?
- Eu sei. Faz mais de um mês que eu tô devendo praquele porra.
- É. Só que ele taí na porta.
- O quê?! Ai caralho! E agora? CÊNUMFALÔQUEUTAVAQUI, NÉ?!
- Calma, calma. É mentira...
::
As gurias do Electrelane acabam de lançar um álbum novo, e parece que é bom.
Electrelane - "No Shouts, No Calls" (rapidshare)
::
Dei uma certa dosada na quantidade de ruídos que entram nas minhas orelhas, já que o zumbido constante, que me atormenta principalmente quando tento dormir, virou dor. Assim, numa vida um pouco mais monótona, parei de vasculhar o que gosto, só não consegui parar de escutar o álbum “Pony Express Record”, do Shudder to Think.
:
- Serginho, seu contato de drogas tá puto contigo, han?
- Eu sei. Faz mais de um mês que eu tô devendo praquele porra.
- É. Só que ele taí na porta.
- O quê?! Ai caralho! E agora? CÊNUMFALÔQUEUTAVAQUI, NÉ?!
- Calma, calma. É mentira...
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As gurias do Electrelane acabam de lançar um álbum novo, e parece que é bom.
Electrelane - "No Shouts, No Calls" (rapidshare)
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Dei uma certa dosada na quantidade de ruídos que entram nas minhas orelhas, já que o zumbido constante, que me atormenta principalmente quando tento dormir, virou dor. Assim, numa vida um pouco mais monótona, parei de vasculhar o que gosto, só não consegui parar de escutar o álbum “Pony Express Record”, do Shudder to Think.
Monday, May 28, 2007
Ontem, fui conferir a Exposição do fotógrafo Bob Gruen na FAAP. Confesso que nunca tinha botado os pés dentro daquela fortaleza de ensino caro para molequinhos frescos que o papai assina o boletim, aliás, fui com os dois pés atrás ver uma exposição curada pelo Supla na FAAP, mas, vejam só, eu gostei. Muito material bom desse cara. As fotos do Chuck Berry são fodas, daí tem umas do Johnny Thunders hilárias de plataforma e da Debbie Harry ainda gostosinha e cheio de estilo. As dos Ramones foram as que mais me prenderam. Porra, Joey é com certeza o cara mais preza do rock, muitas modelos/manequins de hoje em dia se inspiram nele.
Depois, apareci na Roosevelt para assistir “Uma Pilha de Pratos na Cozinha”, a nova peça de Mário Bortolotto. Sem palavras. Gosto da maioria dos trabalhos desse truta, mas esse superou. Não me incomodou como alguns outros, na realidade, me deixou triste. Sair do Satyrus e encarar a rua fria num domingo depois daquela paulada, só me fez pensar em chegar em casa logo. Cara louco. Que história triste.
**
Aqui a música nova do Smashing Pumpkins que eu furtei do Aviflax:
“Tarantula” – Smashing Pumpkins
Ainda não consegui destilar. Ta lá a voz de menininho mimado do Billy Corgan, a bateria desgraçada do Matt Chamberlain, tudo bem anos 90, mas soa muito caótica. Eu tô velho, vou escutar melhor...
tenho que ir embora...
Depois, apareci na Roosevelt para assistir “Uma Pilha de Pratos na Cozinha”, a nova peça de Mário Bortolotto. Sem palavras. Gosto da maioria dos trabalhos desse truta, mas esse superou. Não me incomodou como alguns outros, na realidade, me deixou triste. Sair do Satyrus e encarar a rua fria num domingo depois daquela paulada, só me fez pensar em chegar em casa logo. Cara louco. Que história triste.
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Aqui a música nova do Smashing Pumpkins que eu furtei do Aviflax:
“Tarantula” – Smashing Pumpkins
Ainda não consegui destilar. Ta lá a voz de menininho mimado do Billy Corgan, a bateria desgraçada do Matt Chamberlain, tudo bem anos 90, mas soa muito caótica. Eu tô velho, vou escutar melhor...
tenho que ir embora...
Thursday, May 24, 2007
Listinha essencial:
_”Thunder Road” – Bonnie ‘Prince’Billy & Tortoise (Bruce Springsteen cover)
_”San Francisco Bay Blues” – Ramblin’ Jack Elliott
_”Spanish Rose” – Van Morrison
_”The Calvary Cross” – Richard Thompson
_”Hardly Wait” – PJ Harvey
_”Looking Over My Shoulder” – Elliott Smith
_”To The East’ – Electrelane
_”Not Too Amused” - Sebadoh
_”He Who Flattened Your Flame Is Getting Torched” – Danielson
_”Morning Theft” – Jeff Buckley
_”Rub-Alcohol Blues” – The Fiery Furnaces
_”Fred” – The Dead Brothers
_”San Francisco Bay Blues” – Ramblin’ Jack Elliott
_”Spanish Rose” – Van Morrison
_”The Calvary Cross” – Richard Thompson
_”Hardly Wait” – PJ Harvey
_”Looking Over My Shoulder” – Elliott Smith
_”To The East’ – Electrelane
_”Not Too Amused” - Sebadoh
_”He Who Flattened Your Flame Is Getting Torched” – Danielson
_”Morning Theft” – Jeff Buckley
_”Rub-Alcohol Blues” – The Fiery Furnaces
_”Fred” – The Dead Brothers
Wednesday, May 23, 2007
O Smashing Pumpkins voltou a se apresentar ao vivo ontem à noite em Paris. Caralho, estou neste exato instante, escutando a nostálgica “Hummer”, minha favorita dos 15 anos, tempo em que andava pelos bairros com ela na cabeça e alguns trocados na meia, apaixonado por ninguém e preocupado com nada, achando o mundo um saco, mas suave quanto a isso. Sem classe ou estilo ou medo ou preocupações. Apenas uma música na cabeça e alguns trocados na meia. Nada demais.
***
Ontem fui gravar um barato de teleteatro pra TV Cultura com o Márião e a função toda. Foi bem divertido. Catar um ônibus com a garota no final da tarde, passar por baixo da catraca e assistir a cidade pela janela. São Paulo é linda em dias nublados, quando o concreto e o asfalto fundem com o céu e as luzes de freio dos carros piscam na Consolação. Não existe alegria maior que um ônibus vazio. O centro encardido fica ainda mais acolhedor e o som do tráfego nem existe, só a visão funciona e o vazio se instala dentro. Tudo aconteceu ali num prédio na Praça do Correio e lá encontrei um sebo de quadrinhos impressionante. Nunca tinha entrado em algo semelhante em lugar nenhum. Milhares de revistinhas empilhadas numa salinha empoeirada com uma dona simpática atrás do balcão. Encontrei raridades que sonhava nos mesmos 15 anos que citei acima. E me senti triste, já que não funcionaram como antigamente, quando contava os dias pelos novos lançamentos nas bancas, quando estudava cada traço de nanquim do John Buscema nas páginas de papel jornal, quando escutava Smashing Pumpkins deitado no telhado assistindo o crepúsculo alaranjado atrás do bairro.Como era sagrado esse tipo de solidão.
***
Ontem fui gravar um barato de teleteatro pra TV Cultura com o Márião e a função toda. Foi bem divertido. Catar um ônibus com a garota no final da tarde, passar por baixo da catraca e assistir a cidade pela janela. São Paulo é linda em dias nublados, quando o concreto e o asfalto fundem com o céu e as luzes de freio dos carros piscam na Consolação. Não existe alegria maior que um ônibus vazio. O centro encardido fica ainda mais acolhedor e o som do tráfego nem existe, só a visão funciona e o vazio se instala dentro. Tudo aconteceu ali num prédio na Praça do Correio e lá encontrei um sebo de quadrinhos impressionante. Nunca tinha entrado em algo semelhante em lugar nenhum. Milhares de revistinhas empilhadas numa salinha empoeirada com uma dona simpática atrás do balcão. Encontrei raridades que sonhava nos mesmos 15 anos que citei acima. E me senti triste, já que não funcionaram como antigamente, quando contava os dias pelos novos lançamentos nas bancas, quando estudava cada traço de nanquim do John Buscema nas páginas de papel jornal, quando escutava Smashing Pumpkins deitado no telhado assistindo o crepúsculo alaranjado atrás do bairro.Como era sagrado esse tipo de solidão.
Thursday, May 17, 2007
Ainda não tinha visto, mas o Marião passou o canal e ta lá no Utube o clipe do Cuelho de Alice “Um Trago Com Deus”. Ficou muito bom. Tá todo mundo lá.
Olhem.
Olhem.
Tuesday, May 15, 2007
Lendo os blogs dos escritores envolvidos no polêmico projeto “Amores Expressos”, fiquei seco de vontade de cair na estrada, nem que seja por poucas semanas. Quando se torce para os dias passarem rápidos, durante a semana, é fácil perceber que algo está errado. Viajar é sempre um delírio. Não importa para onde você vá, nem mesmo o tempo – podem ser poucas horas -, só a mudança de ambiente já te faz melhor. Como ando numa fase cagalhão, onde os riscos são poucos, e eu me confino num curral com medo dos velhos problemas e deslizes buscando algo novo e previsível, minha única fuga é realmente pegar o carro e cair na estrada. Não conheço nada melhor e sonho com uma escorregada pelas Cordilheiras dos Andes, ouvindo Desmond Dekker e comendo biscoitos no carro.
::
A poeta Bruna Beber me citou como um talarico da internet no Portal Literal do Terra. Valeu, guria. Você é firmezaça.
::
Frank Sinatra explica umas coisas.
"One More For My Baby (And One More For the Road)" -Frank Sinatra (mp3)
::
Um relato do fotógrafo Tuca Vieira, sobre um acontecimento trágico por que ele passou no viaduto Doutor Arnaldo, ali do lado de casa, me fez formigar o estômago. Saiu na pIauí desse mês, mas você pode ler aqui.
::
A poeta Bruna Beber me citou como um talarico da internet no Portal Literal do Terra. Valeu, guria. Você é firmezaça.
::
Frank Sinatra explica umas coisas.
"One More For My Baby (And One More For the Road)" -Frank Sinatra (mp3)
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Um relato do fotógrafo Tuca Vieira, sobre um acontecimento trágico por que ele passou no viaduto Doutor Arnaldo, ali do lado de casa, me fez formigar o estômago. Saiu na pIauí desse mês, mas você pode ler aqui.
Monday, May 14, 2007
Nem sei o que pensar numa hora dessas. Apenas tento ficar em paz e lutar contra tudo isso que acontece dentro de mim. De qualquer forma, nunca se pode contar com alguém. Sento no chão, levanto, rodeio a mesa onde ainda restam farelos do bolo de aipim. É. Olho para dentro de mim e não encontro solução. Você vai embora numa tarde ensolarada de domingo, dizendo que se sente ótima. Carrega sua bolsa vermelha com os sapatos enrolados num saco de plástico. Daí eu ando até o parque, como o resto do bolo sentado na grama enquanto assisto uns moleques soltando pipas e balões coloridos entre as árvores. Sinto-me como se estivesse perdido no centro de São Paulo numa madrugada fria de inverno.
Wednesday, May 09, 2007
going nowhere
Ontem assisti “Eu, Você e Todos Nós” sem grandes pretensões e fiquei embasbacado. Aquilo ali é videoarte com muito sentido. Impressionante o roteiro desse filme, nem imagino o que se passa na cabeça de Miranda July para ter escrito aquilo, falar do amor e das inseguranças, dúvidas e medos que esse sentimento de merda carrega, com tanta classe e humor e melancolia nos diálogos de personagens contemporâneos muito bem construídos. É. Foda. A trilha também funciona certinho no jogo das câmeras, sendo que a fotografia lembra aqueles sonhos lisérgicos que tenho quando durmo bem pesado e chapado depois de uma longa trepada. Preciso descobrir mais coisas assim.
Tuesday, May 08, 2007
Ontem foi o lançamento oficial de “New Moon”, disco com músicas inéditas e regravações alternativas do defunto Elliott Smith. Vasculhando por ai, consegui descolar o download.
Vi também, em muitos blogs, que os gringos condenam essa atitude já que a renda do disco é destinada aos dorme-sujos de Chicago. Eu, particularmente, tô cagando. Agora é com vocês. Eu recomendo.
“New Moon” – Elliott Smith – (rapidshare)
Vi também, em muitos blogs, que os gringos condenam essa atitude já que a renda do disco é destinada aos dorme-sujos de Chicago. Eu, particularmente, tô cagando. Agora é com vocês. Eu recomendo.
“New Moon” – Elliott Smith – (rapidshare)
Monday, May 07, 2007
virada de bruço cultural
Sábado, numa cidade travada pela Virada Cultural, fiz incursões noturnas tentando evitar a muvuca até a cabeça engordar. Passei pelo Teta JazzBar e depois dei uma pescoçada, rápida como quem rouba, no Mercearia, onde comprei a autobiografia da Billie Holiday. Já um tanto bêbado e de barriga cheia de caldo de feijão, decidi com minha Pequena arriscar assistir os Racionais, na Praça de Sé. Mesmo com o metrô funcionando 24 horas, tive uma preguiça do caralho em estacionar e mudar meu meio de transporte, foi de cavalo mesmo. O centro estava uma maravilha, uma renca de bêbados cambaleava pelas ruas, o vento levantava jornais velhos, flyers e embalagens plásticas de cerveja. Eu quase caí depois de pisar num sabugo de milho. Muitos já dormiam no chão, mendigos enrolados em cobertores apenas acompanhavam a invasão noturna com olhos os arregalados, o cheiro de vômito e mijo molambento dominava as ruas mais escuras. Depois de encontrar alguns amigos, me instalei do lado esquerdo do palco, que ficava na frente da catedral. Eram 3 horas da manhã, mas parecia mesmo, pela quantidade de gente, muito mais cedo. Os cachorrões dos Racionais, em demonstração de falta de respeito e estrelismo, atrasaram muito o início do show, deixando a multidão cozinhandinho por uma hora e meia. Minha barriga roncava faminta e minhas pernas estavam fatigadas pela posição ereta. Tinha polícia pra caralho naquela merda, tanto que comentei com Pequena que se a jiripóca piasse ia chover neguinho lá pra baixo do poço onde estávamos aglomerados. Quando os caras entraram no palco e mandaram a primeira música a platéia urrou, todo mundo levantou os braços e os semblantes mudaram, ou seja, todo mundo ficou bravinho, os manos e as minas. Veio a segunda música e eu cansei, peguei a guria pelo braço, comprei uma lata e vazei. Dedo no cu de todo mundo, pensei. Só fiquei sabendo que o pau comeu na manhã seguinte.
Muitos dizem que houve excessos por parte da polícia. Disso eu não tenho dúvidas, contudo, não posso deixar de acreditar que a maioria da molecada que estava ali era muito folgada pra caralho. Com a presença do messias deles, Mano Brown, mandando suas letras fofas, os ânimos esquentaram, e a lei, ou agüentava quietinha ou tomava latada. Não deu outra. Creio também que os organizadores já esperavam por isso, num plano infalível, digno de Cebolinha: “vamos botar os Racionais 3 horas da manhã na Sé, esperar o pau comer e descer a borrachada que ali só têm vagabundo”. Pode ser delírio, mas acho mais interessante pensar assim.
***
Hoje tem MEDICATIONS no StudioSP.
Muitos dizem que houve excessos por parte da polícia. Disso eu não tenho dúvidas, contudo, não posso deixar de acreditar que a maioria da molecada que estava ali era muito folgada pra caralho. Com a presença do messias deles, Mano Brown, mandando suas letras fofas, os ânimos esquentaram, e a lei, ou agüentava quietinha ou tomava latada. Não deu outra. Creio também que os organizadores já esperavam por isso, num plano infalível, digno de Cebolinha: “vamos botar os Racionais 3 horas da manhã na Sé, esperar o pau comer e descer a borrachada que ali só têm vagabundo”. Pode ser delírio, mas acho mais interessante pensar assim.
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Hoje tem MEDICATIONS no StudioSP.
Wednesday, May 02, 2007
Do tempo que eu matava aula para assistir filmes do Elvis
No sabadão, debaixo dum pé-d’água na Fernão Dias, engatei a quinta e fui visitar Tiradentes neste nobre feriado. Enquanto notava a nuvem de poluição da metrópole sumir no retrovisor, pensava no alívio em fugir daqui. Sinto que mergulhei tão fundo nas feridas dessa cidade que nada mais me empolga, tudo é cada vez mais sem graça, a não ser os bares, entretanto, os bares não vão fechar, e a ressaca anda cobrando um preço muito alto pelo meu descontrole. Assim, voltei no tempo visitando Tiradentes. Essa cidade de 6 mil habitantes permanece intacta aos vidros espelhados, semáforos e flanelinhas. Tem até uma Maria Fumaça lá fazendo os olhos das crianças brilharem. Caminhei por suas ruas de pedras carregadas de história e fantasmas com a cabeça cheia de vinho. Subi a serra e afaguei os tantos vira-latas e cadelas de mil donos. Tive idéias fantásticas olhando pela janela da pousada e as esqueci na manhã seguinte. Minas Gerais é um lugar a ser explorado, tanto pelas paisagens de quadros de cozinha pintados por vovós quanto pela culinária simples e saborosa. O que dói e o retorno. A sensação de que o tempo voa mais rápido ultimamente. A estrada travada e todos aqueles motoristas, papaizões amargurados que insistem em não sair da pista esquerda e facilitar a vida de quem anda depressa.
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Muitos clipes dos Beatles aqui.
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Os SKATALITES tocam no Sesc Pompéia nos dias 17 e 18.
Segunda estarei no StudioSP.
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Muitos clipes dos Beatles aqui.
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Os SKATALITES tocam no Sesc Pompéia nos dias 17 e 18.
Segunda estarei no StudioSP.
Friday, April 27, 2007
Não sei quanto tempo ainda irei durar. Ando me tolerando bem por enquanto. Ontem passei na frente de um prédio onde o pai de uma amiga pulou pela janela. Mais tarde, um conhecido me confessou que pensa em se matar, todos os dias. Sugeri que fizesse isso de uma vez, sem choramingos. Remédios não adiantam. A tristeza vicia, ou você aprende a lidar com ela ou acaba com tudo de uma vez. Penso na morte às vezes, não com a freqüência que pensava há 5 anos atrás, por algum motivo, talvez eu tenha mudado, ou apenas diminuído um pouco o pique da mente. Tenho medo da solidão, já que não sei enfrentá-la equilibrado. Estou sempre a ponto de ficar louco. Isso é difícil para quem está próximo de mim, pois nesses momentos o desespero vira destruição, ou arte.
Blue Monday
Fats Domino
Blue Monday how I hate Blue Monday
Got to work like a slave all day
Here come Tuesday, oh hard Tuesday
I'm so tired got no time to play
Here come Wednesday, I'm beat to my socks
My gal calls, got to tell her that
I'm out'Cause Thursday is a hard workin' day
And Friday I get my pay
Saturday mornin', oh Saturday mornin'
All my tiredness has gone away
Got my money and my honey
And I'm out on the stand to play
Sunday mornin' I'm feelin' bad
But it's worth it for the time that I had
But I've got to get my rest
'Cause Monday is a mess
Blue Monday how I hate Blue Monday
Got to work like a slave all day
Here come Tuesday, oh hard Tuesday
I'm so tired got no time to play
Here come Wednesday, I'm beat to my socks
My gal calls, got to tell her that
I'm out'Cause Thursday is a hard workin' day
And Friday I get my pay
Saturday mornin', oh Saturday mornin'
All my tiredness has gone away
Got my money and my honey
And I'm out on the stand to play
Sunday mornin' I'm feelin' bad
But it's worth it for the time that I had
But I've got to get my rest
'Cause Monday is a mess
Thursday, April 26, 2007
vida na estrada
Com uma nova frente fria surgindo no horizonte para temperar o feriado, pego as malas e caio pelas estradas cercadas de araucárias que cortam a serra e me levam a uma pequena e distante cidade, daquelas que vivem presa ao próprio passado, com lendas desdentadas e histórias de lutas perdidas. Como trilha para as curvas, após uma xícara de café, preparo uma listinha para meu delírio particular. Gosto de me sentir nostálgico, principalmente acompanhado.
Deixo aqui alguns vestígios:
”Where Did You Sleep Las Night” - Leadbelly
“Talking to Myself” - Blind Willie McTell
“The Hunch” - Mad Mike and The Maniacs
Deixo aqui alguns vestígios:
”Where Did You Sleep Las Night” - Leadbelly
“Talking to Myself” - Blind Willie McTell
“The Hunch” - Mad Mike and The Maniacs
Wednesday, April 18, 2007
“High Times” – Elliott Smith
do disco “New Moon”, que será lançado no dia 8 de Maio, na Europa e nos EUA.
do disco “New Moon”, que será lançado no dia 8 de Maio, na Europa e nos EUA.
Tuesday, April 17, 2007
Foi bom enquanto durou, mentira, sempre foi uma merda. Cansado de me estuprar diariamente caminho noite adentro e encontro alguns desconhecidos que dividem os copos e mulheres que encaram e me convidam para entrar em banheiros públicos. Sem o toque, já que o contato fede e ao mesmo tempo os fiscais do tempo dormem em lençóis de 400 fios e poucas preocupações. Já não me preocupo mais, apesar dessa maldita excitabilidade e da certeza duma nova manhã intrafegável dentro do meu táxi com passageiros que suam e indicam as direções com suas mãos espalmadas, as mesmas que me pagam, mas não me tocam. Meus olhos cansados apanham da vida a cada curva, e pacotinhos solúveis de antiácido tentam me salvar noite afora que é dia e insiste em continuar e agradeço à Deus por não pensar em pensar em você a não ser numa maneira rápida de descansar para começar tudo de novo no mesmo lugar.
Embora o roteiro tenha sido muito bem adaptado, “O Cheiro do Ralo” não transparece tanto a loucura do protagonista quanto no livro, que é um tanto frenético e cheios de tiques esquizofrênicos, soando assim engraçadinho na maior parte da história para a platéia de imbecis do Espaço Unibanco, péssimo cinema, aliás. Colocam uma porrada de cadeiras pregadas no chão e cobram 16 reais de entrada para idiotas como eu, daí entramos e somos obrigados a assistir 75643 comerciais dum banco que não parece banco parece um açougue e de uma marca de cerveja que todo mundo toma e fica feliz e bonito cantando jingles. E como riem as pessoas aqui em São Paulo, mas voltando ao filme, o engraçadinho ali é fruto da mente rápida e perturbada de Lourenço Mutarelli, que escreve sem firulas já que sua praia mesmo são os quadrinhos. Ele tem estilo, até como ator. O filme, gravado em poucas locações, desce fácil com a troca rápida de personagens – muitos conhecidos de mesas de bar - e situações, e a fotografia foi uma das coisas que mais gostei, um tanto opaca, que saí dessa estética telenovela da Globo que impregna a maioria da produção nacional. Um bom filme.
Tuesday, April 10, 2007
Eu me mantenho cansado, assim posso aguentar melhor quando a vista falha e um zumbido de chuva dentro da minha cabeça desaparece com minhas idéias, e o barulho acaba, e silenciado entro num quarto cinza como sua pele no outono sem manchas nas nuvens que se formam no céu mexido pelo vento que sopra, mas só chove dentro da minha cabeça.
se liga no poder que o futebol tem na vida de um moleque... até a descoberta das mulheres.
Costinha leva seu filho para conhecer Zico nos anos 80.
http://www.youtube.com/watch?v=c9g5dl7IO2o&eurl=
Costinha leva seu filho para conhecer Zico nos anos 80.
http://www.youtube.com/watch?v=c9g5dl7IO2o&eurl=
Monday, April 09, 2007
Passei o feriado chuvoso no campo lendo algo que ganhei de um amigo que tem um tornozelo na França. Ele me jogou nas mãos um romance dos anos 40, muito conhecido por aquelas bandas. “Vou Cuspir no seu Túmulo”, de Boris Vian, é impressionante tanto pelo seu conteúdo quanto por sua história. Vian escreveu a obra em 15 dias, em 1946, e apresentou o livro aos editores como sendo um romance americano traduzido por ele a partir dos manuscritos dum certo Vernon Sullivan. Uma farsa subversiva que visava fugir das pragas com a censura. Com uma escrita contemporânea e semelhante à Henry Miller - porém muito mais podre, extrema e direta - “Vou Cuspir no seu Túmulo” conta a história de Lee Anderson, um negro americano que parece um branco e tem os cabelos louros e pretende vingar o irmão que foi morto por ter comido uma branca. A história, com características pulp e beatnik-sado-putaria-vem-cá-putinha, cheia de carrões e estradas e menininhas de 15 anos sendo sodomizadas, escorre rápida pelas páginas regadas de humor-negro. O final é de arranhar as entranhas numa fuga de carro. O romance acabou se tornando best-seller por lá, contudo sofreu problemas com a censura dos moralistas depois que um marido matou a mulher e deixou uma cópia do livro ao lado do cadáver. Boris Vian, anos depois, viria a morrer de ataque cardíaco num cinema, assistindo um filme baseado em seu livro. Ele já havia alertado aos produtores que queria remover seu nome dos créditos do filme, que devia ser uma bosta.
Tuesday, April 03, 2007
Eu tô pouco me fudendo que o Fluminense não tem mais chances no Campeonato Carioca 2007, já que na quinta-feira passada nós esmerilhamos o Flamengo no Maracanã, e eu estava lá. Sim, eu estava lá e passei um sufoco do cão pelas ruas do Rio de Janeiro, contudo só quero falar do jogo. Colei no Maraca junto com dois amigos, um deles tricolor, o outro tricolor paulista, atravessando a horda de urubus logo na bilhateria. Corre-corre, empurra-empurra e gritaria dos infernos para comprar o bendito ingresso, que para minha surpresa era caro como um show de rock dessas bandas gringas de merda – R$30,00 a arquibancada -. Mas a facada na cara valeu a pena. Dentro do estádio, na busca da torcida tricolor, trombamos um negão gigante, de berma, havaianas e um coletinho preto todo rasgado, parecendo um veterano do Vietnã. Ouvindo nossa conversa, o truta lançou: “praquele lado é a torcida do Fluminense”. E é pra lá que nós vamos, eu disse, e um sorriso espontâneo surgiu por debaixo do seu bigode grisalho. Já na torcida pude perceber que o negão era um dos líderes da torcida Jovem Flu. O estádio nem estava tão cheio, já que o Flu estava na corda bamba – hoje já atolou com os dois pés na lama – e precisava ganhar a qualquer custo. No primeiro tempo, num jogo de perebas com lances bisonhos, o Flamengo fez um gol com o grosso do Souza, filha da puta desgraçado. Uma guriazinha com uns 14 anos de idade, que estava sentado do meu lado junto com seus irmãos, sentiu a dor do fracasso como uma vuadora no coração, abaixou a cabeça e apertou os olhos com as mãos. Uma cena comovente que partiu meu coração, aquela garotinha linda chorando pelo MEU clube. Agüentei a tédio até o final da primeira etapa, entornando copos de plástico com Itaipava e comendo um XBurguer seco como o sertão. No segundo tempo, logo no primeiro minuto, Cícero recebeu um cruzamento de Alex Dias e guardou de carrinho pro Flu. Berrei igual um condenado por um crime que não cometeu. A seqüência da partida deixava todos torcedores com os nervos em frangalhos, já que o Fluminense não conseguia chegar à meta e virar a porra do jogo do caralho e vai tomar no cu urubu, como o público gritava a plenos pulmões. O Flamengo ainda chutou duas bolas na trave, eu pude ver do outro lado do campo e pedia a Deus, porra, faz alguma coisa, olha a menininha ali, tá mal, truta. Chegando no final falei com o veterano, e agora, será que vai rolar? Ele posou sua mão gorda sobre meu ombro e disse, acredite, filho. E eu estava acreditando em nunca, ali no Maracanã, naquela noite que eu estava me sentindo triste pra caralho mesmo, nesses dias estranhos e sem cores, quando estou sem você e clamo pela vitória do meu time para esquecer quem sou eu. Assim, o eterno filha da puta do juiz ditou 4 minutos de acréscimo, e minha esperança escorria, quicava arquibancada abaixo enquanto o Flamengo atacava em revoada, contudo, foi no contra-ataque que o time das Laranjeiras veio em minha direção, com seus loucos guerreiros milionários de meiões e chuteiras, eu gritava vai, caralho, vai!, e num novo cruzamento a bola veio num arco na frente do goleiro que só viu Cícero novamente surgir voando como uma flecha e tocar com o bico do pé na bola, agora espera: nesse instante tudo parou por milésimos de segundo e antes que a pelota tocasse o fundo das redes, eu já estava voando pelos degraus de concreto. Credo, parecia loucura de ácido, como se toda a torcida tivesse voltada para a pré-história e fizesse danças desconexas com gritos primatas horripilantes e tudo que era ruim dentro de mim fosse destilado pra fora naquele gol, de virada, aos 48 do segundo tempo. Pau no cu do mundo. E pau no cu do campeonato. O que importava era ali, naquela hora. E chega, caralho. Que eu tenho coisa pra fazer e não vou revisar esse texto. Porque não basta se divertir, tem que esfregar na cara.
Monday, April 02, 2007
HARD LIFE
Bonnie 'Prince' Billy
And it's a hard life
For a man with no wife
Baby, it's a hard life
God makes you live
But without it,
Don't doubt it
You don't even have
Your tears to give
I wake up I'm fine
With my dreamings still on my mind
But it doesn't take long, you see
For the demons to come and visit me
And i've got my problems
Sometimes love doesn't solve them
And i end each day in a song
And it's a hard life
For a man with no wife
Lord, it's a hard life
God makes you live
But without it,
Baby don't doubt it
You don't even have
Your tears to give
I know i'm a hard man
To live with sometimes
Maybe it ain't in me
To make you a happy wife of mine
And maybe you'll kill me
Honey i don't blame you
If i were in your place,
Maybe that's what i would do
But i ain't breathing
Let me breath
Let me go
Let me
don't know
But i might lose
I might bum
I might to blow a fuse
So let me go,
Lay down
On my own
Let me drown
Let me go
Go where you don't go
And it's a hard life
For a man with no wife
Baby, it's a hard life
God makes you live
But without it,
Don't doubt it
You don't even have
Your tears to give
I wake up I'm fine
With my dreamings still on my mind
But it doesn't take long, you see
For the demons to come and visit me
And i've got my problems
Sometimes love doesn't solve them
And i end each day in a song
And it's a hard life
For a man with no wife
Lord, it's a hard life
God makes you live
But without it,
Baby don't doubt it
You don't even have
Your tears to give
I know i'm a hard man
To live with sometimes
Maybe it ain't in me
To make you a happy wife of mine
And maybe you'll kill me
Honey i don't blame you
If i were in your place,
Maybe that's what i would do
But i ain't breathing
Let me breath
Let me go
Let me
don't know
But i might lose
I might bum
I might to blow a fuse
So let me go,
Lay down
On my own
Let me drown
Let me go
Go where you don't go
Tuesday, March 27, 2007
esboços de retrovisor
O carro fica na estrada e no rádio toca um rap de merda. Amoleço um pouco os braços para conseguir soltar o volante e mudar de estação. A 210 por hora, qualquer vacilo vira carne moída no acostamento. Não gosto de rap, não gosto desses negões mal-vestidos com pinta de criminosos que vendem suas músicas para os brancos endinheirados escutarem em seus carrões desfilando pela Vila Olímpia. Nenhuma estação presta nessa cidade, por isso estou raspando o gato. Por isso e mais uma pá de coisas. Sem diminuir a velocidade, vasculho debaixo do banco do carona atrás de alguma fitinha K7, que não encontro. Lembro de quando fudemos até o encosto do bando quebrar como um muro de isopor. Rimos até o amanhecer, tomando vinho barato e fumando Gudang. Depois eu fui trabalhar e você dormiu até a hora que cheguei e caí na cama e senti o cheiro da sua pele e do seu cabelo que escorria pelas costas como uma catarata negra. Pelo retrovisor noto uma motocicleta vindo no cacete. Sem tomar conhecimento, o filha da puta me ultrapassa e desaparece no horizonte torto. Acaricio o painel e digo, calma, bichão. Ele ainda é novo, logo será um merda sem estilo. Preciso manter minha cabeça ocupada. Acendo um cigarro e piso mais fundo fazendo o motor V6 rugir ainda mais. Abro o vidro para bater a cinza que voa toda dentro dos meus olhos. Evito praguejar e canto “Big Train” do Mike Watt, espero a noite chegar e desaparecer com esse calor miserável pra eu poder dormir no banco de trás. Estou indo para o Peru, ou pra casa do caralho. Estou fugindo de mim. Para nunca mais voltar.
Monday, March 26, 2007
Thursday, March 22, 2007
Fuminense
Enquanto os jogadores fazem corrente de orações no vestiário antes de entrar em campo, o zagueiro Renato Silva fuma unzinho.
Wednesday, March 21, 2007
Monday, March 19, 2007
Digamos que já estou envolvido. Dia 28, no SESC Vila Mariana.
“Shelter Two” – The Evens
* Dizem que o Medications cola ai em Maio.
::
Quinta, no Milo:

“Shelter Two” – The Evens
* Dizem que o Medications cola ai em Maio.
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Quinta, no Milo:

Tuesday, March 13, 2007
Eu sabia que o Marcelo Montenegro tinha preparado, mas não sabia que tinham colocado no ar. Tá lá, no Utube, o making off do clipe da música “Um Trago com Deus”, banda do Paulão, Cuelho de Alice. Só maluco e o Opalão vadiando pelo centro comigo quietinho, engessado, no banco de trás. Foi louco essa noite. Eu não agüentei até o final.
Aqui ó!
Aqui ó!
Comprei “O Mundo é Mágico – As Aventuras de Calvin & Haroldo” que a Conrad lançou no mês passado. O preço é salgado, R$ 45,00, mas tenho certeza que vale a pena. O humor de BW é inteligente, talvez único, e consegue entreter sem ser paspalhão, fora que o cara inventou um personagem que muita gente se identifica e que não precisa ser um animalzinho para ser engraçado. Em 1995, 10 anos após a primeira tira de Calvin, Watterson, cansado da pressão diária do jornal, desistiu da tira e foi morar no mato. A Conrad promete lançar dois álbuns por ano.
::
A escritora Cecília Giannetti agora tem uma coluna na Ilustrada. – só com código de acesso. Ainda resta alguma esperança naquela porcaria, além dos quadrinhos e da seção de óbitos.
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A melhor música para se ouvir na estrada sinuosa, com a pitchula de shortinho com os pés no painel, numa tarde de sol.
“The Israelitas” – Desmond Dekker
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Eu tenho nojo de músicas com bongô.
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A escritora Cecília Giannetti agora tem uma coluna na Ilustrada. – só com código de acesso. Ainda resta alguma esperança naquela porcaria, além dos quadrinhos e da seção de óbitos.
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A melhor música para se ouvir na estrada sinuosa, com a pitchula de shortinho com os pés no painel, numa tarde de sol.
“The Israelitas” – Desmond Dekker
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Eu tenho nojo de músicas com bongô.
Monday, March 12, 2007
Chad VanGaalen faz um trabalho solo impressionante, vagando e papeando entre David Bowie e Jeff Buckley nas ruas úmidas de uma cidade desconhecida, de interior d’alma, podendo soar bem elétrico e psicodélico nas horas brancas do dia, ou da insônia, quando se está sozinho em casa, os melhores momentos para criar. "Mini TV's" me impressiona pela desafetação - e me lembra Neil Young também - de quem passa a maior parte dos dias em casa preocupado com porra nenhuma e vivendo em favor do vento que entra pela janela da sala antes da chuva chegar para molhar o jardim e as árvores da mata fechada. Interesso-me por nada. Nem por ti. Ti-ti-ti-ti-ti-ti-ti-ti-tique-taque de relógio, e a demência de quem acredita nos valores do trabalho e da ética. As moedas caem dos meus bolsos como suas lágrimas no dia da derrota na máquina de pinball. Quantos dias ainda faltam para o final. Pode parecer bobeira, mas posso sentir cheiro de tédio quando estou no escritório escutando “Gubbbish” (direito, salvar como...) e a cidade queima ali do outro lado da janela. Ninguém vai dormir mais e quem descansa em hotéis com papel de parede barato dorme melhor.
Friday, March 09, 2007
Algumas coisas me deixam agoniado. Como unhas num quadro negro. Café frio nos finais de semana, descascar abacaxi, não sair de um rascunho sob a luz da prancheta. Salas de esperas de hospitais às duas e quinze da manhã, ônibus lotado e calçadas abarrotadas. Assistir ao crepúsculo ou dirigir aos cuidados de Bonnie 'Prince' Billy e escutar o som das rodovias depois da chuva, parado no acostamento. Não amar ninguém, ou até mesmo, comprar flores para um amor clinicamente morto pode me deixar agoniado. Não ter perspectivas quanto ao fim da noite e chupar as feridas do dia anterior. Mascar papel alumínio, aquários de consultórios. A agonia e seus contornos. Ontem acordei cedo demais.
Monday, March 05, 2007
Tomei um estabaco nervoso achando que era o Motoqueiro Fantasma das bicicletas e podia saltar carros. No capote quebrei a clavícula direita, fora alguns poucos arranhões e uma estranha queimadura no pai de todos da mão esquerda. Devo ficar de molho um tempo.
Em tempos:
- Amanhã começa a IV Mostra Cemitério dos Automóveis, com a peça “Efeito Urtigão”, com Marião e Picanha no palco do Centro Cultural Vergueiro, às 21hs.
- E a banda LAMRATLAZIT1ST: The Keith Matthew Wagner Band, a nova empreitada do meu amigo Cabeça, inicia turnê nacional nesta sexta (09/03) na Casa Belfiori. No sábado seguem para Curitiba e domingo se apresentam em Floripa.
- O The Evens toca no SESC Vila Mariana no dia 28 deste mês. Firmeza.
Em breve, volto a dar as caras.
Em tempos:
- Amanhã começa a IV Mostra Cemitério dos Automóveis, com a peça “Efeito Urtigão”, com Marião e Picanha no palco do Centro Cultural Vergueiro, às 21hs.
- E a banda LAMRATLAZIT1ST: The Keith Matthew Wagner Band, a nova empreitada do meu amigo Cabeça, inicia turnê nacional nesta sexta (09/03) na Casa Belfiori. No sábado seguem para Curitiba e domingo se apresentam em Floripa.
- O The Evens toca no SESC Vila Mariana no dia 28 deste mês. Firmeza.
Em breve, volto a dar as caras.
Tuesday, February 27, 2007
The Long Blondes é uma das bandas mais irritantes da atualidade e precisa acabar. Uma mistura mal acabada de The Slits com Sleeper - são as fezes do punk e da new wave misturadas com baton. Ontem, enquanto recolhia o lixo de casa, coloquei essa bosta pra tocar e, subitamente, o demônio socou a porta da minha casa implorando para que eu desligasse. Na lavanderia eu espremi minha cabeça, mas resisti para ter alguma noção sobre esse lixo. Como tocam mal, e pensam o contrário, misturando distorções da guitarra com a voz de requenquela da loura pastel. Têm horas quer ela quer soar sexy, a vaca, com um vozeirão que parece vindo do fundo duma fossa de construção - “Adílllson, joga o balde!”. Cruz credo, como é mal feito e não é de propósito, como tentam essas 8438 bandas novas inglesas, é puro amadorismo, bisonhice e pretensão. Tem uma música lá que ela canta fazendo biquinho: “another weekend without makeup” – hahaha – e eu não resisto, é muito estridente, a letra é péssima e um monte de babacas gostam disso e eu corro da lavanderia e dou uma vuadora no meu 3 em 1 e desligo e coloco Tortoise para terminar minha faxina sem incomodar ninguém.
a maldição abençoada.
O mundo vai acabar novamente. Quem vai carregar a cruz de carvalho dessa vez? Antes a água potável ia acabar. Agora o mar vem para nos impedir de tomar um trem ou deixar a estação. E não seremos mais mortos pelos homens ou pelas armas. A morte será por causas naturais e entrará pela janela da sala. Liberem as drogas e a bomba atômica de uma vez. Legitimem o racismo e a escravidão. Azulejem as florestas e os parques para que possamos fazer sexo inseguro no chão. Hoje será nosso primeiro dia para o fim. Amor, me dê a mão, vamos nos perder por ai.
Monday, February 26, 2007
LoneLady

Não sei nada sobre essa guria inglesa, nem como descobri – certeza que não foi pela NME. Tenho essa música dela (abaixo) no meu iTunes faz tempo e escutei hoje de novo, caiu bem, como o pé d’água lá fora. Ela quer ser a PJ Harvey, não vejo nada de errado nisso.
"Hi Ho Bastards" - LoneLady
"Hi Ho Bastards" - LoneLady
num cafofo na floresta
Enquanto ela pensa, mexe os lábios. Diz que escuta vozes dentro de sua cabeça, de uma bruxa má com verrugas no peito, e que passou o carnaval em branco. Sem confetes, o tempo todo. Impossível não reparar que seus miolos estão cada vez mais soltos, já que moramos sozinhos nesse fim de mundo, onde os trovões sacodem a terra e espantam os pássaros. Nosso cachorro sumiu há dois dias, ela insiste em seqüestro da Bruxa e outras suposições. Já vasculhei a maldita floresta por horas e digo que podemos arrumar outro bicho na cidade. Ela tem aversão à civilização, por isso a trouxe pra cá. Eu também não gosto de lá, mas vez ou outra preciso comprar arroz e alguns enlatados para incrementar a janta e aproveito para roubar alguma leitura. Hoje não saio da minha cadeira na varanda. Nada, mas nada mesmo, me deixa mais feliz que vê-la cuidando do jardim, com sua franja tampando o rosto, atenta às mudanças do tempo e aos trovões.
estojo
Na Próxima sexta, estréia aqui “O Motoqueiro Fantasma”. Dizem que o filme é uma porcaria, mas ele segue em primeiro lugar nas bilheterias dos EUA há 2 semanas - não que isso signifique mérito algum. Eu vou assistir. Eu gosto do Motoqueiro desde moleque, quando era ilustrado pelos traços sujos de Tex.
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Se liga neste disco aqui: Jonny Greenwood Is the Controller.
Quero abaxá, agora.
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Hoje tenho uma entrevista com Marcelo Campos. Acho que vou voltar a estudar.
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E o blog do fotógrafo da FSP e morador da Roosevelt Tuca Vieira é um dos mais fodas da net. Passa lá.
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Se liga neste disco aqui: Jonny Greenwood Is the Controller.
Quero abaxá, agora.
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Hoje tenho uma entrevista com Marcelo Campos. Acho que vou voltar a estudar.
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E o blog do fotógrafo da FSP e morador da Roosevelt Tuca Vieira é um dos mais fodas da net. Passa lá.
Friday, February 23, 2007
O problema de tocar na Torre é ir embora. Geralmente a coisa começa a pegar lá pelas 3, 4 da matina, quando a cabeça já está completamente desnorteada e cada gole de cerveja desce com gosto de mijo e nada mais funciona e mesmo assim você insiste e não toma a decisão de parar com essa patifaria de uma vez e cair fora. Só que ontem eu consegui, eu vazei cedo. Eram quase 5 horas da manhã.
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Aqui no escritório, numa sexta-feira pós-carnaval, onde até o trânsito lá embaixo na avenida está tranqüilo, o que complica e segurar as pálpebras e se concentrar em algo que faça esquecer o sono, o cansaço e a ressaca. Para desabar com o castelo de areia construído em alguns dias de uma vida mais saudável basta uma noitada sem freios. O problema é que tudo parece repetir, como numa roda ou num filme já visto no Corujão, o expresso da meia noite que vara a madrugada e estaciona torto de manhã. A vida é chata quando se está cansado e monótona quando se dorme cedo. A vida é chata de qualquer jeito, mas tolerável quando se dorme bem.
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Aqui no escritório, numa sexta-feira pós-carnaval, onde até o trânsito lá embaixo na avenida está tranqüilo, o que complica e segurar as pálpebras e se concentrar em algo que faça esquecer o sono, o cansaço e a ressaca. Para desabar com o castelo de areia construído em alguns dias de uma vida mais saudável basta uma noitada sem freios. O problema é que tudo parece repetir, como numa roda ou num filme já visto no Corujão, o expresso da meia noite que vara a madrugada e estaciona torto de manhã. A vida é chata quando se está cansado e monótona quando se dorme cedo. A vida é chata de qualquer jeito, mas tolerável quando se dorme bem.
Thursday, February 22, 2007
Gostei que a Camisa Verde e Branca tenha subido novamente para a divisão de elite do carnaval paulistano, afinal, uma grande amiga minha faz parte da comunidade
Vai, Zezé!
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E eu fui, e eu fugi, buscando nada, embora a cidade fique perfeita nesse feriadão - quando a balbúrdia some daqui e desce a serra, passa no Cu batão e se espalha por todo metro quadrado de areia do litoral -, peguei o caminho contrário e fui pro campo, onde os peões usam chapéu de palha e as camponesas não se preocupam com a velhice, onde os cães enamoram as cadelas sob as sombras das ruas de terra e a molecada gasta a tarde gritando rindo, onde não fica lixo na curva do rio e os descolados estão sempre fora de moda.
Pude perceber, logo no café da manhã, a fácil irritação de quem se gabou e ficou.
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Sonho em cores brilhantes imagens que me atormentam durante o dia. Escondo as horas num copo trincado na borda em cima da pia da cozinha. Olho por debaixo da porta e vejo fogo queimando azulejos azuis florais. Penso nisso o dia inteiro. Vamos imaginar de novo. E gastar nossas economias entrando em combustão totalmente no próximo verão.
Vai, Zezé!
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E eu fui, e eu fugi, buscando nada, embora a cidade fique perfeita nesse feriadão - quando a balbúrdia some daqui e desce a serra, passa no Cu batão e se espalha por todo metro quadrado de areia do litoral -, peguei o caminho contrário e fui pro campo, onde os peões usam chapéu de palha e as camponesas não se preocupam com a velhice, onde os cães enamoram as cadelas sob as sombras das ruas de terra e a molecada gasta a tarde gritando rindo, onde não fica lixo na curva do rio e os descolados estão sempre fora de moda.
Pude perceber, logo no café da manhã, a fácil irritação de quem se gabou e ficou.
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Sonho em cores brilhantes imagens que me atormentam durante o dia. Escondo as horas num copo trincado na borda em cima da pia da cozinha. Olho por debaixo da porta e vejo fogo queimando azulejos azuis florais. Penso nisso o dia inteiro. Vamos imaginar de novo. E gastar nossas economias entrando em combustão totalmente no próximo verão.
Friday, February 16, 2007
Se fuderam os dois palmeirenses que mataram a pauladas um torcedor do Corinthians de 16 anos, em 2004. Bem feito. 14 anos de cadeia é pouco para tal covardia e completa estupidez. Neguinho que mata por um time de futebol sofre de algum distúrbio que deve estar ligado a falta de sexo e do que fazer. Tem apodrecer na cadeia mermo.
**
Um maluco aqui no trampo que falou que ama o carnaval, já que é a única época do ano que ele tem um pretexto pra ficar aloprado na rua. Disse que vai vestido de Pavão pro sambódromo, “peladinho, empinadinho, com um espanador socado no rabo”.
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Um maluco aqui no trampo que falou que ama o carnaval, já que é a única época do ano que ele tem um pretexto pra ficar aloprado na rua. Disse que vai vestido de Pavão pro sambódromo, “peladinho, empinadinho, com um espanador socado no rabo”.
Comprei uma pacoteira de DVDs piratas, muitos deles até já assisti mas pretendo rever durante as folias do carnaval trancado em algum lugar bem longe da balbúrdia.
- Estrela Solitária – Wim Wenders
- Betty Blue
- Encurralado – Steven Spielberg
- Assassinos por Natureza – Oliver Stone
- O Grande Lebowsky
Entre outros.
**
Nine Inch Nails – “My Violent Heart”
do disco novo.
The Beatles – "Oh! Darling"
Essa me faz mal que nem creolina.
Klaxons – "Atlantis to Interzone"
Tô começando a me divertir com essa banda.
**
E Al Gore vai promover um daqueles concertos demagogos, tipo Live 8, onde bandas tocam em pró de alguma chance, um futuro melhor, coisas que um bando de trouxas acreditam que pode mudar o planeta e salvar as pessoas, só que no fundo, tudo não passa de auto-promoção, marketing político. Live Earth - Save Out Selves, o festival-campanha, deve acontecer no dia 7 de Julho, em sete cidades do Mundo, com 24 horas de música ao vivo. E o Brasil está nos planos.
- Estrela Solitária – Wim Wenders
- Betty Blue
- Encurralado – Steven Spielberg
- Assassinos por Natureza – Oliver Stone
- O Grande Lebowsky
Entre outros.
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Nine Inch Nails – “My Violent Heart”
do disco novo.
The Beatles – "Oh! Darling"
Essa me faz mal que nem creolina.
Klaxons – "Atlantis to Interzone"
Tô começando a me divertir com essa banda.
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E Al Gore vai promover um daqueles concertos demagogos, tipo Live 8, onde bandas tocam em pró de alguma chance, um futuro melhor, coisas que um bando de trouxas acreditam que pode mudar o planeta e salvar as pessoas, só que no fundo, tudo não passa de auto-promoção, marketing político. Live Earth - Save Out Selves, o festival-campanha, deve acontecer no dia 7 de Julho, em sete cidades do Mundo, com 24 horas de música ao vivo. E o Brasil está nos planos.
Thursday, February 15, 2007
Em maio, será lançado um álbum duplo do Elliott Smith. “New Moon” vem com uma penca de músicas inéditas de gravações raras, como as fudidaças “New Monkey” e “Georgia Georgia”. Algumas delas podem ser encontradas na internet quando bem vasculhada, mas, seguramente, as do álbum estarão em melhor qualidade.
Wednesday, February 14, 2007
O eixo Serra/Kassab continua com sua política do “fora, vagabundo” e promete despejar as 468 famílias que invadiram o edifício Prestes Maia em 2002. Os cerca de 2 mil sem-teto que lá habitam deram um trato no prédio que estava desabitado há cerca de 10 anos, arrancaram 200 caminhões de entulho, criaram uma biblioteca com cerca de 15 mil títulos, expulsaram os traficantes e criaram um programa de coleta para reciclagem . O proprietário, um tal de Jorge Hamuche, quer o imóvel de volta, entretanto, ele sequer possui a escritura e jamais pagou IPTU - uma dívida de cerca de R$5 milhões. Assim, a irresponsável Prefeitura de São Paulo, quer devolver na base da porrada o edifício para o sonegador de impostos.
Sábado reestréia “Kerouac” no Satyrus I. Em apenas 6 apresentações, aos sábados e domingos.
Depois disso, vem ai a IV Mostra Cemitério dos Automóveis. O grupo completa 25 anos de estradas esburacadas. Começa no dia 6 de Março lá no Centro Cultural São Paulo. Mais informações lá no blog do Marião.

Depois disso, vem ai a IV Mostra Cemitério dos Automóveis. O grupo completa 25 anos de estradas esburacadas. Começa no dia 6 de Março lá no Centro Cultural São Paulo. Mais informações lá no blog do Marião.

How sexy am I now?
Ontem assisti “Coração Selvagem” pela segunda vez. A primeira foi em 1998, quando tinha acabado de mudar pra São Paulo e ainda morava com meus pais, daí toda noite alugava um filme, comprava 6 latas de cerveja e um pacote de amendoim e assistia com o volume baixo no sofá da sala. Nesse curto período, assisti tudo de Coppola, Gus Van Sant, Scorcese, De Palma, Oliver Stone, Cronenberg, Jarmusch, Lynch, entre outros. “Coração Selvagem” foi um dos filmes que mais me marcaram naquela época, já que têm todos elementos que gosto: é um rodie movie de estilo, com cuidado absoluto na composição das cenas e atuações que beiram o hilário sem perder a classe, e, até porque, é interessante compará-lo com outros dois títulos – “Terra de Ninguém” e “Assassinos por Natureza” – que seguem a mesma temática: um casal extremamente apaixonado com pais féladaputas, polícia no encalço, berros, sangue coagulando no deserto americano, Bonnie & Clyde, carros antigos e cheiro de gasolina.
Acredito que “Terra de Ninguém” foi a grande influência para os outros dois títulos, já que esse filme, de 1973, do cultuado diretor Terrence Malick, estrelado por Martin Sheen e Sissy Spacek (a Carrie, a Estranha), do mesmo modo, conta a história de um casal numa tediosa cidade americana que fica com sangue nozóios depois de tanta lenga-lenga. Como o pai da mutchatcha não aprova o romance, Kit (Sheen) descarrega uma pistola no arrombado, taca fogo na casa e foge com a guria pelas belas estradas empoeiradas dos EUA com a polícia na cola. O roteiro é baseado numa história real de assassinato que aconteceu em 1958 ali nos arredores. Sem moralismo ou julgamentos de merda, você acaba ficando do lado dos bandidinhos.
“Assassinos por Natureza”, que já pode ser considerado um clássico cult, na minha humilde opinião, hoje em dia me parece datado. Com visual de vídeo clipe do Guns n´Roses, Oliver Stone cria uma história com as mesmas características do filme de Malick, o que muda é o visual da época em que foi filmado, 1994, o ano mais estranho daquela década. Enquadramentos peculiares em diagonal, PB, animações, uma trilha sonora chapada e grandes atores junkies, como Woody Harrelson, Juliette Lewis e Robert Downey Jr., estão na história de Mickey e Malory Knox – dois canalhas apaixonados assassinos que fogem pelas estradas americanas e acabam famosos pelas traquinagens que aprontam pelo caminho. O problema é a velocidade do filme, que em certas horas parece uma viagem de ácido anfetaminado com a overdose de imagens que acertam a vista, no entanto, Juliette Lewis é uma xavasquinha e tanto, com aquela boquinha sacana e a bunda seca balançando na tela.
Já a película que citei no primeiro parágrafo é a minha favorita. É a mais completa por tratar o tema com mais apuro, classe e uma dose cavalar de cinismo e diversão. Nicholas Cage e Laura Dern são os personagens principais dessa história com pinta de fábula, com uma bruxa velha, feia e má e bandidos arrepiantes e salivantes que correm atrás deles. Lynch abusa das referências, mas faz isso com a elegância duma putinha lambendo o sangue dos lábios depois de tomar uma muqueta do gigolo. Sailor (Nicholas Cage) é um clone de Elvis Presley sem vergonha que foge com Lula, sua garota porra-louca e berrona pelas estradas americanas. Todos os elementos usados no filme parecem ter sido bem estudados, desde a jaqueta de couro de pele de cobra de Sailor até os sapatinhos de bico fino da mãe da garota. As cenas em quartos de hotéis baratos e postos de gasolinas na beira da estrada também são de extremo bom gosto, carregadas de sentimentos e poesias de guardanapo. A cena no deserto em que Lula intrigada não encontra a porra duma música no rádio do carro é clássica: Sailor acorda no banco de trás, gira o tunning e coloca um heavy metal zuado para os dois mostrarem que kung fu também é dança.
Para terminar logo essa merda, são 3 filmes que funcionam para assistir com a mesa de centro cheio de restos de cigarro e cerveja e batata Pringles, enquanto sua pequena chapada com as unhas descascadas roça o pé sujo no seu.
Chega.
P.S.: Obrigado, Maldito Carazón. Confundi feio. Os dois são do Malick.
Acredito que “Terra de Ninguém” foi a grande influência para os outros dois títulos, já que esse filme, de 1973, do cultuado diretor Terrence Malick, estrelado por Martin Sheen e Sissy Spacek (a Carrie, a Estranha), do mesmo modo, conta a história de um casal numa tediosa cidade americana que fica com sangue nozóios depois de tanta lenga-lenga. Como o pai da mutchatcha não aprova o romance, Kit (Sheen) descarrega uma pistola no arrombado, taca fogo na casa e foge com a guria pelas belas estradas empoeiradas dos EUA com a polícia na cola. O roteiro é baseado numa história real de assassinato que aconteceu em 1958 ali nos arredores. Sem moralismo ou julgamentos de merda, você acaba ficando do lado dos bandidinhos.
“Assassinos por Natureza”, que já pode ser considerado um clássico cult, na minha humilde opinião, hoje em dia me parece datado. Com visual de vídeo clipe do Guns n´Roses, Oliver Stone cria uma história com as mesmas características do filme de Malick, o que muda é o visual da época em que foi filmado, 1994, o ano mais estranho daquela década. Enquadramentos peculiares em diagonal, PB, animações, uma trilha sonora chapada e grandes atores junkies, como Woody Harrelson, Juliette Lewis e Robert Downey Jr., estão na história de Mickey e Malory Knox – dois canalhas apaixonados assassinos que fogem pelas estradas americanas e acabam famosos pelas traquinagens que aprontam pelo caminho. O problema é a velocidade do filme, que em certas horas parece uma viagem de ácido anfetaminado com a overdose de imagens que acertam a vista, no entanto, Juliette Lewis é uma xavasquinha e tanto, com aquela boquinha sacana e a bunda seca balançando na tela.
Já a película que citei no primeiro parágrafo é a minha favorita. É a mais completa por tratar o tema com mais apuro, classe e uma dose cavalar de cinismo e diversão. Nicholas Cage e Laura Dern são os personagens principais dessa história com pinta de fábula, com uma bruxa velha, feia e má e bandidos arrepiantes e salivantes que correm atrás deles. Lynch abusa das referências, mas faz isso com a elegância duma putinha lambendo o sangue dos lábios depois de tomar uma muqueta do gigolo. Sailor (Nicholas Cage) é um clone de Elvis Presley sem vergonha que foge com Lula, sua garota porra-louca e berrona pelas estradas americanas. Todos os elementos usados no filme parecem ter sido bem estudados, desde a jaqueta de couro de pele de cobra de Sailor até os sapatinhos de bico fino da mãe da garota. As cenas em quartos de hotéis baratos e postos de gasolinas na beira da estrada também são de extremo bom gosto, carregadas de sentimentos e poesias de guardanapo. A cena no deserto em que Lula intrigada não encontra a porra duma música no rádio do carro é clássica: Sailor acorda no banco de trás, gira o tunning e coloca um heavy metal zuado para os dois mostrarem que kung fu também é dança.
Para terminar logo essa merda, são 3 filmes que funcionam para assistir com a mesa de centro cheio de restos de cigarro e cerveja e batata Pringles, enquanto sua pequena chapada com as unhas descascadas roça o pé sujo no seu.
Chega.
P.S.: Obrigado, Maldito Carazón. Confundi feio. Os dois são do Malick.
Monday, February 12, 2007
Depois de “Sin City” e o ainda inédito “300 de Esparta”, agora vão filmar “Ronin”, mais uma graphic novel de Frank Miller. Ronin é a história de um samurai japonês que ressuscita em Nova Iorque no Século XXI para impedir a reencarnação de um demônho que fudeu com ele em outra encarnação.
Este ano promete, além dos já citados, ainda vêm por ai “O Motoqueiro Fantasma” com Nicholas Cage pilotando, “Quarteto Fantástico e Surfista Prateado”, “Homem de Ferro” e, o mais aguardado, “O Homem-Aranha 3”, com Venon e o Homem-Areia de vilões.
***
- Tell me Why – Neil Young
- Arthritis Blues – Ramblin’ Jack Elliott
Este ano promete, além dos já citados, ainda vêm por ai “O Motoqueiro Fantasma” com Nicholas Cage pilotando, “Quarteto Fantástico e Surfista Prateado”, “Homem de Ferro” e, o mais aguardado, “O Homem-Aranha 3”, com Venon e o Homem-Areia de vilões.
***
- Tell me Why – Neil Young
- Arthritis Blues – Ramblin’ Jack Elliott
As coisas devem ficar claras. E eu preciso ir até lá. Vou pegar um avião no feriado e caminhar pelas ruas desertas da cidade numa tarde de domingo, só para segurar e lembrar. Estamos mais perto do céu hoje. Nessa época a poeira cobre os prédios e as rosas secam. O chão cega e a boca corta. Acho que está tudo certo. As coisas devem ficar claras. Aqui é um lugar estranho onde as pessoas tomam chá em copos e marcam as páginas dos livros com folhas de mangueira. Onde o amor aperta e foge. Onde os moinhos não giram e as roupas no varal permanecem paradas. Onde o tempo é o vazio no final da tarde do domingo. Enquanto caminho, penso nas famílias em seus apartamentos, com pais em shorts de algodão e mães com cheiro adocicado na frente dos televisores. Numa folha em branco anoto seu rosto. Elvis canta Love Me na minha cabeça. Olho com esperança o horizonte. Atravesso gramados intermináveis do cerrado. Deixo meu passado para trás. Já nem sonho mais. Preste atenção, as coisas devem ficar claras. Estou sem saber para onde ir.
Friday, February 09, 2007
Hoje eu tô com cheiro de acidente esperando pra acontecer, e não é por causa do desodorante da minha mulher que eu passei. Rexona cheira a velhas. Quando fico sem dormir no trabalho choro até com a música sertaneja que toca no carro parado no semáforo. Gosto mesmo é de pedir desculpas pra mim. Faço cagada sempre, daí pra dar uma aliviada na mente, minto. Eu falo assim: chega mais, meu camarada, olha na minha cara, assim como seu pai, quando estrala, brilha no escuro. O dia amanhece para eu poder virar a cara pro sol.
Thursday, February 08, 2007
buraco
Agora vai.
Fluminense contrata volante húngaro de 18 anos.
Jesus, é muita falta de noção. O time gastou uma fortuna esse ano e não provou nada ainda. E eu adquiri a porra do pacote do Campeonato Carioca na Net. Douglas Ceconello, do blog Impedimento deu a letra sobre a situação do Tricolor.
“O mais inexplicável é como um time pretende alguma coisa com o Paulo César Gusmão sentado na casamata. Não satisfeito em desconhecer seu ofício, ainda é afeito a invenções e despautérios: escala Cícero, um dos melhores meias do último Brasileiro, como volante. Dá a faixa de capitão para Carlos Alberto, que comanda a equipe com a prudência e autoridade com que Edmundo dirige pelas ruas.”
Fluminense contrata volante húngaro de 18 anos.
Jesus, é muita falta de noção. O time gastou uma fortuna esse ano e não provou nada ainda. E eu adquiri a porra do pacote do Campeonato Carioca na Net. Douglas Ceconello, do blog Impedimento deu a letra sobre a situação do Tricolor.
“O mais inexplicável é como um time pretende alguma coisa com o Paulo César Gusmão sentado na casamata. Não satisfeito em desconhecer seu ofício, ainda é afeito a invenções e despautérios: escala Cícero, um dos melhores meias do último Brasileiro, como volante. Dá a faixa de capitão para Carlos Alberto, que comanda a equipe com a prudência e autoridade com que Edmundo dirige pelas ruas.”
Wake Up Alone
Amy Winehouse
It's okay in the day I'm staying busy
Tied up in love so I don’t have to wonder where is he
Got so sick of crying
So just lately
When I catch myself I do a 180
I stay up clean the house
At least I'm not drinking
Run around just so I don't have to think about thinking
That silent sense of content
That everyone gets
Just disappears soon as the sun sets
This face in my dreams sees in my guts
He floats me with dread
Soaked in soul
He swims in my eyes by the bed
Pour myself over him
Moon spilling in
And I wake up alone
If I was my heart
I'd rather be restless
The second I stop the sleep catches up and I'm breathless
This ache in my chest
As my day is done now
The dark covers me and I cannot run now
My blood running cold
I stand before him
It's all I can do to assure him
When he comes to me
I drip for him tonight
Drowning in me we bathe under blue light
His face in my dreams sees in my guts
He floats me with dread
Soaked in soul
He swims in my eyes by the bed
Pour myself over him
Moon spilling in
And I wake up alone
It's okay in the day I'm staying busy
Tied up in love so I don’t have to wonder where is he
Got so sick of crying
So just lately
When I catch myself I do a 180
I stay up clean the house
At least I'm not drinking
Run around just so I don't have to think about thinking
That silent sense of content
That everyone gets
Just disappears soon as the sun sets
This face in my dreams sees in my guts
He floats me with dread
Soaked in soul
He swims in my eyes by the bed
Pour myself over him
Moon spilling in
And I wake up alone
If I was my heart
I'd rather be restless
The second I stop the sleep catches up and I'm breathless
This ache in my chest
As my day is done now
The dark covers me and I cannot run now
My blood running cold
I stand before him
It's all I can do to assure him
When he comes to me
I drip for him tonight
Drowning in me we bathe under blue light
His face in my dreams sees in my guts
He floats me with dread
Soaked in soul
He swims in my eyes by the bed
Pour myself over him
Moon spilling in
And I wake up alone
Na minha infância e adolescência, o mundo das HQs girava em torno da Editora Abril. Lia muitas revistinhas de super-heróis, como Marvel, DC e a Espada Selvagem de Conan. Nunca fui muito fã dos quadrinhos semanais da Disney, mesmo assim comprava alguns na falta de novidades, até esses eram publicados pela Abril, e a numeração já beirava pelos 2000 (Pato Donald, Zé Carioca e Mickey), hoje nem imagino se zeraram ou não. Apenas a porcaria da Turma da Mônica era vendida pela Editora Globo, que eu nunca comprava. Gastava até os tickets refeição que ganhava vezenquando do meu pai, e sempre que tinha chance, furtava algumas moedas para inteirar num gibi na banca perto de casa. Os furtos em bancas de jornais também eram constantes e sempre tive problemas com isso, já que nunca estava satisfeito.
Eram quadrinhos com páginas de papel jornal, com cores primatas e formatinho janota, apenas a ESC era no formato Veja, com capas muito fodas pintadas pelos fudidões americanos como Noren, Jusko e Boris Valejo. Quadrinhos adultos eram raros, alguns álbuns do Manara e Crepax já existiam, entretanto apenas em livrarias e por preços exorbitantes. Minha grande sorte era o pai setentão de um amigo meu, que possuía uma pilha desses jóias amontoadas na garagem de sua casa. No final dos anos 80 - eu estava então com 11 anos e cheio de berebas -, começaram a surgir alguns títulos mais elaborados na praça, como a Animal, a Chiclete com Banana e Love & Rockets, eu preferia a primeira e comprei todos os números. Era de uma putaria desgramada, personagens drogados e violentos, como Ranxerox e Squeak, the Mouse, e muitos sexo sujo, fora os desenhistas que destruíam na pena.
Na copa da casa dos meus pais tinha uma estante podre, onde eu guardava as revistas no topo. Lá era meu sofá ou sotão, me deitava ali em cima, tomando Nescau e chupando balas Sete Belo, e passava as tardes lendo e rabiscando nos cadernos da escola. Nunca fiz dever de casa. Cheguei a ter mais de 700 quadrinhos amassados entre a estante e embaixo da minha cama. Como mudava muito de cidades, no percurso era obrigado a fazer uma triagem e eliminar aquilo que fosse pesar demais. Quando saí da casa dos meus pais, aos 18 anos, deixei tudo em algumas caixas de papelão. Numa faxina que ocorreu para transformar meu antigo quarto num depósito ou escritório, sem que eu soubesse, largaram as revistas encostada num poste na esquina para algum catador de papel cair matando.
Hoje em dia minha coleção é muito mais modesta. De revistas mensais coleciono apenas Conan, o Cimério (que está capenga segundo a Mithos) e algumas edições do Lobo Solitário. A Conrad melou a cueca com Vagabond, que era meu título preferido, mas prometeu voltar em Março (se não me engano ou fui enganado) com livros que comprimem 3 edições. Os títulos da Marvel agora são divididos por duas editoras menores e mais competentes e atenciosas com os leitores.
Atualmente, tropeço por bancas e fico impressionado com a quantidade de títulos, graphic novels e álbuns e a variedade de capas para um mesmo personagem que posso encontrar. Pixel, Mithos, Devir, Conrad, Panini, a gama é tão diversa que fica difícil citar todas. A nona arte está em alta. Com as várias adaptações para o cinema e o aumento do número de quadrinistas e leitores, eu acredito que nunca se teve tantos quadrinhos acessíveis à vista, apesar dos preços salgados, já que gráfica nunca foi fácil. Claro que muitos são de qualidade duvidosa e o dito underground já não sangra como antigamente. Mesmo assim, é gratificante chegar numa banca e encontrar coisas que antigamente só seriam encontradas em lojas especializadas como Pratt, Crumb e Eisner.
Eram quadrinhos com páginas de papel jornal, com cores primatas e formatinho janota, apenas a ESC era no formato Veja, com capas muito fodas pintadas pelos fudidões americanos como Noren, Jusko e Boris Valejo. Quadrinhos adultos eram raros, alguns álbuns do Manara e Crepax já existiam, entretanto apenas em livrarias e por preços exorbitantes. Minha grande sorte era o pai setentão de um amigo meu, que possuía uma pilha desses jóias amontoadas na garagem de sua casa. No final dos anos 80 - eu estava então com 11 anos e cheio de berebas -, começaram a surgir alguns títulos mais elaborados na praça, como a Animal, a Chiclete com Banana e Love & Rockets, eu preferia a primeira e comprei todos os números. Era de uma putaria desgramada, personagens drogados e violentos, como Ranxerox e Squeak, the Mouse, e muitos sexo sujo, fora os desenhistas que destruíam na pena.
Na copa da casa dos meus pais tinha uma estante podre, onde eu guardava as revistas no topo. Lá era meu sofá ou sotão, me deitava ali em cima, tomando Nescau e chupando balas Sete Belo, e passava as tardes lendo e rabiscando nos cadernos da escola. Nunca fiz dever de casa. Cheguei a ter mais de 700 quadrinhos amassados entre a estante e embaixo da minha cama. Como mudava muito de cidades, no percurso era obrigado a fazer uma triagem e eliminar aquilo que fosse pesar demais. Quando saí da casa dos meus pais, aos 18 anos, deixei tudo em algumas caixas de papelão. Numa faxina que ocorreu para transformar meu antigo quarto num depósito ou escritório, sem que eu soubesse, largaram as revistas encostada num poste na esquina para algum catador de papel cair matando.
Hoje em dia minha coleção é muito mais modesta. De revistas mensais coleciono apenas Conan, o Cimério (que está capenga segundo a Mithos) e algumas edições do Lobo Solitário. A Conrad melou a cueca com Vagabond, que era meu título preferido, mas prometeu voltar em Março (se não me engano ou fui enganado) com livros que comprimem 3 edições. Os títulos da Marvel agora são divididos por duas editoras menores e mais competentes e atenciosas com os leitores.
Atualmente, tropeço por bancas e fico impressionado com a quantidade de títulos, graphic novels e álbuns e a variedade de capas para um mesmo personagem que posso encontrar. Pixel, Mithos, Devir, Conrad, Panini, a gama é tão diversa que fica difícil citar todas. A nona arte está em alta. Com as várias adaptações para o cinema e o aumento do número de quadrinistas e leitores, eu acredito que nunca se teve tantos quadrinhos acessíveis à vista, apesar dos preços salgados, já que gráfica nunca foi fácil. Claro que muitos são de qualidade duvidosa e o dito underground já não sangra como antigamente. Mesmo assim, é gratificante chegar numa banca e encontrar coisas que antigamente só seriam encontradas em lojas especializadas como Pratt, Crumb e Eisner.
Tuesday, February 06, 2007
A graphic novel francesa em que o Wolverine vem passar as férias no nordeste brasileiro chega este mês ás bancas nacionais.
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Paulo F., em sua nova coluna no Guia Teatral, dá as dicas do que (re)surge de bom em teatro em 2007.
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Paulo F., em sua nova coluna no Guia Teatral, dá as dicas do que (re)surge de bom em teatro em 2007.
Monday, February 05, 2007
Na sexta fui participar da gravação do vídeo da faixa “Um Trago com Deus”, da banda Cuelho de Alice, dirigido pelo Márião. Na verdade, quem teve participação especial foi o Opala, que desfilou pelo centrão seguido pelas câmeras em outro veículo. Depois ainda invadimos Gruta para uma pelada de sinuca. Juro, meu corpo ficou arriado no final.
escute a música aqui.
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Sob o sol escaldante, sonhei com o mar. Semana passada foi, sem dúvida, a mais paulêra do ano. A ressaca cobra muito caro, seca a paciência e emudece o riso. Hoje começo uma limpeza nas entranhas e na mente. Como diz Bruna Beber, não dá pra viver todo dia como se fosse véspera de carnaval.
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Ando um pouco aborrecido. Talvez o problema seja comigo. Você não gosta da cor dos meus olhos quando acordo de manhã sentindo seu cheiro no lençol. Noto a blusa que te dei jogada no canto do quarto sob uma faixa de sol, que entra pela janela e me avisa que estou atrasado para mais um dia no cimento da rotina.
escute a música aqui.
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Sob o sol escaldante, sonhei com o mar. Semana passada foi, sem dúvida, a mais paulêra do ano. A ressaca cobra muito caro, seca a paciência e emudece o riso. Hoje começo uma limpeza nas entranhas e na mente. Como diz Bruna Beber, não dá pra viver todo dia como se fosse véspera de carnaval.
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Ando um pouco aborrecido. Talvez o problema seja comigo. Você não gosta da cor dos meus olhos quando acordo de manhã sentindo seu cheiro no lençol. Noto a blusa que te dei jogada no canto do quarto sob uma faixa de sol, que entra pela janela e me avisa que estou atrasado para mais um dia no cimento da rotina.
Wednesday, January 31, 2007
Monday, January 29, 2007
chupando pirulito na rave
ando um pouco anti novidades, só no mocó, até porque só têm arrombado nessas fitas, mas é difícil ficar indiferente com essa música do Klaxons. eu coloco ela aqui e já vizualizo uns indies na pista do funhouse ou do outs, com o polegar atochado no cu e o pirulito na boca, sem saber se rebola ou chacoalha o cabelinho, lindo, cada um na sua vibe, acreditando nessas coisas legais ai, no papai, na merenda, na gordinha serelepe do lado, no tudo bem, no então tá bom:
"Not over Yet"
"Not over Yet"
me leva pro hospital
Só agora descobri que os canadenses do The Constantines lançaram um disco novo, e quase parti a cabeça no meio com o volume dessa porra no fone d’ouvido. Ainda não consegui baxá a bagaça - “Tournments of Heart” - toda, mas, logo de cara, com a música que peguei – “Love in Fear” – deu pra pensar em colar no hospital pra tirar um sangue com os braços pra cima.
update: sério, esse disco é o melhor que escutei em muito tempo.
update: sério, esse disco é o melhor que escutei em muito tempo.
barriga d'água
Uma velha me pára na esquina e pergunta sobre os falsos progressistas e suas filhas virgens e do ano, do número dos solitários. Eu compro um de seus terços e digo que minha carne não é boa e que caia fora. Nada devo aprender. Cuido do meu nariz, é por onde a vida, a vida escorre. Já não enxergo do outro lado da lente. No aniversário de São Paulo, não saí de casa para ver a chuva. It's a hard rain's a-gonna fall. Hoje é o primeiro dia de aula da molecada, eu entendo a chatice e não sinto falta dela. Chove e faz calor lá fora. Para onde os idiotas vão hoje? Tropeçando na cidade de São Paulo. Eu quero uma passagem só de ida. Para o terminal onde tudo flameja ao redor, nas labaredas da minha shangri la, numa mistura de ingredientes errados e gases poluentes inflamáveis e a desilusão que brilha na escuro.
Wednesday, January 24, 2007
eu não gosto de chorar, e isso não acontece mais. não tenho tempo para desculpas e quando estou alto acho que posso conviver com as lâmpadas queimadas. você sempre diz adeus de costas e me deixa acordado na sua cama o resto do dia. quando volta do trabalho me traz flores com um bilhete em branco. me olha de soslaio e não sorri mais. minhas chances morrem aos tropeções. ás vezes sinto um aperto debaixo do sovaco, acho que é falta de ar.
Tuesday, January 23, 2007
dose diária de merda
Eu acredito que exercícios físicos e trabalho façam muito mal à saúde, mais que cigarros e televisão. Uma pessoa que freqüenta uma academia, por exemplo, está sujeita às dores localizadas e à estafa muscular por causa dos movimentos repetitivos e do adestramento excessivo em busca do corpinho ideal para impressionar o semelhante ou tirar o atraso de anos achatando a bunda no sofá e no bar. Tri atletas então, nem vou comentar – vide bula de barra de cereais. Agora no caso do trabalho, é muito simples, o bagulho já é uma bosta, quando é emprego então piora, sem dúvida. A rotina tediosa da escravidão empresarial em carga horária semanal, acaba com qualquer ser humano pós-moderno que precisa do pagode no fim do mês para sobreviver e adquirir bens materiais e a cerveja do happy-hour – o período noturno de trabalho. Para manter o condicionamento físico e a mente sã é preciso se livrar das amarras habituais e voltar a beber da fonte das ruas, ou seja, parar de frescura. O homem pós-moderno das grandes metrópoles não caminha e está enclausurado em cubos e caixas de vidro, cego para o que acontece ao redor, tudo se limita a um retrovisor e algumas janelas fechadas; carece da mudança contínua de cenários, situações, do aproveitamento da variação da paisagem urbana; deve viver como um índio, ou até um moleque - mas não como esses pirralhos babões, mamãe-quero-bolo de hoje em dia, que sequer põem os pés para fora do condomínio – que anda de bicicleta e vai a pé ou de ônibus pra qualquer caralho de lugar. O indivíduo que se locomove com o meio de transporte natural que Deus lhe deu por algumas horas durante o dia ou a noite, consegue manter a forma, evita pensar merda e se preocupar com a pressa, a urgência diária que só existe para chegar rápido em casa em busca do próximo Danoninho, do próximo capítulo da porra desses malditos seriadinhos americanos, da próxima briga conjugal. Somos um bando de preguiçosos que depende de elevadores e automóveis e botões para fazer qualquer tipo de porcaria como ir ao cartório ou pedir uma pizza. Somos bostas humanas, cagalhões de merda. Somos nojentinhos e babaquinhas,que colocamos o paninho no colo pra comer e que analisamos as bordas do copo antes de beber. Somos a cloaca urbana.
Monday, January 22, 2007
Desde o começo do ano noto que os outdoors estão caindo pelas redondezas da cidade, graças à nova lei, a empreitada fantástica do nosso Sr. prefeito Kassab. Assisto essas mudanças, sentado no bar de grande movimentação que freqüento quase que diariamente aqui do lado do trampo. A cidade ganha novos ares sem a esporrada de logos, cores pantones e modelos sorridentes espalhadas pelas esquinas. Tudo fica melhor sem a criatividade apelativa e invasiva dos publicitários paulistanos.
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Ultimamente ando preferindo comprar meus livros pela Cultura, porém recebi um email sobre descontos da Saraiva e, assim sendo, fui descontá-lo. Numa compra de 80 dinheiros, paguei, subtraindo os bônus (desconhecidos) e os descontos oferecidos, um valor total de R$15. Firmeza.
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O Rage Against the Machine volta a se apresentar completo no Coachella Festival, em Abril, na Califórnia. Porra, quando eu era moleque, meu sonho era ouvir "Bulls on Parade" ao vivo num show dessa banda.
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Ultimamente ando preferindo comprar meus livros pela Cultura, porém recebi um email sobre descontos da Saraiva e, assim sendo, fui descontá-lo. Numa compra de 80 dinheiros, paguei, subtraindo os bônus (desconhecidos) e os descontos oferecidos, um valor total de R$15. Firmeza.
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O Rage Against the Machine volta a se apresentar completo no Coachella Festival, em Abril, na Califórnia. Porra, quando eu era moleque, meu sonho era ouvir "Bulls on Parade" ao vivo num show dessa banda.
Thursday, January 18, 2007
A escuridão aparece para me lembrar que estou ocupado tentando morrer. Escondo-me atrás da porta e descubro farelos de vida no assoalho. Meu sangue escorre em espiral pelo braço esquerdo. Fecho a porta e não sinto sua falta, apenas a ausência do seu fedor. Cuspo pela janela tentando limpar em vão todo o muco dos meus dentes. Estou ocupado tentando morrer. Eu não tenho medo mais. E escuto o sino da igreja daqui e todas aquelas canções com os olhos secos e a garganta solta como uma garrafa entornada que rola no chão sobre a poeira que gruda nas bordas e nas horas que esgotam no céu que desaparece e se mistura com o teto e tudo vira um círculo onde me enclausuro e sei que não existe razão nem saída.
vamo parar com essa putaria ai
vixi, baxaê e coça o joelho disfarçadamente*
“A Spoonful Blues” – Charlie Patton
“Standing at the Crossroad” –Elmore James
“Mama, Talk to your Daughter” – J.B. Lenoir
“Lost your Head Blues” – Bessie Smith
"Love in Vain" - Robert Johnson
Têm muito mais da onde roubei isso. Lá no ótimo The Blues Traveller.
*clique com o direito, "salvar destino como..."
“A Spoonful Blues” – Charlie Patton
“Standing at the Crossroad” –Elmore James
“Mama, Talk to your Daughter” – J.B. Lenoir
“Lost your Head Blues” – Bessie Smith
"Love in Vain" - Robert Johnson
Têm muito mais da onde roubei isso. Lá no ótimo The Blues Traveller.
*clique com o direito, "salvar destino como..."
Wednesday, January 17, 2007
IDEAFIXA #4
Está no ar a nova edição da IDEAFIXA. Essa é sobre Science Fiction.
E que firmeza!, fui o quarto colocado na votação dos melhores artistas da edição anterior, da qual fiz parte, com média de 9,28. Assim, vou começar a levar à sério essa parada de rabiscar. Deixo aqui meus agradecimentos aos amigos e desconhecidos que votaram bem em mim.
E que firmeza!, fui o quarto colocado na votação dos melhores artistas da edição anterior, da qual fiz parte, com média de 9,28. Assim, vou começar a levar à sério essa parada de rabiscar. Deixo aqui meus agradecimentos aos amigos e desconhecidos que votaram bem em mim.
Tuesday, January 16, 2007
Diante das notícias de que a doença corintiana agora atinge meu clube, fica difícil segurar o intestino depois do PF. O bosta do Rafael Moura e a porcaria do Carlos Alberto foram contratados para a temporada. O segundo foi revelado pelo Tricolor, mas tinha debandado para Portugal quando tinha uns 18 anos, depois voltou direto pro Corinthians, não fez falta, agora pesa e vai pesar mais, como uma âncora. Eu não vou com a cara desse arrombado de jeito nenhum, ele é o Alexandre Pires dos gramados. E o argumento da diretoria é o mesmo de todos os anos: o time fez grandes contratações e vai lutar por títulos. Difícil.
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Comprei uma bicicleta para vir trabalhar, assim, além de economizar dinheiro do gás da barca, vou contribuir nessa batalha para salvar o planeta e os animais que vivem nele, e suar a cerveja.
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Comprei uma bicicleta para vir trabalhar, assim, além de economizar dinheiro do gás da barca, vou contribuir nessa batalha para salvar o planeta e os animais que vivem nele, e suar a cerveja.
Não consigo ouvir a porra do rock novo, que me soa falso e amador, insosso como aquele último miojo sem o tempero que você usou para incrementar uma sopa Knor de pacote. Não gosto do LCD Soundsystem, dizem que é cínico e moderno, de pista e tal, só que para mim soa pretensioso e burro, para crianças debilóides. Não suporto Kasabian, é muita pressão para uma banda bola-murcha. Apesar de ter o disco, não escuto mais Kaiser Chiefs, eles até são engraçadinhos, entretanto, os mamonas ingleses só acertam a mão, depois de atirarem pra tudo quanto é lado, a cada 30 tentativas. E o que dizer do Babyshambles?, o frito é muito mais pose que a música em questão, tipo jogador de futebol velho. É impossível ler a NME sem se perguntar quem são os idiotas que fazem aquela revista. E não deixa de ser hilário os comentários do CSS dizendo que tão pouco se fudendo para o sucesso no Brasil já que eles são os bambambans na gringa, não voltem mais então. Por isso, sigo cavando um buraco numa montanha onde os entulhos são mais atraentes. Ando descascando cana encostado no tronco duma árvore bem longe daqui. Pesquiso o que chamam de velho, antigo e primitivo. Descobrir o folk de Rambling’ Jack Elliott há algumas semanas atrás foi como comer a primeira gostosa da minha vida na fazenda dum amigo do meu pai, quando tinha 17 anos. I´m so Glad, Skip James, i´m so glad. Já o blues de Charley Patton me faz esquecer do trânsito e das contas que se acumulam na minha gaveta, e ainda me torna um cara cada vez mais durão. Sigo roendo as unhas e cavando as raízes do que originou tudo. Elmore James, você é um filho da puta, se eu o tivesse escutado quando era criança o que seria de mim hoje, nego? O que prolifera agora não me atinge, eu posso até tentar, mas não funciona, não sou eu que escolho, acontece. Sinto que a música é como uma paixão, literalmente falando, você não escolhe gostar de alguém, simplesmente acontece. Cito como exemplo “For no one’, dos Beatles (abaixo). Desde os meus 13 anos essa canção arruína minha vida toda vez que lembro de sua existência e a coloco para tocar. É isso que procuro, algo que me divirta, preencha e esvazie ao mesmo tempo, seja em livros, gravuras ou vinis, seja num bar imundo sozinho ou ao redor duma mesa de sinuca com os amigos. Coisa autênticas e simples que não desaparecem na fumaça do tempo, mas ficam impressas na memória.
for no one
the beatles
Your day breaks, your mind aches
You find that all her words of kindness linger on
When she no longer needs you
She wakes up, she makes up
She takes her time and doesn't feel she has to hurry
She no longer needs you
And in her eyes you see nothing
No sign of love behind the tears
Cried for no one
A love that should have lasted years
You want her, you need her
And yet you don't believe her when she says her love is dead
You think she needs you
And in her eyes you see nothing
No sign of love behind the tears
Cried for no one
A love that should have lasted years
You stay home, she goes out
She says that long ago she knew someone but now he's gone
She doesn't need him
Your day breaks, your mind aches
There will be times when all the things she said will fill your head
You won't forget her
And in her eyes you see nothing
No sign of love behind the tears
Cried for no one
A love that should have lasted years
for no one
the beatles
Your day breaks, your mind aches
You find that all her words of kindness linger on
When she no longer needs you
She wakes up, she makes up
She takes her time and doesn't feel she has to hurry
She no longer needs you
And in her eyes you see nothing
No sign of love behind the tears
Cried for no one
A love that should have lasted years
You want her, you need her
And yet you don't believe her when she says her love is dead
You think she needs you
And in her eyes you see nothing
No sign of love behind the tears
Cried for no one
A love that should have lasted years
You stay home, she goes out
She says that long ago she knew someone but now he's gone
She doesn't need him
Your day breaks, your mind aches
There will be times when all the things she said will fill your head
You won't forget her
And in her eyes you see nothing
No sign of love behind the tears
Cried for no one
A love that should have lasted years
Monday, January 15, 2007
Minhas férias acabaram e desapareci, fui engolido pelas partes escuras de São Paulo este final de semana como uma barata que é sorvida por um bueiro na tarde chuvosa. Entre sinucas e botecos, troquei idéias sobre cantores obscuros e flores secas esquecidas em páginas de livros. Amanheci sentado numa sarjeta da Rua Augusta e conheci um ladrão sem nenhum dente, sua boca parecia um rasgo que cruzava a face e seu braço era um pergaminho com tatuagens bisonhas de tinta de carga de Bic. Meus olhos acendiam cigarros e as luzes do teto não funcionavam mais e haviam muitas sombras nos rostos desconhecidos e desfocados e eu cansei e voltei para casa
debaixo do sol do domingo.
debaixo do sol do domingo.
Hotel Lancaster
Thursday, January 11, 2007
"Shake Your Monkey Maker"
Muitas 80 garrafas de vinho, alfajores, fumo dubom e doce também, buffets baratos de beira de estrada, e muito, muito Elmore James para aplacar minha sede de loucura. Eu seguro meu crânio aqui no banco de trás enquanto esse maldito debulha meu coração negro, seguro e aperto para não explodir e tudo acabar aqui mesmo. Misturo tudo cowboy, uma mistura assim, Ramblin’ Jack Elliott, Elmore James e taco mais um pouco de Bob Wills & His Texas Playboys e Bobby Dylan e olho a mistura efervescente com meus dois olhos míopes e flamejantes como a brasa do cigarro que queima trêmula na minha mão esquerda e meu suor escorre como a água dos rios que cortam a sulamérica. E a estrada corre solta com sua faixa dançando em ziguezague, com o zunido dos automóveis ultrapassados fazendo par com o slide guitar. Tudo vai ficar bem sempre que quiser, Ma. As piadas voam soltas como aquele bando de pássaros que segue rumo ao crepúsculo uruguaio. Eu acredito em nunca outra vez, Ma, e nos goles de vinho que caem na minha regata imunda que não tiro há 5 dias. Me abraça, linda, vamos sorrir para refletir o que resta de Sol nesta estrada neste continente neste dia.
Tuesday, January 02, 2007
depois de 3000 quilometros rodados, ja nao me encontro mais no Brasil há 5 dias, e nem os acentos neste teclado fulero. com meus amigos, cruzei uma rebarba do país por estradas desconhecidas e escuras, outras vezes tao ensolaradas que tostaram meus braços e pernas. paramos em hotéis imundos e empoeirados como poroes esquecidos do século passado. conhecemos cidades desconhecidas e de nomes hilários. seres que nunca veremos outra vez e postos de gasolinas nada hospitaleiros. vimos paisagens sem fim, mas cortamos-as. tivemos nosso medo e delìrio particular numa rodovia abandonada e deixamos de dar carona à Kerouac e nao tomamos cerveja com Wander Wildner. vimos a água caindo e falta dela. o sol inclemente do verao sulámerica. os cachorros imprimidos no asfalto. e os biscoitos chochos de polvilho. baby, please quilmes! eu já nem sei onde estou, mas continuo. nao voltamos mais, apenas vamos, afinal, o roteiro é um círculo.
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