Tuesday, May 12, 2009
Na rodovia cercada de capim seco o motor soa como um arroto dos deuses, um trovão no planalto do outro lado do mundo, que parece intocável agora. Tudo treme ao redor, dentro das sombras dos olhos. Joe Strummer não está por perto para me emprestar um punhado de canções. Empurre-me para fora, assim, quando notar algo estranho comigo. Sem fazer alarde, eu lhe digo, sem fugir de mim. Em câmera lenta e o giro no cume de Aconcágua. Erra-me na curva e jogue-me do desfiladeiro. Embrulhe-me em sangue e vidro. Deposite-me de costas no rio. Um altar que explode em metal e gasolina. Em nome do pai, da puta e do Espírito Santo.
Por que eu deveria querer morrer cantando “Sweet Home Alabama” para Deus?
Friday, May 08, 2009
Tuesday, May 05, 2009
vai, caráio.
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aqui o Gadasneve.

Sunday, April 19, 2009
Friday, April 17, 2009

Escritores, desenhistas e artistas, como Laerte, Lourenço Mutarelli, Paulo César Peréio e Daniel Galera doam obras inéditas em prol de espetáculo de Mário Bortolotto
Idealizadoras do projeto de espetáculo teatral “Brutal”, com texto de Mário Bortolotto e direção de Marcos Loureiro, as atrizes e produtoras Carolina Manica e Luciana Caruso optaram por criar uma nova alternativa para a realização do projeto. Ao invés de esperar por editais e patrocínios elas resolveram reunir forças naquilo que elas mais conhecem: a própria arte. Conseguiram reunir mais de 30 obras inéditas de respeitados artistas e produziram a exposição “Brutal”, com abertura no dia 22, na Coletivo Galeria, em São Paulo. As vendas irão financiar a produção da peça.
Entre as obras, destaque para duas telas originais pintadas à mão pelo cartunista Laerte, que foram usadas para ilustrar as capas das coletâneas da sua consagrada criação "Piratas do Tiête", e um original inédito em canson, produzido com nanquim e desenhado com pincel pelo aclamado quadrinista e escritor Lourenço Mutarelli, autor de "O Cheiro do Ralo". Também serão expostos manuscritos. Um trecho do próximo livro do escritor Daniel Galera, "Barba ensopada de sangue",e uma crônica do escritor Marcelo Rubens Paiva estão entre eles. Entre as surpresas, uma tela de Paulo César Peréio revela que, além de ator, ele também é ótimo pintor.
A exposição terá ainda uma crônica manuscrita do dramaturgo Mario Bortolotto; uma crônica manuscrita de Xico Sá; um original de Rafael Grampá, novo talento dos quadrinhos nacionais e primeiro brasileiro a receber o prêmio internacional Eisner Award junto com Gabriel Bá e Fábio Moon, que também doaram originais para a exposição; um desenho inédito do escritor Joca Reiners Terron; cadeiras desenhadas pelo artista plástico e quadrinista Rafael Coutinho; originais do quadrinistaAndré Kitagawa, autor da famosa graphic novel “Chapa quente”, também adaptada para o teatro sob a direção de Mário Bortolotto; uma video arte da artista plástica e designer Andreza Valentim; um original do desenhista Carlos Carah; uma tela da artista plástica Raquel Falkenbach; uma ilustração da artista plásticaLuisa Doria; uma crônica manuscrita do escritor Daniel Pelizzari; um poema manuscrito do poeta, escritor e jornalista Ademir Assunção; uma fotografia do dramaturgo, diretor e fotógrafo Antonio Rocco; uma fotografia de Renato Parada; uma crônica manuscrita do jornalista e escritor Palmério Dória; uma tela desenvolvida pelo estúdio de artes visuais Sopa Grafix; um painel em MDF do artista urbano Loro Verz e uma vela impressa com arte fotográfica pelo fotógrafoRoberto Donaire.
Exposição “Brutal”
de 22 de abril a 3 de maio.
Coquetel de abertura: dia 22 de abril, a partir das 19 horas.
funcionamento:
ter. a sex. das 17 às 23hs
sab. das 14 às 19hs
Coletivo Galeria
Rua dos Pinheiros, 493 – Pinheiros – SP
11 3083 6478
www.coletivogaleria.com.br

Bill Callahan - "Sometimes I Wishy We Were An Eagle"
Bill Callahan, ex-Smog, acaba de lançar mais um álbum. Ainda estou nas primeiras músicas e são ótimas. Vá se você gosta de Nick Drake, Bonnie ‘Prince’ Billy, Bill Fay, desses caras que te fazem querer pegar a estrada para lugar nenhum no feriado prolongado. Porra, e a capa é fodaça.
isn’t it a pity
Era uma tarde de um domingo nublado e estávamos sentados na varanda da modesta chácara dele. Eu e meu avô. No interior de Minas Gerais. Isso em 1992, acho. Ele ia e vinha em sua cadeira de balanço. Descalço. Silencioso. Com os olhos fechados e a cabeça pendendo suavemente para trás. A boca levemente aberta para poder respirar. Peguei um pequeno aparelho de som, liguei na tomada e lhe pedi que prestasse atenção naquela música. Eu era um moleque desencantado, cheio de espinhas no rosto e meu corpo era raquítico e coberto de ralados e arranhões. Não fazia a menor noção de nada. Cagava e andava para o mundo. No entanto, aquela música me atingia de forma brutal, tinha um enorme poder sobre mim, como feitiçaria, me levando a um estado de melancolia confortável, como se eu fosse levado numa canoa Rio Verde abaixo.
Enquanto ela soava no mini-system, ficamos em silêncio olhando a paisagem, entretanto, eu também podia escutar o ranger da cadeira de balanço, um quero-quero gralhava com sua esposa no terreno da frente. O vento soprava fraco, e as árvores que escondiam o rio, atrás da cerca-viva de cipreste, faziam um farfalhar que lembrava o som de uma cachoeira. Tudo parecia se conectar a melodia da canção. Fangio, nosso doberman mestiço, lambia uma ferida pustulenta na pata dianteira esquerda, deitado no piso gelado de granito. Tirei meus óculos e os limpei com o avesso da blusa. Tentei enxergar meu avô sem eles. Tudo era muito turvo. Deitei de costas no chão. As nuvens carregadas dançavam no céu.
Meu avô era um piadista silencioso. Possuía um corpo volumoso, indicando que antes ele fora musculoso, mas os excessos da vida e a gravidade acabaram por vencê-lo. Sua testa era reluzente e sua olhar era profundo como se enxergasse através das pessoas. Gostava de vê-lo andar pelas ruas de Três Corações, com sua indiferença estóica. Sempre aparecia com suas intervenções ácidas quando a família discutia algum assunto banal na mesa do jantar ou do café da manhã. Também inventava jingles pessoais instantâneos que faziam todos rirem durante dias. Um sujeito íntegro que havia sido tenente no Exército brasileiro durante muito tempo.
Quando eu tinha 9 anos de idade, ele me ensinou a empunhar uma arma. Dei alguns tiros no pasto de uma fazenda nas redondezas de Cambuquira. Depois me deu uma aula de como desmontar e limpar um revólver. Lembro que ele foi caçar aves depois e voltou com as mãos vazias e um sorriso acolhedor no rosto. Já era noite e a família inteira estava na cidade. Fomos até a cozinha da fazenda, onde ele acendeu o fogão a lenha e pegou alguns ingredientes na geladeira e nos armários. Naquela noite, ele me ensinou cuidadosamente a preparar um arroz carreteiro suculento. Depois que comemos nos sentamos na varanda, onde meu avô me contou histórias assombradas de um velho de chapéu de palha que foi morto pela mulher, mas que continuava vagando pelos pastos de Varginha sob o luar prateado. Fiquei agarrado às minhas pernas finas com um cagaço filha da puta. Vaga-lumes surgiam e desapareciam na escuridão da noite.
Em 1996, meu avô recebeu um diagnóstico atrasado de pancreatite. Meu pai o trouxe para um hospital decente aqui em São Paulo. Fui visitá-lo, mas ele já estava bem magro e havia sido entubado. Não tenho certeza se me reconheceu ali, naquele quarto frio com cortinas de plástico verde-claro. Dois dias depois, ele morreu com todas as oportunidades que existia para eu agradecê-lo por tudo que me ensinou. Não tive a chance de me desculpar por não ter aproveitado e aprendido mais com sua pessoa fantástica. Não pude sequer abraçá-lo pela última vez.
Ontem, no sofá, senti uma saudade enorme dele. Da forma como ele levava a vida, não se preocupando demais nem deixando os aproveitadores se aproximarem. Ontem, me dei conta de que não posso fugir de quem eu realmente sou. Não posso deixar de acreditar nos meus amigos verdadeiros. Não posso esquecer-me de odiar meus inimigos. Não posso abandonar a verdade. Nem perder a lembrança da maneira discreta que meu avô se preocupava comigo. Sobre o que ele me disse sobre caráter. Sobre começar e terminar muitos livros, no entanto, ele se foi e eu o li apenas pela metade.
Thursday, April 16, 2009
isso não quer dizer nada
Esses dias parei para pensar no passado. Detesto indolência. Ando sonolento. Parei para pensar. E tenho medo de dormir. Preciso me libertar e despertar, por assim dizer, dessa merda amorfa toda. Ando sonolento. Mas enxergo. Memórias e presságios. Fiquei andando por aí. Estou me sentindo estranho. Minha garganta apertava naquela noite. Fiquei pensando que ia chorar. Não me lembro como é chorar. Daí fiquei legal. Minha percepção estava alterada. Aguçada. Nasci do outro lado do rio. Numa época errada. Numa curva. Que me faz renegar o presente. Eu acredito nessa habilidade para fazer qualquer coisa sem encontrar nada que queira fazer.
Sunday, April 12, 2009
festim

com sua voz vulnerável
ela sussurra uma canção
como se lançasse um feitiço
esquecido para mim
numa linguagem que consigo entender
ela canta, inacreditável,
que amanhã a poeira vai baixar
e o sol aparecerá para nós
ela me põe no colo
e destrincha meu coração
e enterra blasfêmias sob as sombras
das árvores dos campos
do outro lado da trincheira
ela vaga,
e me alerta sobre a longa batalha da noite anterior
sobre a última esperança
sobre gostar de quem não existe mais
sobre dormir de dia
tomando leite e assistindo desenho do Papa-Léguas.
Saturday, April 11, 2009
Thursday, April 09, 2009
Wednesday, April 08, 2009
Monday, April 06, 2009
SACO DE RATOS - NESSA SEGUNDA-FEIRA
Nessa segunda-feira o Brum não vai estar com a gente. Ele vai estar no hospital encarando uma cirurgia. Mas a gente vai tocar "Vida Brum" em homenagem a ele.
Nessa segunda-feira (dia 06)
Show da banda "Saco de Ratos"
Mário Bortolotto : Vocal
Marcelo Watanabe : Guitarra
Baixo : Fábio Pagotto
Bateria : Rick Vechione
Das 22h até 24h
A partir das 24h - Discotecagem rock and roll de Carcarah.
O Satyros 2 fica na Praça Roosevelt, 124
Ingressos : R$ 5,00
Na próxima segunda-feira (dia 13), quem toca é a banda "Fábrica de Animais""
arranquei do Atire.
vou levar só funk soul e blues pra tocar.
Tuesday, March 31, 2009

PJ Harvey & John Parish - "A Woman A Man Walked By" (baxaê)
escutei apenas a primeira música, acabei de puxar. boa de foder.
o outro disco que Polly Jean lançou com John Parish, “Dance Hall At Louse Point”, uns 12 anos atrás, é bem experimental, nenhuma música se assemelha a outra, cheio de microfonias, barulhos estranhos e sussurros ao vento. casca grossa. a guria se esgoela numa canção chamada “Taut”, acho, que é de arrepiar os cabelos da nuca, rola até vontade de conferir se a porta está mesmo trancada, com medo de que alguma criatura apareça. lembro que estava andando numa rua em Pinheiros, isso no milênio passado, daí entrei numa loja de discos e sem querer achei o CD ali no meio, o escondi em outra seção para poder voltar com dinheiro para comprar depois. e voltei e comprei. daí alguém foi em casa e levou emprestado e nunca mais o vi. esse novo não precisa comprar.
e deve ser de bom de foder também.
Monday, March 30, 2009
acredite nos outros. é fácil.
eles fazem campanhas anti-tabagistas, mas esquecem de alertar que o caráter falho, o vacilo e a culpa brocham mais que o cigarro. ela me diz morra e eu estou cansado para isso agora, embora tenha preguiça de viver sob conselhos decorados de alguma revista. esses filhos da puta. são espertos e legais e tratam da mamãe natureza com hipoglós. andam de terno e carros com os vidros fechados no calor do verão. mastigam bem pra caralho. não sei por quê, mas prefiro armas a tortas. cicatrizes a franjas. pedras a buquês. suicidas a conquistas. diarréia é bem melhor que cagar duro. não sei por quê, cuidado, mas não vou com a tua cara. pose para fotos e dê entrevistas com cara de pastel. em pleno século 21. acredite em jornais e na internet. nos figurões desdentados. acredite que aquele pau ainda possa levantar. facilite. lembre. e não se esqueça daquela fala quente decorada da mesma revista. decore mentiras que não existem mais. excesso de afeto e medo. fale como se evacuasse. não seja de ninguém mas aceite o próximo se houver algo em troca. nasça para dar certo abaixo da linha do Equador, por favor. mantenha e procure contatos. fale duas vezes para ser escutado. beije como se evacuasse. nunca deixe a cidade ou de atender o telefone por medo do esquecimento. permaneça branco e ocupado. o preço de ser livre e existir para os outros. vale a pena. pode crer.
Friday, March 27, 2009
sem fogo
Wednesday, March 25, 2009
um poema, um peido
se existe algo que detesto é gente como transpira conversa e encosta vão se foder por mim, conversava com os animais sou burro não sei falar. "para meu amigo Adriano, o Ninguém"um poema, um peido
Tuesday, March 24, 2009
fim da trilha/grande nada
Sunday, March 22, 2009
c`alma
Tuesday, March 17, 2009
Friday, March 13, 2009
Thursday, March 12, 2009
Tuesday, March 10, 2009
- Ei! Ei, Carlinhos! Tem um cigarro ai, mano do caraio?
Saco meu maço, tão amassado quanto a cara do Gervásio, e ofereço pra geral. Depois o isqueiro roda e volta, após certa insistência minha. Nada de novo acontece. Em lugar nenhum. Bebemos a cerveja gelada e nunca falamos de ambições ou planos. Eles aparentam não ter nada a dizer sobre eles mesmo, quanto menos eu. Por isso, falamos mal dos outros, apenas para rir de toda essa papagaiada séria que as pessoas acreditam que podem fingir ser. Nada como se fingir de alguma coisa. Só assim mesmo para se dar bem na vida. Eu quero mesmo é que se foda. E creio que esses caras também.
Afinal, que vá todo mundo tomar no olho do buraco do cu.
Gervásio levanta a perna esquerda e peida. Ninguém ri.
- Acho que vai chover – ele diz sorrindo com todos seus dentes amarelados pela nicotina e pelo crack – hein, Carlinhos?
- Sei não.
- Porra, tá dando até trovão.
Monday, March 09, 2009
Thursday, March 05, 2009
Friday, February 27, 2009
Sunday, February 22, 2009
vamulá

Nessa segunda e terça-feira de carnaval vai rolar rock and roll no Teatro X. A nossa banda "Saco de Ratos" vai tocar lá nos dois dias. Antes do nosso show deve rolar um set acústico com a Fernanda e oFlavinho da "Fábrica de Animais". E antes, durante e depois dos shows, Carcarah vai atacar de DJ mandando muito rock and roll pra todo mundo dançar. É pra ir até de manhã já que a maioria da rapaziada não precisa acordar cedo no dia seguinte.
"Bortolotto comanda o show que dura mais de duas horas e trouxe de volta o sentido sagrado para a noitada (rockeiro que é rockeiro não usa a palavra "balada"): desabafar
A banda devolveu ao rock autenticidade e elementos da sua essência, naquela que se transforma na melhor terça da cidade."
Apareçam.
Segunda e terça de rock no Teatro X
a partir das 22h - sem hora pra acabar
Ingressos : R$ 5,00
Banda Saco de Ratos
Mário Bortolotto : Vocal
Fábio Brum : Guitarra
Marcelo Watanabe : Guitarra
Fábio Pagotto : Contra-Baixo
Rick Vechione : Bateria
Set acústico com
Fernanda D´Umbra : Vocal
Flávio Vajman : Gaita e guitarra
Discotecagem rock and Roll : Carlos Carah
O Teatro X fica na Rua Rui Barbosa, 399 - perto do Bradesco da Rui Barbosa
Fiquem a vontade para divulgarem em suas listas de e-mails. A gente vai achar bem bacana
Friday, February 20, 2009
fraude descartável
Thursday, February 19, 2009
Monday, February 16, 2009
Saturday, February 14, 2009
Wednesday, February 11, 2009
Ike & Tina
enderece e envie seus cartões postais. eu espero estar bem longe quando eles chegarem.
nada cai do céu. custa muita loucura. algo semelhante a gotas de sangue numa folha em branco. inesperado como um blecaute quando dentro do elevador, ou giletes sujas embaladas em celofane. um dia serei um suicida aposentado, quem sabe um rebelde adaptado. só espero não precisar da família nem dos amigos nem dos cães nem dos gatos.
há algo de muito errado nesse quarto escuro, que consome minha alma com talheres descartáveis e luvas plásticas quando chega a madrugada. quando chega a madrugada. e seu cheiro quente e fétido no ar. quando o vento abre e fecha a janela anunciando mais uma tempestade. quando mais um blecaute apaga a vizinhança. prefiro ficar à minha própria espreita para poder entender essa falta de vontade. a verdade que intimida. o refugo. sobre nunca colocar as coisas no lugar. sobre uma longa e escura noite. um silêncio absoluto. um sujeito atormentado, pensando longe demais.
Monday, February 09, 2009
Friday, February 06, 2009

Último brinde
Às vezes eu imito um velho bêbado conversando com seu piano.
Às vezes eu rio dos meus inimigos invisíveis que seguem atrás de mim na praia tentando apagar minhas pegadas na areia.
Às vezes eu olho pra cara vermelhona do sol e grito a plenos pulmões: é isso aí, meu chapa, continue brilhando, brilhe pra valer.
Às vezes eu sussurro versos indecentes no ouvido de Lady Solidão só pra vê-la excitada.
Às vezes eu recito diante do espelho trechos de poemas tristes que eu mesmo escrevi há mais de dez anos: “musas sádicas me acariciam / com unhas de gilete / lábios em carne-viva, mil beijos / de medusa — stripers que após a roupa / arrancam a própria pele.”
Às vezes eu escuto os pés do Tempo roçando de leve o assoalho de madeira do corredor e digo a ele: Eu sei que você está aí, meu velho, pode passar. Não precisa ser tão cuidadoso.
Às vezes eu sonho que sou um boxeador com a cara toda arrebentada caído no canto do ringue e uma garota branca como uma xícara de leite diz bem perto dos meus machucados: vamos lá, querido, não jogue a toalha, vá pra cima, você consegue.
Às vezes eu lembro do dia em que ganhei um triciclo do meu pai e saí pela rua pedalando a milhão, feliz como um garotinho que acabou de ver sua mãe voltando do hospital.
Às vezes eu tenho vontade de chorar mas faz muitos meses que não consigo. Desde maio do ano passado.
Ademir Assunção
Tuesday, February 03, 2009
semana
É diversão garantida. eu apareço por lá toda terça-feira. E geralmente me comporto, ao contrário do pessoal.
Na sexta, dia 09/02, a Fábrica de Animais faz seu primeiro show do ano na Livraria da Esquina. Na mesmo dia, a banda curitibana Hillbilly Rawhide - que me foi apresentada por uma leitora desse espaço - se apresenta no CB.
Agora, no sábado, o Thee Butchers Orchestra toca no CB. Nem me lembro quando foi a última vez que esses caras se juntaram para uma putaria. Eu vou aparecer com um chicote de couro para dar umas lambadas nas costas dos indies sofredores e nos caras da banda.
Algo me diz que estarei esmerilhado na próxima segunda.
o Teatro X é na Rua Rui Barbosa, 399 - Bixiga Tel.: (11) 3283-2780.
A Livraria da Esquina fica na Rua do Bosque, 1254 - Barra Funda.
O CB fica ali na Barra Afunda, numa rua perto da estação Marechal Deodoro.
prestenção no comecinho country da parada.
“Put your Cat clothes on” – Carl Perkins
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agora, isso aqui é mais sério:
Woody Guthrie - So long it's been good to know you
na próxima vez que eu me embebedar vou cantarolar essa canção pelas ruas.
Texas
Friday, January 16, 2009
Thursday, January 15, 2009
talarico
Friday, January 09, 2009
Thursday, January 08, 2009
Wednesday, December 24, 2008
Tuesday, December 23, 2008
satisfier
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Ando um tanto podre este final de ano, talvez por causa da cirurgia que minou minha resistência, tão podre que fiz até um check up para conferir o que se passa dentro dessa carcaça de grilo. Fiquei num cagaço, naturalmente, em pegar meus resultados, mas tudo está nos trinques. Não tenho Hepatite C, nem colesterol alto, muito menos o temível HIV corre em meu sangue. estou apenas com alguma coisa inflamada na minha caixa torácica e piolhos.
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Aqui tem o primeiro disco do Bill Fay inteiro pra baixar, assim, de mão beijada.
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Aqui, na moral, esse tal de Eli “Paperboy” Reed e sua banda The True Lovers fazem soul music com pegada de nêgo doido, tipo um Al Green cheirado numas de roqueiro. Um dos melhores discos desse ano.
Wednesday, December 17, 2008
capricho ou macumba

Monday, December 15, 2008
suma
Saturday, December 13, 2008
Thursday, December 11, 2008

Hoje também achei uma resenha da expo no Homem Nerd.
já o Guia da Folha disse que o Carlos Carah aborda a relação entre arte & drogas. Bom, acho que eles confundiram a exposição com o lançamento d’A Musa Chapada. Até ai normal, mas eu tenho nojinho das temíveis drogas.
Aqui uma musiquinha pro chicote estralar.
Bobby Day – “The Bluebird, the Buzzard and the Oriole”
Thursday, December 04, 2008
[]
Nos próximos dias 5 e 6 de dezembro, a baixocalão junta-se à enorme lista de atrações do Festival Quebramar de Música Independente, peripécia em vias de ACONTECÊNCIA na Universidade Federal do Amapá (Unifap), em Macapá.
No intervalo entre os shows de Macaco Bong (MT), Mopho (AL), Jorge Mautner (RJ) e outras 27 bandas florestais, uma VENENOSA SELETA de trabalhos dos artistas da galeria ABRILHANTA a festa piscando em um telão instalado nas redondezas do palco. Exposições, workshops e palestras complementam o evento, organizado numa JOINT-VENTURE entre o Coletivo Palafita e o Espaço Cubo.
A entrada é FRANCESA.
Participam da empreitada Glauber Shimabukuro (SP), Sandré Sarreta (RS), Victor eLgUY (SP), Diogo Rustoff (GO), Alex Senna (SP), Jotapepax (RS), Celso Gitahy (SP), Vânia Medeiros (BA), Fabiano Gummo (RS), Kael Kasabian (SP), Herbert Loureiro (AL), Paulo Ponte Souza (PA), BT Nóbrega (SP), Leonardo Malaquias (SP), Carlos Carah (SP), Dado Motta (SP), Rômolo D´Hipólito (SP), Mulheres Barbadas (SP), Lu Lapan (RJ), Andrea May (BA), Guilherme Caldas (PR) e Maurício Pierro (SP).
Só lembrando: dias 5 e 6 de dezembro de 2008, Unifap, Macapá, Amapá.
Entrada = zero rauls.
Estando por lá, prestigie.
via Cardoso.
























